terça-feira, 9 de novembro de 2021

GOVERNO E ORÇAMENTO DE ESTADO TRAÍRAM, MAIS UMA VEZ, OS ENFERMEIROS!

GOVERNO E ORÇAMENTO DE ESTADO TRAÍRAM, MAIS UMA VEZ, OS ENFERMEIROS!


O Orçamento de Estado (OE) foi chumbado na Assembleia da República (AR), felizmente para os Enfermeiros. E a esperança desta Classe Profissional é que se vá para eleições antecipadas, para daqui nascer um novo Governo e outro Parlamento, que passe a ter sensibilidade e dê resposta positiva às causas dos Enfermeiros.

Quando dizemos que felizmente o OE foi chumbado, sustentamos esta afirmação no facto de não estar inscrito neste magno documento nenhuma forma justa e merecida, de valorização efectiva, para os Enfermeiros. Na avaliação que se fez do OE, entre outras coisas más, e segundo a Própria Ordem dos Enfermeiros, estavam inscritos 220 milhões de euros para a valorização dos Recursos Humanos. Mas destes 220 milhões, foram destinados 200 milhões de euros para a Classe Médica. Os outros 20 milhões de euros seriam para as outras Classes da Saúde? Quanto ficaria para os Enfermeiros?

Os Enfermeiros andam há anos a demonstrar e a reivindicar a valorização da “Carreira” e as necessárias progressões. Nem Governo, nem oposição atendem a estas reivindicações!

Depois de todo o esforço brutal, sem gozar férias, nem folgas, com sacrifícios pessoais e familiares enormes, para assegurar o funcionamento dos serviços em situação calamitosa e de rotura na pandemia (internamento, consultas, visitas domiciliárias, vacinação, etc.), evitando-se assim, a rotura destes serviços e, fazendo-se a vacinação dos cidadãos que alcançou uma taxa histórica de cobertura de 85%, com o sucesso e dedicação que todos sabem e que o Sr. Vice-Almirante Gouveia e Melo, reconheceu e verbalizou: “… não posso deixar em especial destes profissionais, realçar os Enfermeiros. Fantásticos. Nós devemos muito a essa Classe”... só o Governo não viu e por isso não tinha nada mais para “oferecer” no OE? Que traição! Que ingratidão! Que perfídia!

Todos ficaram impressionados com o trabalho de uma batalha que parecia infindável, mas vacinamos milhões de cidadãos e vencemos a batalha. Mas parece que hoje, Governo, Partidos e Políticos se esqueceram e não souberam expressar nem verter no OE (que acabou chumbado) a devida correção de iniquidades e as assimetrias que duram há vários anos, sobre os Enfermeiros Portugueses. Injustiça! Traição! Hoje os Enfermeiros têm uma Carreira em escombros, que foi demolida também por um anterior Governo Socialista (2009). Portanto os Governos Socialistas não gostam, não apoiam nem valorizam os Enfermeiros!

Perante esta realidade, os Enfermeiros são forçados a endurecer a luta e voltar à rua, porque não é hora de ficar em casa! Não é hora de pensar que os outros farão por mim! É hora de firmeza! É hora de protesto! É hora de manifestação! Porque é hora de olhar para o futuro. É hora de vir para a rua, de forma ordeira e respeitadora, manifestar o nosso descontentamento pela Carreira de Enfermagem, lutar pela contagem de pontos/tempo e pela progressão e lutar por melhor remuneração e reconhecimento salarial.

A Sra. Ministra da Saúde não atendeu os Enfermeiros até agora e dificilmente o fará no futuro, não deixando assim alternativa ao protesto e firmeza dos Sindicatos e Classe de Enfermagem. Não é momento de ceder. Não pode haver equívocos nem desculpas. É momento de garra, de luta e de afirmação!

O primeiro passo foi dado no dia 28 de Outubro, numa manifestação frente à Assembleia da República (AR), alertando para a insatisfação, injustiças e assimetrias que se vivem no seio da Classe de Enfermagem. Não foi por acaso, que nesta manifestação, se verificou a presença de todos os Presidentes dos Sindicatos da Classe, que deixaram palavras de continuidade e endurecimento da luta.

Esta luta tem que ser endurecida para que os partidos possam ouvir, mais uma vez, (eles já conhecem) as reivindicações mais que justas dos Enfermeiros e para que não voltem a trair os Enfermeiros que são a maior Classe Profissional do SNS.

Não podemos admitir que sejam os Partidos a nivelar por baixo, as remunerações e a valorização profissional, quando os Enfermeiros Portugueses, com as habilitações literárias que possuem e as qualificações profissionais e a responsabilidade diária que todos os dias lhes é confiada, com a vida dos doentes nas mãos, asseguram o que de melhor há na saúde do tratar e do cuidar da Pessoa/Cidadão doente.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2021.11.04

terça-feira, 2 de novembro de 2021

RELEMBRANDO O VICE-ALMIRANTE GOUVEIA E MELO

RELEMBRANDO O VICE-ALMIRANTE GOUVEIA E MELO




Para relembrar os mais distraídos, da importância que o Sr. Vice-Almirante atribuiu aos Enfermeiros, no sucesso da vacinação, com a taxa de cobertura de 85% da População vacinada.

“… não posso deixar em especial destes profissionais, realçar os Enfermeiros. Fantásticos. Nós devemos muito a essa Classe”...
Vice-Almirante Gouveia e Melo

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2021.11.02

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

MANIFESTAÇÃO NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA 2021.10.28

MANIFESTAÇÃO NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
2021.10.28

Fosse, qual fosse a situação, em pandemia ou não, os Enfermeiros nunca falharam nem nunca faltaram ao País, a Portugal.

O inverso é que é verdade, particularmente os políticos que sempre falharam com os ENFERMEIROS PORTUGUESES.

H. D. 2021.10.28














Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2021.10.29

sábado, 23 de outubro de 2021

O QUE O SARS-COV-2 E A COVID-19 ME FIZERAM! - IV

O QUE O SARS-COV-2 E A COVID-19 ME FIZERAM! - IV


Finalização do artigo publicado em 11, 25.Set e 9.Out.

Caros Leitores, continuo hoje a escrever para falar de mim. Uma experiência vivida na primeira pessoa-Eu! No exercício de funções fui infectado com o “vírus SARS-CoV-2”, tal como tantos outros Profissionais de Saúde, quer em Portugal, quer no Mundo.

