domingo, 12 de fevereiro de 2023

A PERFÍDIA DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA AOS ENFERMEIROS, CONTINUA!

A PERFÍDIA DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA AOS ENFERMEIROS, CONTINUA!



Há vários anos (muitos anos, já) que os Enfermeiros têm vindo a manifestar o seu descontentamento, reivindicação e luta, pelo reconhecimento como “profissão de desgaste rápido e de risco”. Apesar desta reivindicação, têm desenvolvido várias formas de luta para uma melhor carreira e salários condignos em virtude de diariamente lidarem com ambientes perigosos e infectados, doenças e, cuidarem de Cidadãos doentes, em vários estadios dessa mesma doença. Têm encontrado sempre obstáculos no Governo Socialista e na Assembleia da República.

Na semana passada, apresentados pelo BE, Chega e PCP, foram votados na Assembleia da República, dois Projectos de Lei e um Projecto de Resolução, a saber:

- Projecto de Lei apresentado pelo BE, para a criação de um estatuto de risco e penosidade para os Profissionais de Saúde. Votaram contra: PS e IL; Abstenção do PSD, a Favor: BE, Chega, PCP, PAN, Livre.
- Projecto de Lei apresentado pelo Chega, para reconhecimento da profissão de Enfermeiro como de desgaste rápido e antecipação da idade da reforma. Votaram contra: PS e PSD; Abstenção: BE, IL, PCP e Livre; Favor: Chega e PAN;
- Projecto de Resolução apresentado pelo PCP para definição e regulamentação de um regime laboral e de aposentação específico para os Enfermeiros. Votaram contra: PS; Abstenção: PSD e IL; Favor: BE, Chega, PCP, PAN, Livre

Eis com algum espanto, ou talvez não, ver o sentido de voto de ditos projectos! Tristes sinais, que vemos e avaliamos como tais, aqueles que vêm da Assembleia da República! Depois de ouvidos, os Sindicatos e Ordem dos Enfermeiros em inúmeras audições e reuniões de trabalho, pretendia-se melhoria da Carreira de Enfermagem, quer na sua valorização e reconhecimento como Profissão de risco e desgaste rápido. Pois todos os projectos de lei foram rejeitados. Posição comum em todas as votações, foi o PS, votando contra, como aliás o vem fazendo há vários anos, sempre que algum assunto ou diploma diga respeito aos Enfermeiros. O PS, partido do Governo e da maioria absoluta votam sempre contra!

Reajo com muita indignação, como Enfermeiro, a estas votações! Ainda mais, em diplomas importantes a favor dos Enfermeiros, ver o PSD, perdido no seu percurso errático dos últimos tempos, e um Grupo Parlamentar ataviado em velhos sofismas. Também ainda não perceberam, que sem Enfermeiros não há SNS ou qualquer outro sistema de saúde, seja privado, público, ou adopte a forma que quiser. Também ainda não perceberam que os Enfermeiros são a maior Classe Profissional do SNS. Não há com certeza, melhoria da qualidade e resposta do SNS, sem Enfermeiros. E estes têm que ser reconhecidos, valorizados e respeitados. Há uma demonstração clara de ignorância, que persiste, sobre o que fazem os Enfermeiros nos serviços hospitalares, nos Cuidados Primários, no Privado ou no Social. Infelizmente, uma ignorância que atravessa todo o “espectro político”.

Chegados aqui, queremos colocar algumas questões para reflexão com os leitores/Cidadãos:

- A quem resta dúvidas de que os Enfermeiros têm uma profissão de risco e desgaste rápido?
- Com o não cumprimento das dotações seguras nos serviços, com equipas de Enfermeiros envelhecidas, cansadas e em burnout, poder-se-á estar, potencialmente, a trilhar um caminho muito perigoso, onde o erro e o acidente podem acontecer. Nós trabalhamos, tratamos e cuidamos de pessoas, não de objectos nem máquinas;
- A exigência da qualidade dos cuidados de Enfermagem implica dinâmicas próprias, equipas jovens e actuações preventivas a quem se dirigem os cuidados e para cuidadores;
- Estarão também os cidadãos a ser exigentes, o suficiente, para que no futuro, a segurança e a qualidade dos cuidados que são prestados, que merecem e precisam, se mantenham?

Não há dúvida que os vários Governos do PS têm optado por políticas de degradação da Justiça, da Educação e da Saúde. Para onde caminhamos quando cada vez mais, a Justiça é mais cara e demorada! A Educação tem Professores insatisfeitos e desmotivados e quadros de escolas por preencher! Na Saúde são carreiras desajustadas, remunerações baixas e falta de incentivos! A pobreza instala-se cada vez mais na Sociedade Portuguesa. O nivelamento é por baixo, num achatamento de remunerações, no desaparecimento da classe média e numa altíssima carga fiscal. É notória a falência da política de “contas certas” deste Governo. E o comum Cidadão é que paga os desvarios do Governo, com uma inflação tremenda, uma perda de poder de compra avassaladora e em sentido contrário, indemnizações e prémios escandalosos, a gestores de empresas públicas e bancos falidos, que só sobrevivem à custa da injecção dos dinheiros públicos vindos dos impostos do indefeso Cidadão!

Se por um lado, a Assembleia da República se comporta como um travão à justa reivindicação dos Enfermeiros e não os reconhece, por outro lado, o Governo do Dr. António Costa, tem sido o responsável pelo desmantelamento do SNS, pela política dos baixos salários no sector da Saúde e pela saída do SNS e emigração, de Enfermeiros, Médicos e Técnicos Superiores de Saúde.

Fica cada vez mais claro o desrespeito que os Srs. Deputados têm pelos Enfermeiros Portugueses, mesmo nestes momentos difíceis e tendo-se comemorado em 2020 o Ano Internacional do Enfermeiro e depois de toda uma dádiva, altruísmo e espírito de missão que os Enfermeiros deram e deixaram, durante os anos de Pandemia (2020-2021)

Algum dia chegará para dizer BASTA! O Titanic também era inafundável e…. afundou-se!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2023.02.08

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

GOVERNO EM DECADÊNCIA! AGITAÇÃO SOCIAL EM CRESCENDO.

GOVERNO EM DECADÊNCIA! AGITAÇÃO SOCIAL EM CRESCENDO.




Estamos a assistir a inúmeros episódios no Governo, de muitas demissões, amnésias, suspeitas de corrupção, incongruências, mentiras e suspeitas de tráfico de influências. Estes preocupantes episódios desgastam o Governo e desmoronam a maioria absoluta que o Partido Socialista conquistou. Retiram credibilidade à política e aos políticos.

