sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

QUANDO A NATUREZA FALA MAIS ALTO, É PORQUE “NÃO QUISEMOS” OUVIR?

QUANDO A NATUREZA FALA MAIS ALTO, É PORQUE “NÃO QUISEMOS” OUVIR?

Fonte da Foto: Público

Perante tão avassaladora onda de destruição, de devastação e de prejuízos, quisemos reflectir perante estes fenómenos e a intervenção do Homem. Será que a “Sociedade Moderna” está preparada para estes drásticos acontecimentos?

Fonte da Foto: Notícias de Coimbra

Sempre que um temporal atinge o território com violência, instala-se um sentimento coletivo de impotência e populações em sobressalto. E, invariavelmente, repete-se também o discurso da surpresa. Como se a força da natureza fosse um fenómeno novo, imprevisível ou impossível de antecipar. Não é! A natureza tem a sua própria linguagem e os temporais, as cheias e os deslizamentos são apenas a forma mais dura de nos lembrar disso. E estes fenómenos naturais que não controlamos têm uma intensidade crescente, agravada pelas alterações climáticas, que ultrapassa muitas vezes a capacidade de resposta imediata.

Fonte da Foto: Renascença

A chuva que não dá tréguas, o vento que tudo varre, a água que cresce em minutos e arrasta consigo estradas, bens e memórias. Há momentos em que a natureza se impõe com uma força tão avassaladora que nenhuma infraestrutura, por mais robusta que seja, parece resistir. E perante essa fúria, há populações inteiras que ficam indefesas, expostas, reféns de uma realidade que não controlam. É triste, é comovente, é arrasador ver pessoas indefesas depois de “açoitadas” por tão agressiva natureza, algumas delas ficando sem mesa para comer, ou cama para dormir!

Fonte da Foto: JN

É essencial reconhecê-lo que, existem fenómenos naturais cuja intensidade e rapidez ultrapassam qualquer capacidade humana de resposta imediata. A natureza não negoceia, não espera e não distingue. Age com uma força primária, imparável, lembrando-nos da nossa fragilidade enquanto sociedade e enquanto indivíduos. Quando a chuva cai com intensidade, a água segue o seu caminho natural, e fá-lo com força, mas não é a água que invade, somos nós que ocupámos o espaço que nunca deixou de lhe pertencer e ignoraram-se as linhas naturais de escoamento desta água.


Mas é precisamente por essa força ser conhecida, e cada vez mais frequente, que a imprudência humana se torna ainda mais grave. O que transforma um fenómeno natural extremo numa tragédia humana não é apenas a chuva que cai, mas a forma como escolhemos viver com ela. A falta de planificação, o mau ordenamento do território que foi sendo feito ao sabor da conveniência imediata e o abandono sistemático da gestão florestal criam cenários onde qualquer excesso se torna devastador. As linhas de água, açudes e aquedutos, esquecidos e obstruídos, deixam de cumprir a sua função reguladora e encaminhar os excessos. As florestas, sem limpeza nem gestão, perdem a capacidade de absorção e proteção do solo, tornaram-se obstáculo no inverno e combustível no verão. Constrói-se onde não se devia, ignora-se o histórico-natural do território e transfere-se para as populações o peso de decisões que nunca tomaram.

Fonte da Foto: Renascença

Quando a água avança, não há escolha. Casas são invadidas, acessos cortados, serviços essenciais interrompidos. Famílias veem-se obrigadas a abandonar tudo, muitas vezes sem tempo para salvar o essencial. Nestes momentos, a vulnerabilidade das populações é total, e é injusto continuar a tratá-las como meras estatísticas de um mau dia de meteorologia. A Política e as boas decisões políticas deveriam pensar o futuro com planeamento e visão, e não o imediato, para o mediatismo ou o “ganhar eleições”. É necessário planear a longo prazo, usar tecnologia para monitorização e previsão, investir em redes elétricas mais resistentes, em sistemas de drenagem modernos, em gestão florestal inteligente e em políticas públicas que pensem o território como um todo e não como parcelas isoladas.