Após a alta hospitalar, no aconchego do lar, o carinho, o afago da esposa, dos filhos e dos meus pais e todos os familiares, nunca faltou. Permanecem na memória várias imagens: Os meus Pais e a minha Esposa, vivendo à distância momentos dolorosos. Apesar da distância física que nos separava, os poucos momentos que foram permitidos à minha Esposa estar fisicamente ao meu lado na cama dos Cuidados Intensivos, foram de num miminho extremo, com aquele doce olhar que poderia ter sido o último, na despedida… até à eternidade... Estes momentos de afago e carinho, quase sem palavras… foram muito bons… mas ao mesmo tempo dolorosos. Com toda a certeza, esta presença, contribuiu para me fazer agarrar à vida.

Ver os meus Pais, estar com os meus Pais com a distância necessária e preventiva e, não os poder abraçar…. As saudades apenas foram saciadas com o olhar, com a voz e a presença ao portão da casa.

Ver os meus Filhos com todo o semblante de tristeza, limitados todos nós na expressão de afecto familiar e privados de abraços, convívio e refeições conjuntas, etc… era tudo muito estranho. Até porque no nosso lar, a minha Esposa (também Profissional de Saúde) estava isolada e em confinamento, por estar infectada. O carinho e amor dos Filhos tiveram uma expressão máxima, porque eram eles que cozinhavam, me ajudavam a tomar banho, faziam a lide e a gestão da casa, devido às limitações, nosso isolamento e incapacidade física para o fazer. O contacto tão desejado com o meu Irmão, Cunhados, Sogros e Sobrinhos resumia-se ao contacto telefónico e pelas novas tecnologias de comunicação.

Tudo muito cruel e distante!

Coisas que hoje voltaram a ter um valor incalculável: Voltar a sentir a partilha e o convívio com a Esposa, o abraço dos Pais, dos Filhos e outros Familiares. Voltar a entrar em casa. Voltar a ver o mar. Voltar a sentir, “saborear” o cheiro do meu quotidiano… Começar a cruzar com os Amigos e conhecidos… Um mundo infindável de coisas!

Depois, dia-a-dia, havia que se trabalhar a recuperação. Comecei logo com fisioterapia e cinesiterapia, que ainda permanece, com várias sessões semanais, o que tem ajudado na recuperação funcional dos pulmões e nas saturações de oxigénio. E ao longo destes já 8 meses, havia que subir degrau a degrau, de um calvário que parece interminável, mas que tem que se enfrentar.

A doença COVID-19 não afecta só os pulmões desencadeando pneumonia. A doença COVID-19 é muito mais “agressiva” e deixa limitações e sequelas, e provavelmente algumas que ainda não conhecemos, que só o tempo e a investigação nos vão desvendar. Outras, infelizmente, já conhecemos e sentimos: Dores músculo-esqueléticas, perturbações psicológicas, neurológicas e psiquiátricas, etc… O doente COVD-19 , na sua fase de recuperação não é só um doente das especialidades de pneumologia e fisiatria, mas sim, de outras especialidades. Foi o padrão do sono que se alterou, e que ainda hoje não está regularizado, e por isso dificulta a vida diária, a concentração e a energia necessária a um sadio dia. O humor, o raciocínio, a memória e a capacidade e velocidade de correlacionar o raciocínio com o verbal, na rapidez e elasticidade que o cérebro possuía. A fadiga permanente!

Hoje já se fala na questão do doente “long covid”. E isso é uma realidade. Não se pode olhar só para este doente na perspectiva e especialidade da pneumologia, mas sim, numa visão holística do doente/paciente. Este doente/paciente vai apresentar queixas e disfunções orgânicas por muito tempo. A Medicina Familiar tem um papel importante e insubstituível no acompanhamento destes doentes. Precisa e continuará a precisar dos cuidados de várias especialidades médicas. Aguardemos os estudos que se estão a fazer e toda a evolução desta doença, com a implicação das novas variantes e a atenuação das complicações graças às vacinas (devo dizer que eu, no início, estava muito cético à vacinação), mas também ao comportamento preventivo de cada um.

Entre outras queixas, sabemos que os doentes que sofreram doença Covid-19, referem:

· Cansaço;

· Dispneia acentuada em caminhar em pisos com declive ou subida de escadas;

· Dispneia ao esforço (pegar em pesos, actividades repetidas);

· Dores articulares e musculares;

· Enjoo e náuseas;

· Perda de visão, que entretanto se vai recuperando alguma coisa;

· Perda de acuidade auditiva;

· Queda acentuada de cabelo;

· Aumento do intervalo interdentário;

· Dificuldade de concentração;

· Raciocínio lento e lenta transição do raciocínio para a oralidade e escrita;

· Etc.

Palavras de gratidão, devo-as a tantos Profissionais de Saúde. A todos os serviços da ULSAM por onde passei, à Medicina do Trabalho que me acompanha mensalmente, com uma simpatia e disponibilidade permanente e sem regatear esforços no pedido de colaboração, consultas e exames de outras especialidades médicas, para a minha recuperação ser plena. Ao Médico e Enfermeiro de Família pelo apoio e disponibilidade sempre presente e manifestada. À terapeuta que ao longo destes já longos meses de recuperação, me tem ajudado com fisioterapia e cinesiterapia nas várias sessões semanais. Têm sido de uma ajuda imprescindível.

Palavras de gratidão também, aos meus Colegas da Unidade e do meu Serviço (todas as Classes Profissionais), que inúmeras vezes, logo após a alta hospitalar, passaram no meu domicílio para se disponibilizarem a tratar-me e a ajudar no que fizesse falta. Nos inúmeros telefonemas que me dedicaram, para saber do meu estado e incentivar na recuperação. Uma preocupação constante!

Às pessoas amigas que ainda hoje, pelas diversas formas, se preocupam com o meu estado de saúde, o meu obrigado.

Numa outra perspectiva, apesar de Profissional de Saúde, mas agora como cidadão doente/utente/paciente, o que vi e vivi? Já numa fase mais recuperada, vi, nesta “minha” ULSAM, Profissionais de Saúde dedicados, esgotados, cansados e com um saber científico, imenso. Uma dedicação extrema aos doentes, conforme o seu estado de saúde/doença. Os serviços superlotados. Uma pressão imensa. A rotura dos serviços era iminente! Mas a dedicação e o profissionalismo era o mesmo.

Temos efectivamente um Serviço Nacional de Saúde vivo, com capacidade de resposta, mas que precisa de ser “acarinhado”, valorizado, potenciado, financiado e reconhecido. E os seus Profissionais, também, não com palmas, mas com valorização remuneratória e de carreiras! Tudo isto leva também a perguntar: Se não tivéssemos um SNS como o que temos, como tinha sido a capacidade de resposta e a capacidade de vacinação que se verificaram?