A má gestão política, a falta de medidas sérias e a real resposta às necessidades das Populações e das diferentes classes profissionais que mantêm as instituições em funcionamento – como é o caso dos Enfermeiros no SNS e dos Professores na Educação – estão a provocar uma insatisfação e agitação social em crescendo. Os grupos inorgânicos ganham espaço.

Nos Enfermeiros, a não contagem de tempo e uma “desorganizada” atribuição de pontos, está a provocar desigualdades e injustiças, deixando Conselhos de Administração a tomar medidas díspares do que devia ser uniforme para todos os Enfermeiros. A ACSS e o Ministério da Saúde não conseguem criar um documento claro, orientador e imperativo, para que não se criem dúbias interpretações aos CA das instituições, na aplicação do DL 80-B/2022 de 28 de Novembro, do reconhecimento e pagamento das progressões decorrentes desta contagem de tempo. Obriga a que Enfermeiros partam para processos judiciais, para fazer valer os seus direitos, o que poderia ser evitável, se houvesse clareza nos diplomas e nas medidas subjacentes. Com isso, aumentam as injustiças e o desagrado, levando a que “Grupos Inorgânicos” e Sindicatos comecem a agendar greves.

Os Professores estão insatisfeitos, também pela não contagem de tempo de serviço e pela permanente mobilidade, injustiça e falta de vinculação aos Quadros das Escolas. As greves e manifestações, demonstrações claras do descontentamento existente, têm marcado o quotidiano destes últimos meses.

Se por um lado o Governo não reconhece a contagem de tempo em efectivo trabalho, que aconteceu mesmo, então seria justo, pelo mesmo princípio, que o Governo reembolsasse os descontos efectuados, no respectivo tempo de serviço, que não reconhece, nem quer contabilizar.

A inflação tem retirado poder de compra aos Portugueses, que têm rendimentos e salários baixos. A carga fiscal é avassaladora. A arrecadação de impostos é enorme, mas os Portugueses não sentem retorno desses impostos, na implementação de medidas corretivas do Governo. Antes pelo contrário, acontecem é indemnizações de 500.000 € e 1,2 milhões € às saídas da TAP, rios de dinheiro para o Novo Banco e 4,2 milhões € para um altar, mas para a Saúde e Educação, nunca há dinheiro disponível. O custo da energia, quer doméstica, quer para a indústria tem valores exorbitantes. O cabaz de compras de bens essenciais aumentou significativamente os preços. Mas o Governo Português, não foi capaz de introduzir medidas de alteração e diminuição do IVA, tal como fez o Governo de Espanha.

O Primeiro-Ministro Dr. António Costa, já não governa, já não tem mão no seu Governo. O Dr. António Costa mostra as suas fragilidades na condução do Governo. Há Ministros fragilizados com suspeitas grandes de corrupção, como é o caso do Dr. Fernando Medina. Há ex-Ministros que mentiram ao País, ao Parlamento e ao Sr. Presidente da República. Agora que já saíram do Governo, admitem que conheciam e se calhar autorizaram, digo eu, as indemnizações chorudas da TAP! Que incongruência e que deslealdade com o Povo Português!

O Sr. Presidente da República, que maquiavelicamente, vai triturando os membros do Governo em lume brando, criando intrigas e factos políticos em praça pública, criando também instabilidade, foi o mesmo que andou no passado recente com este Governo ao “colo”. Tem muita responsabilidade na situação actual que se vive!.

O acesso aos Serviços de Saúde, estão dificultados. Os Pais já não podem ver nascer os seus filhos, na terra onde desejam. À custa do definhar do SNS, crescem os privados e seguros de saúde. Face à instabilidade das Escolas públicas, começam a esgotar as vagas nos Colégios e Escolas privadas.

Sendo este, um Governo de esquerda, é precisamente com ele que, a degradação dos serviços públicos acontece e deixam de dar respostas às necessidades do comum Cidadão.

O Património público degrada-se, as estradas sem manutenção tornam-se perigosas e o potencial de insegurança e de ocorrências de acidentes, aumenta.

Caminhamos a passos acelerados para a desagregação do Governo. Parece-me que a Sociedade Portuguesa será chamada a muito curto espaço, a fazer novas escolhas em acto eleitoral, o que estagnaria o país, as instituições, a economia e os novos investimentos, criando adiamentos e prejuízos irreparáveis. Mas também, com o estado actual das coisas, não estamos bem!

Estará condenado o Povo Português a viver, sempre, num Portugal pobre? Mal governado? Perdendo riqueza e desbaratando oportunidades?

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2023.01.25

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

CONCURSO ENFERMEIRO GESTOR

 CONCURSO ENFERMEIRO GESTOR

Aviso extrato de abertura de concurso para 10 lugares de Enfermeiro Gestor na ULSAM, EPE, publicado na IIª. Série do Diário da República de 2023.01.16.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2023.01.16


sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

CARTA ABERTA AO ANO 2023

CARTA ABERTA AO ANO 2023




Caro ano 2023, sei que ainda estás numa idade pueril, mas os dias passam depressa, chegam as semanas, que perfazem os meses. E o tempo passa tão rápido, como todos sabemos! Por isso te escrevo esta “carta aberta” e, a torno pública, com alguns assuntos que gostava de ver tratados, mitigados ou resolvidos.

Que este clima de guerra entre a Rússia e a Ucrânia e interesses, uns mais claros, outros mais obscuros e invisíveis à maior parte dos Cidadãos, se dissipe, e haja lugar à paz e se poupem vidas humanas, atropelos aos direitos humanos, violações de mulheres e crianças e libertação da escravatura e não aos massacres de povos indefesos.

Quanto ao nosso País, começaria:

Que Sua Excelência o Presidente da República, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, cumpra e faça cumprir a Constituição da República e seja o mais alto cargo da Magistratura Portuguesa e Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, em que os Portugueses possam continuar a confiar. Não quero um Presidente cúmplice dos desvarios do Governo, dando cobertura a uma maioria absoluta em decadência e ruinosa para Portugal. Um Presidente que deixe de ser comentador de futebol e mensageiro do Governo à Nação, num desgaste de imagem permanente e, que quando tem que falar ao País de coisas sérias, seja ouvido com o cuidado que deve ser, precisamente, e não por falar e comentar de tudo e de todos.