Fonte da Foto: JN

Reconhecer a força incontrolável da natureza não significa resignação. Significa humildade e responsabilidade. Prevenção, planeamento, recursos adequados e uso inteligente de novas tecnologias, da monitorização ambiental às redes elétricas resilientes, são hoje uma necessidade, não um luxo. Não para controlar a natureza, mas para reduzir o impacto da sua fúria sobre quem menos pode defender-se.

Fonte da Foto: Jornal de Leiria

A natureza continuará a fazer o seu caminho. Cabe ao Homem decidir se quer continuar a ser surpreendido… ou finalmente preparado. Continuar a tratar cada temporal ou fenómeno deste tipo, como um acontecimento excepcional é insistir no erro. A natureza não é negligente, não improvisa e não esquece. O Homem, sim! E enquanto não assumirmos essa responsabilidade, continuaremos a confundir tragédia anunciada com fatalidade.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
Mestre em Sociologia da Saúde
2026.01.30

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

ASSEMBLEIA REGIONAL ORDINÁRIA DA SECÇÃO REGIONAL DO NORTE

ASSEMBLEIA REGIONAL ORDINÁRIA

DA SECÇÃO REGIONAL DO NORTE


Link:
https://www.ordemenfermeiros.pt/norte/noticias/conteudos/arn-fevereiro-2026/

Transcrito do Site:

"No próximo dia 27 de Fevereiro de 2026, pelas 14h30, terá lugar a reunião ordinária da Assembleia Regional da Secção Regional do Norte, no Auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva sito na Rua de S. Paulo N.º 1 - 4700-042 Braga. Podem participar na Assembleia Regional, todos os membros da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros com inscrição ativa.

 

Os documentos a submeter à aprovação e discussão estarão disponíveis para consulta no site da Ordem dos Enfermeiros em www.ordemenfermeiros.pt a partir de 19 de Fevereiro e serão fornecidos aos membros efetivos que solicitem, na Sede da Secção Regional Norte da Ordem dos Enfermeiros – Rua Latino Coelho, 352 – 4000-314 Porto.

 

Consulte a convocatória aqui."


Humberto Domingues

Enf. Espec. Enfermagem Comunitária

Mestre em Sociologia da Saúde

2026.01.27



terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A TEORIA DA CADEIRA

 A TEORIA DA CADEIRA

Este texto foi copiado de uma página do Facebook. Não é meu. Mas é tão interessante e tão verdadeiro, que o transcrevi. Página de Flávia Orlls Gouveia.

"Há um momento na vida em que deixamos de nos perguntar “o que há de errado comigo?”
e começamos a perguntar “porque continuo a tentar sentar-me onde nunca houve lugar para mim?”

A Teoria da Cadeira é simples e profundamente reveladora. Todos nós temos uma mesa na vida. Mas nem todas as mesas são para nós.

Há pessoas que, quando chegas, afastam uma cadeira sem dizer nada. Criam espaço. Olham-te nos olhos. A tua presença é natural, legítima, bem-vinda. Não precisas de provar valor, justificar quem és ou diminuir-te para caber.

E depois há as outras mesas. As que te deixam de pé. As que te fazem esperar. As que te testam constantemente para ver se “mereces” sentar-te. As que te fazem duvidar de ti.

E aqui está a verdade que custa aceitar: quando tens de pedir lugar repetidamente, o problema não és tu. É a mesa.

Insistir onde não há espaço desgasta, corrói a autoestima e cria relações desequilibradas. Não é ambição. É sobrevivência emocional.

Não lutes por cadeiras onde és tratado como um favor. Não permaneças onde a tua presença incomoda.

Vai para onde a tua presença conta. A tua cadeira existe. Só precisas de escolher a mesa certa.
#liderança #comunicação #mentoria"

Humberto Domingues
Enf. Espec. Enfermagem Comunitária
Mestre em Sociologia da Saúde
2025.01.26

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

ISTO SÃO ACTOS DE UMA SOCIEDADE EVOLUÍDA? ESTOU CHOCADO!

ISTO SÃO ACTOS DE UMA SOCIEDADE EVOLUÍDA? ESTOU CHOCADO!


E não é um choque leve, daqueles que passam com o tempo. É um choque que se entranha, que revolta, que nos faz questionar a própria essência do mundo em que vivemos. Estou zangado, profundamente zangado, por assistir, em pleno século XXI, a agressões desmedidas contra um ser humano, como se a vida tivesse perdido valor, como se a dignidade tivesse prazo de validade, como se a humanidade tivesse desaprendido a ser… humana.