Um imenso sentimento de gratidão a Todos.

Fim.

Humberto Domingues
Enf. Especialista Saúde Comunitária
2021.10.21

terça-feira, 19 de outubro de 2021

ENFERMAGEM, É HORA DE VIR PARA A RUA!

ENFERMAGEM, É HORA DE VIR PARA A RUA!



Não é hora de ficar em casa! Não é hora de pensar que os outros farão por mim!

É hora de firmeza! É hora de protesto! É hora de manifestação! Porque é hora de olhar para o futuro.

É hora de vir para a rua, de forma ordeira e respeitadora, manifestar o nosso descontentamento pela Carreira de Enfermagem, pela não progressão e lutar por melhor remuneração e reconhecimento salarial.


Aos Jovens Enfermeiros, um apelo: pensem no presente, mas também no Vosso futuro. Merecemos mais e melhor Carreira com possibilidade de progressão e melhor salário.

Não há desculpas para não estar presente. Há transporte disponível e a situação justifica a nossa presença.

Quem não atendeu os Enfermeiros até agora, dificilmente o fará no futuro, sem protesto e firmeza dos Sindicatos e Classe de Enfermagem.

Não é momento de ceder. Não pode haver equívocos nem desculpas. É momento de garra, de luta e de afirmação!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2021.10.19

domingo, 17 de outubro de 2021

ENFERMAGEM, É HORA DE VIR PARA A RUA!

 ENFERMAGEM, É HORA DE VIR PARA A RUA!


É hora de firmeza! É hora de protesto! É hora de manifestação!

É hora de vir para a rua, de forma ordeira e respeitadora, manifestar o nosso descontentamento.

Quem não atendeu os Enfermeiros até agora, dificilmente o fará no futuro, sem protesto e firmeza dos Sindicatos e Classe de Enfermagem.

É hora de ver também, quais são os Partidos/Grupos Parlamentares que fazem propostas dignas para melhorar o Orçamento de Estado e introduzir alterações e inscrição de valores/rubricas e cabimentação de verbas, para os ENFERMEIROS PORTUGUESES.

Será que a Nação tem consciência dos prejuízos e danos que esta Ministra da Saúde, Doutora Marta Temido, tem causado aos Enfermeiros?

Será que se tem real conhecimento do que estes Governos Socialistas têm prejudicado a Enfermagem?

Que não haja cedências nem desmobilizações desta frente de luta, com falsas promessas de retomar negociações. Já temos exemplos que cheguem de falsas negociações e adiamentos constantes.

Após as negociações satisfatórias, aí sim, honrar os compromissos. Até lá, não ceder!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2021.10.17

sábado, 16 de outubro de 2021

MAIS UM IGNORANTE COMENTADOR DE TELEVISÃO

MAIS UM IGNORANTE COMENTADOR DE TELEVISÃO



Então temos um “douto” energúmeno e boçal, de seu nome Rodrigo Moita de Deus, que se refere aos Enfermeiros como “os Senhores que dão as picas”.

Ficou claro para todos, as barbaridades que este senhor disse e diz e, qual o nível de conhecimento, cultura e educação que tem.

Quando este “douto” ignorante e boçal precisar para ele ou para um familiar próximo, dos cuidados de saúde de um Enfermeiro, vai perceber o quanto é ignorante, se a própria ignorância o permitir. Vai aprender que para além das “picas” os Enfermeiros fazem muitíssimo mais e para isso têm formação diferenciada e qualificada, reconhecida por convenções internacionais e letra de lei.

Quando um dia perceber que o Enfermeiro está sempre presente durante todo o ciclo vital até ao último minuto de vida das pessoas, quando todos os outros já se foram embora, vai sentir remorsos do que disse.

Que a vida do “douto” Rodrigo Moita de Deus lhe sorria sempre, para que por qualquer infelicidade, não venha a precisar de cuidados “dos Senhores que dão as picas”.

Algum dia a vida lhe dará o retorno da ignorante, triste e boçal afirmação que fez!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2021.10.16

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

ENFERMAGEM, É HORA DE VIR PARA A RUA!

ENFERMAGEM, É HORA DE VIR PARA A RUA!




Reparem, passados 21 dias e com data já passada de 21 de Setembro, é que chega hoje, aos 7 Sindicatos dos Enfermeiros, a resposta às suas reivindicações. Desconsideração Total!

Na mesma missiva assinada pelo Sr. Secretário de Estado da Saúde, Dr. Lacerda Sales, refere que as negociações têm que ser feitas fora da aprovação do Orçamento de Estado 2022!!!! Desconsideração e falta de respeito total pelos Enfermeiros.

Depois, nas declarações públicas da Srª. Ministra da Saúde Doutora Marta Temido, possivelmente dirigida aos Médicos e aos Enfermeiros, diz: “garante que o Governo está disponível para dialogar com os sindicatos, mas que isso não significa dar respostas a todas as reivindicações”. Deve ler-se que se pode dialogar, adiar o problema, para não dar resposta positiva, nenhuma…. É o habitual!!!!!!!

Apesar destas afrontas todas, das desconsiderações e falta de respeito deste Governo Socialista no geral, e do Ministério da Saúde em particular, contra os Enfermeiros, os Sindicatos da Classe apenas marcam 2 (dois) dias de greve (3 e 4 de Novembro)! E porque não o dia 28 de Outubro, também? Só dois dias?????

Neste momento crucial, com o Governo fragilizado, é tal o desnorte….. E os Sindicatos “só querem” 2 dias de greve?????? Parece-me que algo continua mal…..

Parece que está a ser desperdiçada uma grande oportunidade, porque estou convencido que os Enfermeiros estão disponíveis para neste momento, fazerem mais dias de greve!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2021.10.15

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

ENFERMAGEM, É HORA DE VIR PARA A RUA!

ENFERMAGEM, É HORA DE VIR PARA A RUA!



Será que a Nação tem consciência dos prejuízos e danos que esta Ministra da Saúde tem causado aos Enfermeiros?

Será que se tem real conhecimento do que estes Governos Socialistas têm prejudicado a Enfermagem?

Que não haja cedências nem desmobilizações desta frente de luta, com falsas promessas de retomar negociações. Já temos exemplos que cheguem de falsas negociações e adiamentos constantes.

É hora de firmeza! É hora de protesto! É hora de manifestação!

Após as negociações satisfatórias, aí sim, honrar os compromissos. Até lá, não ceder!

Quem não atendeu os Enfermeiros até agora, dificilmente o fará no futuro, sem protesto e firmeza dos Sindicatos e Classe de Enfermagem.
 
