segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O QUE RESTA DEPOIS DA PRIMEIRA VOLTA DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 2026?

 O QUE RESTA DEPOIS DA PRIMEIRA VOLTA DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 2026?

Para além das urnas o que é feito do destino das emoções confiadas pelos Cidadãos?


Terminou a primeira volta das Eleições Presidenciais de 2026. Vieram as análises, os números, os vencedores e os vencidos. Para uns, surpresa. Para outros, confirmação. Mas há algo que não cabe nas estatísticas nem nos comentários televisivos: o peso emocional que estas eleições deixaram no país. Porque não foram apenas votos que os candidatos receberam. Receberam “emoções cruas”.


Receberam o cansaço de quem já esperou demais, a revolta contida de quem se sente esquecido, a esperança frágil de quem ainda acredita que a Presidência da República pode ser mais do que uma figura, pode ser presença, voz, consciência e acção.

Este caudal emocional não é um mero subproduto da política, é o sintoma de uma profunda anomia social. Há a vertente Sociológica da Fractura. E a “revolta” expressa nas urnas é a manifestação da crise de representação que corrói as democracias ocidentais. Os cidadãos não votaram apenas em programas, mas contra o sentimento de abandono estrutural. O voto tornou-se um grito catártico contra a percepção de que as instituições se tornaram distantes, herméticas e incapazes de responder à velocidade e à gravidade das suas necessidades quotidianas. A abstenção, por sua vez, não é apatia, mas sim a expressão máxima do cepticismo e da descrença na eficácia do sistema político como ferramenta de transformação social.

Durante a campanha, os cidadãos não falaram de abstracções. Falaram de vidas reais. De salários que não chegam, de pensões insuficientes, de saúde que falha, de solidão, de medo do futuro. Falaram com verdade. Choraram. Abraçaram. Pediram. E confiaram.

A questão que agora se impõe é política, mas também profundamente humana. O que acontece às emoções que os candidatos “receberam”? Onde ficam as promessas feitas àqueles que, com dignidade e desespero, expuseram as suas dificuldades? Souberam os candidatos sentir verdadeiramente o que lhes foi confiado? Souberam compreender que cada aperto de mão carregava uma história e que cada abraço era, muitas vezes, um pedido silencioso de não abandono? Ou estas emoções serão arquivadas, esquecidas, substituídas por novas estratégias e novos discursos, num ciclo vicioso de esperança e desilusão?

A Presidência da República, neste contexto de fractura social, transcende a sua função constitucional de árbitro. É-lhe exigida uma função simbólica e curativa. O Presidente eleito não herda apenas um mandato político, herda uma dívida emocional para com o eleitorado. Esta dívida é o reconhecimento de que a política não pode ser gerida apenas por algoritmos e orçamentos, mas deve integrar a dimensão do sofrimento e da esperança popular.

A polarização afectiva que marcou esta primeira volta não se deu apenas entre ideologias, mas entre o "país institucional" e o "país real", aquele que não aparece nas sondagens, mas que bate à porta, que espera na fila, que resiste todos os dias. Hoje, muitos cidadãos vivem um luto eleitoral. Não apenas pelo resultado, mas pela dúvida. Pela incerteza de saber se a esperança que depositaram será honrada ou se foi apenas mais um momento de proximidade temporária, válido apenas enquanto durou a campanha.

As eleições continuam. A segunda volta aproxima-se. Mas que ninguém se esqueça: as emoções recebidas criam responsabilidade política inadiável. E a memória das pessoas é mais longa do que muitos pensam. A democracia não termina no voto. Começa, precisamente, no que se faz depois dele, na forma como o poder honra a confiança e a vulnerabilidade que lhe foram entregues. O futuro da nossa coesão social depende dessa resposta.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
Mestre em Sociologia da Saúde
2025.01.19

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

PORQUE NÃO VOTO DR. MARQUES MENDES PARA A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

PORQUE NÃO VOTO DR. MARQUES MENDES 

PARA A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Fonte da fotografia: RDP Internacional


A rejeição ao Dr. Luís Marques Mendes numa eleição presidencial não resulta de um episódio isolado, de um reflexo emocional, de um estado d’alma, ou de um capricho eleitoral. É o resultado de uma avaliação política, atenta e amadurecida ao longo do tempo, sustentada num percurso público que acumulou sinais claros de parcialidade, complacência com o poder e falta de firmeza política, características incompatíveis no nosso ponto de vista, com a independência, a autoridade moral e a clareza exigidas ao Presidente da República.

Durante anos, Marques Mendes ocupou um espaço privilegiado como comentador político. Longe de se afirmar como uma voz isenta, equidistante e moderadora, consolidou antes a perceção de um discurso seletivo, marcado por leituras táticas, alinhamentos evidentes e juízos orientados. O comentário político transformou-se, demasiadas vezes, em intervenção e julgamento político, minando qualquer pretensão de neutralidade que hoje procura reivindicar, mas que, objectivamente, não tem/teve.