Quando nos deparamos com episódios graves e aterradores, como os que vimos a semana passada nos ecrãs de televisão, onde cidadãos são tratados com brutalidade desmedida, alvejados a tiro em plena via pública, como se fossem descartáveis ou objectos, não podemos, não devemos, ficar indiferentes. A indiferença é o primeiro passo para a normalização desta barbárie. Barbárie que não é de hoje, mas hoje tem contornos assustadores, indignos para com o Ser Humano.

E então surge a pergunta inevitável, quase sufocante: Isto é uma sociedade evoluída? Ou será que caminhamos, silenciosamente, para uma sociedade retrógrada, onde o respeito pela vida é secundário, onde as diferenças são motivo de exclusão, e onde os valores humanos são apenas palavras bonitas em discursos vazios? Porque uma sociedade verdadeiramente evoluída não mata. Não humilha. Não reduz o outro a um alvo. Uma sociedade evoluída promove o diálogo, cultiva a empatia, protege o vulnerável, e encara cada vida como única e irrepetível. O contrário disso, a violência gratuita, a crueldade pública, o desprezo pela dignidade, é sinal de regressão, de falência ética, de perda coletiva de rumo. E a VIDA tem um valor supremo!

Assistir a estas agressões, como tantos milhões de Cidadãos, por esse mundo fora assistiram,  em pleno século XXI deveria envergonhar-nos a todos. Deveria despertar-nos. Deveria indignar-nos ao ponto de rompermos o silêncio confortável e exigirmos algo melhor, como uma justiça, justa, mais humanidade verdadeira e não cínica e mais responsabilidade. Porque enquanto continuarmos a ver seres humanos tratados como se fossem descartáveis, como alvos indefesos à custa de interesses materiais, não podemos, de forma alguma, chamar-nos uma sociedade evoluída.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Enfermagem Comunitária
Mestre em Sociologia da Saúde
2026.01.26

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O QUE RESTA DEPOIS DA PRIMEIRA VOLTA DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 2026?

 O QUE RESTA DEPOIS DA PRIMEIRA VOLTA DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 2026?

Para além das urnas o que é feito do destino das emoções confiadas pelos Cidadãos?


Terminou a primeira volta das Eleições Presidenciais de 2026. Vieram as análises, os números, os vencedores e os vencidos. Para uns, surpresa. Para outros, confirmação. Mas há algo que não cabe nas estatísticas nem nos comentários televisivos: o peso emocional que estas eleições deixaram no país. Porque não foram apenas votos que os candidatos receberam. Receberam “emoções cruas”.


Receberam o cansaço de quem já esperou demais, a revolta contida de quem se sente esquecido, a esperança frágil de quem ainda acredita que a Presidência da República pode ser mais do que uma figura, pode ser presença, voz, consciência e acção.

Este caudal emocional não é um mero subproduto da política, é o sintoma de uma profunda anomia social. Há a vertente Sociológica da Fractura. E a “revolta” expressa nas urnas é a manifestação da crise de representação que corrói as democracias ocidentais. Os cidadãos não votaram apenas em programas, mas contra o sentimento de abandono estrutural. O voto tornou-se um grito catártico contra a percepção de que as instituições se tornaram distantes, herméticas e incapazes de responder à velocidade e à gravidade das suas necessidades quotidianas. A abstenção, por sua vez, não é apatia, mas sim a expressão máxima do cepticismo e da descrença na eficácia do sistema político como ferramenta de transformação social.

Durante a campanha, os cidadãos não falaram de abstracções. Falaram de vidas reais. De salários que não chegam, de pensões insuficientes, de saúde que falha, de solidão, de medo do futuro. Falaram com verdade. Choraram. Abraçaram. Pediram. E confiaram.

A questão que agora se impõe é política, mas também profundamente humana. O que acontece às emoções que os candidatos “receberam”? Onde ficam as promessas feitas àqueles que, com dignidade e desespero, expuseram as suas dificuldades? Souberam os candidatos sentir verdadeiramente o que lhes foi confiado? Souberam compreender que cada aperto de mão carregava uma história e que cada abraço era, muitas vezes, um pedido silencioso de não abandono? Ou estas emoções serão arquivadas, esquecidas, substituídas por novas estratégias e novos discursos, num ciclo vicioso de esperança e desilusão?

