quarta-feira, 3 de abril de 2024

URGE O RECONHECIMENTO DAS UCC

URGE O RECONHECIMENTO DAS UCC


Entre os grandes desígnios do Serviço Nacional de Saúde (SNS), estão a promoção da saúde, a prevenção da doença e a adopção de hábitos de vida saudáveis. A prevenção e promoção da Saúde e a adopção de hábitos de vida saudáveis, parecem ter perdido espaço de intervenção, face às solicitações imensas para o “tratar as doenças”. Hoje quase poderíamos dizer que há “Centros de Doença” e não “Centros de Saúde”! Mas não podemos perder o foco preventivo, numa perspetiva de Saúde Pública moderna e “cautelosa”.


Trabalhar a prevenção é importantíssimo, proporciona qualidade de vida, economia em internamentos e medicação prolongada, mas só tem impacto e apresenta resultados de forma demorada, tardia, muitas vezes uma geração depois, e o poder político não se compadece com isso, quer resultados imediatos e por conta, cria políticas e prioridades, onde o retorno e os resultados são imediatos, traduzindo-se em resultados políticos, assentando na iliteracia em Saúde.

A doença hoje tem outras dimensões, causando também muita dor e sofrimento prolongado com diminuição clara da qualidade de vida, a que é preciso dar resposta com todas as armas que temos ao dispor e ao nosso alcance: profissionais altamente qualificados, conhecimento científico, técnicas muito evoluídas e medicamentos/química de última geração, a par de uma tecnologia de ponta, quer no diagnóstico, quer no tratamento.

Com a “reforma” anterior dos Cuidados de Saúde Primários (CSP), foram criadas as Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC), com um plano de acção, definido em actividades, onde a prestação de cuidados de saúde são de forma personalizada, domiciliária e comunitária. Este compromisso assistencial das UCC, foi e é uma mais-valia, na resposta dos CSP ao Cidadão Utente, à Família, à Comunidade e a Grupos, numa carteira de serviços elaborada e contratualizada, tendo presente o “Plano Nacional de Saúde” e também o plano de acção do Agrupamento de Centros de Saúde (extinção com a nova legislação) ou Unidades Locais de Saúde (ULS) onde está inserida e, o próprio “Plano Local de Saúde”.

De salientar que as UCC foram regulamentadas pelo Despacho nº. 10143/2009, e nunca mais transitaram, apesar das inúmeras promessas políticas, para uma regulamentação jurídica de um Decreto-Lei, e já lá vão quase 15 anos, continuando a serem prejudicadas quer em reconhecimento, quer em incentivos que são atribuídos a outros profissionais que trabalham nas Unidades Funcionais, como as Unidades de Saúde Familiar (USF) e que em inúmeros casos estão contíguas às UCC. Um desrespeito completo e uma injustiça plena por estas Unidades Funcionais e seus Profissionais!

Mas apesar das “inúmeras pretensas reformas”, os CSP continuarão a ser a entrada e o grande suporte do SNS, na prevenção e na promoção e adopção de hábitos de vida saudáveis, na resposta às actuais necessidades de doença do Indivíduo, Famílias, Grupos e Comunidade. É impossível ignorar esta necessidade e realidade. No âmbito destas respostas, quer na prevenção e promoção da saúde, quer no tratamento ou reinserção e recuperação, as UCC são as Unidades funcionais ajustadas a este desempenho no terreno e, com certeza que, com as alterações epidemiológicas da População e da “geomobilidades” que se registam e atravessam todas as Comunidades, Portugal não foge à regra, e aqui estas Unidades terão que perceber as mudanças, adaptar-se com meios e recursos, para uma efectiva resposta às necessidades da População, quando solicitado.

Sendo esta uma verdade/realidade insofismável da intervenção e importância das UCC, a actual implementação das ULS em todo o país (pelo D.L.-102/2023 de 7 de Novembro, a produzir efeitos a 1 de Janeiro 2024), parece querer perverter esta evidência, criando uma filosofia “hospilatocentrica”, como que parecendo querer criar um parceiro menor, os CSP e as suas Unidades Funcionais. A manterem-se as ULS, em termos de órgão de gestão, entendemos também que, tal como têm dois directores clínicos, um para os Cuidados Hospitalares e outro para os CSP, também deveria acompanhar os Enfermeiros Directores, nesta mesma filosofia de direcção e administração.