Percebemos a amálgama, disputa e descoordenação que vai no Governo de António Costa, mas desejamos estabilidade, que o Primeiro-Ministro governe, coordene o seu governo e esteja atento ao País. Sinta o pulsar do Portugal profundo e verdadeiro. O seu governo quase parece o big brother, porque cada semana/mês sai um membro do governo. Pedimos ao Sr. Primeiro-Ministro que não pense nem governe poucochinho, muito menos que nivele por baixo. Queremos e desejamos ambição, nivelamento responsável por cima, e sair do pelotão dos pobres da EU, em que temos vindo a cair no pelotão de trás. Portugal já é pobre e está a empobrecer ainda mais! Que o governo desta maioria absoluta ganhe maturidade e, efectivamente, governe o País e não, os interesses dos governantes e do Partido do Governo. Porque a guerra e a pandemia, não justificam tudo. Os outros países da Europa também vivem/viveram com estes males e estão com uma economia em crescendo. Há coisas “raríssimas” a acontecer com esta maioria socialista!

Que a inflação estabilize e não faça/provoque a perda de poder de compra dos Portugueses, nem “coma mais”, os baixos aumentos de salários que acontecem, porque aí com a inflação no 8 a 10%, já efectivamente, temos todos perdido poder de compra nestes últimos meses.

Na Saúde, e aqui, mais que pela igualdade, mais que pela justiça, que haja equidade no acesso dos cidadãos aos serviços e cuidados de saúde. Que os bebés passem a poder nascer na terra onde os seus Pais quiserem.

Noutra dimensão, é tempo, muito tempo já, de o Governo resolver grande parte dos problemas existentes com os Recursos Humanos da Saúde, com caracter de urgência, aos Profissionais das “Carreiras Especiais”, nomeadamente aos Enfermeiros. Julgo que Governo e Assembleia da República, estão desfocados da realidade, por isso se permitem desigualdades gritantes. Ainda na semana passada, a Assembleia da República permitiu-se discutir uma petição e recusar a igualdade dos enfermeiros em contrato de trabalho em funções públicas e os enfermeiros em contrato individual de trabalho. Depois acontece a “sangria” de Enfermeiros para o estrangeiro. Segundo a Ordem dos Enfermeiros “mais de 3000 Enfermeiros saíram de Portugal desde o início da pandemia”.

No fundo, nos pilares essenciais de uma democracia e de um País desenvolvido – Saúde, Educação. Justiça e Segurança Social – possam ser desenvolvidas políticas que beneficiem e protejam as Famílias, fixem os Cidadãos no seu País e haja prespectiva de um bom futuro para os Jovens, com a vida mais desafogada para os Idosos e Classe Média, que com este socialismo de pacotilha e esta avassaladora carga fiscal, tende a desaparecer.

Que haja um repensar cuidadoso, mas mais exigente na atribuição do “Rendimento Social de Inserção-RSI”, para que não se gastem fortunas abissais, todos os meses, para manter vícios de quem não quer e pode trabalhar e de quem nada dá em troco à Sociedade que desconta e lhe paga tão chorudos subsídios mensais. Há pessoas e famílias dependentes destes subsídios, há anos! Se o Povo soubesse quanto se gasta mensalmente nestes RSI’s, havia uma revolução. E tantos idosos, que ao fim de uma vida de trabalho e descontos, recebem umas míseras reformas!

Caro Ano de 2023, sei que posso estar a pedir muito, mas todos nós precisamos de um cheque de 450€ mensais para o Uber, nas nossas deslocações para o trabalho. E vamos precisando também, de uma indemnizaçãozinha extra de 500.000€ para equilibrar as nossas despesas e encargos, porque afinal, contribuímos tanto para os cofres do Estado e da sobrevivência da TAP, também.

Ficamos a aguardar que com o compaginar destas semanas e meses, no final deste teu mandato de 2023, possamos fazer um balanço positivo de tudo o que se viveu. Acima de tudo, que não faltem Enfermeiros e Médicos nos Centros de Saúde e Hospitais. Que não faltem Professores nas Escolas. Que haja mais Juízes para diminuir a morosidade da Justiça e que na Segurança Social, todo o dinheiro arrecadado seja bem gerido, para não faltar às reformas, de todos os que para lá contribuem, e não é pouco!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2023.01.12

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

4 ANOS? É VERDADE!​

4 ANOS? É VERDADE!​
150.589 VISUALIZAÇÕES



Fez no dia 22 de Dezembro, 4 anos que iniciamos o nosso projecto de criar um blog e nele, escrever, meditar, reflectir e partilhar preocupações e textos, tocando variadíssimos temas e partilhando também, outros documentos, que não da nossa autoria, de informação e diplomas legais.​

Chegados até aqui, registamos 150.589 visualizações do nosso blog – enfermagemnasletras.blogspot.com - o que em média nestes 4 anos, representa cerca de 37648 visualizações por ano e cerca de 3.138 visualizações por mês, o que não sendo números estrondosos, a nós enchem-nos de orgulho.​

Temos a noção, que às vezes somos incómodos, de tal forma, que estamos bloqueados à cerca de 2 anos, de partilhar textos deste blog nas redes sociais, nomeadamente no "Facebook". Mas continuaremos a reflectir e a escrever com responsabilidade, mas também com independência.​

Assim, agradecemos a todos os que nos visitam neste blog, que lêem os nossos textos e também os partilham. Obrigado pela confiança e pelas mensagens de incentivo que nos fazem chegar.​

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2022.12.26

 

sábado, 17 de dezembro de 2022

DEIXEMOS A BOLA ROLAR. O FOCO É PARA A SAÚDE!

DEIXEMOS A BOLA ROLAR. O FOCO É PARA A SAÚDE!

 


O Mundial de Futebol, lá vai chegando ao seu epílogo. Portugal foi afastado precocemente. Mais uma vez, por tudo o que se passou em torno de Cristiano Ronaldo, pudemos ver o quanto a ingratidão e a falta de memória, rapidamente suplantam outros valores e, veio ao de cima, o que tanto se diz em gíria, “passar de bestial a besta”, é num instante!

Mas, perante esta realidade, foquemo-nos nas questões da Saúde e do SNS.

O Ministério da Saúde, foi um dos epicentros dos inúmeros casos já vividos por este novo (velho) Governo, com a inenarrável Ministra Marta Temido e a sua demissão já há muito tempo vaticinada e desejada. A sua sucessão veio cheia de “apostas” e nomes colocados em “cima da mesa”, mas sem surpresa, é nomeado o Dr. Manuel Pizarro, Ministro da Saúde. Chegado à Av. João Crisóstomo, vem tentando com palavras resolver problemas de fundo e estruturais que tornam o SNS inoperacional em muitas situações. Mas estes problemas não se resolvem com palavras! A realidade é de tal forma evidente que continuam alguns serviços de especialidade (Obstetrícia, Pediatria, Etc) encerrados aos fins-de-semana. Escalas por preencher, demissões de Directores de Serviço e tantos outros casos.