A Presidência da República, neste contexto de fractura social, transcende a sua função constitucional de árbitro. É-lhe exigida uma função simbólica e curativa. O Presidente eleito não herda apenas um mandato político, herda uma dívida emocional para com o eleitorado. Esta dívida é o reconhecimento de que a política não pode ser gerida apenas por algoritmos e orçamentos, mas deve integrar a dimensão do sofrimento e da esperança popular.

A polarização afectiva que marcou esta primeira volta não se deu apenas entre ideologias, mas entre o "país institucional" e o "país real", aquele que não aparece nas sondagens, mas que bate à porta, que espera na fila, que resiste todos os dias. Hoje, muitos cidadãos vivem um luto eleitoral. Não apenas pelo resultado, mas pela dúvida. Pela incerteza de saber se a esperança que depositaram será honrada ou se foi apenas mais um momento de proximidade temporária, válido apenas enquanto durou a campanha.

As eleições continuam. A segunda volta aproxima-se. Mas que ninguém se esqueça: as emoções recebidas criam responsabilidade política inadiável. E a memória das pessoas é mais longa do que muitos pensam. A democracia não termina no voto. Começa, precisamente, no que se faz depois dele, na forma como o poder honra a confiança e a vulnerabilidade que lhe foram entregues. O futuro da nossa coesão social depende dessa resposta.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
Mestre em Sociologia da Saúde
2025.01.19

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

PORQUE NÃO VOTO DR. MARQUES MENDES PARA A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

PORQUE NÃO VOTO DR. MARQUES MENDES 

PARA A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Fonte da fotografia: RDP Internacional


A rejeição ao Dr. Luís Marques Mendes numa eleição presidencial não resulta de um episódio isolado, de um reflexo emocional, de um estado d’alma, ou de um capricho eleitoral. É o resultado de uma avaliação política, atenta e amadurecida ao longo do tempo, sustentada num percurso público que acumulou sinais claros de parcialidade, complacência com o poder e falta de firmeza política, características incompatíveis no nosso ponto de vista, com a independência, a autoridade moral e a clareza exigidas ao Presidente da República.

Durante anos, Marques Mendes ocupou um espaço privilegiado como comentador político. Longe de se afirmar como uma voz isenta, equidistante e moderadora, consolidou antes a perceção de um discurso seletivo, marcado por leituras táticas, alinhamentos evidentes e juízos orientados. O comentário político transformou-se, demasiadas vezes, em intervenção e julgamento político, minando qualquer pretensão de neutralidade que hoje procura reivindicar, mas que, objectivamente, não tem/teve.


Um dos aspetos mais criticáveis do seu percurso foi a forma reiterada como desvalorizou e condenou as lutas e reivindicações dos Enfermeiros. Em momentos de legítima exigência por melhores condições de trabalho, dignidade profissional e defesa do Serviço Nacional de Saúde, Marques Mendes optou sistematicamente por um discurso que ecoou o incómodo do poder político e defesa deste. Essa postura revelou pouca empatia por uma classe essencial ao funcionamento do Serviço Nacional de Saúde e uma visão redutora dos direitos laborais, tratados como ruído mediático ou problema de agenda, sacrificando a defesa do equilíbrio social num claro discurso mais próximo da lógica da conveniência governativa. Um Presidente da República não pode olhar para o conflito social desta forma, ainda mais quando tal discurso levanta legítimas suspeitas de alinhamento com interesses que não são os dos cidadãos.

Também a sua postura face ao PSD e aos governos do PS liderados por António Costa levanta sérias e consistentes interrogações. Enquanto foi particularmente severo, por vezes quase obsessivo, na crítica ao seu próprio partido, contribuindo para o seu desgaste público, adoptou simultaneamente um tom notoriamente mais brando, quando não justificativo, em relação às opções, falhas e condicionamentos dos sucessivos governos Socialistas. Esta assimetria não foi episódica, foi persistente e politicamente reveladora, fragilizando qualquer pretensão de equidistância e comprometendo a função arbitral que se exige a um Chefe de Estado. E voltou a mudar o discurso quando percebeu que o consolado PS e António Costa estavam em degradação e perda, começando a alinhar-se com a Direita. Oportunismo político puro! Como afirmou Miguel Sousa Tavares, “Marques Mendes um conspirador profissional já há muitos anos, disfarçado de comentador”.

