quarta-feira, 24 de setembro de 2025

A "ESTUPIDIFICAÇÃO" DA POLÍTICA AMERICANA

A "ESTUPIDIFICAÇÃO" DA POLÍTICA AMERICANA




A “estupidicação” alastra na política Americana, ao seu mais alto nível, pela boca do Presidente Trump.

Trump alarma a América (e o Mundo?) com as afirmações sobre o “Paracetamol” e as “Vacinas”.

No meu humilde ponto de vista, estas afirmações são completamente descabidas e, para além disso, as mesmas cabem à ciência e aos Investigadores e nunca a um Presidente de uma Nação!

Enfim… confunde-se tudo e, quando a Política entra nestas questões, conspurca a ciência, a investigação, tolda pensamentos e adultera a segurança na ciência médica e farmacológica!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.09.24

terça-feira, 16 de setembro de 2025

ENFERMAGEM COMUNITÁRIA EM CONGRESSO PARA O AMANHÃ DO SNS

ENFERMAGEM COMUNITÁRIA EM CONGRESSO PARA O AMANHÃ DO SNS

Fonte: Ordem dos Enfermeiros

A Enfermagem Comunitária escreveu mais uma página na História da Saúde, reunida em “Congresso Internacional” em Coimbra, promovido pelo Colégio da Especialidade respectiva, da Ordem dos Enfermeiros, tendo como tema “A Enfermagem Comunitária como Estratégia Política do SNS”. E nada mais promissor, do que tudo aquilo que se tratou, falou e demonstrou-se cientificamente, para o “bom amanhã” do SNS. Até porque o SNS comemora 46 anos e a mudança do seu paradigma, é uma realidade que se impõe, apesar dos lóbis que não querem deixar ver, esta mesma realidade, que teve o seu tempo, mas que hoje é diferente.


No aniversário do SNS, é inevitável refletir não apenas sobre os seus alicerces, a razão da sua existência e a quem se dirige, mas também sobre os profissionais que o tornam possível, entre eles os Enfermeiros de Saúde Comunitária. Mais do que cuidadores de proximidade, estes profissionais são guardiões silenciosos da Saúde Pública, actuando nas casas, nas escolas, nas empresas e em todas as comunidades onde a vida acontece, com uma intervenção privilegiada, dedicada à Família!


A Enfermagem Comunitária é, muitas vezes, invisível. Não se vê em grandes cirurgias ou em intervenções hospitalares altamente tecnológicas, mas sente-se na promoção da literacia em saúde, na prevenção de doenças crónicas, no acompanhamento do idoso frágil ou da família em vulnerabilidade social. É a face mais humana de um SNS que, para além de curar, tem a obrigação de cuidar, educar e prevenir. E como referiu no discurso de encerramento, o Presidente do Colégio, Professor Doutor José Hermínio Gomes, “reflectimos sobre a gestão de caso, as doenças crónicas e a continuidade de cuidados, reconhecendo que o acompanhamento de proximidade, a articulação interprofissional e os planos de cuidados personalizados são estratégias essenciais para melhorar a qualidade de vida, reduzir internamentos evitáveis e tornar o sistema mais sustentável. Abordámos a intervenção junto das populações mais vulneráveis. Aqui ficou claro que a Enfermagem Comunitária tem um papel insubstituível: olhar para as determinantes sociais da saúde, promover equidade, fortalecer comunidades e ser voz ativa junto dos decisores políticos. Falámos da autonomia profissional e da prescrição em enfermagem, reafirmando que esta é uma conquista da profissão, uma afirmação de responsabilidade clínica e científica, e um instrumento para aumentar a acessibilidade e a eficiência do Serviço Nacional de Saúde. Debatemos o modelo de internato de especialização, que se revela fundamental para a consolidação das diferentes especialidades de enfermagem. É um caminho de qualificação exigente, mas que garante qualidade, clareza e diferenciação de competências” para benefício também dos Utentes.

Mas a realidade mostra que estes Enfermeiros ainda não têm o reconhecimento institucional e social que merecem. As equipas de Enfermagem Comunitária continuam subdimensionadas, a burocracia consome recursos que deveriam estar no terreno, e os projetos de proximidade enfrentam frequentemente constrangimentos financeiros. Este desinvestimento é curto de vista: ao não reforçarmos a Enfermagem Comunitária, prolongamos internamentos evitáveis, multiplicamos idas às urgências e sobrecarregamos hospitais já em rutura.

Celebrar os 46 anos do SNS deve, por isso, ser também assumir compromissos claros: colocar a Saúde Comunitária no centro das políticas públicas, valorizar os Enfermeiros que a praticam e apostar na prevenção como pilar de sustentabilidade. Porque o futuro do SNS não se joga apenas dentro das paredes dos hospitais, mas sobretudo na Comunidade.

Dar visibilidade e meios à Enfermagem Comunitária não é apenas um ato de justiça profissional, é uma medida estratégica para garantir que, daqui a mais 46 anos, o SNS continuará universal, solidário e próximo das pessoas. Afinal, cuidar da Comunidade é cuidar do país, é economizar muitos milhões de euros e é potencializar a promoção de hábitos de vida saudáveis, diminuir a literacia em saúde e prevenir as doenças, e não o inverso, tratar as doenças como priorização da intervenção.

Ao longo destas décadas, o SNS tem sido sinónimo de esperança, equidade e solidariedade. Mas há uma dimensão muitas vezes invisível, e que é, afinal, a alma do sistema: a Enfermagem Comunitária nas suas 3 grandes dimensões – Comunitária, Saúde Pública e Familiar, onde começa a ser visível “e reconhecida como pilar estruturante de um Serviço Nacional de Saúde moderno, justo e próximo das pessoas”. Este é um marco do presente, que nos convida não só a olhar para o que evoluímos do passado, mas também a projectar o futuro. Queremos ser o rosto que chega antes da doença se instalar e que permanece quando o hospital já não é necessário. Que transforma a proximidade em saúde, a prevenção em futuro e o cuidado em dignidade.