Um dos aspetos mais criticáveis do seu percurso foi a forma reiterada como desvalorizou e condenou as lutas e reivindicações dos Enfermeiros. Em momentos de legítima exigência por melhores condições de trabalho, dignidade profissional e defesa do Serviço Nacional de Saúde, Marques Mendes optou sistematicamente por um discurso que ecoou o incómodo do poder político e defesa deste. Essa postura revelou pouca empatia por uma classe essencial ao funcionamento do Serviço Nacional de Saúde e uma visão redutora dos direitos laborais, tratados como ruído mediático ou problema de agenda, sacrificando a defesa do equilíbrio social num claro discurso mais próximo da lógica da conveniência governativa. Um Presidente da República não pode olhar para o conflito social desta forma, ainda mais quando tal discurso levanta legítimas suspeitas de alinhamento com interesses que não são os dos cidadãos.

Também a sua postura face ao PSD e aos governos do PS liderados por António Costa levanta sérias e consistentes interrogações. Enquanto foi particularmente severo, por vezes quase obsessivo, na crítica ao seu próprio partido, contribuindo para o seu desgaste público, adoptou simultaneamente um tom notoriamente mais brando, quando não justificativo, em relação às opções, falhas e condicionamentos dos sucessivos governos Socialistas. Esta assimetria não foi episódica, foi persistente e politicamente reveladora, fragilizando qualquer pretensão de equidistância e comprometendo a função arbitral que se exige a um Chefe de Estado. E voltou a mudar o discurso quando percebeu que o consolado PS e António Costa estavam em degradação e perda, começando a alinhar-se com a Direita. Oportunismo político puro! Como afirmou Miguel Sousa Tavares, “Marques Mendes um conspirador profissional já há muitos anos, disfarçado de comentador”.

A estas reservas soma-se a percepção de uma figura profundamente integrada nos circuitos de influência, onde política, negócios e bastidores do poder se cruzam. Mesmo na ausência de acusações formais, a imagem de um facilitador de interesses, confortável nos equilíbrios do sistema, é suficiente para gerar desconfiança num eleitorado cada vez mais atento às exigências de ética, transparência e independência. A Presidência da República exige autonomia face ao poder, não proximidade conveniente.

Por fim, importa sublinhar a falta de firmeza e clareza em momentos decisivos, já em pré-campanha. Quando se exigia coragem política, Marques Mendes optou frequentemente por posições titubeantes, por um discurso dúbio ou pelo silêncio estratégico. No seu discurso, não assume o apoio e construção de reformas estruturais necessárias para o País. Um Presidente não pode ser refém de equilíbrios nem gestor de ambiguidades. Deve ser um garante inequívoco da Constituição, do regular funcionamento das instituições e do interesse nacional.

A recusa em votar Luís Marques Mendes é, por isso, profundamente política, e apenas política. Não se trata de negar o seu percurso ou a sua experiência, mas de reconhecer que o seu posicionamento público, ao longo de anos, o afastou das qualidades de independência, isenção, firmeza e autoridade moral que muitos portugueses continuam a exigir de um Presidente da República e que Portugal precisa.

Por todas estas razões, para nós, plausíveis, não voto Dr. Marques Mendes para a Presidência da República.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
Mestre em Sociologia da Saúde
2026.01.07

domingo, 4 de janeiro de 2026

A SOLIDÃO JOVEM - A "EPIDEMIA" SILENCIOSA QUE ESTAMOS A IGNORAR

A SOLIDÃO JOVEM - A "EPIDEMIA" SILENCIOSA QUE ESTAMOS A IGNORAR

Fonte da Foto: Health News

Durante décadas, associámos a solidão à velhice. Imaginámo-la sentada em bancos de jardim ou em casas vazias após a reforma. No entanto, os dados mais recentes, em vários estudos, mostram uma realidade desconcertante: hoje, são os adultos jovens (entre os 18 e os 35 anos) quem mais relata sentimentos persistentes de solidão. Uma epidemia silenciosa, invisível nas estatísticas tradicionais, mas profundamente sentida no quotidiano. A OMS considera a “Solidão prolongada” como um problema de Saúde Pública.


A solidão não é apenas “estar sozinho”. “É um sentimento subjectivo e doloroso de desconexão, isolamento ou ausência de contacto social significativo”, onde a falta de pertença pode estar presente. É a discrepância dolorosa entre as relações que desejamos e aquelas que efetivamente temos. Pode existir mesmo, rodeados de pessoas, em cidades cheias, em redes sociais saturadas de contactos. E é precisamente neste paradoxo, hiperconectados/hiperligados, mas emocionalmente isolados, que muitos jovens vivem.