Com a actual “reforma” (tentativa de reforma do SNS), em vez de se dar resposta às reais necessidades e lacunas das Unidades existentes, potenciando-se a capacidade instalada em muitas respostas, como é o caso das UCC/CSP, criam-se em contra ciclo ULS, algumas delas de dimensão gigantesca, que nos parecem ingovernáveis e retiram o foco do utente, para o foco economicista, autênticos elefantes brancos e que não respondem cabalmente às necessidades primárias das Populações. Duvidamos nós, da verdadeira capacidade para a integração de cuidados, podendo proporcionar e prejudicar na estrutura e no investimento os CSP, os Cuidados de Proximidade, na verdadeira aproximação de cuidados de saúde e não na diferenciação, criando estigmatização desses mesmos cuidados.

No Congresso da Associação das Unidades de Cuidados na Comunidade (AUCC), que decorreu em Évora nos passados dias 21 e 22 de Março, constatou-se, de forma transversal, pelos trabalhos apresentados quer nas investigações, quer nas comunicações, o potencial de trabalho que se desenvolve, com ganhos efectivos em Saúde, junto das Populações. Por outro lado, foi também referido e reforçado, as dificuldades amplamente conhecidas e difundidas e o desinvestimento, por parte do Governo, em políticas abrangentes e valorização dos CSP.

Outro dos problemas vigentes, prendem-se com a dificuldade de fixação e carência de Profissionais (Enfermeiros, Médicos, Fisioterapeutas e Psicólogos) nestas Unidades, face às reais necessidades de resposta, por se apresentarem carreiras desmotivadoras e falta de contratos e incentivos, que mobilizem os Profissionais. Não sabemos se com a intervenção das Câmaras Municipais, na contratualização de programas e projectos ou Profissionais, poderão de certa forma colmatar esta realidade! Porque, por aqui, poderá surgir outra porta: o Municipalismo na gestão da Saúde!

Ganhos em Saúde é o que todos desejamos. A magnitude do trabalho a desenvolver não diminui em nada a ambição das UCC fazerem o que já fazem e passarem a fazer mais e melhor. O trabalho é vasto, engloba complexidade, vulnerabilidade e risco, mas os seus Profissionais estão à altura dos desafios, que são muitos. Assim surjam os investimentos e haja coragem da nova Ministra da Saúde e do Governo, para a prioridade de auscultação, investimento e implementação dos estímulos e decisões que urgem em acontecer.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2024.04.03

terça-feira, 2 de abril de 2024

domingo, 24 de março de 2024

ASSEMBLEIA GERAL DA ORDEM DOS ENFERMEIROS - SANTARÉM 2024.03.23

ASSEMBLEIA GERAL DA ORDEM DOS ENFERMEIROS
SANTARÉM – 2024.03.23


Realizou-se em Santarém uma concorrida Assembleia Geral da Ordem dos Enfermeiros, com a agenda habitual, de apresentação do relatório e Contas do ano 2023 e Plano de Actividades e Orçamento para o exigente ano de 2024.

No início dos trabalhos o Sr. Bastonário Enf. Luís Filipe Barreira, fez uma estruturada e excelente comunicação à Assembleia, tendo apresentado e proposto um voto de louvor à anterior Bastonária Enfª. Ana Rita Cavaco, que foi aprovado por larga maioria e aclamação, registando-se contudo o voto contra do anterior Bastonário, Enf. Germano Couto, estranhamente presente nesta Assembleia.

Os documentos foram apresentados pelos membros do Conselho Directivo e respectivamente pelo Tesoureiro no mandato anterior, nos documentos de 2023.

