segunda-feira, 6 de julho de 2026

A SELEÇÃO NACIONAL REPRESENTA MAIS DO QUE FUTEBOL


A SELEÇÃO NACIONAL REPRESENTA MAIS DO QUE FUTEBOL
HÁ CAMISOLAS QUE NÃO SE VESTEM, HABITAM-SE!



É minha convicção de que a nossa Seleção Nacional é muito mais do que uma equipa de futebol.

É um dos raros momentos em que um país inteiro, se une e reconhece num patriotismo comovedor. Durante noventa minutos desaparecem diferenças políticas, sociais, profissionais ou geográficas. Somos apenas portugueses. Sofremos juntos, vibramos juntos e sonhamos juntos. É por isso que continuo a acreditar que o Selecionador Nacional deveria ser Português. Não porque um treinador estrangeiro seja menos competente. O profissionalismo, a experiência e a qualidade não têm nacionalidade. Nunca colocarei isso em causa. Mas há algo que não se aprende nos cursos de treinadores, não se estuda nos livros nem se adquire ao longo de uma carreira internacional. Chama-se pertença.

É crescer a ouvir o Hino Nacional e sentir um arrepio antes mesmo da última nota terminar. É conhecer o significado das quinas muito antes de compreender um sistema tático. É perceber que aquela camisola não é apenas um equipamento desportivo. É um símbolo construído ao longo de séculos de história, de coragem, de sacrifício e de esperança. Um símbolo que transporta a memória de um povo e a identidade de uma Nação.

Quando Portugal entra em campo, não entram apenas onze jogadores. Entram as conquistas que nos fizeram acreditar. Entram as derrotas que nos ensinaram a reerguer-nos. Entram os sonhos das crianças que imaginam, um dia, vestir aquela camisola. Entram os milhões de portugueses espalhados pelo mundo que, durante noventa minutos, regressam simbolicamente à sua terra, unidos pela mesma bandeira. E aquelas “Quinas” têm um significado único e um “peso” enorme!

Hoje, diante da Espanha, esse simbolismo ganha uma intensidade particular.

Pergunto-me se quem não nasceu português conseguirá sentir, na sua plenitude, o peso silencioso daquele instante em que o Hino termina, o estádio mergulha num breve silêncio e os jogadores pousam a mão sobre o peito onde repousam as quinas. Conseguirá sentir que, naquele momento, já não representa apenas uma equipa, mas séculos de história, de cultura, de memória coletiva e de orgulho nacional? Talvez sim!

Talvez o profissionalismo permita compreender uma parte desse sentimento. Mas continuo convencido de que há emoções que não se contratam. Há memórias que não se importam. Há símbolos que não se explicam. Vivem-se!

Portugal tem formado alguns dos melhores treinadores do mundo. Homens que, com competência e mérito, conquistaram o respeito do futebol internacional e elevaram o nome do nosso país aos maiores palcos. Por isso, continuo a acreditar que a liderança da nossa Seleção deveria, sempre que possível, ser confiada a um treinador português. Não por uma questão de exclusividade ou de nacionalidade, mas porque a representação de um país ultrapassa a dimensão técnica. Exige uma ligação íntima à sua história, aos seus símbolos, às suas vitórias e às suas cicatrizes.

A Seleção Nacional é um dos poucos espaços onde um país inteiro se reencontra. Nela cabem os que vivem em Trás-os-Montes e no Algarve, nas ilhas e no continente, mas também os milhões de portugueses espalhados pelo mundo. Durante noventa minutos, todos vestem a mesma camisola, cantam o mesmo Hino e reconhecem-se na mesma bandeira. É esta dimensão humana e simbólica que torna a função de Selecionador Nacional diferente de qualquer outro cargo no futebol.


Porque um Selecionador pode preparar um jogo durante semanas. Mas um português prepara-se para representar Portugal durante uma vida inteira.

Humberto Domingues
H. D. 2026.07.06

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