Num tempo em que tanto se fala de sustentabilidade, é na Comunidade que reside a resposta. A prevenção, a literacia em saúde, o acompanhamento dos mais frágeis e o apoio às famílias são sementes plantadas todos os dias pelos Enfermeiros na Comunidade. E essas sementes, discretas mas persistentes, são as que evitam internamentos, reduzem desigualdades e constroem um SNS mais resiliente.

Mas para que essa missão floresça, é preciso mais do que dedicação: é preciso investimento, reconhecimento e visão estratégica. Valorizar a Enfermagem Comunitária não é um luxo, é uma necessidade vital para garantir que o SNS continue a ser universal, solidário e próximo das pessoas.

Conscientes de que, mais do que celebrar o que já conquistámos, devemos assumir um compromisso coletivo: colocar a Saúde Comunitária no centro das políticas públicas e dar voz, meios e visibilidade a quem, todos os dias, cuida de Portugal. Porque o futuro do SNS erige-se não apenas nos hospitais, mas sobretudo no coração das comunidades, e como o Presidente do Colégio referiu “a Enfermagem Comunitária é futuro. Um futuro que se constrói lado a lado com as pessoas, apoiando famílias, fortalecendo comunidades e defendendo a dignidade humana em todas as circunstâncias”, com compromisso e princípios éticos.

A Enfermagem Comunitária é, afinal, a prova viva de que o SNS não é apenas um serviço. É um pacto de cuidado, proximidade e humanidade. E esse é o legado que devemos preservar para as próximas gerações.

Humberto Domingues
Enf. Especialista Enfermagem Comunitária
2025.09.16

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

CONGRESSO INTERNACIONAL DE ENFERMAGEM COMUNITÁRIA

 CONGRESSO INTERNACIONAL DE ENFERMAGEM COMUNITÁRIA

COIMBRA 12 E 13 DE SETEMBRO/2025


Comissão Organizadora e Científica do Congresso 

Promovido pelo Colégio de Enfermagem Comunitária da Ordem dos Enfermeiros, realiza-se de 12 a 13 de Setembro, em Coimbra, o Congresso Internacional de Enfermagem Comunitária, conforme programa no link descrito.

Apesar do link, infra, partilha-se aqui o programa:



O local da realização deste Congresso é no Auditório António Arnaut (Polo B) da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra

Link:

https://www.ordemenfermeiros.pt/media/40128/programa_congresso-internacional-de-enfermagem-comunit%C3%A1ria-230825_comvf.pdf

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.09.01

domingo, 17 de agosto de 2025

FOGOS FLORESTAIS: UMA LEITURA SOCIOLÓGICA DA CATÁSTROFE RECORRENTE

FOGOS FLORESTAIS: UMA LEITURA SOCIOLÓGICA DA CATÁSTROFE RECORRENTE

Fonte: NEWSAVIA

Os fogos florestais têm sido tradicionalmente interpretados como desastres naturais, intensificados por fenómenos climáticos extremos e também, onde a mão humana, pelo descuido ou pelo crime, têm contribuído para este flagelo. Contudo, uma abordagem sociológica revela que esses “eventos”/acontecimentos são, em grande medida, socialmente construídos. Ou seja, embora dependam de condições ecológicas e climáticas, a sua frequência, intensidade e consequências são moldadas por dinâmicas sociais, políticas e económicas, muito bem conhecidas de todos.


Este artigo de opinião propõe uma análise sociológica da existência dos fogos florestais, centrando-se em quatro eixos principais: Uso e ocupação do solo; Desigualdade social e vulnerabilidade; Políticas públicas e governança; e A relação simbólica e cultural com a natureza.



Uso e Ocupação do Solo: A Modernização Desordenada. A transformação do território é um dos factores estruturais mais importantes na explicação dos fogos florestais. A urbanização acelerada, a expansão de monoculturas (como o eucalipto e o pinheiro bravo em Portugal, por exemplo), e o abandono das práticas agrícolas tradicionais resultaram num território fragmentado e altamente inflamável.


Segundo a sociologia rural e ambiental, a perda de “mosaicos agroflorestais” – compostos por zonas de cultivo, pastagens e florestas diversificadas – aumentou a continuidade do combustível vegetal. As políticas de desenvolvimento que favoreceram o crescimento económico à custa da gestão territorial sustentável criaram paisagens propícias à propagação do fogo. O fogo torna-se, assim, uma externalidade negativa do modelo tradicional de cultivo e de uso da terra.

Desigualdade Social e Vulnerabilidade: Quem Arde Com o Fogo? Os fogos florestais não afectam todas as populações da mesma forma. A sociologia dos desastres mostra que os impactos são mais severos sobre as comunidades mais pobres, isoladas ou envelhecidas, frequentemente deixadas à margem dos investimentos públicos. Estas populações vivem em zonas de risco maior, têm menor capacidade de resposta e são frequentemente ignoradas nos processos de decisão política. Estas Populações vivem momentos de angústia, níveis de stress elevadíssimos e incertezas sobre os dias de amanhã, onde os recursos escasseiam todos os dias.
Além disso, muitos territórios rurais vivem o paradoxo do abandono: por um lado, sofrem com a ausência de políticas de apoio à agricultura familiar e à fixação de pessoas; por outro, são invadidos por interesses económicos ligados à indústria florestal. Assim, o fogo revela e amplifica desigualdades sociais e espaciais pré-existentes e muitas vezes com dificuldade de se vislumbrarem razões, porque acontecem fogos em determinado território...

Políticas Públicas, Estado e Governança: Entre a Reacção e a Prevenção. As políticas públicas em torno dos fogos florestais tendem a privilegiar abordagens tecnocráticas e reactivas, como o reforço do combate e da vigilância aérea. A prevenção estrutural – que exige uma gestão florestal participada, ordenamento do território, e revalorização das zonas rurais– é frequentemente secundarizada, ou até, inexistente! Outra dimensão da Prevenção é olhar para o terreno/território em épocas de menor risco de incêndio e proceder a um planeamento de limpezas, zonas de limitação de propagação e zonas de evacuação.
A sociologia política e institucional crítica a fragmentação das responsabilidades entre diferentes organismos do Estado, a falta de continuidade nas políticas públicas e a captura do debate por interesses económicos e corporativos, instalados nos meandros e bastidores dos corredores e espaços de decisão. A lógica do espectáculo mediático – que valoriza o “herói-bombeiro” e a tragédia pontual – obscurece a discussão sobre os factores sistémicos que perpetuam o problema. Contudo, nunca, de modo algum, podemos ignorar ou minimizar o papel dos Bombeiros, numa luta desigual com o fogo devorador.