O Plano de Actividades foi excelentemente apresentado pelo Vice-Presidente do Conselho Directivo, Enf. João Paulo Carvalho, envolvido numa solenidade, rigor e sabedoria, como se de uma aula magistral de tratasse, tocando, para além das matérias próprias de um plano, outros vectores de força foram incorporados, num Humanismo de partilha, justificando este “Plano de Actividades”como o “Esperança, Continuidade, Proximidade e Ambição, etc.” com Tolerância e num Acreditar, permanente. Um momento que não deixou ninguém indiferente, mas que com certeza, deixou incómodo o anterior Bastonário Presente na Sala.

Eis que, e quando previsto no regulamento, é aberto o momento e permitido aos presentes para intervirem, relativamente ao apresentado, pede a palavra o anterior Bastonário, Enf. Germano Couto, palavra essa que lhe é concedida.

Quando todos esperávamos que fosse fazer uma intervenção de fundo, como o estatuto que ostenta, na minha opinião, assim o obriga – Ex-Bastonário da Ordem dos Enfermeiros – vem com uma causa menor, questionando se estava previsto no orçamento a actividade e a verba necessária, face à recente alteração dos Estatutos, imposta pelo Governo cessante, alteração esta que poderá implicar eleições intercalares para alguns dos órgãos a criar e que ele não tinha visto. A resposta foi dada pelo actual Bastonário, com uma elevação e educação intocável.

Como lamento esta postura e o assunto levantado, de pequena ou nenhuma relevância, uma vez que tal situação, eventualmente, pode até nem se colocar, porque as alterações dos Estatutos podem só ser eventualmente aplicadas no próximo mandato, ou até, se a próxima Assembleia da República assim o entender, suspender, com nova revisitação legislativa, ao actual diploma. Para além disso, sendo uma “proposta de orçamento e plano de actividades”, estes podem sofrer alterações e as mesmas serem posteriormente introduzidas.

Aqui cabe-me dizer algo:

1- Penso ser uma situação nunca vista, em comparação com outras Ordens Profissionais, os anteriores Bastonários, virem colocar questões menores, numa Assembleia Geral;

2- Não cumprimentar protocolarmente o actual Bastonário;

3- Depois, ainda que tenha esse direito, não me parece que o Estatuto que carrega de ter sido Bastonário da Ordem dos Enfermeiros, lhe permita e lhe fique bem, ter esta atitude de uma rubrica menor, num orçamento de mais de 9 milhões de euros.

4- Apareceu e esteve nesta Assembleia Geral, sózinho e saiu isolado. Por onde andarão os seus “Compagnons de Route ”?

5- Na minha opinião, apesar de ter sido o pior Bastonário que a Ordem dos Enfermeiros teve até ao presente, claramente, e sem querer de alguma forma insultar a Pessoa em causa, com esta atitude, perde efectivamente o Estatuto respeitoso de Ex-Bastonário, para o tornar num ser menor da Enfermagem. E a Enfermagem não precisa nem de seres nem de causas menores!

A Enfermagem de hoje, mais do que nunca, precisa é de causas maiores. Dignos pensadores e defensores de uma Enfermagem moderna, de respeito e que a respeitem, quer os parceiros quer a Sociedade. Que se imponha pelos bons motivos, pelas grandes causas, pelo humanismo e serviço nobre que presta ao próximo e ao doente, sem miserabilismos, ultrapassados no tempo e sem subserviência.

A Enfermagem de hoje, afirma-se pelo “para trás nunca mais” e, seguramente, não precisa de seres menores que ofusquem o trajecto, custoso mas honroso que hoje se faz, sem esquecer o que no passado outros também fizeram, e bem, pela ENFERMAGEM.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2024.03.24

terça-feira, 19 de março de 2024

NOVO GOVERNO! QUE MUDANÇAS PARA O PAÍS?

NOVO GOVERNO! QUE MUDANÇAS PARA O PAÍS?