As causas são estruturais e não individuais. A instabilidade laboral, os contratos precários, a mobilidade constante, a dificuldade em criar raízes, a cultura do desempenho permanente e a pressão para “ter sucesso”, cedo corroem o tempo e a energia necessários para construir relações profundas. A competição desmedida e desregrada para o “ter material” fútil e volátil. A isto soma-se um uso intensivo das tecnologias digitais que, embora facilitem contactos, muitas vezes substituem, em vez de complementar, vínculos reais e significativos. O estigma faz criar o resto da dificuldade em admitir que solidão continua a ser visto como fracasso pessoal.

Ignorar esta realidade tem custos elevados. A solidão está associada a maior risco de depressão, ansiedade e pensamento suicida, mas também a problemas físicos, como doenças cardiovasculares e inflamação crónica, por disfunção do sistema imunitário. Afecta o sono, aumenta comportamentos de risco e compromete competências socioemocionais essenciais para a vida adulta. Não é apenas um problema emocional, é um determinante de saúde pública, a que hoje se deve dar muita atenção.

Perante este cenário, a pergunta impõe-se: quem pode, e deve, agir? A resposta passa, inevitavelmente, pelos Cuidados de Saúde Primários (CSP), mas com intervenção real na Comunidade. A Enfermagem Comunitária pode dar um contributo muito grande nesta matéria, pelo papel que desempenha, pela sua proximidade às pessoas, pelo foco na prevenção e pelo conhecimento do território. O “Pensar em Comunidade” pode ser uma estratégia e um posicionamento no possibilitar e despertar para este facto e pela forma como lidamos com a solidão jovem.

Tudo poderá começar por algo simples, mas que pode ser o “clique”: perguntar, dialogar, incorporar esta atitude no “rastreio da solidão” nas consultas de rotina, tal como fazemos com outros indicadores de saúde. Poderão existir, ou então construir-se, instrumentos curtos e validados que permitam identificar situações de risco e abrir espaço para uma conversa que muitos jovens nunca tiveram oportunidade de ter. A “Saúde Escolar” poderá ser uma ferramenta muito útil.

Mas identificar não basta. É preciso intervir. No território de cada Autarquia Municipal, em parceria muito estreita com a Saúde/Enfermagem Comunitária e Saúde Pública, podem ajudar a identificar, diagnosticar e facilitar intervenções. Por um lado sensibilizando para esta realidade, por outro, intervindo proactivamente em espaços comunitários e pontos de encontro. A tecnologia pode ser uma aliada, desde que usada de forma ética e com um objetivo claro, de facilitar encontros reais e não substituí-los.

Nada disto funcionará sem formação adequada dos profissionais e sem a participação ativa dos próprios jovens. As soluções não podem ser desenhadas “para” eles, mas “com” eles. Co-criar actividades, ouvir necessidades reais e respeitar a diversidade cultural e social é condição para o sucesso. Do mesmo modo, é essencial articular saúde, educação, emprego, cultura e autarquias numa resposta intersectorial sustentada.

Tratar a solidão como uma questão privada é um erro. Ela é um problema coletivo, com raízes sociais e económicas, que exige políticas públicas claras. Integrar a solidão como variável padrão nas avaliações de bem-estar, investir em projetos-piloto nos cuidados primários e financiar redes comunitárias de suporte não é um luxo, é prevenção em saúde apoiando-se também nas dimensões da “Saúde Mental”, olhando-se sempre para a “Literacia Social”. Se queremos adultos jovens mais saudáveis, resilientes e envolvidos na vida coletiva, precisamos de começar por reconhecer aquilo que muitos sentem, mas poucos dizem. A solidão não é uma falha individual. É um sinal de que algo, enquanto Sociedade, precisa de ser reparado. E quanto mais cedo o fizermos, maior será o impacto, não só na saúde dos jovens, mas no futuro comum que todos partilhamos. É um caminho, por certo, longo, mas que não pode ter interrupções. Até porque o impacto destas medidas apresentam resultados a médio e longo prazo e como “não dão votos” no imediato, não se implementam e não se realizam, daí uma das dificuldades. Mas a Sociedade do futuro e para ter futuro, não pode ser uma Sociedade doente nem construída na/de solidão!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
Mestre em Sociologia da Saúde
2026.01.04

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

INÍCIO DO TRABALHO EM 2026

INÍCIO DO TRABALHO EM 2026
Bom dia a Todos!

2026 chegou bem.

E hoje começamos o primeiro dia de trabalho de 2026 com o coração cheio de esperança e vontade de fazer bem. 

É um recomeço que nos convida a acreditar, a dar o melhor de nós e a encarar cada desafio com confiança. Que este ano seja feito de união, dedicação e pequenas vitórias que nos façam sentir orgulho no caminho percorrido. 

Entramos em 2026 com entusiasmo, confiança e a certeza de que juntos podemos ir mais longe.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2026.01.02

domingo, 28 de dezembro de 2025

BOM E FELIZ ANO NOVO 2026

BOM E FELIZ ANO NOVO 2026


A despedir-me deste ano com gratidão no coração.