Pese embora, o recente acordo, coxo, para minimizar injustiças do passado, firmado com os Enfermeiros, a insatisfação e as iniquidades são grandes. A carência de Enfermeiros é a razão de muitas camas hospitalares estarem encerradas e por outro lado, em muitos serviços não estarem a ser cumpridas as “dotações seguras”. Os graves problemas e de fundo, não só com os Enfermeiros, mas no SNS, continuam lá. A reforma dos Cuidados de Saúde Primários não acontece! O bom exemplo disso, vem agora espelhado no "Relatório Health at a Glance 2022, da OCDE e da Comissão Europeia", publicado esta semana, em que aborda entre outros assuntos, as remunerações e os rácios: “enquanto a média dos países da UE era, em 2020, de 8.3 Enfermeiros por mil habitantes, em Portugal esse número não vai além de 7,3 por mil habitantes, tendo sido já ultrapassado por países como a Roménia, Lituânia e Malta.

Consciente dos problemas dos Recursos Humanos na Saúde, particularmente dos Enfermeiros, o Presidente, Dr. Fernando Araújo, conhecedor desta realidade, afirmou na cerimónia de apresentação da Direcção Executiva, que os cerca de 150.000 profissionais que trabalham no SNS, têm de ser valorizados e onde haja e se criem condições para evoluir e conseguirem equilibrar a vida profissional com a vida familiar.

As outras Classes Profissionais falarão por si. Quanto aos Enfermeiros, está muito longe de se terminar a negociação com o actual Ministério da Saúde. Lembrar que da parte dos Enfermeiros, entre muitos outros assuntos, há para negociar e atender:

  • Enfermagem: Profissão de desgaste rápido e antecipação da idade da reforma;
  • Pagamento do Internato da Especialidade de Enfermagem (como acontece com os Médicos e Farmacêuticos);
  • Revisão da Carreira de Enfermagem e da Grelha Salarial dos Enfermeiros;

Para justificar o atrás descrito, suportemo-nos em alguns resultados alarmantes e assustadores de um estudo realizado e divulgado, pela Profª. Doutora Raquel Varela e outros Professores/Colaboradores do Observatório para as Condições de Vida e Trabalho/Nova FCSH:

  • Enfermeiros mais antigos na profissão e mais velhos sofrem de maior exaustão emocional;
  • Profissionais com maior carga horária têm maiores índices de esgotamento emocional;
  • Enfermeiros (mais de 26%) trabalham em média demasiadas horas por semana com casos extremos acima de 70 horas;
  • A maioria dos Enfermeiros (65%), exercem a sua profissão no sector público e em contexto hospitalar;
  • Têm horário rotativo (57%) e trabalho por turnos (74%), com uma percentagem elevada de trabalho nocturno (60%);
  • Entre muitos indicadores ressalta um, em que um número importante de Enfermeiros (97,2%), não gozam de sete dias seguidos de férias há mais de 350 dias;
  • Muitos destes valores reflectem-se no índice comparável, (inter-classes profissionais) de exaustão emocional de 3,42 pontos, bastante acima do valor de 2 pontos, considerado normal.
  • Uma carga horária excessiva corresponde em média os maiores níveis de esgotamento emocional. Os Enfermeiros que trabalham mais horas têm índices mais preocupantes de burnout.

 

Perante estes indicadores, resultados e conclusões do presente estudo, é deveras assustador o desgaste físico, emocional e psicológico que os Enfermeiros sofrem. Por muito que desagrade a muitos, e como disse recentemente a Srª. Bastonária dos Enfermeiros no Congresso, dirigindo-se ao Sr. Ministro da Saúde e à Plateia, “são os Enfermeiros o Pivô do doente, porque é ele que vela, cuida, vigia e sinaliza a todos os outros 24horas/dia, 365 dias por ano”.

Convém lembrar sempre da importância do cumprimento das dotações seguras nos serviços, porque os estudos demonstram que se morre mais, na ordem dos 7%, quando o rácio de Enfermeiros nos serviços de internamento está abaixo do exigível. E a maioria dos serviços está abaixo deste “nível de segurança”. Por outro lado, segundo a Srª. Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, a prestação de cuidados por Enfermeiros Especialistas reduzem:

  • Infecções cruzadas hospitalares;
  • Dias de internamento e reinternamentos;
  • Taxas de mortalidade;
  • Criam uma poupança ao Estado na ordem dos 65 milhões de euros/ano;

Realmente, neste enorme mas insubstituível SNS, há que redefinir o valor e o financiamento público para a Saúde. Há necessidades a todo o nível, fruto de anos e anos de desinvestimento, cativações e desvios de prioridades. Mas neste momento, os Recursos Humanos, principalmente os Enfermeiros, terão que ser a prioridade do investimento do Ministério da Saúde. Por muito que não queiram ver, a realidade é esta, nua e crua. E se quiserem estancar a emigração destes profissionais que já vai em 20.000 e, de outros profissionais, terão de oferecer remunerações e carreias dignas com progressões e dignificação das profissões.

Humberto Domingues

Enf. Espec. Saúde Comunitária

2022.12.14

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

RELATÓRIO HEALTH at a GLANCE 2022 DA OCDE E DA COMISSÃO EUROPEIA

RELATÓRIO HEALTH at a GLANCE 2022 
DA OCDE E DA COMISSÃO EUROPEIA


Link:

Chegados aqui, infelizmente, a qualidade dos cuidados de saúde, vão/já estão a ressentir-se.
Um dia não muito longínquo, não vai haver Enfermeiros Portugueses, para prestar bons cuidados de saúde, assegurar a dignidade da vida humana, precisamente quando estiver mais débil, que é na doença. E todos nós estaremos sujeitos e expostos ao erro e ao risco.

Transcrevo o texto do site da Ordem dos Enfermeiros, relativo ao "Relatório Health at a Glance 2022, da OCDE e da Comissão Europeia".

"O relatório Health at a Glance 2022, da OCDE e da Comissão Europeia, mostra que os Enfermeiros portugueses continuam a ser dos mais mal pagos da Europa, bem como o rácio destes profissionais continua a ser inferior à média europeia. Enquanto a média dos países da UE era, em 2020, de 8.3 Enfermeiros por mil habitantes, em Portugal esse número não vai além de 7,3 por mil habitantes, tendo sido já ultrapassado por países como a Roménia, Lituânia e Malta.

Entre 2010 e 2020, o número de enfermeiros per capita aumentou na maioria dos países da UE, e os Enfermeiros superam os médicos. Em 2020, havia mais de dois enfermeiros por médico em média entre os países da UE, mas esta proporção não se verifica nos países do sul da Europa, incluindo Portugal: um Enfermeiro por cada três médicos, sendo um dos piores rácios, só à frente da Bulgária, Letónia e Chipre.