Dia 10 de Março o Povo voltou às urnas e felizmente, fê-lo de uma forma pacífica e diminuindo a abstenção, o que a todos deve agradar, nesta expressão de liberdade e usufruto de um direito que a muitos custou conquistar e já lá vão quase 50 anos. A Aliança Democrática ganhou as Eleições e a direita consolidou o poder no Parlamento Português. Constituiu-se uma Assembleia da República (AR) multicolor, mais equilibrada, cujo funcionamento, em termos deliberativos, são uma incógnita a esta distância. Precisamos e estamos convictos que terá um Presidente - Dr. José Pedro Aguiar Branco - digno de ser a segunda figura do Estado Português, com grande dimensão de estadista, com elevadíssima postura moral e cívica, nada quezilento, conciliador e de diálogo, que proporcionará ordem, respeito, honorabilidade do cargo, e a “oportunidade de voz”, em igualdade de circunstância a todos os Deputados e Grupos Parlamentares, com a dignificação da representação do Parlamento, como “Casa da Democracia”.


Portugal vai ter um novo Governo, de uma aritmética que para já desconhecemos, tendo como uma certeza adquirida, que terá novas políticas e de certa maneira, novos políticos e novos decisores. Se nos é permitido pedir, nomeação de Ministros e Secretários de Estado capazes, competentes, longe dos grandes interesses particulares, privados e de corporativismos. Queremos Governantes sérios e com total entrega à causa pública. Longe de interesses, como vimos no passado, de “galambadas” e “pancadaria”.


Efectivamente, depois de uma governação socialista de 8 anos, o país está desorganizado, “desformalizado” e completamente desajustado às necessidades de crescimento económico, ao desenvolvimento e apoio ao investimento, ao empreendedorismo, à iniciativa privada, à autoridade, à responsabilização dos actores políticos e à dignidade da Escola, da Saúde, da Justiça e da Segurança Social. Oito anos de “casos e casinhos”, de vergonhas, de suspeitas de corrupção e tráfico de influencias, de perseguições a classes profissionais, de nivelamento por baixo nos rendimentos e remunerações das Famílias, com uma exagerada e insuportável carga de impostos, cheia de “taxas e taxinhas”. Eis as políticas das esquerdas e afins.

Foi neste estado que o PS deixou o País. Às esquerdas agora na oposição, espera-se delas o respeito pela voz do POVO, expressa em votos no dia 10 de Março e que se coloquem no verdadeiro lugar que a votação lhes atribuiu. A isso chama-se honestidade e coerência. Não podemos contudo esquecer já um episódio: O PS foi ao diálogo proposto pelo BE. Constatamos que o grande partido da oposição que disputa o poder, colocou-se ao nível do pequeno partido radical da esquerda, o tal de 5 deputados. É ilucidativo!

Para futuro: Na Saúde, o novo Governo e decisores políticos, vão ter um hercúleo trabalho, por um lado no cumprimento das promessas feitas, por outro lado, na percepção real das carências e desorganização que se vivem no terreno, no âmbito do SNS. Das más opções políticas tomadas, com “estados de alma” e preconceitos ideológicos e, provavelmente, de interesses corporativistas, de “clientelas” e de desresponsabilização. Estas realidades e disfunções são inúmeras: Subfinanciamento das Unidades e Hospitais, carência de recursos humanos, nomeadamente Enfermeiros e Médicos. Nas novas modalidades e de organização de serviços, com as ULS, de dimensões exorbitantes, que é impossível governar e gerir, por forma a colmatar as reais carências e dar resposta às necessidades dos utentes. A necessidade de revisitar diplomas legais que criam assimetrias abissais de incentivos à classe Médica, em detrimento do trabalho e dedicação dos Enfermeiros e outras Classes. A urgência em reunir consenso responsável e realista com Sindicatos e redesenhar as carreiras de Enfermagem e Médicas, entre outras, por forma a criar a fixação destes profissionais no SNS.

Na Educação, não menos problemática, ao ponto de rotura a que se chegou, com Professores e Educadores desmotivados, em revolta face à contagem de tempo de serviço que lhes é recusado. Ao Subfinanciamento das Escolas, Institutos e Universidades.

Na justiça, a falta de recursos humanos, que fazem atrasar processos e num subfinanciamento associado, implicando demoras intermináveis, ao ponto de que quando é lida a sentença, poder ser legalmente correcta, mas com certeza injusta, face à reparação de danos ou absolvição, que não aconteceu em tempo útil em relação a cada processo. E portanto “não é uma justiça, justa.”