A estas reservas soma-se a percepção de uma figura profundamente integrada nos circuitos de influência, onde política, negócios e bastidores do poder se cruzam. Mesmo na ausência de acusações formais, a imagem de um facilitador de interesses, confortável nos equilíbrios do sistema, é suficiente para gerar desconfiança num eleitorado cada vez mais atento às exigências de ética, transparência e independência. A Presidência da República exige autonomia face ao poder, não proximidade conveniente.

Por fim, importa sublinhar a falta de firmeza e clareza em momentos decisivos, já em pré-campanha. Quando se exigia coragem política, Marques Mendes optou frequentemente por posições titubeantes, por um discurso dúbio ou pelo silêncio estratégico. No seu discurso, não assume o apoio e construção de reformas estruturais necessárias para o País. Um Presidente não pode ser refém de equilíbrios nem gestor de ambiguidades. Deve ser um garante inequívoco da Constituição, do regular funcionamento das instituições e do interesse nacional.

A recusa em votar Luís Marques Mendes é, por isso, profundamente política, e apenas política. Não se trata de negar o seu percurso ou a sua experiência, mas de reconhecer que o seu posicionamento público, ao longo de anos, o afastou das qualidades de independência, isenção, firmeza e autoridade moral que muitos portugueses continuam a exigir de um Presidente da República e que Portugal precisa.

Por todas estas razões, para nós, plausíveis, não voto Dr. Marques Mendes para a Presidência da República.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
Mestre em Sociologia da Saúde
2026.01.07

domingo, 4 de janeiro de 2026

A SOLIDÃO JOVEM - A "EPIDEMIA" SILENCIOSA QUE ESTAMOS A IGNORAR

A SOLIDÃO JOVEM - A "EPIDEMIA" SILENCIOSA QUE ESTAMOS A IGNORAR

Fonte da Foto: Health News

Durante décadas, associámos a solidão à velhice. Imaginámo-la sentada em bancos de jardim ou em casas vazias após a reforma. No entanto, os dados mais recentes, em vários estudos, mostram uma realidade desconcertante: hoje, são os adultos jovens (entre os 18 e os 35 anos) quem mais relata sentimentos persistentes de solidão. Uma epidemia silenciosa, invisível nas estatísticas tradicionais, mas profundamente sentida no quotidiano. A OMS considera a “Solidão prolongada” como um problema de Saúde Pública.


A solidão não é apenas “estar sozinho”. “É um sentimento subjectivo e doloroso de desconexão, isolamento ou ausência de contacto social significativo”, onde a falta de pertença pode estar presente. É a discrepância dolorosa entre as relações que desejamos e aquelas que efetivamente temos. Pode existir mesmo, rodeados de pessoas, em cidades cheias, em redes sociais saturadas de contactos. E é precisamente neste paradoxo, hiperconectados/hiperligados, mas emocionalmente isolados, que muitos jovens vivem.

As causas são estruturais e não individuais. A instabilidade laboral, os contratos precários, a mobilidade constante, a dificuldade em criar raízes, a cultura do desempenho permanente e a pressão para “ter sucesso”, cedo corroem o tempo e a energia necessários para construir relações profundas. A competição desmedida e desregrada para o “ter material” fútil e volátil. A isto soma-se um uso intensivo das tecnologias digitais que, embora facilitem contactos, muitas vezes substituem, em vez de complementar, vínculos reais e significativos. O estigma faz criar o resto da dificuldade em admitir que solidão continua a ser visto como fracasso pessoal.

Ignorar esta realidade tem custos elevados. A solidão está associada a maior risco de depressão, ansiedade e pensamento suicida, mas também a problemas físicos, como doenças cardiovasculares e inflamação crónica, por disfunção do sistema imunitário. Afecta o sono, aumenta comportamentos de risco e compromete competências socioemocionais essenciais para a vida adulta. Não é apenas um problema emocional, é um determinante de saúde pública, a que hoje se deve dar muita atenção.

