sábado, 1 de novembro de 2025

O SILÊNCIO DO LÍDER APÓS O SUCESSO

O SILÊNCIO DO LÍDER APÓS O SUCESSO:
A IMPORTÂNCIA DO REFORÇO POSITIVO NA CONSOLIDAÇÃO 
DA CULTURA DA EQUIPA

Fonte: Gestão de Projectos na Prática

Perturba-me, cria-me descontentamento e tristeza, desenvolve-me ansiedade e nervosismo, cria-me desgaste, quando “escuto o silêncio” insensível do líder, numa fuga de pobreza estratégica, e de demonstração de incapacidade, de se dirigir aos seus Colaboradores, num momento de almoço, após um feito de sucesso, que acabou de acontecer.

Dizem os “expert” e está escrito nos livros, que num contexto corporativo ou institucional, a liderança eficaz ultrapassa a mera coordenação de tarefas ou a execução de estratégias. O verdadeiro exercício da liderança revela-se na capacidade de mobilizar pessoas, reconhecer contributos e consolidar o sentido de pertença. Quando, após um momento de sucesso coletivo — como o término de uma conferência bem-sucedida —, o líder/organizador se abstém de expressar reconhecimento, instala-se um silêncio que comunica mais do que a ausência de palavras: transmite desvalorização, distância e falta de atenção emocional.

Segundo Daniel Goleman (1998), a inteligência emocional constitui um dos pilares fundamentais da liderança eficaz. A capacidade de reconhecer o esforço dos outros, de exprimir empatia e de gerar entusiasmo, são competências que distinguem o líder transformador do gestor meramente técnico. O reforço positivo, neste contexto, representa um acto de inteligência emocional aplicada — o reconhecimento da dimensão humana que sustenta o desempenho colectivo.

Durante o almoço entre colaboradores e colegas, que se segue ao evento realizado com sucesso, alguns elementos da equipa esperariam um gesto simbólico de apreço, uma palavra de gratidão ou uma breve reflexão do líder sobre o significado do trabalho realizado (admito que a maior parte dos elementos da Equipa, apenas estava no prazer de uma conversa de futilidades e no degustar de um saboroso almoço). Mas para nós, esta Equipa que estava reunida, a almoçar, não era um Grupo que se juntou, para acidentalmente almoçar, dizer umas larachas, pagar e ir embora. Não! Não era este Grupo, era/é muito mais que isso!

A ausência desse gesto (palavra de gratidão ou uma breve reflexão não para apontar falhas ou desencontros) não é neutra, pelo contrário, mina silenciosamente o capital motivacional do grupo. Peter Drucker (1999) lembrava que “a cultura come a estratégia ao pequeno-almoço”, e, sem reconhecimento, a cultura organizacional tende a resvalar para a apatia e o conformismo, mesmo quando a estratégia é sólida.

A literatura sobre liderança transformadora, designadamente os contributos de James Kouzes e Barry Posner (2007), reforça esta perspectiva ao destacar o papel do reconhecimento como um dos cinco pilares fundamentais da prática de liderança exemplar. Para estes autores, “encorajar o coração” — isto é, reconhecer as contribuições individuais e celebrar os valores e as vitórias partilhadas — é essencial para sustentar o empenho e a confiança mútuos no seio das equipas.

Assim, o silêncio do líder após o sucesso, não é uma mera omissão: é uma falha simultaneamente estratégica e emocional. Frederick Herzberg (1959), ao distinguir entre factores de estratégia e factores motivacionais, já sublinhava que o reconhecimento constitui um dos principais elementos que alimentam a motivação intrínseca. A ausência desse reconhecimento reduz o entusiasmo e fragiliza a ligação psicológica ao trabalho e à organização.

Por fim e em última análise, o reforço positivo não é um ornamento, mas uma ferramenta essencial de gestão e de cultura. A liderança que reconhece o mérito constrói confiança, promove coesão e assegura continuidade. A liderança que se silencia após o êxito desperdiça uma oportunidade de fortalecer o capital humano e simbólico da Equipa/Organização.

Assim, o líder que não fala, comunica — e, muitas vezes, comunica precisamente o contrário do que desejaria: desinteresse, indiferença e afastamento.

O sucesso, para ser sustentável, deve ser partilhado. E a palavra do líder, quando genuinamente reconhecedora, tem o poder de transformar um feito pontual num legado colectivo.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.11.01

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