Na Segurança Social, a correcção de assimetrias e desigualdades das reformas que os idosos têm depois de uma vida de trabalho e descontos em contraponto com a atribuição do “Rendimento Social de Inserção (RSI)” a quem pode e deve trabalhar ou dar algo em troca à Sociedade e não o quer fazer! O repensar das “reservas” da Segurança Social, para que vindouros não fiquem sem reforma.

A autoridade e segurança do Estado e dos Cidadãos não pode estar em causa, mas a insatisfação que reina nas forças de segurança é enorme. As últimas manifestações de Polícias e GNR são disso evidentes. E se associarmos numa outra vertente, também, as ameaças das Forças Armadas, a situação é muito preocupante!

O novo Governo terá que fazer grandes opções, perante todo um “mapa” de desorganização e disrupções instaladas no País, nos diferentes sectores: Produtivos/agricultura, defesa, saúde, educação, justiça, economia… cumprir as promessas eleitorais do curto, médio e longo prazo, aumentar a confiança dos portugueses e acima de tudo, estabilidade politica e económico-financeira de Portugal. Não é pouco, mas é essencial! A palavra do Sr. Presidente da República, ainda que muito desgastada, vai ajudar muito na estabilidade que se pretende e deseja.

Quem quiser ir pelo caminho da politiquice, criar ruído e instabilidade, agitação social, terá que assumir esse papel e responsabilidade. Sujeitar-se-á à “sentença” do POVO.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2024.03.19

sexta-feira, 15 de março de 2024

A GREVE DOS JORNALISTAS

A GREVE DOS JORNALISTAS


Estes dias em Portugal, a Comunicação Social, vive e luta pelos seus direitos.

Um dos pilares da democracia, é a Comunicação Social livre e independente!

Têm todo o direito de lutar pelas suas causas, que com certeza serão justas. Viver com 700 ou 800 euros por mês é, com certeza, muito difícil. Outras Classes Profissionais têm e vivem também, com esse mesmo problema!

Sou solidário com os Jornalista e Comunicação Social.

Mas, quando outras Classes profissionais lutaram e lutam pelas suas causas, por exemplo os Enfermeiros Portugueses, a Comunicação Social foi isenta na cobertura, divulgação e trabalho jornalístico destas causas?

Ninguém ficará, por certo, bem, com o mal do vizinho…

H. D. 2024.03.15

sábado, 2 de março de 2024

MOÇÃO E VOTO LOUVOR - ASSEMBLEIA REGIONAL NORTE ORDEM ENFERMEIROS

MOÇÃO E VOTO LOUVOR

ASSEMBLEIA REGIONAL NORTE ORDEM ENFERMEIROS

PORTO 2024.02.29


Realizou-se no passado dia 29 de Fevereiro a Assembleia Regional da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros, no Auditório do Hospital da Prelada, no Porto.

Nesta Assembleia, e antes da Ordem do Dia, apresentei um voto de louvor ao Enf. João Paulo Carvalho e uma moção contra a vacinação da Gripe e Covid 19, nas Farmácias Comunitárias.

Ambos os documentos foram aprovados por unanimidade e aclamação, num universo de 119 votos.

Transcrevo se seguida os documentos supracitados:

"VOTO DE LOUVOR


Link:
https://www.ordemenfermeiros.pt/norte/noticias/conteudos/assembleia-regional-norte-aprova-louvor-a-jo%C3%A3o-paulo-carvalho/

A dimensão daquilo que somos, traduz-se muito, naquilo que acreditamos, por aquilo que fazemos para os outros e pelos outros, neste caso pela Enfermagem e pelos Enfermeiros. E que daqui fica o exemplo para os vindouros e para a Sociedade.

Fiz este preambulo, para apresentar a proposta de um voto de louvor e o deixar à consideração da Mesa, de o aceitar e, coloca-lo à votação.

Falo-vos do Enf. João Paulo Carvalho, enquanto Presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros.