Obrigado a TODOS que caminharam comigo, apoiaram, acreditaram e ajudaram neste percurso - em especial à minha Família, a base de tudo.

Que 2026 chegue com luz, esperança e novos começos.


Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.12.29

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

FELIZ NATAL - BOAS FESTAS

FELIZ NATAL
BOAS FESTAS
BOM ANO DE 2026


Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.12.23

GALA NORTE RECONHECE, NORTE VALORIZA

GALA NORTE RECONHECE, NORTE VALORIZA
Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros


No passado dia 20 de dezembro, realizou-se a Gala da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros, “Norte Valoriza, Norte Reconhece”.


Mais do que um evento protocolar, constitui um momento de profunda reafirmação dos valores que sustentam a profissão:
  • O reconhecimento do mérito;
  • A valorização do trabalho árduo e dedicado;
  • E a celebração coletiva da excelência em Enfermagem, não esquecendo os seus protagonistas de hoje, mas essencialmente, os de ontem.

Nesta Gala recebeu uma "Menção Honrosa" por todo o trabalho e dedicação à Enfermagem, a Ex-Enfermeira Directora do Hospital Distrital de Viana do Castelo, Enfª. Maria Gabriela Vieira Lisboa Carneiro Manso Gigante.


Recebeu também o "Prémio de Excelência" a VMER de Viana do Castelo, tal como todas as VMER’s da área territorial do Norte, sob a influência da Secção Regional.



O impacto positivo desta iniciativa estende-se muito além do momento da celebração: estabeleceu um precedente de valorização que inspira e motiva, reafirmando que o trabalho dos Enfermeiros é visto, reconhecido e verdadeiramente apreciado. É uma vocação, é um compromisso com a vida, é um ato de amor ao próximo.



O Jantar de Natal também teve muita animação e convívio.

Foi um momento de muita elevação, de muito glamour e alegria.

Parabéns ao Presidente da Secção Enf. Miguel Vasconcelos, aos Colegas do Conselho Directivo e Organizadores e a Todos os Colegas homenageados nesta Gala.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária 
2025.12.23

VII ANIVERSÁRIO DO BLOG ENFERMAGEM NAS LETRAS

VII ANIVERSÁRIO DO BLOG ENFERMAGEM NAS LETRAS


Ontem 22 de Dezembro de 2025, o meu blog, Enfermagem nas Letras (enfermagemnasletras.blogspot.com) fez 7 anos.
Foram 7 anos de muita realização, de escrita e de partilha.
Estão já registadas 227 407 visualizações.


Agradeço a Todos que acederam ao meu blog, leram as minhas crónicas e partilharam também o seu conteúdo.
Este é um projecto muito pessoal, que vai caminhando no tempo, com muita humildade, deixando escrito o meu pensar, as minhas reflexões, a partilha de alguma informação ou textos de outros autores que entendo como oportuno.
Uma coisa é certa, este blog é muito pessoal, não é contra ninguém e acima de tudo, quero ter e expressar a minha total liberdade de aqui escrever o que me apetecer.

Volto a agradecer a Todos a confiança, a leitura e a partilha.

Muito obrigado.

Humberto Domingues
2025.12.23

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

SOBRE A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA

SOBRE A CONSTITUIÇÃO DA
REPÚBLICA PORTUGUESA


Apenas uma simples opinião:

Com a evolução da Sociedade que hoje temos;

Com as questões geopolíticas que se sentem;

Com as alterações sociológicas que hoje vivemos;

Com os entraves a vários níveis que a Constituição Portuguesa tem imposto (a vários Governos e legislação);

Não será razoável pensar na necessidade de uma revisão profunda da Constituição Portuguesa?

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.12.16

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

EM DIA DE GREVE GERAL - 2025.12.11

EM DIA DE GREVE GERAL
2025.12.11


A greve é um direito, mas trabalhar também o é!

Atirar objectos e garrafas na escadaria da Assembleia da República não é protesto, é incivilidade pura. É a abdicação do diálogo, o desprezo pelas regras que sustentam a convivência democrática. Quem recorre a este tipo de acto não está a desafiar o poder, está a desrespeitar a Casa onde, em nome de todos, se debate o futuro do país. A liberdade exige firmeza, não vandalismo, exige coragem, não gestos gratuitos que apenas mancham a causa que pretendem defender. 

Portugal merece crítica dura e participação activa, nunca este ritual de desprezo e vandalismo, que nada constrói e tudo degrada.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Escolar
2025.12.11

domingo, 7 de dezembro de 2025

IV CONVENÇÃO INTERNACIONAL DOS ENFERMEIROS - II ENCONTRO DE ENFEERMEIROS GESTORES

IV CONVENÇÃO INTERNACIONAL DOS ENFERMEIROS
II ENCONTRO DE ENFERMEIROS GESTORES
FÁTIMA, 4 A 6 DE DEZEMBRO


Há encontros que nos transformam. Há momentos que não apenas nos marcam, mas nos renovam, e a Convenção dos Enfermeiros em Fátima, promovida e organizada pela Ordem dos Enfermeiros, foi exactamente isso, um renascer colectivo.