É hora de vir para a rua, de forma ordeira, manifestar o nosso descontentamento.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2021.10.13

sábado, 9 de outubro de 2021

O QUE O SARS-COV-2 E A COVID-19 ME FIZERAM! - III

O QUE O SARS-COV-2 E A COVID-19 ME FIZERAM! - III



Continuação do artigo publicado em 11 e 25/09/2021

Caros Leitores, continuo hoje a escrever para falar de mim. Uma experiência vivida na primeira pessoa-Eu! No exercício de funções fui infectado com o “vírus SARS-CoV-2, tal como tantos outros Profissionais de Saúde, quer em Portugal, quer no Mundo.

Não posso deixar de falar na minha “passagem” pelo Serviço de Urgência durante este percurso doloroso. Serviço cheio. Admissões permanentes. Grande número de doentes em observação. Profissionais assoberbados de trabalho. Avaliação permanente dos doentes e, gestão difícil, devido à limitação de vagas para internamento em consequência da afluência de Doentes Covid.

Nesta esmerada, competente e presença permanente de Enfermeiros e Médicos na monitorização e cuidar do meu preocupante estado de saúde/doença, chega a decisão clínica, após uma vaga ocorrida na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), para a minha transferência para esta Unidade. Quando se concretizou esta transferência para a UCI, contando com a querida e desejada presença da minha Esposa, um Colega que durante a manha cuidou de mim, fez questão de acompanhar a minha transferência para a nova Unidade e, este acompanhamento, fê-lo, apesar de já ter terminado o seu turno de serviço. Mas apesar disso, não saiu de turno sem antes me deixar na UCI. Só há uma palavra – Gratidão!

Chegou o dia de alta dos Cuidados Intensivos e transferência para os Cuidados Continuados/Intermédios, na Unidade de Covid da medicina 8. Que alegria! Mas o receio de regressão e voltar à UCI estava presente, também. Transferido no leito, com oxigênio ligado e vigilância. Sensação diferente à que vivi, quando da Medicina Crítica da Urgência, fui transferido para a UCI.

A estadia neste serviço (piso 8), onde já tinha estado antes de descer à Urgência e depois aos Intensivos, tinha agora, “outro sabor”. Um passo grande de recuperação, embora ainda, num percurso sinuoso a exigir muita vigilância e cautelas. Estar no leito, mas poder olhar pela janela da enfermaria e perceber o dia e a noite, o nascer do dia e o acaso, poder ver o mar, a entrada e saída de barcos de recreio, de pesca artesanal e mercantes, era uma coisa indescritível. As gaivotas que nos visitavam e pousavam no parapeito das janelas, pelo exterior. Coisas comuns, que agora tinham um espírito e “sabor” especial.

Coisas pequenas, mas extraordinárias foram acontecendo. A elevação do leito, o levante para o cadeirão, o banho na cadeira de rodas e por fim duche com ida e vinda pelo próprio pé e o tomar as refeições na mesa da enfermaria. Tanta conquista, já, que me emocionava e que me dava forças para lutar e continuar a viver. Mas a debilidade era grande. Muita massa muscular perdida. Algum desequilíbrio. Enjoos. Dificuldade em dormir, com o padrão do sono alterado. As “amigas” dores músculo-esqueléticas sempre presentes.

As refeições eram muito boas, cuidadas e com reforços de suplementos vitamínicos, para colmatar todas as perdas nutricionais que tinham ocorrido.

O momento era delicado. O contacto com os Familiares e exterior, só por via telemóvel ou telefone. Não havia visitas!

Mais um serviço, tal como os anteriores, e Equipas de excelência, onde para além dos cuidados de saúde prestados, a simpatia e afecto humano se faziam sentir. A preocupação para que o conforto e o bem-estar estivessem sempre presentes, era uma constante. Profissionais de fino recorte na excelência no desempenho com elevado conhecimento científico e humanização nos cuidados.

A Equipa de Enfermagem, apesar de desfalcada, estava sempre presente e dava resposta a todas as solicitações dos doentes graves e menos graves. A Equipa Médica respondia a todas as solicitações. Os Assistentes operacionais complementavam todos os cuidados, necessidades e solicitações, dentro das suas competências. Outras especialidades disseram presente e fizeram o acompanhamento: Fisioterapia/Cinesiterapia, Nutrição.

Os dias foram passando. A bateria de exames, análises e gasimetrias eram diárias. Nada podia faltar e não faltava, mesmo!

Se durante o dia se via a azáfama dos Profissionais, particularmente dos Enfermeiros, a tratar dos doentes, altas e admissões, tudo se complicava no turno da tarde e noite com a Equipa mais reduzida, mas uma intensidade de trabalho brutal. Mas o sorriso, a competência, o conhecimento científico, o olhar atento e clínico para o não-verbal dos doentes, era/é uma característica destes heróis, apesar dos semblantes de cansaço, das “olheiras” e de muitos quilómetros nas pernas, durante os turnos.

Há gestos que jamais podemos esquecer. A Enfermeira Gestora deste Serviço, minha Colega da Especialidade, tinha sempre um gesto de muito carinho, um miminho permanente: o envio de um café pós refeição do almoço. E no dia da alta hospitalar, o especial café vinha acompanhado por dois “bolos húngaros”, que a Colega tinha comprado na pastelaria, logo pela manhã, expressamente para mim.

Cá fora as preocupações com o meu estado de saúde eram muitas. Os Colegas da minha Unidade de Saúde, das diferentes classes profissionais, disseram sempre presente. Os meus Colegas, uns ainda no activo, outros já jubilados, de outra Unidade, com quem trabalhei e trabalho, fizeram uma corrente de fé, orações e de energia positiva, por mim. Muitas e muitas pessoas telefonaram à minha Esposa, aos meus Pais, a inteirarem-se do meu estado de saúde. A TODOS, estou-lhes muito grato. Não posso esquecer ninguém!

No dia da alta hospitalar, ver o meu filho mais velho na portaria do hospital para me trazer para casa, foi uma sensação indescritível. Voltar a ver aqueles olhos de diamante, com a cor do doce mel, foi fabuloso. Voltar a ver os meus Pais, embora à distância, prevenindo riscos desnecessários, ver a minha casa e sentir o abraço dos meus Filhos e Esposa, foi/é extraordinário e difícil de explicar. Ainda hoje o é! Muita emoção junta, muitas sensações únicas! Fazer o trajecto de regresso a casa, olhando e sentindo o mar, voltar a “viver o meu espaço”, não é traduzível em palavras!