· Pelo trabalho desenvolvido, pela agregação de Pessoas em torno da Enfermagem e Seus Profissionais;

· Pelo esforço de estar sempre presente, quando era convidado ou quando a causa implicava a Sua presença, apoio ou defesa dos Colegas, sempre pela Enfermagem;

· Por ter um pensamento próprio, de muita sabedoria e conhecimento, de firmeza, mas agregador;

· Conciliador de conflitos, olhando sempre para o benefício do todo e não a pequenez da parte;

· Pelo legado, enorme, que deixou, enquanto Presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros;

· Pelo exemplo de honra, lealdade, frontalidade, dedicação à Enfermagem, amizade e companheirismo, que são dele, estes valores e boas características humanas, e que lhe reconheço;

Por tudo isto, permita-me Sr. Presidente da Mesa que proponha o presente Voto de Louvor, a ser votado na presente Assembleia e em caso de aceitação e aprovação, que o mesmo seja dado a conhecer a Todos os Enfermeiros e à Comunicação Social.

Porto, 29 de Fevereiro de 2024

O Proponente
Enf. Humberto Domingues"


Link:

"MOÇÃO

Devido à formação científica e qualificação elevadíssima e pela dedicação, profissionalismo e preocupação incessante dos seus Profissionais, particular e essencialmente dos Enfermeiros, são o garante que, o SNS, preste a assistência aos Cidadãos que dele dependem e recorrem, em grande maioria os mais desfavorecidos, porque não têm outros meios que lhes possam facultar os cuidados de saúde que tanto necessitam e que aqui encontram.

Portugal sempre foi um exemplo para a Europa e para o Mundo, com altas taxas de vacinação das populações e o que esta mais-valia implica e representa, no âmbito da Saúde Pública e da protecção das Comunidades, produzido todo este hercúleo trabalho, por Enfermeiros, que são os que mais sabem de vacinação;

Esta minha moção, que deixo à disposição de quem a quiser subscrever, foi por mim apresentada na Assembleia do Colégio de Enfermagem Comunitária, tendo sido aprovada por unanimidade e tendo sido difundida pelo newsletter da Ordem dos Enfermeiros e vai no sentido de:
· Face ao número de óbitos registados entre Dezembro/23 e Janeiro de 2024;

· Face à baixa taxa de cobertura de vacinação contra a Gripe Sazonal e Covid-19, em comparação com indicadores verificados em anos transatos, em épocas homólogas;

· Face à passagem também da vacinação contra a Gripe Sazonal e Covid-19, para as Farmácias Comunitárias em detrimento dos CSP e de todas as suas Unidades Funcionais;

· Repudiar veementemente, todo o mediatismo perante a insensatez e o infeliz momento de vacinação, da Srª. Directora-Geral da Saúde, Dr. Rita Sá Machado numa Farmácia Comunitária, em detrimento dos Serviços Públicos, particularmente, dos CSP.

· Perguntas a colocar:
  • Quem vacinou a Srª. Directora-Geral da Saúde?
  • Foi um Farmacêutico?
  • Um Técnico de Diagnóstico e Terapêutica do ramo Farmacêutico?
  • Ou foi um Enfermeiro?
  • Se não foi um Enfermeiro, terá noção a Srª. Directora-Geral do que é usurpação de funções, juridicamente falando?
Estando numa, Assembleia da Ordem dos Enfermeiros, entendo ser este o local próprio como Enfermeiro, de manifestar este repúdio, tristeza e descontentamento pela desastrosa gestão política, nesta campanha de vacinação atrás referida, em detrimento, como se tem verificado, dos Serviços Públicos e neste particular, dos Cuidados de Saúde Primários.

Porto, 29 de Fevereiro de 2024

O Proponente
Enf. Humberto Domingues
Membro da OE nº. 10167"

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2024.03.02

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Transformação do SNS: «As UCC podem ser o epicentro da integração de cuidados»

Transformação do SNS: 

«As UCC podem ser o epicentro da integração de cuidados»



Transcrevemos uma excelente e importante entrevista do Enf. José Lima à JUSTNEWS, sobre a importância dos Cuidados de Saúde Primários e particularmente as UCC.

Uma entrevista a reler e a reter.