Nestes dias, rodeados pela luz serena de Fátima, compreendemos que a nossa missão como Enfermeiros, vai muito para além da técnica, do protocolo clínico ou do gesto mecânico. Somos tocadores de vidas. Somos presença no momento da fragilidade. Somos voz quando alguém perde a sua. Somos esperança quando o caminho parece escuro e a presença, quando já mais ninguém está!


“Liderar com Valor, Cuidar com Excelência” não foi apenas um lema, foi um compromisso que fez eco dentro de cada um de nós. Valor, porque liderar é servir com integridade, coragem, empatia e humanidade. Excelência, porque cuidar não é apenas fazer, é SER, ser atento, ser presente, ser dedicado, ser capaz de olhar o outro como único e como Pessoa, numa visão holística, que tanto sabemos fazer.

Aqui, aprendemos uns com os outros. Partilhámos histórias que nos emocionaram, desafios que nos moldaram e aprendizagens que nos fortaleceram. Fomos lembrados de que a enfermagem é feita de ciência, sim, mas também de alma, amor e muita dedicação. E que a cada vida que tocamos, deixamos um pouco da nossa.

Neste encontro, afirmámos também a força silenciosa, mas determinante, dos Enfermeiros gestores, aqueles que, com visão, responsabilidade e humanidade, constroem as condições para que o cuidado aconteça com dignidade. São eles, também, que equilibram recursos escassos, que enfrentam pressões constantes, que inspiram equipas inteiras e que defendem, muitas vezes na solidão dos bastidores, o que é justo para profissionais e utentes. 

Olhando com clarividência e lucidez, reafirmamos, sem hesitação, que o poder político tem o dever ético de respeitar os Enfermeiros, reconhecer o seu papel insubstituível e integrar a sua voz nas decisões que moldam a saúde do país, qualquer que seja o Serviço ou Sistema. Porque cuidar de quem cuida é um acto de responsabilidade nacional.

Ontem, saímos de Fátima com o coração mais cheio e com a consciência mais desperta. Reafirmamos o orgulho de ser Enfermeiros. Reafirmamos o valor de cada passo, de cada turno difícil, de cada lágrima, de cada sorriso arrancado a quem pensava não ter forças. Reafirmamos que, apesar das adversidades, seguimos juntos, mais unidos, mais preparados, mais humanos.

A todos os que participaram, partilharam, ensinaram e inspiraram, obrigado. Obrigado pela entrega, pela coragem silenciosa, pela ternura nos gestos, pela firmeza nas decisões. Obrigado por fazerem da Enfermagem uma arte de cuidar e da liderança, um acto de generosidade.

Que este encontro nos acompanhe nos dias que virão, que não serão fáceis. Que deste compromisso se faça acção e afirmação. Que recordemos e aprendamos com o exemplo dos premiados. 

Que este lema se faça vida. Porque liderar com valor é o caminho. E cuidar com excelência, é a nossa essência.

Obrigado Sr. Bastonário da Ordem dos Enfermeiros por mais esta realização e escrita de mais uma página no livro da Enfermagem Moderna em Portugal e no Mundo.

Obrigado a Todos os Enfermeiros, por terem sabido estar, com Excelência e acrescentado Valor, neste grande evento.

Senhores ENFERMEIROS, seguimos, juntos, sempre!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.12.07










quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A SIDA - 1 Dezembro

DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A SIDA - 1 Dezembro
Data assinalada no âmbito da Saúde Escolar


A Unidade de Cuidados na Comunidade Viana do Castelo (UCC VC), no âmbito da Saúde Escolar e o Agrupamento de Escolas de Stª. Maria Maior, nomeadamente na Escola Frei Bartolomeu dos Mártires, assinalaram o “Dia Mundial de Luta contra a SIDA” que é a 1 de Dezembro, com a realização de sessões, histórias e jogos didáticos, em todas as turmas do 8º. Ano.

O Desenvolvimento destas actividades, já são clássicas e habituais, neste Agrupamento de Escolas, que tem atravessado todos os Alunos, ao longo dos anos lectivos.


A essência destas intervenções é a promoção da Saúde e a prevenção, a educação e formação de Cidadãos de corpo inteiro, com a capacidade de dizer NÃO, quando em causa estão de comportamentos de risco."