Quanto à remuneração dos Enfermeiros, Portugal está também na cauda da OCDE, só à frente da Letónia e Lituânia. Numa lista com 21 países, Portugal surge na posição 19ª. Já o Luxemburgo e a Bélgica são os países que melhor pagam aos Enfermeiros, razão pela qual conseguem atrair um grande número de Enfermeiros de outros países, incluindo de Portugal.

Este relatório alerta ainda para que a procura por Enfermeiros continue a aumentar, devido ao envelhecimento da população, por um lado, e ao número de Enfermeiros que estão a aproximar-se da idade da reforma."


Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2022.12.12

TRIBUTO A CRISTIANO RONALDO

 TRIBUTO A CRISTIANO RONALDO




Obrigado Cristiano Ronaldo pela dedicação.
Obrigado Cristiano Ronaldo por tudo que deste a Portugal, sempre!
Obrigado Cristiano Ronaldo pela inspiração que foste a muitos que hoje jogam ao teu lado. E outros que jogam e querem jogar futebol em Portugal e no mundo;
Obrigado Cristiano Ronaldo por seres o exemplo e a inspiração, de dedicação, trabalho e de exemplo;
Obrigado por te tornares uma lenda portuguesa do futebol mundial e levares bem longe o nome de Portugal;
Cristiano Ronaldo, ainda tens muito para dar ao futebol e a Portugal.
Cristiano Ronaldo, perdoa os ingratos.
H. D. 2022.11.10

Carta de Moita Flores ao Cristiano Ronaldo:

"AO CRISTIANO RONALDO, MAIS UMA VEZ
Não chores. Sei que são lágrimas de um vencedor que não quer ser vencido.
Não chores. Estás no pedestal maior do futebol mundial.
Como pode chorar quem conquistou lugar tão elevado na História do desporto?
És imortal, Cristiano! Não deves nada a Portugal e nós devemos-te o favor de te emprestares às cores deste País, carregado de títulos espanhóis, ingleses, italianos que enobreceram os países e as equipas onde tornaste a estrela cintilante que brilha no topo da tua carreira. Como pode chorar alguém que conhece a glória como poucos?
Percebo que tenhas dores profundas. Durante estes dias, muitos dos teus compatriotas difamaram-te, insultaram-te, magoaram-te quando, pela última vez, te emprestavas à camisola das quinas. Este é o país que temos, exatamente igual àquele que deixaste há mais de vinte anos. O País onde a excelência é um despeito, a glória um vexame, atingir os pontos mais altos do céu, uma amargura.
Somos isto. Pequeninos, pobretes mas alegretes, vencidos sem lágrimas nos olhos, submissos ao poder da treta e do entretenimento.
Não chores. Os imortais não choram. Daqui por umas décadas, ninguém saberá o nome de quem quis ‘amerdalhar’ o teu mérito. Mas os vindouros saberão o teu nome, como sabem o de Pelé, de Eusébio, de Maradona. Estás nessa galeria de heróis, onde muitos são chamados e poucos são os escolhidos.
Não chores, Capitão! Não tenho dúvidas que a equipa de rapazes valorosos com que te despediste deste Mundial tem orgulho em ti. Que para muitos, daqui por uns anos, um dos seus maiores confortos é dizer: ‘Eu joguei com Cristiano’!
Não chores, meu Capitão! Conseguiste que este pobre coitado que nada percebe de futebol, ficasse encantado nas muitas vezes que te vi jogar, e me babei de gozo, com os teus golos e postura de campeão.
Choro lágrimas de respeito, de gratidão, de saudade por tudo quanto nos deste. As lágrimas são minhas e de quem celebra a excelência. E tu fizeste Portugal muito maior até ser do tamanho do mundo inteiro. Hoje, dizer Portugal em qualquer canto da Terra, tem como resposta Cristiano Ronaldo! Habitas no Olimpo dos deuses.
Não chores, meu Capitão!"

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2022.12.10

domingo, 4 de dezembro de 2022

APONTAMENTOS: VIOLÊNCIA; VIH/SIDA; ESCRAVATURA

APONTAMENTOS: VIOLÊNCIA; VIH/SIDA; ESCRAVATURA;

 




Os tempos vão passando, os Governos e as políticas vão-se alterando, mas há datas, princípios e razões que não podem nunca ser esquecidas, minimizadas ou subalternizadas. Nos tempos que correm, não podem as Sociedades vergar-se perante a escravatura, a violência, a injustiça ou as ditaduras. Este posicionamento, infelizmente, custa muitas vidas, mas se a Sociedade não se unir e não se erguer, custará muitas mais!

 VIOLÊNCIA

A 25 de Novembro comemora-se o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres.

Não podemos ser insensíveis a esta data, e a qualquer data, dia ou hora, onde aconteça violência contra as Mulheres. Não pode acontecer! Nunca, jamais, podemos esquecer, que somos filhos de uma MULHER.

Segundo as Nações Unidas, em 2021, em média, por hora, “foram assassinadas no mundo “mais de cinco Mulheres ou Meninas.”

“De todos os feminicídios cometidos em 2021, em Portugal, foram pelas mãos de parceiros íntimos ou familiares”. Em Portugal, até ao início de Novembro/2022, registaram-se 28 mortes de Mulheres, em violência doméstica, das quais “22 num contexto de relação”.

Para além destas mortes que se lamentam, muitas vezes prematuras, sendo que a maior parte dos casos acontece entre os 36 e os 50 anos, deixam filhos menores, em idades muito “tenras” que ficam para toda a vida com este trauma, e desconhecendo para sempre o calor, a protecção, o carinho, o afago e o afecto das MÃES!

Nunca, jamais, podemos calar estes crimes, estes abusos e estas injustiças. Não à violência contra as Mulheres!

 SIDA – EPIDEMIA DO VIH

A 1 de Dezembro, assinala-se o Dia Mundial de Luta contra a SIDA.

Portugal tem dado um salto enorme nesta luta, na prevenção, tratamento e seguimento de casos de VIH/SIDA. Tem-se verificado uma diminuição da incidência e um aumento de número de diagnósticos precoces.

Em Portugal o tratamento do VIH tem sido uma prioridade e integrado sucessivamente nos Planos Nacionais de Saúde, dos diferentes Governos.