Link: 
https://justnews.pt/noticias/transformacao-do-sns-as-ucc-podem-ser-o-epicentro-da-integracao-de-cuidados/
"Publicado em 19 de fevereiro de 2024 - 14:43

 Proximidade! Esta é uma palavra chave para se compreender a importância do trabalho desenvolvido pelas Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC), afirma José Lima, presidente da Associação das UCC, que sublinha o papel importante destas unidades na implementação da integração de cuidados, considerando mesmo tratarem-se de "atores fundamentais"
Agendado para dias 21 e 22 de março, o 5.º Congresso Nacional da AUCC, que decorrerá na Universidade de Évora, tem precisamente como lema "Uma associação em Prol da Comunidade".
É com orgulho que, em entrevista à Just News, José Lima destaca o trabalho desenvolvido pelas "279 UCC constituídas por 3291 profissionais", salientando: "Somos especialistas no trabalho na comunidade, mas também no trabalho comunitário." E partilha alguns "exemplos fabulosos de ganhos em saúde em projetos integrados".
Lamenta, contudo, que a publicação da revisão do Decreto-Lei das USF "perpetua as desigualdades existentes no terreno", explicando os motivos, bem como alertando para as consequências em "insistir nos erros do passado".

"Solicitamos que sejam reconhecidos a todos os profissionais das unidades funcionais dos CSP,
e em particular às UCC, os mesmos direitos e oportunidades que foram reconhecidos aos profissionais das USF."

Just News (JN) - “Reforçar as UCC” é o lema do evento. Porquê?


José Lima (JL) - O SNS deve ser adaptado às necessidades da população e, para tal, deve focar-se na promoção da saúde e na prevenção da doença, mas também na gestão e controlo da mesma. Tal obriga a uma maior articulação entre as unidades funcionais, procurando uma verdadeira interligação de cuidados para melhorar o acesso aos cuidados de saúde mais adequados para as pessoas e comunidades.

Neste contexto, as UCC são atores fundamentais para concretizar este desígnio. Podia também resumir esta questão à ideia central de que as UCC podem ser o epicentro da integração de cuidados.


José Lima 

JN - Vai moderar o debate “UCC: perspetiva legislativa e regime remuneratório”. O que pode adiantar sobre o que será abordado na sessão? O que preocupa os profissionais e o que desejam/necessitam de ver resolvido?
JL - Ao longo dos últimos dois anos, temos trabalhado de forma próxima com o Ministério da Saúde, DE-SNS, Ordens Profissionais e estruturas sindicais.
Nestas reuniões foram partilhados e alinhados três áreas prioritárias, que ainda não tiveram solução, concretamente: a revisão do Despacho 10143/2009 e transição para Decreto-Lei, para consolidar o modelo organizativo e substantivo legal das UCC; a revisão da Portaria 212/2017, que consagra a atual atribuição de incentivos institucionais apenas para USF e UCSP; e a construção de um modelo remuneratório transversal a todas as unidades funcionais, alavancado numa perspetiva de contratualização moderna, baseada no percurso clínico do utente e na obtenção de ganhos em saúde.
Na proposta que elaboramos e entregamos à DE-SNS e ao Ministério da Saúde apresentamos uma sugestão de um sistema remuneratório ligado ao desempenho para todos os profissionais das UF dos CSP.
A AUCC congrega com a DE-SNS a visão interdisciplinar e integrada dos CSP e irá desenvolver todos os esforços para consolidar o modelo organizativo e multidisciplinar das UCC para a concretizar.
Volvida mais de uma década da reconfiguração dos CSP, será altura de reforçar os mesmos com a multidisciplinaridade necessária para a resolução das necessidades da população. Assim, reduzir a imagem única dos CSP à realidade das USF não corresponde à verdade, nem às necessidades encontradas no terreno.
As UCC têm um despacho publicado há mais de uma década, tendo vindo, há diversos anos junto da estrutura do Ministério da Saúde e mais recentemente junto da DE-SNS, a defender a revisão do enquadramento legislativo, havendo uma proposta concreta para a publicação de um Decreto-Lei.
Atualmente, existem 279 UCC constituídas por 3291 profissionais. O índice de desempenho global médio das UCC no final de 2022 foi de 75,25, superior ao das USF-A. Temos várias unidades em processo de certificação ACSA, pelo que a quantidade e qualidade dos cuidados prestados é inegável. Garantimos diariamente, na casa dos utentes, 5776 vagas da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados.
A publicação da revisão do Decreto-Lei das USF perpetua as desigualdades existentes no terreno, uma vez que se perdeu a oportunidade histórica de elaborar um modelo remuneratório único baseado no desempenho e na obtenção de resultados em saúde, que reconhecesse a importância e o trabalho efetuado por todas as UF dos CSP.
Somos a favor de uma pluralidade de análise e discussão que olhe para os CSP como produto de diversos atores, cujo interesse máximo é a prestação de cuidados de saúde integrados e de qualidade voltados para a inequívoca resolução/mitigação das necessidades da população.
Solicitamos, assim, que sejam reconhecidos a todos os profissionais das unidades funcionais dos CSP, e em particular às UCC, os mesmos direitos e oportunidades que foram reconhecidos aos profissionais das USF.
A pandemia SARS-CoV-2 veio provar de forma inequívoca que os CSP são constituídos por uma pluralidade de respostas que são necessárias, efetivas e significativas. Isto não deveria ser esquecido.
Insistir nos erros do passado irá contribuir para uma maior insatisfação e ao êxodo dos recursos humanos maioritariamente diferenciados, das UCC,  pondo em risco a prestação de cuidados que durante anos, perante muitas dificuldades, sempre foi assegurada à população mais vulnerável: as grávidas, as puérperas, as crianças e jovens com necessidades de saúde especiais, a comunidade escolar, as pessoas beneficiárias de rendimento social de inserção, os cuidadores, as pessoas com dependência física e mental, entre outros.