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.12.03

terça-feira, 25 de novembro de 2025

A DEMOCRACIA IMPLACÁVEL PARA COM OS QUE SE JULGAM INSUBSTITUÍVEIS

A DEMOCRACIA IMPLACÁVEL PARA COM OS QUE SE JULGAM INSUBSTITUÍVEIS

Fonte: Wikipédia - Democracia em Atenas

Acabou de se comemorar o 25 de Novembro. Aconteceram há poucas semanas, as “Eleições Autárquicas 2025”. Talvez o patamar político, onde a alternância democrática se verifica e mais se sente. Onde castelos se julgavam “indesmontáveis”, caiem e levam consigo vaidades intermináveis, humildades aproveitadoras e ocos estatutos. E talvez por isso, a Democracia na sua “ferocidade”, na sua “clarividência e crueldade serena” e numa justiça fria, impõe-se pela expressão do voto. Quem nela ascende julgando-se insubstituível comete o erro mais elementar de confundir o poder que exerce com a fonte que o concede. A Democracia não pertence a ninguém, e todos pertencem a ela apenas enquanto servem.


Os que se julgam eternos no trono (políticos, líderes, tecnocratas, até salvadores), esquecem que a Democracia vive do desgaste, da alternância, do contraste de ideias e projectos. Ela é uma máquina que se alimenta da substituição. Substituir é o seu instinto natural, o seu modo de garantir que nenhum Homem, por mais brilhante ou popular que seja, possa transformar-se em dono do destino coletivo. Ela não perdoa os que se apoderam e se julgam donos dela.

O erro dos autointitulados indispensáveis é confundir influência com necessidade. Julgam que o país, a região, o concelho, o partido, ou a história desabarão sem a sua presença. Apresentam-se como salvadores, tratam a sua vitória como um baptismo divino e acreditam que o país ou qualquer concelho ou região, gira ao redor da sua vontade. Esquecem, porém, que a Democracia é um sistema que não tolera idolatrias. Esquece depressa os nomes, mas nunca o princípio de que, ninguém está acima da regra, ninguém é maior do que o voto, ninguém é insubstituível.

E quando um desses “insubstituíveis” tenta desafiar a lei da alternância, seja agarrando-se ao cargo, manipulando o discurso ou cultivando a idolatria das massas, a Democracia decide corrigir, fá-lo com frieza e precisão cirúrgica. Expulsa os vaidosos, varre os prepotentes, e arquiva os nomes que outrora julgavam-se eternos. Reage como um organismo que rejeita o corpo estranho. Expulsa-o com o mesmo rigor com que um sistema imunológico elimina o vírus que ameaça o equilíbrio. É uma purga lenta, às vezes dolorosa, mas inevitável. Ela não ama, não venera, não chora. O povo pode aplaudir, mas o “sistema observa”. E no instante em que o “Servidor” se confunde com o “Senhor”, a Democracia faz o que tem de ser feito, destrona-o, esquece-o e segue adiante. Porque mais importante do que qualquer rosto é a permanência do princípio, esse pacto silencioso de que ninguém é dono do amanhã. E quem confunde mandato com posse, quem se acha indispensável à história, cedo ou tarde é corrigido pela força silenciosa do voto e pela frieza da memória coletiva.

Ela vive da renovação, do conflito e da substituição. O político que nela permanece demasiado tempo começa a apodrecer dentro dela. A Democracia é feita para que ninguém se eternize. Não é por virtude, é por sobrevivência. Porque todo o poder prolongado demais deforma-se, e todo o líder que se julga essencial transforma-se, inevitavelmente, em ameaça.

O voto que elege é o mesmo que destrona. A popularidade que embriaga é a mesma que, no dia seguinte, vira indiferença. O povo, quando farto, não hesita, troca, varre, esquece. E é nesse esquecimento que reside a força da Democracia. Ela não precisa odiar para punir. Basta seguir o seu curso natural, o da substituição. E é muito comum, entre os que se julgam insubstituíveis, confundirem autoridade com propriedade. Um líder cai, outro surge, e a vida continua porque o essencial não é quem manda, mas o facto de que pode ser trocado.

Muitos destes “insubstituíveis” acreditam que a máquina do Estado lhes deve lealdade, que o partido lhes pertence, que o povo lhes deve gratidão. Mas a Democracia não deve gratidão a ninguém. Ela é/será o regime da ingratidão institucionalizada e é isso que a torna invencível. Quando chega a hora, não há título, carisma ou legado que salve.

É um sistema impiedoso, sim mas é essa impiedade, que garante a liberdade. Por isso, aos que hoje se olham ao espelho e se veem como indispensáveis, convém lembrar que ninguém é maior do que o voto, ninguém é dono da vontade popular. A Democracia pode ser lenta, mas nunca é cega e, no fim, ela cobra a conta de todos.

Como é implacável a Democracia. Pode tolerar o ego por um tempo, mas nunca o substituirá pela servidão. Quem nela entra pensando ser eterno, nela morre politicamente e sem epitáfio.