Perante este cenário, a pergunta impõe-se: quem pode, e deve, agir? A resposta passa, inevitavelmente, pelos Cuidados de Saúde Primários (CSP), mas com intervenção real na Comunidade. A Enfermagem Comunitária pode dar um contributo muito grande nesta matéria, pelo papel que desempenha, pela sua proximidade às pessoas, pelo foco na prevenção e pelo conhecimento do território. O “Pensar em Comunidade” pode ser uma estratégia e um posicionamento no possibilitar e despertar para este facto e pela forma como lidamos com a solidão jovem.

Tudo poderá começar por algo simples, mas que pode ser o “clique”: perguntar, dialogar, incorporar esta atitude no “rastreio da solidão” nas consultas de rotina, tal como fazemos com outros indicadores de saúde. Poderão existir, ou então construir-se, instrumentos curtos e validados que permitam identificar situações de risco e abrir espaço para uma conversa que muitos jovens nunca tiveram oportunidade de ter. A “Saúde Escolar” poderá ser uma ferramenta muito útil.

Mas identificar não basta. É preciso intervir. No território de cada Autarquia Municipal, em parceria muito estreita com a Saúde/Enfermagem Comunitária e Saúde Pública, podem ajudar a identificar, diagnosticar e facilitar intervenções. Por um lado sensibilizando para esta realidade, por outro, intervindo proactivamente em espaços comunitários e pontos de encontro. A tecnologia pode ser uma aliada, desde que usada de forma ética e com um objetivo claro, de facilitar encontros reais e não substituí-los.

Nada disto funcionará sem formação adequada dos profissionais e sem a participação ativa dos próprios jovens. As soluções não podem ser desenhadas “para” eles, mas “com” eles. Co-criar actividades, ouvir necessidades reais e respeitar a diversidade cultural e social é condição para o sucesso. Do mesmo modo, é essencial articular saúde, educação, emprego, cultura e autarquias numa resposta intersectorial sustentada.

Tratar a solidão como uma questão privada é um erro. Ela é um problema coletivo, com raízes sociais e económicas, que exige políticas públicas claras. Integrar a solidão como variável padrão nas avaliações de bem-estar, investir em projetos-piloto nos cuidados primários e financiar redes comunitárias de suporte não é um luxo, é prevenção em saúde apoiando-se também nas dimensões da “Saúde Mental”, olhando-se sempre para a “Literacia Social”. Se queremos adultos jovens mais saudáveis, resilientes e envolvidos na vida coletiva, precisamos de começar por reconhecer aquilo que muitos sentem, mas poucos dizem. A solidão não é uma falha individual. É um sinal de que algo, enquanto Sociedade, precisa de ser reparado. E quanto mais cedo o fizermos, maior será o impacto, não só na saúde dos jovens, mas no futuro comum que todos partilhamos. É um caminho, por certo, longo, mas que não pode ter interrupções. Até porque o impacto destas medidas apresentam resultados a médio e longo prazo e como “não dão votos” no imediato, não se implementam e não se realizam, daí uma das dificuldades. Mas a Sociedade do futuro e para ter futuro, não pode ser uma Sociedade doente nem construída na/de solidão!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
Mestre em Sociologia da Saúde
2026.01.04

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

INÍCIO DO TRABALHO EM 2026

INÍCIO DO TRABALHO EM 2026
Bom dia a Todos!

2026 chegou bem.

E hoje começamos o primeiro dia de trabalho de 2026 com o coração cheio de esperança e vontade de fazer bem. 

É um recomeço que nos convida a acreditar, a dar o melhor de nós e a encarar cada desafio com confiança. Que este ano seja feito de união, dedicação e pequenas vitórias que nos façam sentir orgulho no caminho percorrido. 

Entramos em 2026 com entusiasmo, confiança e a certeza de que juntos podemos ir mais longe.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2026.01.02

domingo, 28 de dezembro de 2025

BOM E FELIZ ANO NOVO 2026

BOM E FELIZ ANO NOVO 2026


A despedir-me deste ano com gratidão no coração.