“De acordo com a informação colhida no “Relatório Anual do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge,

·        “Em Portugal, segundo os dados recolhidos a 31 de outubro de 2022, foram notificados 1 803 casos de infeção por VIH no biénio 2020-2021, 870 dos quais em 2020 e 933 em 2021;

·        Redução de 44% no número de novos casos de infeção por VIH e de 66% em novos casos de SIDA entre 2012 e 2021;

·        A maioria (71,8%) dos novos casos de infeção em adolescentes e adultos (≥ 15 anos) registou-se em homens (2,5 casos por cada caso em mulheres) e a mediana das idades à data do diagnóstico foi de 39 anos. Em 63,6% dos novos casos as pessoas tinham entre 25 e 49 anos e em 27,6% tinham idade igual ou superior a 50 anos. No período em análise foram notificados 4 casos de infeção VIH em crianças (2 em 2020 e 2 em 2021);

·        Embora a transmissão heterossexual se mantenha como a mais frequente (51,8%), os casos em homens que têm sexo com homens (HSH) corresponderam à maioria dos novos diagnósticos em homens (56,0%). A taxa de novos diagnósticos de VIH foi mais elevada nos residentes na Área Metropolitana de Lisboa, seguida da região do Algarve;

·        Relativamente aos óbitos, foram comunicados 298 óbitos em pessoas que viviam com VIH (148 em 2020 e 150 em 2021). Em 24,5% dos óbitos o tempo decorrido desde o diagnóstico foi superior a 20 anos;

·        Analisando os dados acumulados, desde 1983 até 31 de dezembro de 2021, foram identificados em Portugal 64 257 casos de infeção por VIH, dos quais 23 399 atingiram o estádio de SIDA e ocorreram 15 555 óbitos;

·        Analisando os dados acumulados, desde 1983 até 31 de dezembro de 2021, foram identificados em Portugal 64 257 casos de infeção por VIH, dos quais 23 399 atingiram o estádio de SIDA e ocorreram 15 555 óbitos.”

(Fonte Relatório Infeção por VIH em Portugal – 2022)

A prevenção é muito importante, no difundir da informação, na educação para a saúde e, aqui, particularmente, as Escolas têm dado um contributo muito grande, possibilitando que Profissionais de Saúde, essencialmente Enfermeiros, vão e estejam nas Escolas e no “Gabinete do Aluno” ensinando comportamento saudáveis e prevenindo o risco.

Este apontamento serve para lembrar esta data, reforçar a importância da PREVENÇÃO e alertar para os perigos que decorrem para o ser Humano, tendo uma imunidade baixa, porque serve de porta de entrada para outras infecções oportunistas.

 ESCRAVATURA: TRÁFICO DE SERES HUMANOS

A 2 de Dezembro, assinala-se o Dia Internacional para a Abolição da Escravatura.

Apesar destes dias, apesar dos controles de fronteira, das evoluções das técnicas policiais e da evolução que se pretende para a Sociedade Portuguesa, mas também de outros países, há e acontece, às nossas portas, episódios de escravatura e tráfico de pessoas, como são os casos investigados e descobertos na semana passada, estes os mais recentes. Aconteceu no Alentejo! Comportamentos que se julgavam de séculos anteriores e de outras “civilizações”, parecem estar cada vez mais presentes nos dias de hoje e nas nossas Sociedades/Comunidades, tudo em troca do materialismo, da lavagem de dinheiro obscuro, manchado com impressões digitais de mãos sem escrúpulos.

Esta intolerância e modus operandi de determinados indivíduos na Sociedade, devem ser amplamente censurados e rejeitados. A justiça deve ser célere, de “mão pesada” e implacável, não facilitadora para com estes indivíduos para que sejam banidos de uma liberdade em sociedade, que se quer tolerante e solidária, no mais profundo respeito dos/pelos direitos e dignidade das pessoas, sejam quais forem a cor da pele, os credos ou as nacionalidades.

Estamos a disputar o Mundial de Futebol, e não podemos esquecer, também, apesar disso, o que se passa no Qatar, onde a força do Futebol, parece querer relegar para segundo plano, os DIREITOS HUMANOS! Isso nunca!


Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2022.12.01

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

RELATÓRIO INFECÇÃO POR VIH EM PORTUGAL - 2022


RELATÓRIO INFECÇÃO POR VIH EM PORTUGAL - 2022


Foi hoje apresentado o relatório por VIH em Portugal, 2022, cujo link se disponibiliza abaixo à imagem.
Como resumo, transcrevemos:

"Dos resultados e conclusões apresentados no documento, destaca-se o seguinte: 

  • Em Portugal, segundo os dados recolhidos a 31 de outubro de 2022, foram notificados 1 803 casos de infeção por VIH no biénio 2020-2021, 870 dos quais em 2020 e 933 em 2021;
  • Redução de 44% no número de novos casos de infeção por VIH e de 66% em novos casos de SIDA entre 2012 e 2021; 
  • A maioria (71,8%) dos novos casos de infeção em adolescentes e adultos (≥ 15 anos) registou-se em homens (2,5 casos por cada caso em mulheres) e a mediana das idades à data do diagnóstico foi de 39 anos. Em 63,6% dos novos casos as pessoas tinham entre 25 e 49 anos e em 27,6% tinham idade igual ou superior a 50 anos. No período em análise foram notificados 4 casos de infeção VIH em crianças (2 em 2020 e 2 em 2021); 
  • Embora a transmissão heterossexual se mantenha como a mais frequente (51,8%), os casos em homens que têm sexo com homens (HSH) corresponderam à maioria dos novos diagnósticos em homens (56,0%). A taxa de novos diagnósticos de VIH foi mais elevada nos residentes na Área Metropolitana de Lisboa, seguida da região do Algarve;
  • Relativamente aos óbitos, foram comunicados 298 óbitos em pessoas que viviam com VIH (148 em 2020 e 150 em 2021). Em 24,5% dos óbitos o tempo decorrido desde o diagnóstico foi superior a 20 anos; 
  • Analisando os dados acumulados, desde 1983 até 31 de dezembro de 2021, foram identificados em Portugal 64 257 casos de infeção por VIH, dos quais 23 399 atingiram o estádio de SIDA e ocorreram 15 555 óbitos; 
  • Analisando os dados acumulados, desde 1983 até 31 de dezembro de 2021, foram identificados em Portugal 64 257 casos de infeção por VIH, dos quais 23 399 atingiram o estádio de SIDA e ocorreram 15 555 óbitos. 

Link:

https://www.insa.min-saude.pt/wp-content/uploads/2022/11/RelatorioVIH_2022.pdf 

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2022.11.30

RECUPERAÇÃO DE PONTOS DETIDOS PELOS ENFERMEIROS

RECUPERAÇÃO DE PONTOS DETIDOS PELOS ENFERMEIROS


Documento da ACSS sobre recuperação de pontos detidos pelos Enfermeiros com base no Decreto-Lei (D.L.) nº. 80-B/2022 de 28 Novembro. 

Abaixo desta imagem, está o link de acesso ao documento todo.