Humberto Domingues
Mestre em Sociologia da Saúde
2025.11.25

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

INOVAÇÃO NO CUIDAR EM TEMPOS DIGITAIS

INOVAÇÃO NO CUIDAR EM TEMPOS DIGITAIS

O sector da Saúde vive uma das transformações mais aceleradas das últimas décadas. A convergência entre empreendedorismo e tecnologia tem gerado um ecossistema vibrante, onde startups, centros de investigação, universidades e instituições de saúde colaboram para criar soluções que prometem revolucionar a forma como se cuida, previne e gere a saúde. Contudo, esta revolução tecnológica só será verdadeiramente transformadora se mantiver no centro a pessoa e não apenas, o dispositivo ou o dado.


Vivemos então, uma era em que a tecnologia deixou de ser um instrumento de apoio para se tornar uma presença estruturante nas nossas vidas. A digitalização alcançou praticamente todos os setores, e o cuidar, entendido aqui como o acto de assistir, apoiar, tratar e acompanhar o Utente, numa dimensão, para além do que as palavras significam, não ficou imune a essa transformação. A “inovação no cuidar em tempos digitais”, impõe-se como uma necessidade e, ao mesmo tempo, como uma oportunidade para repensar o que significa ser humano num mundo cada vez mais mediado por algoritmos e ecrãs.


Nas últimas décadas, a relação entre o profissional do cuidar/Profissional de Saúde e o sujeito cuidado/Utente, evoluiu de forma profunda. A introdução de tecnologias de monitorização remota, registos eletrónicos de saúde, inteligência artificial aplicada ao diagnóstico e até robôs de assistência, tem alterado os modos tradicionais de prestação de cuidados. O que antes dependia exclusivamente do toque, da escuta e da presença física, passa agora a ser mediado por dispositivos que prometem precisão, rapidez e eficiência. No entanto, essa transformação traz também desafios éticos e humanos que não podem ser ignorados. Mas também não substitui a importante componente humana do tratar, do cuidar e do escutar.

A inovação digital oferece inegáveis benefícios. Permite, por exemplo, que pessoas em zonas rurais ou com mobilidade reduzida acedam a consultas médicas on-line, que a monitorização de sinais vitais ocorra em tempo real, e que a análise de dados antecipe complicações de saúde antes que estas se tornem críticas. Além disso, os sistemas digitais de gestão de informação melhoram a continuidade dos cuidados, reduzem erros e libertam tempo aos profissionais para se concentrarem no essencial: a relação com o Utente. A tecnologia, quando bem integrada, pode ser uma aliada poderosa no ato de cuidar.

Contudo, esta inovação não é neutra. A crescente dependência das ferramentas digitais levanta questões sobre privacidade, equidade e desumanização. Num contexto em que o toque é substituído por sensores e a escuta por algoritmos, corre-se o risco de o cuidado se tornar uma mera transação técnica. A empatia, a intuição e a dimensão emocional do cuidar são elementos que nenhuma máquina pode replicar plenamente. O desafio, portanto, não está em rejeitar a tecnologia, mas em garantir que ela complemente e não substitua a dimensão humana, nunca!

É preciso, também, reconhecer que a literacia digital é hoje um determinante social da saúde. Quem não domina as ferramentas digitais corre o risco de ficar excluído dos novos modelos de cuidado. A inovação deve ser inclusiva, desenhada com e para as pessoas, respeitando as diferenças culturais, geracionais e cognitivas. Inovar no cuidar é, antes de tudo, inovar na forma como se cria proximidade, mesmo à distância, com o nosso Utente.

Mais do que uma revolução tecnológica, o que vivemos é uma revolução relacional. A tecnologia desafia-nos a redefinir o papel do profissional neste “novo cuidar”: de executor de procedimentos para mediador entre o humano e o digital. Isso requer novas competências, não apenas técnicas, mas também éticas e comunicacionais. O profissional inovador é aquele que sabe equilibrar a eficiência das máquinas com a sensibilidade humana, que entende que cuidar é, no fundo, um acto de presença, mesmo quando essa presença se dá através de um ecrã.

A inovação no cuidar em tempos digitais não se mede apenas pela sofisticação das ferramentas, mas pela capacidade de manter viva a essência do cuidado: o reconhecimento do outro na sua vulnerabilidade e dignidade. Que a tecnologia seja ponte, e nunca muro, entre quem cuida e quem é cuidado. E que não impeça, sempre para benefício do Utente, que através de diferentes plataformas possibilitem acesso à informação clínica, em tempo útil.

Sabemos que a saúde é um setor particularmente sensível à inovação. Mas aqui, o erro tem consequências humanas diretas, e por isso, a ética deve ser o fio condutor de qualquer projeto empreendedor. O ponto comum é a busca e procura de soluções mais eficientes, personalizadas e sustentáveis, capazes de responder aos desafios crescentes de um sistema de saúde pressionado por envelhecimento populacional, escassez de profissionais e aumento dos custos.