Cultura, Simbolismo e Natureza: O Fogo como Fenómeno Social. A forma como as sociedades se relacionam com o fogo e a floresta é também uma construção cultural. Em muitas culturas rurais, o fogo era (e ainda é) uma ferramenta de gestão do território. Contudo, a modernidade urbana demonizou o fogo e marginalizou os saberes locais, criminalizando práticas ancestrais como as queimas controladas.
A sociologia ambiental explora esta dissociação cultural entre sociedade e natureza. A floresta é muitas vezes romantizada como espaço "selvagem", mas é, de facto, um produto social e político. A ausência de envolvimento das comunidades locais na gestão do espaço florestal reflecte uma perda de capital social e cultural essencial à sustentabilidade do território. Não se atribui valor económico à Floresta!

Em conclusão podemos dizer que o fogo não é apenas natural, é-o também social.
Os fogos florestais, longe de serem fenómenos meramente naturais, são resultado de um conjunto de dinâmicas sociais (económicas e políticas) interligadas. A sua análise exige ir além das explicações técnicas e considerar as estruturas de poder, os modos de vida, os modelos económicos e as escolhas políticas que moldam a paisagem. Porque nos falta sabedoria e conhecimento, não abordamos a vertente criminal associada à “Sociologia dos fogos florestais”.

A abordagem sociológica não nega os factores ecológicos ou climáticos, mas sublinha que, sem uma transformação profunda nas relações sociais com o território, os fogos continuarão a ser uma expressão de desigualdade, desordem e conflito. Prevenir fogos é, também, reconstruir comunidades, reformar políticas e repensar a nossa relação com o mundo natural.

Assim o Poder Político e Económico o entendam e queiram transformar!

Humberto Domingues
Mestre em Sociologia da Saúde
2025.08.17

quarta-feira, 30 de julho de 2025

CONGRESSO INTERNACIONAL DE ENFERMAGEM COMUNITÁRIA

CONGRESSO INTERNACIONAL DE ENFERMAGEM COMUNITÁRIA

COIMBRA, 12 E 13 DE SETEMBRO/2025


Transcreve-se de seguida o texto da página da Ordem dos Enfermeiros, relativamente ao Congresso, promovido pelo Colégio de Enfermagem Comunitária da Ordem dos Enfermeiros.

Link:

"O Congresso Internacional de Enfermagem Comunitária, sob o tema “A Enfermagem Comunitária como Estratégia Política do SNS”, realiza-se num momento particularmente oportuno, em que se impõe repensar os modelos de prestação de cuidados numa lógica de proximidade, integração e sustentabilidade.

 

Face aos desafios demográficos, epidemiológicos e sociais, quer a área da enfermagem comunitária e de saúde pública, quer a área da enfermagem de saúde familiar, afirmam-se como pilar estruturante do Serviço Nacional de Saúde, contribuindo para respostas centradas nas pessoas, famílias e comunidades, com base em conhecimento científico, literacia em saúde e práticas promotoras de equidade.

 

Este Congresso representa um espaço privilegiado de formação, atualização e reflexão crítica, reunindo especialistas nacionais e internacionais num programa científico robusto que integra conferências, painéis temáticos, comunicações orais e posters.

 

Serão debatidos temas como a prescrição em Enfermagem, o desenvolvimento profissional, a individualização das especialidades e modelo de Internato de Especialização em Enfermagem, a gestão de caso, a abordagem à doença crónica e a intervenção junto de populações vulneráveis. Contribuirá significativamente para a formação contínua, capacitação e atualização científica dos enfermeiros, promovendo a disseminação de conhecimento e de evidência aplicável à prática clínica. Trata-se de um espaço privilegiado de reflexão, aprendizagem colaborativa e inovação, essencial para enfrentar a complexidade crescente dos cuidados de saúde e para consolidar o papel político, ético e técnico da Enfermagem Comunitária na arquitetura dos sistemas de saúde contemporâneos.

 

Para submeter trabalhos, sob a forma de comunicação livre ou poster, consulte o regulamento e à ficha de resumo. (ver o link acima).

 

O programa será divulgado em breve."


Humberto Domingues

Enf. Espec. Saúde Comunitária

2025.07.30

quarta-feira, 16 de julho de 2025

O DESACERTO DO PS E DO DR. JOSÉ LUÍS CARNEIRO

 O DESACERTO DO PS E DO DR. JOSÉ LUÍS CARNEIRO

 
Fonte: JN 2025.07.14

A afirmação completamente desfocada do Secretário-Geral do PS, Dr. José Luís Carneiro, sobre a Ministra da Saúde e as urgências – “Se não apresentar solução para as urgências, o PS fá-lo-á” – só demonstra que não tem memória e esqueceu que o PS governou durante 8 anos, inclusive com maioria absoluta. O que fez pela Saúde e pelas urgências nestes anos?

  • Fácil:

o   Fez cativações orçamentais e desinvestimento;

o   Afrontou e perseguiu Profissionais;

o   Não alterou carreiras, por isso não estimulou a fixação de Enfermeiros e Médicos;

o   Nem possibilitou a reestruturação das urgências nem do SNS;

Se em 8 anos desferiu rudes golpes no desmantelamento do SNS, quer que o actual Governo e a Ministra da Saúde, no espaço de um ano “faça milagres” e repare os danos que os Governos do PS provocaram ao SNS?

Percebe-se que o PS e o seu Secretário-Geral precisa de sobreviver e por isso lança atoardas em todas as direcções, para ver se marca a agenda política. Exige-se ao Dr. José Luís Carneiro alguma contenção, memória e sentido de estado.


Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.07.16

terça-feira, 15 de julho de 2025

AS FÉRIAS E O SEU BENEFÍCIO

AS FÉRIAS E O SEU BENEFÍCIO


Estamos chegados ao período major do gozo de férias. Momento ansiado por quem gosta de praia, sol, dias mais quentes e longos e essencialmente, onde os amigos se encontram, quer nesta pausa de trabalho, quer na pausa das actividades lectivas e ano escolar, para os mais jovens.

Se uma parte das pessoas prefere fazer férias em períodos que não de Verão e desfrutar dos desportos de Inverno e de viagens para locais mais frescos, a grande maioria de pessoas prefere zonas balneares, o Verão, praia e desportos a ele associados. E isso faz a economia local, movimentar-se. As pequenas localidades junto ao mar ou rios agitarem-se. As noites de convívio e de festas multiplicam-se, muitas vezes com exageros de álcool à mistura. A hotelaria e a restauração têm o seu “S. Miguel”, por estas datas.

Poderíamos escrever e preencher inúmeras folhas sobre locais aprazíveis e históricos a visitar, memórias marcadas nos tempos, etc., mas não esse o propósito do que queremos partilhar e reflectir.

O direito às férias está assegurado e consagrado na Lei maior de Portugal, através da Constituição da República e que o Código do Trabalho regulamenta. Portanto, é um direito do trabalhador.

O gozo de férias deve ser encarado numa perspectiva salutogênica e de grande importância para o equilíbrio do biorritmo do corpo humano. Um benefício para a saúde física e mental do trabalhador/Pessoa. Para além deste bem-estar, as férias trazem melhorias e predisposições, com impacto na produtividade, nas relações laborais, no humor e estado/equilíbrio emocional e psicológico. Resumindo-se estes benefícios a nível psicológico, físico, organizacional, social e legal, possibilitando a manutenção e restauro das capacidades da Pessoa.

A nível da Saúde, o gozo de férias, traduz-se em múltiplos ganhos. No estadio psicológico verifica-se uma redução de stresse, da ansiedade e repõe-se o equilíbrio emocional. Há inúmeros estudos que confirmam estes benefícios. A Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2019 declarou que o “ambiente de trabalho excessivamente exigente é uma das principais causas de transtornos mentais relacionados com o trabalho”. Daí a necessidade de férias.

O descanso físico adequado traduz-se numa redução de risco de doenças do foro cardiovascular, melhora a qualidade do sono e favorece o sistema imunitário. Quem se priva do período de gozo de férias pode potenciar o aparecimento de hipertensão, desequilíbrios músculo-esqueléticos e o sempre presente, stresse ocupacional.

Estudos da Sociologia e Psicologia das Organizações demonstram que os colaboradores destas, que usufruem do período de férias, apresentam, no regresso ao trabalho, melhor desempenho e produtividade, e prevenindo-se o burnout.

O tempo livre possibilita a proximidade com a natureza, com actividades que estiveram adiadas e com experiências memoráveis, muitas vezes, irrepetíveis e face a esta “liberdade de tempo” o despoletar de criatividade e formas artísticas de ocupação e realização, em períodos de férias, acontece!

Na dimensão familiar e social registam-se também ganhos evidentes, porque no período de férias há disponibilidade e aumento de tempo pra conviver e realizar passeios e viagens com Familiares, convívio com os Amigos, criando-se uma vinculação afectiva maior, usufruindo-se do ambiente de bem-estar social, criando-se momentos especiais de memória interpessoais, restaurando-se energias e boa disposição.

Não abdique do gozo de férias. E férias caras, não são sinónimo, obrigatoriamente, de boas férias. Podem parecer chiques, mas também podem acontecer muitos aborrecimentos e incómodos, com exemplos que todos os anos são notícia. Qualquer que seja a forma, aproveite, goze e desfrute, porque as férias são uma grande parte do tempo disponível na nossa vida.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.07.15

terça-feira, 1 de julho de 2025

A VIVÊNCIA DO LUTO: QUESTIONAMENTOS, DÚVIDAS E DOR!

A VIVÊNCIA DO LUTO: QUESTIONAMENTOS, DÚVIDAS E DOR!

Fonte da Imagem: Agência Ecclesia

Após o maravilhoso momento de nascer, ficamos inevitavelmente destinados a morrer! A morte, por mais indeclinável que seja, continua a ser uma das experiências mais difíceis de compreender e aceitar, especialmente quando atinge alguém do nosso convívio próximo.


Ninguém nos prepara verdadeiramente para a morte. Muito menos quando ela nos entra pela sala de aula dentro, sem aviso, sem explicação, arrancando-nos alguém que ainda ontem ali estava, com os seus livros, os seus sonhos, o seu lugar na turma. Ou então, a quem dizemos até amanhã e nunca mais voltará ao trabalho, ao convívio, à pesca.


Quando um membro de uma equipa de trabalho, de uma turma escolar ou de um grupo desportivo ou amigos morre, o impacto é brutal, é profundo, é coletivo e, muitas vezes, força um barulhento silêncio. O luto que daí resulta é vivido individualmente, mas também em comunidade e por isso precisa de ser notado e acolhido de forma especial. Perante a bárbara notícia, a primeira reação costuma deixar todos incrédulos. Como é possível que alguém com quem momentos, horas, dias antes partilhámos, risos, dificuldades e rotinas, desapareça assim, de repente? Quantas lágrimas derramadas em silêncio! Quantos suspiros de angústia! Quantos questionamentos a Deus, aos Santos e à Força Divina, pela perda de alguém que nos é próxima. A dúvida perante a fé e de protecção, que surgem. A pergunta rápida: se se merece tal castigo!