Obrigado a TODOS que caminharam comigo, apoiaram, acreditaram e ajudaram neste percurso - em especial à minha Família, a base de tudo.

Que 2026 chegue com luz, esperança e novos começos.


Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.12.29

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

FELIZ NATAL - BOAS FESTAS

FELIZ NATAL
BOAS FESTAS
BOM ANO DE 2026


Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.12.23

GALA NORTE RECONHECE, NORTE VALORIZA

GALA NORTE RECONHECE, NORTE VALORIZA
Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros


No passado dia 20 de dezembro, realizou-se a Gala da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros, “Norte Valoriza, Norte Reconhece”.


Mais do que um evento protocolar, constitui um momento de profunda reafirmação dos valores que sustentam a profissão:
  • O reconhecimento do mérito;
  • A valorização do trabalho árduo e dedicado;
  • E a celebração coletiva da excelência em Enfermagem, não esquecendo os seus protagonistas de hoje, mas essencialmente, os de ontem.

Nesta Gala recebeu uma "Menção Honrosa" por todo o trabalho e dedicação à Enfermagem, a Ex-Enfermeira Directora do Hospital Distrital de Viana do Castelo, Enfª. Maria Gabriela Vieira Lisboa Carneiro Manso Gigante.


Recebeu também o "Prémio de Excelência" a VMER de Viana do Castelo, tal como todas as VMER’s da área territorial do Norte, sob a influência da Secção Regional.



O impacto positivo desta iniciativa estende-se muito além do momento da celebração: estabeleceu um precedente de valorização que inspira e motiva, reafirmando que o trabalho dos Enfermeiros é visto, reconhecido e verdadeiramente apreciado. É uma vocação, é um compromisso com a vida, é um ato de amor ao próximo.



O Jantar de Natal também teve muita animação e convívio.

Foi um momento de muita elevação, de muito glamour e alegria.

Parabéns ao Presidente da Secção Enf. Miguel Vasconcelos, aos Colegas do Conselho Directivo e Organizadores e a Todos os Colegas homenageados nesta Gala.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária 
2025.12.23

VII ANIVERSÁRIO DO BLOG ENFERMAGEM NAS LETRAS

VII ANIVERSÁRIO DO BLOG ENFERMAGEM NAS LETRAS


Ontem 22 de Dezembro de 2025, o meu blog, Enfermagem nas Letras (enfermagemnasletras.blogspot.com) fez 7 anos.
Foram 7 anos de muita realização, de escrita e de partilha.
Estão já registadas 227 407 visualizações.


Agradeço a Todos que acederam ao meu blog, leram as minhas crónicas e partilharam também o seu conteúdo.
Este é um projecto muito pessoal, que vai caminhando no tempo, com muita humildade, deixando escrito o meu pensar, as minhas reflexões, a partilha de alguma informação ou textos de outros autores que entendo como oportuno.
Uma coisa é certa, este blog é muito pessoal, não é contra ninguém e acima de tudo, quero ter e expressar a minha total liberdade de aqui escrever o que me apetecer.

Volto a agradecer a Todos a confiança, a leitura e a partilha.

Muito obrigado.

Humberto Domingues
2025.12.23

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

SOBRE A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA

SOBRE A CONSTITUIÇÃO DA
REPÚBLICA PORTUGUESA


Apenas uma simples opinião:

Com a evolução da Sociedade que hoje temos;

Com as questões geopolíticas que se sentem;

Com as alterações sociológicas que hoje vivemos;

Com os entraves a vários níveis que a Constituição Portuguesa tem imposto (a vários Governos e legislação);

Não será razoável pensar na necessidade de uma revisão profunda da Constituição Portuguesa?

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.12.16

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

EM DIA DE GREVE GERAL - 2025.12.11

EM DIA DE GREVE GERAL
2025.12.11


A greve é um direito, mas trabalhar também o é!

Atirar objectos e garrafas na escadaria da Assembleia da República não é protesto, é incivilidade pura. É a abdicação do diálogo, o desprezo pelas regras que sustentam a convivência democrática. Quem recorre a este tipo de acto não está a desafiar o poder, está a desrespeitar a Casa onde, em nome de todos, se debate o futuro do país. A liberdade exige firmeza, não vandalismo, exige coragem, não gestos gratuitos que apenas mancham a causa que pretendem defender. 