Inovar em saúde não é apenas criar novos produtos, mas redesenhar sistemas que promovam dignidade, acesso e sustentabilidade, onde o compromisso ético e deontológico, não falte, em qualquer momento do “percurso”.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.11.06

sábado, 1 de novembro de 2025

O SILÊNCIO DO LÍDER APÓS O SUCESSO

O SILÊNCIO DO LÍDER APÓS O SUCESSO:
A IMPORTÂNCIA DO REFORÇO POSITIVO NA CONSOLIDAÇÃO 
DA CULTURA DA EQUIPA

Fonte: Gestão de Projectos na Prática

Perturba-me, cria-me descontentamento e tristeza, desenvolve-me ansiedade e nervosismo, cria-me desgaste, quando “escuto o silêncio” insensível do líder, numa fuga de pobreza estratégica, e de demonstração de incapacidade, de se dirigir aos seus Colaboradores, num momento de almoço, após um feito de sucesso, que acabou de acontecer.

Dizem os “expert” e está escrito nos livros, que num contexto corporativo ou institucional, a liderança eficaz ultrapassa a mera coordenação de tarefas ou a execução de estratégias. O verdadeiro exercício da liderança revela-se na capacidade de mobilizar pessoas, reconhecer contributos e consolidar o sentido de pertença. Quando, após um momento de sucesso coletivo — como o término de uma conferência bem-sucedida —, o líder/organizador se abstém de expressar reconhecimento, instala-se um silêncio que comunica mais do que a ausência de palavras: transmite desvalorização, distância e falta de atenção emocional.

Segundo Daniel Goleman (1998), a inteligência emocional constitui um dos pilares fundamentais da liderança eficaz. A capacidade de reconhecer o esforço dos outros, de exprimir empatia e de gerar entusiasmo, são competências que distinguem o líder transformador do gestor meramente técnico. O reforço positivo, neste contexto, representa um acto de inteligência emocional aplicada — o reconhecimento da dimensão humana que sustenta o desempenho colectivo.

Durante o almoço entre colaboradores e colegas, que se segue ao evento realizado com sucesso, alguns elementos da equipa esperariam um gesto simbólico de apreço, uma palavra de gratidão ou uma breve reflexão do líder sobre o significado do trabalho realizado (admito que a maior parte dos elementos da Equipa, apenas estava no prazer de uma conversa de futilidades e no degustar de um saboroso almoço). Mas para nós, esta Equipa que estava reunida, a almoçar, não era um Grupo que se juntou, para acidentalmente almoçar, dizer umas larachas, pagar e ir embora. Não! Não era este Grupo, era/é muito mais que isso!

A ausência desse gesto (palavra de gratidão ou uma breve reflexão não para apontar falhas ou desencontros) não é neutra, pelo contrário, mina silenciosamente o capital motivacional do grupo. Peter Drucker (1999) lembrava que “a cultura come a estratégia ao pequeno-almoço”, e, sem reconhecimento, a cultura organizacional tende a resvalar para a apatia e o conformismo, mesmo quando a estratégia é sólida.

A literatura sobre liderança transformadora, designadamente os contributos de James Kouzes e Barry Posner (2007), reforça esta perspectiva ao destacar o papel do reconhecimento como um dos cinco pilares fundamentais da prática de liderança exemplar. Para estes autores, “encorajar o coração” — isto é, reconhecer as contribuições individuais e celebrar os valores e as vitórias partilhadas — é essencial para sustentar o empenho e a confiança mútuos no seio das equipas.

Assim, o silêncio do líder após o sucesso, não é uma mera omissão: é uma falha simultaneamente estratégica e emocional. Frederick Herzberg (1959), ao distinguir entre factores de estratégia e factores motivacionais, já sublinhava que o reconhecimento constitui um dos principais elementos que alimentam a motivação intrínseca. A ausência desse reconhecimento reduz o entusiasmo e fragiliza a ligação psicológica ao trabalho e à organização.

Por fim e em última análise, o reforço positivo não é um ornamento, mas uma ferramenta essencial de gestão e de cultura. A liderança que reconhece o mérito constrói confiança, promove coesão e assegura continuidade. A liderança que se silencia após o êxito desperdiça uma oportunidade de fortalecer o capital humano e simbólico da Equipa/Organização.

Assim, o líder que não fala, comunica — e, muitas vezes, comunica precisamente o contrário do que desejaria: desinteresse, indiferença e afastamento.

O sucesso, para ser sustentável, deve ser partilhado. E a palavra do líder, quando genuinamente reconhecedora, tem o poder de transformar um feito pontual num legado colectivo.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.11.01

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HOMENAGEM PESSOAL AOS ENFERMEIROS PORTUGUESES   POEMA AOS ENFERMEIROS  O CANTO DA ENFERMAGEM Onde a dor se faz mais densa E o medo é mais re...