A vivência do luto nestes contextos, muitas vezes, é silenciada ou apressada. Cada um vive o luto de forma diferente: há pessoas que choram, outras preferem o silêncio, outras recolhem-se na sua solidão e até quem use o humor, para diminuir a dor. Face às características e diferentes personalidades, todas essas formas são válidas. Espera-se que as equipas “sigam em frente”, que as aulas continuem, que o trabalho e o convívio prossiga, honrando a perda sofrida. Mas esta urgência, quiçá insensível, em retomar a “normalidade”, que nunca mais será igual, pode ser na verdade, um obstáculo à verdadeira cura numa perspectiva psicológica e emocional da Equipa, Turma ou Grupo. Há pouco espaço emocional e institucional para parar, sentir, recordar e chorar. O erro é ignorar os possíveis sinais de sofrimento emocional ou de certa maneira, forçar todos a viver o luto da mesma forma. Perante este flagelo e agressão, o luto não tem prazo nem fórmula. Cada pessoa tem o seu tempo de o viver… e esse tempo/espaço deve ser respeitado.

É oportuno, desejável e fundamental criar momentos e espaços seguros para que essa dor seja partilhada. Pode ser uma homenagem simbólica, uma conversa orientada por um psicólogo, um minuto de silêncio ou uma carta conjunta, o que importa é não fingir que nada aconteceu. Porque aconteceu! E o que se viveu com essa pessoa continua a ter significado. Isto porque nas escolas, nos locais de trabalho e locais de convívio ou desporto, criam-se laços mais fortes do que por vezes imaginamos. Há cumplicidades construídas na rotina, memórias partilhadas nos detalhes, e uma presença que, quando ausente, deixa um vazio difícil de preencher.

A partilha da dor pode transformar-se num momento de união, onde a equipa, turma ou grupo desportivo, de pesca ou de amigos, podem encontrar forças nos laços que os unem. De entre o vazio, a perda pode transformar-se num legado, numa força, numa união colectiva, que inspire uma atitude nobre para se “cuidarem” mais uns dos outros. Será uma utopia? Pode até ser uma surpresa na demonstração da nossa capacidade coletiva de cuidar.

Porque a partida prematura de um jovem, ou de um adulto ou idoso, é sempre a perda de uma vida cheia de caminhos, sonhos e ambições por percorrer ou por alcançar, a perda de uma “biblioteca” com imensas enciclopédias de experiências e saberes. Acontece o colapso do nosso quotidiano, de uma ligação invisível que se perdeu. De repente, há uma cadeira na sala que fica vazia, um computador que não será ligado da mesma forma, um barco sem timoneiro ou a boia vazia, porque o barco e dono partiram nas ondas profundas do mar imenso…

E perante tudo isto, incrédulos, jovens e adultos, ficam os silêncios que gritam, olhares que pronunciam o vácuo do que aconteceu e a dor que abalroa qualquer estado de alma, numa revolta, numa tristeza confusa, olhando-se o infinito e perguntando ao vazio e ao Divino, mais uma vez, porquê… porquê agora… porquê a mim? Depois… depois deste vazio, vem a realidade do que não chegou a ser feito, do que em tempo não foi dito ou manifestado, o abraço que ficou por dar, o até amanhã suspenso no tempo, o peixe por pescar e o recado que nunca chegou a ser entregue.

Saibamos escutar o silêncio dos que sofrem, acolher as lágrimas dos que choram, os desabafos dos que falam e, acima de tudo, honrar quem partiu, continuando a viver com mais consciência, solidariedade e presença no dia-a-dia, a não adiar palavras bonitas, a dar mais valor aos instantes simples, porque são esses que, um dia, acabam por ficar para sempre.


Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.07.01

terça-feira, 17 de junho de 2025

PREVENÇÃO DE QUEIMADURAS SOLARES

PREVENÇÃO DE QUEIMADURAS SOLARES

Fonte da Foto: Augusta Matos Clínicas

Já se fazem sentir temperaturas muito altas. Esta vaga de calor, levou em alguns casos, as pessoas a exporem-se demasiado e abruptamente ao sol, na praia e esplanadas, provavelmente sem prévia preparação e a horas inapropriadas aos intensos e agressivos raios solares.

Todos nós nos expomos em demasia ao Sol, correndo o risco de sofrermos alguma queimadura dérmica. Assim, numa prespectiva de prevenção, pretendemos deixar neste artigo de opinião, alguns ensinamentos sobre prevenção e protecção de “queimaduras solares”.

A nossa pele é o maior órgão do corpo humano. Este órgão é constituído por 3 camadas: a “Epiderme” de média espessura (face externa), a “Derme” de maior espessura, é a camada intermédia e a “Hipoderme”, é a camada de menor espessura e a mais profunda.

A nossa pele é um órgão sensível, protector e a primeira barreira às agressividades que sofremos, quer sejam através de radiações ambientais, químicas ou outras, nomeadamente, pela agressividade e traumatismo que as roupas, que diariamente usamos, nos provocam (costuras duras, roupas apertadas, muitos fios e fibras sintéticas), os detergentes e sabões que usamos quer na lavagem das roupas, quer na nossa higiene pessoal e por exposição ao Sol e poluentes. A pele é elástica, tem um brilho próprio e tem várias tonalidades, conforme a raça, a matriz genética, a geografia onde vivemos ou somos oriundos e a quantidade de melanina que cada indivíduo possui na sua constituição orgânica. Em média a pele mede +/- 2 m2 e pesa entre 4 e 9 Kg (claro está que, um bebé não possui tanta área corporal e por isso também mede e pesa menos. No inverso, uma pessoa obesa e com grande área corporal alcança limites superiores a estes valores).

A pele precisa de ser bem hidratada para manter todas as suas características saudáveis e de protecção. Esta hidratação pode ser de forma “mecânica” por aplicação manual de cremes e líquidos hidratantes, ou de forma sistémica, com a ingestão de líquidos, principalmente de água e sumos naturais e o consumo de frutas e legumes variados.

Relativamente às radiações solares, estas são, em simultâneo, através de radiações de raios UV (ultravioletas), que se dividem em 3 tipos: A,B e C, conforme o seu comprimento de onda. Ora vejamos:

UVA – É o mais nocivo. Afecta a “Derme”. Penetra mais profundamente na pele, causa envelhecimento e pode provocar cancro da pele, alergias e manchas. Incide na nossa pele mesmo com chuva, névoa ou neve. 95% das radiações solares têm composição dos raios UVA.