Link:

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2022.11.30

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

DECRETO-LEI 80-B/2022 DE 28 DE NOVEMBRO - CONTAGEM DE PONTOS ENFERMEIROS

DECRETO-LEI 80-B/2022 DE 28 DE NOVEMBRO
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
CONTAGEM DE POSTOS - AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO - ENFERMEIROS

Link:

Foi hoje publicado no Diário da República, pelo Decreto-Lei nº 80-B/2022 de 28 de Novembro, da Presidência do Conselho de Ministros, o diploma que estabelece os termos da contagem de pontos em sede de avaliação de desempenho dos trabalhadores enfermeiros à data da transição para as categorias de enfermagem e especial de enfermagem.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2022.11.28

sábado, 19 de novembro de 2022

A RECONSTRUÇÃO DO SNS? SIM, COM A VALORIZAÇÃO DOS SEUS RECURSOS HUMANOS!

A RECONSTRUÇÃO DO SNS? SIM, COM A VALORIZAÇÃO
DOS SEUS RECURSOS HUMANOS!


Link:

A Saúde é um dos mais importantes “pilares” de uma democracia e de um país, a par da Justiça, da Educação e da Segurança Social, e estruturante para esse mesmo País e Sociedade.

Em Portugal tem-se verificado, nos últimos anos, um declínio da qualidade dos Serviços Públicos. A Saúde não foge, infelizmente, a esta realidade, não pela falta de qualidade dos seus Profissionais, mas sim, pela falta de investimento e fixação dos melhores. Não tem havido resposta adequada aos desafios que se colocam, com as necessidades presentes, face a uma exigência imposta pela Sociedade, uma vez que os Cidadãos têm maior esperança média de vida e vivem mais anos, com as comorbilidades inerentes ao avanço da idade. E por isso, a procura e a necessidade de prestação de Cuidados de Saúde é mais longa, cara e permanente.

Perante a falta de resposta capaz, aos inúmeros desafios, problemas e necessidades, criou agora o Governo mais um organismo para a “gestão operacional” da Saúde – “Direcção Executiva”. Será um Ministério dentro de outro Ministério? Pergunto: Mas será/seria mesmo necessário? E a Direcção-Geral da Saúde (DGS)? E a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS)? E já agora, as duas Secretarias de Estado da Saúde? E as ARS (são 5. Uma por cada região)? É só organismos, não sei bem se com duplicação de serviços, burocracia, centralismo e “lugares a oferecer/preencher”.

Perante tudo isto, estes organismos todos e agora com a Direcção Executiva, as respostas aos Cidadãos vão efectivamente melhorar? Vai haver diminuição das listas de espera para consultas da especialidade e cirurgias? As grávidas agora, vão ter serviços de obstetrícia/maternidades/blocos de partos, com respostas rápidas e seguras, na sua área de residência? A restruturação/reforma dos Cuidados de Saúde Primários (CSP), que é a porta de entrada no SNS, vai agora acontecer? Vai haver maior investimento e financiamento dos CSP? E no que diz respeito ao mais importante património do Ministério da Saúde, que são os seus Profissionais, vão ser reconhecidos, valorizados e criadas condições, carreiras e remunerações condizentes com a responsabilidade que têm todos os dias em mãos, que é cuidar de pessoas doentes e por isso assegurar com dignidade, o direito à vida e a serem bem tratadas? Ou este reconhecimento e valorização será só para “alguns”?

Pois, parece-nos que não! Acabaram de haver negociações com os Sindicatos dos Enfermeiros, para terminar os acordos ainda pendentes, da anterior equipa Ministerial. Foram dados passos importantes de situações injustas e “penduradas”, que permaneciam há já muito tempo. Mas a realidade é que apenas foi reposto, em parte, o que nos tiraram. O que já era nosso. Conquistado com muito esforço, trabalho e dedicação.

Contudo, encontrou agora, a actual tutela, um expediente, de não contabilização retroactiva a 2018, mas sim, só a Janeiro de 2022, o direito de contagem de tempo/remuneração. Daqui decorre um grande prejuízo para os Enfermeiros, mais uma vez! Lamenta-se este posicionamento, até porque, é precisamente neste intervalo de tempo, que acontece a “Pandemia Covid-19”. E precisamente, neste período, os ENFERMEIROS, com todo o seu altruísmo, dedicação, profissionalismo, responsabilidade e espírito de missão, deram tudo, mas mesmo tudo, o que tinham e o que não tinham, em favor dos Cidadãos, das Famílias dos Serviços e do País, para que “ninguém ficasse sozinho”. E o actual Ministro da Saúde e o Governo não reconhecem isso, e penalizam os Enfermeiros. Parece-nos que a contagem de retroactivos a 2018, mais que uma questão legal, é uma obrigação moral! Quanto à legal, estou convencido que os Tribunais irão repor esta injustiça e fazer jurisprudência sobre este “roubo”. Como diz a Sra. Bastonária, Enfª. Ana Rita Cavaco, “quem merece pão não pode ser saciado com migalhas”. Mas permitam-me colocar aqui uma questão noutra vertente: Todos os Sindicatos foram suficientemente firmes, para não aceitarem esta desonestidade? Para a aceitarem, estava em causa, alguma outra questão mais importante?

As questões tratadas nestas mesas negociais e que agora chegam ao seu epílogo, são apenas uma parte, das muitas questões que os Enfermeiros querem ver tratadas e resolvidas, também para bem do SNS, a saber:

- Pagamento do Internato da Especialidade; Reconhecimento como “Profissão de Desgaste Rápido”; Antecipação da Idade de Reforma;
- Incentivos concretos e objectivos para manter os melhores Enfermeiros no SNS. Mas também, fixar os mais novos e evitar a emigração que se tem verificado;
- A dignidade profissional pelo adequado e justo vencimento/remuneração;

Estamos a chegar ao Inverno, e não sabendo do que aí virá, é momento para perguntar, tal como fez a Srª. Bastonária, por onde anda e “há ou não há um compromisso social entre País, as Pessoas e os Enfermeiros”?

NOTAS SOLTAS:
No passado dia 14 de Novembro, comemorou-se o “Dia Mundial da Diabetes”.

Esta data é muito importante, para (re)lembrar esta doença metabólica, crónica e evolutiva, e alertar para a necessidade de prevenção e seguimento em consulta de vigilância, nomeadamente nos Cuidados de Saúde Primários.

Face a todo o empenho, dedicação e trabalho que a Enfermagem e a Medicina Familiar desenvolvem, nas consultas dos Centros de Saúde, há claramente ganhos em Saúde, melhor qualidade de vida e diminuição das amputações aos doentes. A evolução que se regista a nível farmacêutico e de medicamentos, permite também um apoio considerável no tratamento dos doentes portadores de “diabetes mellitus”. Os hábitos de vida saudáveis, a alimentação e a prática de actividades físicas e desportivas, dão um contributo importante na prevenção desta “doença crónica”.