Humberto Domingues
Enf. Especialista Saúde Comunitária
2021.10.09

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

GLOBOS DE OURO - DECLARAÇÕES DO SR. VICE-ALMIRANTE GOUVEIA E MELO

GLOBOS DE OURO - DECLARAÇÕES DO SR. VICE-ALMIRANTE GOUVEIA E MELO

"... não posso deixar de realçar os Enfermeiros.
Fantásticos!
Nós devemos muito a essa classe”.


Link do Vídeo das Declarações do Sr. Vice-Almirante Gouveia e Melo


Numa visão de fora e que agora sentiu por dentro, o Sr. Vice-Almirante Gouveia e Melo, numa afirmação serena, responsável e com o Globo de Ouro na mão, agradeceu a todos os Profissionais de Saúde e com a voz embargada de emoção louvou e agradeceu a dedicação dos Enfermeiros, na cerimónia dos "Globos de Ouro", da Televisão SIC.

Pena que o Governo não ouça e não valorize, assim como uma boa franja da População, também não o faz, sobre o trabalho e valor dos Enfermeiros.

Se não fossem estas capturas e registos de sons e imagens, também a Comunicação Social, escamoteava a divulgação destas afirmações. Que pena!

H. D. - 2021.10.04

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

As tropelias Socialistas

As tropelias Socialistas



“Contra factos não há argumentos”.

1- Tiro no Almirantado e afundamento do “Submarino”
Que trapalhada com os Almirantes, Vice-almirante e Política!
Será que esta trapalhada toda na Marinha (Instituição de Respeito) e nas suas cúpulas, foi estratégia do Dr. António Costa, para desviar as atenções, da derrota do PS (sua própria derrota) na Câmara de Lisboa?
O Vice-almirante Gouveia é Melo, o Submarinista agora afundado, merecia este imbróglio e enxovalho?
O Sr. Ministro da Defesa já se demitiu? Sujeitou-se a ser desautorizado e enxovalhado pelo Sr. Presidente da República e Chefe Supremo das Forças Armadas e continua Ministro, é a merecer a confiança no Governo e do Sr. Primeiro-Ministro, Dr. António Costa?
E o Sr. Presidente da República, que quase era ultrapassado por esta Esquerda trauliteira, teve que em “praça pública” “puxar dos galões” e falar em 3 equívocos, ficou bem na fotografia?
Exerceu bem o seu poder de influência, declarando o que declarou na “praça pública”? Foi para pôr um travão a fundo neste “eu quero, posso é mando” do Dr. António Costa?

2- Passaram apenas 2 dias, após as “Eleições Autárquicas 2021” e foi publicado o “Relatório Ambiental Preliminar” que encerra em si as zonas de prospecção e exploração do lítio. Está publicação logo após as eleições, não leva à presunção de “cheiro a esturro”? Se este relatório fosse publicado antes das eleições, o PS ganharia em algumas Autarquias?
Está publicação nesta data, leva a pensar, que o PS, mais uma vez, quis “enganar” o Povo nas suas jogadas “debaixo da mesa”!

3- A Justiça no seu pior.
A fuga previsível é quase que anunciada de Rendeiro, mancha a Justiça e os seus operadores, mais uma vez.
A Justiça assim, é como uma teia de aranha, onde os pequenos ficam presos e os grandes furam a teia e fogem.
Que tem a dizer a Sra. Ministra da Justiça? Que pensa o Povo de tudo isto?

4- Todos estes acontecimentos, não são maquiavélicos, pensados pelo Dr. António Costa, para acelerar a remodelação governamental e desviar as atenções da (sua) derrota Socialista nas Autárquicas 2021?

Humberto Domingues
Enf. Especialista saúde Comunitária
2021.09.30

sábado, 25 de setembro de 2021

O QUE O SARS-COV-2 E A COVID-19 ME FIZERAM! - II

O QUE O SARS-COV-2 E A COVID-19 ME FIZERAM! - II



Continuação do artigo publicado em 2021.09.11

Caros Leitores, continuo hoje a escrever para falar de mim. Uma experiência vivida na primeira pessoa-Eu! No exercício de funções fui infectado com o “vírus SARS-CoV-2, tal como tantos outros Profissionais de Saúde, quer em Portugal, quer no Mundo.

Houve dias de dolorosas experiências…

Durante esta luta e resistência, só me lembrava que ainda era novo para partir, ia deixar as pessoas que mais amo para sempre – a minha Esposa, os meus Filhos, os meus Pais e o meu Irmão. Muitos Colegas estiveram presentes nestes pensamentos de despedida e de angústia. Tinha ainda tanto para viver e merecia viver mais!

Mas… a vida deu-me uma segunda oportunidade. Para além dos saberes da ciência e da medicina, uma força maior e divina esteve ao meu lado, com certeza, que me manteve vivo! Eu acredito nesta força divina!

A vivência nos Cuidados Intensivos e nos outros Serviços da ULSAM, neste internamento, obrigou-me a dar outro valor ao tempo, à noção do tempo e à vida. Um tempo mais demorado, mais marcado. Tudo passa a ser importante. O risco presente e vivido de se morrer, faz-nos estabelecer prioridades, relativizar muitas coisas e vontade de viver cada momento diferente, experiência ou situação, junto de quem amamos e queremos, com um sabor e prazer diferentes. E há tanta coisa boa para viver e desfrutar, e que na nossa correria desenfreada do dia-a-dia, nem notamos nem damos valor.

Nesta difícil e horrenda experiência, o MEDO, algo impessoal, invisível, abstrato, mas que marcou presença e que se fez sentir e me fez perceber a sua dimensão nociva e aterradora, nas suas variadas formas – obrigou-me a pensar muito e a temer sempre o pior! À pergunta se tive medo de morrer? Respondo: Sim tive! Tive muito, muito medo de morrer. E mais medo de morrer sem ter a oportunidade de me despedir de ninguém… de quem mais amo…de quem queria dizer… até um dia na imensidão… ou no céu para os crentes!

Os dias de internamento foram passando, perdendo-se a noção do tempo, se é noite ou dia. A frescura e brancura dos lençóis da cama acolhiam o meu corpo com toda a suavidade, diminuindo o impacto do mergulho da solidão de uma cama hospitalar e as dores esqueléticas que o vírus me impunha. Alguma orientação, em função das refeições, de resto, tudo é abstrato, distante, impessoal por estarmos entre paredes de vidro, isolados, na solidão dos “pis pis” das máquinas que me monitorizavam, mas sempre vigiado pelo olhar dos incansáveis Enfermeiros de turno! Algo de bom que sentia, era quando algum Profissional de Saúde, muito frequentemente me vinha “visitar”, perguntar como estava, se precisa de algo, ou dar “notícias” sobre a evolução, principalmente, após as gasimetrias.