UVB – Afecta a “Epiderme”. É o responsável pelos “vermelhões”, ardência e queimaduras solares. É mais intenso entre as 9 e as 16 horas. Penetra facilmente na pele e contribui com 5% na composição das radiações.

UVC – São bloqueados pela camada de ozono e filtrados pela atmosfera terrestre.

Quanto ao Sol, sabemos sobejamente que é muito importante para a Saúde. Ele, “Rei Sol”, contribui para a síntese da vitamina D, fortalece os ossos e articulações, melhora o humor, cria condições para o aumento do bem-estar das pessoas e ajuda a regular os ciclos do sono. Contudo, há algumas regras simples, mas importantes para nos prevenirmos da exposição solar, para que esta não seja nefasta, nomeadamente na praia. Quando a sombra é pequena, é sinal que o Sol está no seu ponto mais alto (a “pique”), por isso sinal de muita intensidade – Perigo. Quando a sombra é maior, sinal que o Sol já mudou a sua orientação, os raios solares já são oblíquos e por isso, menos perigoso. Há um “relógio solar” que deve ser utilizado: horas perigosas entre as 12 e as 16 horas; Perigo intermédio, entre as 11 e 12 horas e 16 e 17 horas. Horas apropriadas/ideais: antes das 11 horas e depois das 17 horas.

Nestes dias de praia e exposição solar, devemos considerar sempre o uso e aplicação de protector solar. Mesmo em dias nublados, deve ser aplicado, como atrás verificamos pela penetração dos raios solares. O protector solar deverá ser aplicado cerca de 30 minutos antes de sair de casa, aplicado no corpo todo e reaplicar de 2 em 2 horas. Reaplicar depois do banho ou de alguma actividade desenvolvida. O protector solar a aplicar, em cada pessoa, tem de ser de acordo com as características da nossa pele e das indicações do fabricante, sendo certo que para as crianças, deve ser sempre o protector com índice de protecção 50+ (cinquenta mais). Devemos ter particular atenção na aplicação no nariz e orelhas e deixar estas áreas bem protegidas. Merecem especial referência, as grávidas, quer na exposição solar, quer no uso de produtos e protectores solares. Outro factor a ter em atenção é o reflexo e a dispersão que os raios solares sofrem, quer na água, quer na areia, porque os raios UV dispersam-se desordenadamente.

Como sabemos que o SOL não tira férias, devemos apostar na protecção usando roupa simples, arejada e de preferência com o menor número possível de fibras sintéticas. O ideal é vestuário de algodão e de cores claras. Beber muitos líquidos, nomeadamente água e frutos naturais, comer fruta e legumes variados, usar óculos com protecção UV e guarda-sol, de preferência com material reflector ou de duplo tecto. Dedicar especial atenção, quer nas ondas de calor, quer nos períodos de maior intensidade, às crianças, grávidas e idosos.

A prevenção e o conhecimento são sempre armas que devemos ter à mão e fazer uso deles. Tenham umas boas férias, mas protejam-se, porque o Sol não tira férias e as lesões cutâneas são muito dolorosas e podem desenvolver problemas /doenças oncológicas.

Com prevenção, o Verão é uma animação!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.06.17

segunda-feira, 2 de junho de 2025

AS "HECATOMBES" DA ESPUMA DOS DIAS

AS "HECATOMBES" DA ESPUMA DOS DIAS


As hecatombes sucedem-se vertiginosamente. Foi a derrota do PS nas Eleições Legislativas 2025 e os 400.000 mil euros pagos pelo SNS em 10 dias a um dermatologista! Não são parecidas, nem têm a mesma importância ou impacto, mas agitam os dias de hoje. Se uma é a Democracia a funcionar, outra é, a debilidade do sistema no SNS que serve, apenas, a alguns!


Se os partidos, colherem fracas votações nos actos eleitorais, são consequência da democracia a funcionar e das escolhas dos Eleitores, se quiserem, do Povo de uma Nação, que conquistou esse direito, de escolher e votar. Já o pagamento de 400.000 mil euros de um Hospital, a um seu funcionário/colaborador em apenas 10 dias de trabalho, levanta muitas questões de índole ética, moral e no limite, até deontológicas. Colocamos a questão: Há ou não aqui, claramente, responsabilidades a vários níveis da hierarquia e gestão deste Serviço do Hospital de Stª. Maria?


A liderança de Pedro Nuno Santos, no PS, foi demolidora, para o partido e para o seu eleitorado! A mensagem não passou, o vazio era grande e o projecto político inconsistente, o programa de governo inexistente face aos desafios necessários para Portugal e gerações vindouras e o passado da governação Socialista também não ajudou a este “presente envenenado”, que acabou por ser a moção de confiança apresentado pelo Governo e que o Grupo Parlamentar do PS, chumbou! Pedro Nuno Santos não conseguiu perceber a “ratoeira”, a sua fragilidade enquanto líder, o alcance e a debilidade com que partia para umas Eleições Legislativas desafiantes e difíceis. E provavelmente, alguns ao seu lado, perceberam, mas quiseram ver o seu líder “chamuscado, grelhado ou queimado”, como aconteceu. Porque às vezes, o que não parece, é! Com toda a certeza que com estes resultados eleitorais, as pernas de Pedro Nuno Santos tremeram mesmo e ele caiu. Não sei como ficaram as “pernas dos Alemães”!!!!


O BE, “naquela esquerda caviar”, nem os seus fundadores e dinossauros conseguiu eleger. Como os tempos e a lucidez do Povo muda! E o mesmo se aplica ao PCP/CDU.


Mas agora, há uma clarificação (?) dos Grupos Parlamentares e o Governo viu o seu programa e governação de 11 meses sufragado positivamente nas urnas, por aqueles que decidem, verdadeiramente, os ciclos políticos. Apesar da ingerência tendenciosa da Comunicação Social e de muitos comentadores/”comentadeiros”.