Segundo a Ordem dos Enfermeiros, a incidência da “diabetes” em Portugal está a aumentar e estima-se que atinja “cerca de 13% da População Adulta Portuguesa. No mundo estima-se que 400 milhões de pessoas sofram desta doença e ocorram 1,6 milhões de mortes por ano.”

A Prevenção, como em tudo, pode evitar complicações desta doença.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2022.11.18

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

MOMENTOS DE ESTRATÉGIA, INTELIGÊNCIA E AFIRMAÇÃO

MOMENTOS DE ESTRATÉGIA, INTELIGÊNCIA
 E AFIRMAÇÃO






A ingratidão dos Inquilinos da Av. João Crisóstomo – Ministério da Saúde – com os Enfermeiros, é enorme!

Após algum trabalho de insistência e o início de um “fervilhar”, por parte dos Sindicatos dos Enfermeiros, começaram a chegar às suas sedes, cartas vindas do Ministério da Saúde, agendando reuniões com estes, a fim de serem retomadas as negociações. Na 4ª. feira foram retomadas as negociações. Mas a expectativa não era grande. O que se veio a confirmar!

Estas negociações têm sido infindáveis! Se é certo que do lado dos Enfermeiros, são muitos Sindicatos da Classe, que não facilita a representação, do lado do Ministério da Saúde, a agenda e a ordem de trabalhos é sempre limitada e exígua, o que implica e tem por consequências, muita conversa e muito tempo perdido, muitas reuniões e muito pouca evolução com acordos fechados. Presume-se até, que muitas destas negociações, decorrem de acordos mau negociados, mau fechados e de posições de força e unilaterais assumidas por parte dos vários representantes do Ministério e do Governo, como é o momento actual.

Na actual negociação, entre outros assuntos, está em causa contagem de pontos para progressão e, nomeadamente de intervalos temporais de retroactividade (a 2018, enquanto o Ministério impõe a 2022. Questões técnicas que aqui seriam longas a explicar). Lamenta-se este posicionamento! E não se percebem as dificuldades que são criadas, sempre, aos Enfermeiros e que penalizam vários milhares! Porque, efectivamente, os Enfermeiros trabalharam também, neste período! Parece-nos que, para além de uma questão legal, é uma obrigação moral, este reconhecimento.

Parece até, que este mesmo Governo, já se esqueceu, que durante vários anos da “Pandemia Covid-19 e vacinação”, entre outros Profissionais de Saúde, os Enfermeiros não viraram costas à luta, asseguraram sempre, com risco e sacrifício das próprias vidas e Famílias, com espírito de missão, o funcionamento dos serviços, quer nos Hospitais, quer nos Centros de Saúde, visitações e tratamentos domiciliários e cuidados continuados. Foi alcançada uma elevadíssima taxa de vacinação/cobertura contra a COVID-19, sem mácula e total entrega e espírito de missão, afirmado várias vezes pelo Vice-Almirante Gouveia e Melo. Hoje continua-se no terreno, com as mesmas dificuldades e falta de Enfermeiros, na vacinação sazonal da Gripe, mais, o reforço contra a COVID-19. Os Enfermeiros, quando se trata de cuidar dos Cidadãos, dizem sempre presente e nunca deixam “ninguém sozinho”, muitas vezes, até para lhes fecharem os olhos, quando todos os outros já se foram embora! Mas… apesar de tudo… continuamos a assistir a uma carreira mal estruturada, de difícil progressão, com remunerações baixas e com uma sangria/fuga para o estrangeiro, de inúmeros Enfermeiros, que hoje, já fazem falta a Portugal!

Mesmo assim, depois deste período de dádiva dos Enfermeiros, de todos os contributos e parcerias leais, são permanentemente “construídas” dificuldades e encontrados expedientes de minudências para se colocarem barreiras, por forma, a esgotar a paciência, tempo e energia, arrastando e dificultando as negociações, ano após ano, com claro prejuízo, sempre para os Enfermeiros. E os Sindicatos, refugiados em agendas e calendários próprios e, alguns submissos aos interesses das suas centrais sindicais, ainda não tiveram a inteligência, a sagacidade e a audácia de exigirem e se apresentarem todos numa única mesa negocial e não repartidos em várias mesas e reuniões, umas públicas, outras privadas e até secretas.

Agravando tudo isto, a maior parte das negociações são realizadas em períodos que, quando chegam a bom termo, são sempre consideradas para Orçamentos de Estado, dos anos seguintes. Apesar de todo o trabalho, que deve ser respeitado, já feito pelos Sindicatos, parece-me ser reuniões calendarizadas, de forma estratégica, para que, o agora acordado e negociado, não vá a tempo de ser considerado, eventualmente, no Orçamento de Estado/2023. Uma desonestidade!

Face à irredutibilidade/imposição do Governo, porque do actual Ministro da Saúde já sabemos o que esperar e do Primeiro-Ministro, também, os Sindicatos vão-se ficar? O que falta aos Enfermeiros, neste “caldo” em que vivemos, para demonstrar a nossa força e união Sindical, também já afirmada em manifestação à frente da Assembleia da República? Os Enfermeiros, vão continuar a tolerar horas extraordinárias para além do legal (150 horas) e horários, muitas vezes ilegais, também? Estarão os Enfermeiros Portugueses dispostos a perder a sua identidade, capacidade de mobilização e luta, de reivindicação e de afirmação? Espero que não!

O momento é de preparação estratégica para a luta imediata, se nada de novo, sério e garantido, fôr conseguido! Até porque há muitas outras questões por resolver: Profissão de desgaste rápido; Idade da reforma.

Notas soltas:
1- Este Ministério da Saúde, que não trata todos por igual e dificulta sempre a vida dos Enfermeiros, é o mesmo que possibilita que serviço/os de Hospital, utilize resguardos para cães, nos doentes internados;

2- Quando a inflação atinge 10,2% e os produtos essenciais sobem exponencialmente, continua o Governo, através das televisões coniventes, afirmar que há crescimento económico! Efectivamente há crescimento, mas é da inflação e das dificuldades dos Cidadãos!

3- Apesar da austeridade, que é para todos, os políticos já pedem a reposição dos 5% do vencimento, suspensos na “Pandemia”. E aos Enfermeiros quer o Governo escamotear contagem de anos de trabalho, na contagem de pontos para progredirem! Enfim…

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2022.11.03

A SAÚDE QUE NÃO CABE NUM ALGORITMO

  A SAÚDE QUE NÃO CABE NUM ALGORITMO Quando a tecnologia se torna inteligente, precisamos de comunidades capazes de produzir saúde Fonte i...