A hora da higiene, pela manhã, era boa, porque apesar de impossibilitado de o fazer, os Colegas Enfermeiros proporcionavam o banho no leito, cama mudada, reposicionamento do corpo, e a preocupação sempre presente para proporcionar conforto físico e psíquico. Impossibilitado de me barbear, uma Colega Enfermeira, dedicou-me alguns minutos, ao barbear-me e oferecendo-me esse conforto. Todos os Profissionais extremosos e preocupados com o meu bem-estar, físico, emocional e o equilíbrio bio e psíquico.

A máscara facial de ventilação mecânica não invasiva de oxigenoterapia, “eterna companheira” destes dias dolorosos, não podia ser retirada! Apenas substituída por cânula nasal de alto fluxo, e rapidamente, por cânulas bi-nasais, quando chegava a hora da refeição. As saturações de oxigênio caíam rapidamente ao esforço com as mobilizações e posicionamentos para tomar as refeições. Após a ingestão dos alimentos, era imperativo o recolocar da máscara, sempre muito bem adaptada!

Percebia, nas rotinas, quando havia necessidade de fazer alguma punção para a gasimetria arterial, uma vez que a punção central, já se tinha perdido, por exteriorização do cateter, ao fim de alguns dias. A esperança estava sempre presente, quando este sangue arterial agora colhido, me trouxesse boas notícias e de evolução. No princípio muito poucas vezes aconteceu. Na maior parte, resultados eram estáveis, perto da linha d’água (da vida ou da morte). Às vezes sim, boas notícias, as saturações tinham melhorado 1%, 5%, 15%. Que alegria! A esperança renascia! E assim foram 11 dias nos Cuidados Intensivos.

Humberto Domingues
Enf. Especialista Saúde Comunitária
2021.09.21





quinta-feira, 23 de setembro de 2021

PEDIDO DE DESCULPAS DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

PEDIDO DE DESCULPAS DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

Veiculado pelos Sindicatos de Enfermagem, na passada 3ª. feira (2021-09-21) quando os Presidentes dos Sindicatos pretendiam entregar, devidamente agendado, à Srª. Ministra da Saúde, Doutora Marta Temido, um caderno de reivindicações e o pedido de reabertura de negociações, foram antes disso, identificados pela PSP e, depois, veja-se o desplante desta governante, ordenando que uma Funcionária Administrativa recebesse o dito documento, no hall dos elevadores, desconsiderando a comitiva de Presidentes dos Sindicatos, os Sindicatos e depois e por fim, toda a Classe de Enfermagem, que os Sindicatos representam.

Cabe-me dizer, que eu, no lugar de algum destes Srs. Presidentes, pura e simplesmente, nestas condições, não entregava nenhum documento. E para além disso, redigia uma reclamação, no livro de reclamações do próprio Ministério. O respeito exige-se a todos, particularmente aos Governantes. Estes podem ter o poder de decisão, mas não estão acima de ninguém!

Depois, é a demonstração clara da qualidade dos Ministros que temos num Governo do PS e dos políticos de hoje que vagueiam por aí. “Canudo”/diploma podem ter, mas depois falta-lhes o saber ser, saber estar e saber fazer, seja política, diplomacia e acima de tudo, educação. Para além disso, já todos vimos e sabemos, que o nivelamento de posturas, critérios e condutas é sempre por baixo, num “chico espertismo” perturbador da mais sã convivência e respeito democrático pelas Pessoas, pelas Instituições e pelos princípios.

Face à insatisfação manifestada pelos Presidentes dos Sindicatos e que teve grande eco nas redes sociais, porque a Comunicação Social está subsidiada pelo Governo e por isso não pode divulgar estes casos de má educação e falta de respeito, porque se o fizerem, lá vai a subvenção dos 15 milhões que os compraram e calaram, os Enfermeiros tem-se manifestado em endurecer as lutas.

Hoje, segundo o que li de um Presidente de um destes Sindicatos, foi recebido um pedido de desculpas de uma Assessora da Sra. Ministra da Saúde, pelo ocorrido no dia 21, na recepção no Ministério da Saúde.

Penso mais uma vez, que este acto de pedido de desculpas, não produzido pela Srª. Ministra da Saúde, é outro desrespeito, “embalado” num cinismo, falta de educação e falsa humildade.

Os Sindicatos não podem aceitar este pedido de desculpas! A Srª. Ministra da Saúde, Doutora Marta Temido, se ainda lhe restar alguma dignidade como pessoa e como governante, terá de ser ela a verbalizar este pedido de desculpas, acompanhado com a recepção da Comitiva Sindical, no seu gabinete. Menos que isto não é aceitável, nem tolerável!

Isto é brincar com coisas sérias. É um desrespeito total pelas Instituições e pelas pessoas que as representam! Para além disso é mais uma vez o Governo do PS a desrespeitar a Classe Profissional dos Enfermeiros.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2021.09.23

sábado, 11 de setembro de 2021

O QUE O SARS-COV-2 E A COVID-19 ME FIZERAM! - I

O QUE O SARS-COV-2 E A COVID-19 ME FIZERAM! - I


Caros Leitores, hoje escrevo para falar de mim. Uma experiência vivida na primeira pessoa-Eu!

No exercício de funções fui infectado com o “vírus SARS-CoV-2, tal como tantos outros Profissionais de Saúde, quer em Portugal, quer no Mundo.

Após uma noite mal dormida e com sintomas do gênero de uma gripe forte, fiz o teste nesse mesmo dia e no dia seguinte tinha o resultado confirmado: “positivo para SARS-CoV-2”. Recolhimento ao domicílio e vigilância sobre os sintomas e estado de saúde.

Passados dois dias, recorro à urgência para reavaliação face a ligeiras queixas, não de “falta de ar” (dispneia), mas aumento da temperatura corporal. Feito RX torax e gasimetria arterial, os resultados apresentaram-se “normais” e portanto, sem razões para internamento, mas a necessária vigilância.

Seguiram-se 4 dias sem melhoras nenhumas, noites mal dormidas, uma actividade cerebral enorme e a temperatura corporal na ordem dos 38 a 39º, embora sem queixas de dispneia. Perante este estado de coisas, recorro ao S.U. de onde já não saí, ficando internado. O percurso depois foi demorado e doloroso, com passagem por vários serviços – Medicina critica, Cuidados Intensivos, Cuidados Continuados e finalmente, ao fim de 3 semanas, alta hospitalar.