A expectativa e esperança neste novo Governo é grande. As reformas que se pretendem na Administração Pública são necessárias. Particularmente na Saúde, onde não podem acontecer, seja em CIGIC, seja noutra forma, o pagamento de 400.000 euros em dez dias de trabalho a um só Médico! É preciso auditar este sistema em todos os Hospitais. É preciso perceber quem ganha autênticas fortunas com estes programas, que já vários nomes teve ao longo de 20 ou 25 anos. É preciso auditar e comparar tempos de ocupação de blocos operatórios, rentabilidade destes espaços e tipos de cirurgias que são feitas em programas CIGIC e as de período programado. É preciso clarificar e definir fronteiras entre prestação de serviço público e privado, pelos mesmo “actores”, que também “definem as regras de jogo”. O dinheiro público não pode ser desbaratado em “sindicâncias duvidosas”, sem consequências efectivas. Exige-se coragem aos gestores, aos auditores, às inspecções, aos decisores políticos e ao Ministério da Saúde para pôr fim a estes abusos criteriosos.

Coloca-se a questão: como se sentirão os restantes cumpridores Colaboradores do Hospital de Stª. Maria, face a este pagamento de 400.000 euros a um dermatologista? Como se sentirão os Profissionais de Saúde sérios, com amor à camisola das suas instituições, muitas vezes sem condições, prolongando turnos, onde acabam até por ser questionados, por meia dúzia de euros, que a carga fiscal leva quase metade? A diferenciação de tratamento deste “oneroso dermatologista” foi assim tão grande no relacionamento com os pacientes e seus pares de ofício, que lhe possibilitaram esta disparidade remuneratória, ou apenas foi pela excelência do acto médico, que lhe valeu estes milhares de euros? E numa cascata de responsáveis a validar escalas, listas de espera e produtividade, ninguém questionou critérios, tempos de ocupação e dedicação, frequência dos actos operatórios, etc?

Parece-nos que a Equipa Ministerial terá um grande trabalho a escrutinar e a responsabilizar as Administrações das ULS para estas realidades, que por certo de menor monta monetária, mas que se repetirá em muitos hospitais, de Norte a Sul de Portugal. E que não falte coragem política e decisória à Sra. Ministra da Saúde, para as medidas correctivas que se entenderem como oportunas.

Não é possível pactuar com programas viciados, com largos anos de existência, permitindo só a alguns, avultados rendimentos pecuniários, em prejuízo de tantos outros, do SNS e das finanças públicas, em particular.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.06.02

quinta-feira, 29 de maio de 2025

ARTIGO OPINIÃO - AUTOR: ENFERMEIRO DOUTOR JORGE FREIXO

ARTIGO OPINIÃO
AUTOR: ENFERMEIRO DOUTOR JORGE FREIXO
(Transcrição com conhecimento e autorização do Autor)

"Fazer o melhor com os meios disponíveis / Fazer o máximo 
sem olhar a meios

Esta dicotomia define a linha entre o que deveria ser a missão do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e o que se tornou, em muitos casos, uma distorção perversa do programa SIGIC (Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia). Criado para reduzir listas de espera, o SIGIC está a ser instrumentalizado por alguns, não para priorizar doentes, mas para maximizar proveitos próprios. Desvirtua-se o princípio basilar do SNS: dar ao doente o que ele precisa...

Quando o Remédio promove a Doença

O SIGIC, em teoria, é nobre: acelerar cirurgias atrasadas. Na prática, porém, degenerou noutra coisa. Seduzidos por incentivos financeiros, os profissionais focaram-se em produzir atos médicos.

O critério deixou de ser "o que o doente precisa" para passar a ser "o que mais rende". Cirurgias de baixa complexidade (e alto volume) são privilegiadas; doentes complexos, que exigem mais tempo e recursos, ficam para trás. O resultado? Listas de espera artificialmente construídas e 'formalmente' reduzidas.

O sistema é simples: quanto mais atos médicos forem praticados melhor... Procura-se fazer mais, mas estaremos a fazer a coisa certa?

Esta lógica transformou os profissionais de saúde em 'operacionais' de procedimentos cirúrgicos. O doente, nisto tudo, deixa de ser o foco. Pior: o sistema está focado nas intervenções, por vezes desnecessárias, ou que se "fragmenta" um tratamento em múltiplos atos.

Criticar o SIGIC não significa ignorar a necessidade de eficiência. Mas eficiência não é sinónimo de 'volume de procedimentos'. A saúde deve medir o sucesso pela qualidade do cuidado, não pelo número de atos praticados, deve focar 'no que o doente precisa'.

Conclusão: Voltar ao Princípio, acabar com o SIGIC.

Em vez de premiar a 'quantidade', recompensar a 'efetividade':.

Fazer o melhor com os meios que disponíveis em vez de "Fazer o máximo sem olhar a meios".

2025.05.28
Jorge Freixo"


Caro Enfermeiro e Doutor Jorge Freixo, obrigado pelo Teu excelente artigo. 

Concordo com ele, na objectividade e essência primeira do problema/questão, direccionada no âmbito da gestão.

Outras interpretações que possamos fazer, e bem, fazemo-las, a partir do que escreveste e refletiste e do que conhecemos/sabemos do "terreno".

Obrigado por autorizares e permitires que tão excelente texto o possa partilhar no meu blog. Grato por isso.

Grande Abraço

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.05.29

segunda-feira, 12 de maio de 2025

DIA INTERNACIONAL DO ENFERMEIRO - AD

DIA INTERNACIONAL DO ENFERMEIRO


Link:

Hoje, dia 12 de Maio, comemora-se o Dia Internacional do Enfermeiro!

Parabéns a todos os Enfermeiros!

Chamo-me Humberto Domingues e sou Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Comunitária.