Portugal merece crítica dura e participação activa, nunca este ritual de desprezo e vandalismo, que nada constrói e tudo degrada.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Escolar
2025.12.11

domingo, 7 de dezembro de 2025

IV CONVENÇÃO INTERNACIONAL DOS ENFERMEIROS - II ENCONTRO DE ENFEERMEIROS GESTORES

IV CONVENÇÃO INTERNACIONAL DOS ENFERMEIROS
II ENCONTRO DE ENFERMEIROS GESTORES
FÁTIMA, 4 A 6 DE DEZEMBRO


Há encontros que nos transformam. Há momentos que não apenas nos marcam, mas nos renovam, e a Convenção dos Enfermeiros em Fátima, promovida e organizada pela Ordem dos Enfermeiros, foi exactamente isso, um renascer colectivo.


Nestes dias, rodeados pela luz serena de Fátima, compreendemos que a nossa missão como Enfermeiros, vai muito para além da técnica, do protocolo clínico ou do gesto mecânico. Somos tocadores de vidas. Somos presença no momento da fragilidade. Somos voz quando alguém perde a sua. Somos esperança quando o caminho parece escuro e a presença, quando já mais ninguém está!


“Liderar com Valor, Cuidar com Excelência” não foi apenas um lema, foi um compromisso que fez eco dentro de cada um de nós. Valor, porque liderar é servir com integridade, coragem, empatia e humanidade. Excelência, porque cuidar não é apenas fazer, é SER, ser atento, ser presente, ser dedicado, ser capaz de olhar o outro como único e como Pessoa, numa visão holística, que tanto sabemos fazer.

Aqui, aprendemos uns com os outros. Partilhámos histórias que nos emocionaram, desafios que nos moldaram e aprendizagens que nos fortaleceram. Fomos lembrados de que a enfermagem é feita de ciência, sim, mas também de alma, amor e muita dedicação. E que a cada vida que tocamos, deixamos um pouco da nossa.

Neste encontro, afirmámos também a força silenciosa, mas determinante, dos Enfermeiros gestores, aqueles que, com visão, responsabilidade e humanidade, constroem as condições para que o cuidado aconteça com dignidade. São eles, também, que equilibram recursos escassos, que enfrentam pressões constantes, que inspiram equipas inteiras e que defendem, muitas vezes na solidão dos bastidores, o que é justo para profissionais e utentes. 

Olhando com clarividência e lucidez, reafirmamos, sem hesitação, que o poder político tem o dever ético de respeitar os Enfermeiros, reconhecer o seu papel insubstituível e integrar a sua voz nas decisões que moldam a saúde do país, qualquer que seja o Serviço ou Sistema. Porque cuidar de quem cuida é um acto de responsabilidade nacional.

Ontem, saímos de Fátima com o coração mais cheio e com a consciência mais desperta. Reafirmamos o orgulho de ser Enfermeiros. Reafirmamos o valor de cada passo, de cada turno difícil, de cada lágrima, de cada sorriso arrancado a quem pensava não ter forças. Reafirmamos que, apesar das adversidades, seguimos juntos, mais unidos, mais preparados, mais humanos.

A todos os que participaram, partilharam, ensinaram e inspiraram, obrigado. Obrigado pela entrega, pela coragem silenciosa, pela ternura nos gestos, pela firmeza nas decisões. Obrigado por fazerem da Enfermagem uma arte de cuidar e da liderança, um acto de generosidade.

Que este encontro nos acompanhe nos dias que virão, que não serão fáceis. Que deste compromisso se faça acção e afirmação. Que recordemos e aprendamos com o exemplo dos premiados. 

Que este lema se faça vida. Porque liderar com valor é o caminho. E cuidar com excelência, é a nossa essência.

Obrigado Sr. Bastonário da Ordem dos Enfermeiros por mais esta realização e escrita de mais uma página no livro da Enfermagem Moderna em Portugal e no Mundo.

Obrigado a Todos os Enfermeiros, por terem sabido estar, com Excelência e acrescentado Valor, neste grande evento.

Senhores ENFERMEIROS, seguimos, juntos, sempre!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.12.07










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