A experiência mais assustadora:

Numa das noites nos Cuidados Intensivos “senti que ia partir desta vida terrena”, que ia morrer! Uma experiência horrenda! Uma personagem só com a face em caveira e o frontal do crânio, com uma cabeleira enorme e preta para trás, com um vestido negro, estende-me o braço direito, só em ossos, e com a ossada da mão direita, chama-me para junto dela, à entrada de um túnel negro, muito escuro e longo, com figuras também horrendas, bizarras e assustadoras, que esvoaçavam e outras estavam fixas nas paredes. As investidas eram grandes, e eu a tentar defender-me! Depois de muita resistência da minha parte, numa luta esgotante, e muita insistência da “personagem aterradora” que me queria levar, esta atira-me pequenos panfletos em forma rectangular de cor violeta escura, brilhante. Assustador! Terrorífico! Nunca antes vivido. Depois afasta-se de mim, numa atitude e “sorriso” de escárnio, menosprezo, assustador e ameaçador. Imagem horrenda!

Houve dias de dolorosas experiências…Durante esta luta e resistência, só me lembrava que ainda era novo para partir, ia deixar as pessoas que mais amo para sempre – a minha Esposa, os meus Filhos, os meus Pais e o meu Irmão. Muitos Colegas estiveram presentes nestes pensamentos de despedida e de angústia. Tinha ainda tanto para viver e merecia viver mais!

Os dias vividos nos Cuidados Intensivos, com os pulmões bastante infectados, com saturações de oxigénio muito baixas foram muito dolorosos. A incerteza de melhoras pairava… Vivi grande parte destes dias com a máscara de oxigénio em ventilação não invasiva permanentemente colocada, sempre muito bem apertada e ajustada à cabeça e à face com “tiras elásticas” para evitar fugas e perdas de O2 e assegurar uma ventilação eficaz e mais altas saturações de oxigénio, Ao fim de pouco tempo, torna-se incômoda e até dolorosa. Foi algo difícil de suportar. Após vários dias de uso desta mâscara, houve zonas da face que ficaram magoadas pelo apoio e aperto que suportaram, apesar da colocação de materiais de protecção e prevenção de feridas. Foram vários dias de permanência no leito, que cada vez se foram tornando mais dolorosos e desconfortáveis, em qualquer decúbito, apesar dos cuidados que me foram prestados de prevenção de escaras. A mobilização na cama era dolorosa. Dores articulares e musculares, astenia… perda de muita massa muscular, falta de ânimo… Os levantes do leito para o cadeirão, começaram por ser tímidos devido à falta de ar (dispneia) com os movimentos, mas também toda a funcionalidade músculo-esquelética estava debilitada, comprometida e por isso, não funcional. O medo de não mais recuperar… a impossibilidade de andar a pé, pelo próprio pé, estava muito presente. Associado a tudo isto, a incapacidade para a higiene pessoal diária, de forma autônoma. O padrão de sono alterado. No início, custa ouvir todos aqueles “pis pis” das máquinas que nos monitorizam. Depois habituamo-nos. Quando acontece o primeiro banho de corpo inteiro no duche, pelo próprio pé, apesar de vigiado para prevenção de quedas… uma grande conquista! Qual pudor, qual pensamento… constrangimento… algum… mas vamo-nos habituando, também.

Nesta difícil e horrenda experiência, o MEDO, algo impessoal, invisível, abstrato, mas que marcou presença e que se fez sentir e me fez perceber a sua dimensão nociva e aterradora, nas suas variadas formas, obriga-nos a pensar muito e a temer sempre o pior! A minha Família esteve sempre presente nos meus pensamentos. Fisicamente não era possível estarem comigo. Apenas a minha esposa pode estar, numa fugaz visita, (num momento para se despedir de mim até à eternidade) e por ser Técnica Superior de Saúde na Instituição Hospitalar. Tive muito, muito medo de morrer. Sim tive! E mais medo de morrer, ainda, sem ter a oportunidade de me despedir de ninguém… de quem mais amo…

Mas… a vida deu-me uma segunda oportunidade. Para além dos saberes da ciência e da medicina, uma força maior e divina esteve ao meu lado, com certeza, que me manteve vivo! Eu acredito nesta força divina!

No dia da alta hospitalar, ver o meu filho mais velho na portaria do hospital para me trazer para casa, foi uma sensação indescritível. Voltar a ver os meus Pais, a minha casa e sentir o abraço dos meus Filhos e Esposa, foi/é extraordinário e difícil de explicar. Ainda hoje o é!

Pensei muito, muito na minha Família. Pensei muito na minha Avó já falecida, que foi uma estrelinha que também me protegeu. Pensei em Deus, na Srª. de Fátima e em S. Pedro de Varais (Santo da minha Freguesia). Acredito que houve uma força maior, algo divino, que me protegeu.

P.S. – Uma palavra de agradecimento ao Sr. Director, Dr. Paulo Monteiro, do Jornal “Correio do Minho”, que manteve a sua disponibilidade para retomar a colaboração e publicação das minhas crónicas, interrompidas desde Janeiro/2021, devido à Covid-19.

Humberto Domingues
Enf. Especialista Saúde Comunitária
2021.09.10

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

A VULGARIDADE QUE SUA EXCELÊNCIA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA INTRODUZIU NAS CONDECORAÇÕES

 A vulgaridade que Sua Excelência O Presidente da República introduziu nas condecorações. 



Hoje o Sr. Vice-Almirante Gouveia e Melo foi condecorado por Sua Excelência O Presidente da República. 


Pareceu-me que Sua Excelência O Presidente da República desejou fazer um mix condecorando o Sr. Almirante pela carreira militar e pelo facto de ser o coordenador da vacinação Covid, e se ter chegado aos 70% da População Portuguesa vacinada. 

Não digo que não seja merecida a condecoração pela carreira militar e por consumar com êxito tantas missões.

Quanto ao facto de se alcançar os 70%, isso deve-se aos Profissionais de Saúde, nomeadamente Enfermeiros. Sua Excelência O Sr. Presidente da República, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, anda muito distraído. Nos sabemos, a idade não perdoa!

Mas, justificando o título deste meu post, as condecorações têm sido tantas e tantas, que se tornam vulgares e retiram o brilho aos momentos e condecorações, que efectivamente devem representar o reconhecimento, a diferença e a gratidão pelos feitos alcançados.

Mas sua Excelência o Presidente da República tem de arranjar sempre algo, todos os dias, para aparecer nas televisões, nem que seja, vulgarizando momentos e condecorações. 

Passa a ser extraordinário não ser condecorado nem receber nenhum telefonema do Sr. Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa. 