- Somos nós Enfermeiros o pilar principal e de sustentação de qualquer serviço ou sistema de saúde;

- São os Enfermeiros a maior classe profissional do SNS;

- São os Enfermeiros que acompanham o Ser Humano em todo o seu ciclo vital;

Eu integro a lista da AD do Círculo Eleitoral de Viana do Castelo, para as Eleições Legislativas de 18 de Maio;
  • Enquanto o Governo da AD reconheceu e valorizou os Enfermeiros, o Governo do PS, ignorou-os!
  • Enquanto Luís Montenegro e Ana Paula Martins valorizaram os vencimentos dos enfermeiros, o PS de Pedro Nuno Santos e Marta Temido, insultou e perseguiu os Enfermeiros com sindicâncias;
  • Enquanto o Governo da AD reconheceu as competências e habilitações dos Enfermeiros, o Governo de Pedro Nuno Santos e Marta Temido, ostracizou e insultou os Enfermeiros, perseguindo-os!
Muito há ainda por fazer no reconhecimento e valorização dos Enfermeiros

Eu confio em Luís Montenegro e Ana Paula Martins!



Eu voto AD no dia 18 de Maio. Portugal não pode parar!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.05.12

quarta-feira, 9 de abril de 2025

URGE UM PACTO DE REGIME PARA A SAÚDE

URGE UM PACTO DE REGIME PARA A SAÚDE

Fonte: Cortesia "Report" e elaboração própria

Sentimos já os soundbites das promessas eleitorais de todos os partidos. Mesmo todos. Simplesmente com diferenças acentuadas. As dos partidos do Governo em gestão, responsáveis, criteriosas e exequíveis. As dos partidos da oposição, a velha disputa “de quem dá mais”, e com ênfase do programa socrático do PS.


Interessa, essencialmente, centrarmos a avaliação no maior partido da oposição – o PS. Esteve no Governo de 2015 a Março de 2024 e destes anos, entre 2022 e 2024 com larga maioria absoluta no Parlamento, com 120 Deputados e mesmo assim a Legislatura não chegou ao fim, por demissão do chefe do Governo e Primeiro-Ministro, Dr. António Costa, a 7 de Novembro de 2023. Governo PS que habitualmente oferece e promete tudo na oposição, mas nivela sempre por baixo, quando é poder e, também, não cumpre promessas das que faz em campanha. Os exemplos são muitos! Aqui se aplica bem uma quadra de António Aleixo: “Tu, que tanto prometeste/enquanto nada podias/hoje que podes, esqueceste/tudo quanto prometias”. A realidade das coisas é que quando o PS deixou o Governo ficou a insatisfação e a agitação social instalada. Prometeu e não cumpriu reconhecer o tempo de trabalho dos Professores, não cumpriu com os Enfermeiros, não cumpriu com as Forças de Segurança PSP e GNR, não cumpriu com os Bombeiros, não cumpriu com os Oficiais de Justiça, etc. Criou uma crise política, com muitos milhares de euros encontrados no gabinete do Chefe de Gabinete do Primeiro-Ministro, e após demissão, o Sr. Presidente da República dissolveu o Parlamento. Eleições realizadas, fragmentou num espartilho as forças com assento parlamentar, dando força a uma extrema-direita irresponsável, sem compromisso e sem dimensão estadista. Deste acto eleitoral saiu um Governo da AD em coligação, minoritário e sem respaldo de maioria parlamentar. Apesar destas dificuldades, constituiu Governo. Assumiu compromissos e promessas e, em negociações hercúleas, pacificou as diferentes Classes Profissionais. Há problemas e dificuldades que permanecem e que são estruturais e não conjunturais, por isso a demora na resolução.

Com eleições permanentes, interrupção de ciclos e mudanças de Ministros, e na Saúde, na última década, tem sido uma “rotatividade” muito acelerada, não há estratégia, projecto ou definição de prioridades que aguente. No cerne da questão, são as políticas públicas a sofrer constantemente interrupções, retirando estabilidade ao sector, diminuindo respostas e pondo em causa a sustentabilidade do mesmo.
Há muito tempo temos dito e escrito, que somos defensores intransigentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Este é um Serviço que a Democracia construiu e ofereceu a Portugal. Mas hoje, Portugal e a sua Sociedade estão diferentes, as exigências em Saúde são diferentes, a pirâmide etária sofreu profundas alterações, o SNS perdeu intervenção e capacidade a nível da prevenção, da promoção da saúde e de hábitos de vida saudáveis. Hoje não há “Centros de Saúde”, mas sim “Centros de Doença” desfragmentados em unidades funcionais, onde as USF, unidades de excelência dos Cuidados de Saúde Primários, funcionam a velocidades diferentes, cheias de incentivos monetários, mas que a sua grande intervenção é a actividade curativa e de prescrição de medicamentos e vigilância da doença e pouco ou nada, na promoção e prevenção da saúde. A nível hospitalar/ULS a premiação deveria ser pela capacidade de resposta na promoção da saúde e qualidade de vida e na diminuição da necessidade do número de cirurgias e internamentos.

O SNS precisa de ser refundado, repensado, redesenhado e formatado à imagem, necessidade e planeamento para um presente existente, mas um futuro de inúmeros desafios e assimetrias.Os partidos do “arco do poder e da governação” precisam de ter coragem e olhar para o SNS sem “estados d’alma” e comprometerem-se com um verdadeiro pacto de regime para uma década ou duas.

O ciclo viciante de novos governos, nova “filosofia e prioridades” de intervenção, de governança e promoções nas nomeações sem conhecimento do sector, levará sempre à protecção de alguns em desfavor de outros e à desigualdade de acesso e de oportunidades onde a equidade será sempre uma miragem.

Temos para nós que, enquanto não houver coragem de assumir exclusividades para os Profissionais da Saúde, com os devidos estímulos e incentivos no público, será sempre este a perder os bons profissionais em favor do privado. E se não houver investimentos, modernidade e acapacitação de novas instalações, equipamentos e pessoal, ficarão para o público os casos de doença mais onerosos, difíceis de tratar e mais demorados, implicando taxas de ocupação prolongadas, custos diários e de internamento aumentados invertendo-se papéis, passando o sector público a rectaguarda do privado.

Urge uma mudança de paradigma!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.04.09

A SAÚDE QUE NÃO CABE NUM ALGORITMO

  A SAÚDE QUE NÃO CABE NUM ALGORITMO Quando a tecnologia se torna inteligente, precisamos de comunidades capazes de produzir saúde Fonte i...