Humberto Domingues 

Enf. Espec. Saúde Comunitária 

2021.08.19

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

ENFERMEIROS DO CENTRO VACINAÇÃO COVID VIANA DO CASTELO NA TELEVISÃO

ENFERMEIROS DO CENTRO VACINAÇÃO COVID VIANA DO CASTELO NA TELEVISÃO 







Quanto orgulho em ver hoje, nos vários canais de televisão, dois Colegas de trabalho, desde o Centro de Vacinação Covid de Viana do Castelo, a prestarem declarações públicas. 

Quanto orgulho! Tanta competência!

Muito obrigado Enf. Artur Marinho, Enf. João Carvalhido.

Um obrigado também à Comissão de Festas da Sra. D'Agonia por homenagear os Profissionais de Saúde. 


Abraço grande, a Todos.

Humberto Domingues 

Enf. Espec. Saúde Comunitária 

2021.08.10



domingo, 8 de agosto de 2021

AINDA A QUESTÃO INDECOROSA DO DESPACHO DA SRA. MINISTRA DA SAÚDE SOBRE REGISTO DE INOCULAÇÕES DE VACINAS

 AINDA A QUESTÃO INDECOROSA DO DESPACHO DA SRA. MINISTRA DA SAÚDE SOBRE REGISTO DE INOCULAÇÕES DE VACINAS




É importante reflectir sobre este acto político, sobre o registo de vacinas, à “luz dos leigos” que emanaram o “Despacho”, que parece inócuo e apenas um acto administrativo, que não o é, e implica muitas outras coisas.


- Como diz, afirma e justifica, e bem, a Ordem dos Enfermeiros, antes de tudo, o registo de inoculações é um acto de Enfermagem. Portanto, digo eu, haveria usurpação de funções, se fosse desempenhado por outros, que é punível por lei.

Depois:

- O registo das inóculações implica, o lote, a marca e a dose da vacina e não se pode, de forma alguma, vulgarizar este acto, porque isso é perigoso ;

- o acto de registo da inoculação implica outras dimensões a montante e a jusante de tal acto, que entretanto os Enfermeiros fizeram e vão fazer, portanto, prestação de cuidados, que não são delegados em quem não está habilitado, licenciado e autorizado para os fazer;

- Se houver reacções adversas é necessário também o seu registo, neste caso jamais poderia ser o Assistente Técnico a fazê-lo ;

- Para além de tudo, há aqui princípios deontológicos e éticos, obrigações de uma Profissão regulamentada, que não são delegaveis nem partilháveis.

Numa outra dimensão, se este “peregrino despacho” se executasse, ficaria “autorizado” o acesso ao processo do doente, que tem características confidenciais, matérias sensíveis e uso reservado, que não pode ser acedido por qualquer Pessoa;

Por isso, há uma cédula profissional que contém um número e atribui ao Profissional responsabilidades deontológicas referentes ao exercício da sua Profissão que é regulamentada por diploma próprio. Não se podem perverter nem é legítimo de um qualquer Ministro, querer “adulterar” regras, princípios e leis.

Para finalizar:

- Ficaria o Utente descansado sabendo que têm acesso ao seu processo, outros Profissionais que não da área da Enfermagem, Médica, Diagnóstico ou da Psicologia?

- Por analogia, se este “Peregrino Despacho“ se executasse, seria como se registos médicos fossem feitos por Assistentes Técnicos ; Cálculos de Engenharia em projectos fossem feitos por Assistentes Técnicos ; Registos e sentenças de juízes fossem feitos por Assistentes Técnicos; Matérias e sumariação de Professores fossem feitos por Assistentes Técnicos; Etc... Etc... Etc...

Por muito que o hino da CGTP anime os dias da Sra. Ministra da Saúde, pedimos que não lhe tolde as ideias mais, do que elas já estão!

Humberto Domingues

Enf. Espec. Saúde Comunitária 

2021.08.08

Ministério da Saúde é advertido pelo Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa

Ministério da Saúde é advertido pelo Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa






Infelizmente, temos situações de permanentes atropelos a princípios deontológicos, que este Ministério da Saúde desrespeita e atropela, principalmente no que ao exercicio da Profissão de Enfermagem diz respeito.

Veio agora uma "ideia peregrina", através de um despacho de Sua Excelência a Ministra da Saúde, entender que os registos das inoculações, doses, lotes e laboratório, de vacinas Covid, poderiam ser feitos por outros Profissionais, que não Enfermeiros, nomeadamente Assistentes Técnicos (Administrativos). Desconhece este Ministério e esta Ministra que este registo, não é só o registo que está em causa? Não percebe que estão em causa uma série de questões de deontologia, confidencialidade e ética profissional, por outros Profissionais passarem a ter acesso ao processo do utente? Entre outras questões de elevadissima responsabilidade!

O que vale é que temos uma Ordem Dos Enfermeiros atenta e, desta vez, o Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa andou rápido e bem, aceitando a Providência Cautelar da Ordem dos Enfermeiros e proibindo o Ministério da Saúde de executar o Despacho da Sra. Ministra publicado em Diário da República. 

Após esta derrota do Ministério da Saúde, que retaliações irão surgir, contra os Enfermeiros?

Perante tantos erros tão clamorosos deste Ministério da Saúde, esta Senhora Ministra Marta Temido, não é remodelável? Enfi....


Humberto Domingues 

Enf. Espec. Saúde Comunitária 

2021.08.06

terça-feira, 3 de agosto de 2021

PAÍS DESENVOLVIDO?

PAÍS DESENVOLVIDO? 



Como pode um País ser desenvolvido se paga os mais baixos salários a quem:



-> No âmbito da Saúde, às várias classes profissionais que cuidam, tratam, diagnosticam e acompanham durante todo o ciclo vital da pessoa, seja no Hospital, Centro de Saúde ou domicílio;

-> Ensina, educa e forma os Homens de amanhã, trabalhadores e decisores de uma Sociedade, inclusive dos "políticos";

-> A Justiça tarda em julgar os culpados e em reparar os danos a quem os sofreu;

-> Permite que muitos, ao longo de muitos anos, vivam à custa de subsídios do Estado, decorrentes dos impostos dos Cidadãos trabalhadores, sem darem qualquer retorno em trabalho, a esta mesma Sociedade e Instituições, que os mantém com o mínimo de dignidade;


Algo está mal, muito mal.

Humberto Domingues

Enfermeiro Especialista Enfermagem Comunitária 

2021.08.03

QUANDO O EXEMPLO DEIXA DE GOVERNAR

QUANDO O EXEMPLO DEIXA DE GOVERNAR A autoridade política é um recurso escasso. Sempre que é consumida na justificação do passado, deixa de e...