 

 

JN - Há quanto tempo está à frente da AUCC e como tem sido a experiência? Quando termina o mandato?
JL - Sou Presidente da Direção da AUCC desde 25/09/2019, no entanto encontro-me nos órgãos da associação há mais tempo. Tem sido uma experiência muito gratificante e enriquecedora. Sempre me questionei sobre o que poderia fazer pela associação e não o contrário, ou seja, o que a associação poderia fazer por mim.
Juntamente com todos os elementos da Direção, temos alavancado a AUCC com um crescimento exponencial de associados. Temos ajudado as UCC, culminando algumas delas com a concretização do processo de certificação ACSA.
Conseguimos proximidade, reconhecimento e um trabalho muito colaborativo com as estruturas do Ministério da Saúde, com as Associações Profissionais, as várias Ordens Profissionais, os vários Sindicatos, a DGS e com todas as UCC.
Quero continuar este trabalho, mas o mandato termina este ano e por isso temos eleições logo a seguir ao 5º congresso, em abril.

JN - Apesar dos recursos limitados que têm, as UCC têm conseguido proporcionar um empoderamento cada vez maior das comunidades a nível nacional? Pode indicar alguns exemplos? 
JL - A carteira de serviços das UCC é ampla e abrangente. Acompanhamos utentes ao longo de todo o ciclo de vida e em todos os níveis de prevenção. Somos especialistas no trabalho na comunidade, mas também no trabalho comunitário.
Temos exemplos fabulosos de ganhos em saúde em projetos integrados. Ficam alguns exemplos por diferentes áreas.
Na área da gestão da doença: a ECCI com integração de cuidados com as equipas hospitalares, as equipas dos cuidados continuados integrados e as equipas de saúde familiar; os projetos de prevenção de sobrecarga e acompanhamento do cuidador, com integração de cuidados com a segurança social; os projetos de reabilitação respiratória também com integração de cuidados de diferentes contextos; e ainda os programas de gestão de doença crónica, como é exemplo a diabetes em movimento.
Na área da gestão da saúde: o acompanhamento das grávidas ao longo da gravidez, da recuperação para o parto e da massagem infantil, mais uma vez de forma integrada.
Por último, na área da intervenção comunitária, área de integração por excelência, quer com entidades de saúde, quer com entidades comunitárias, a intervenção em saúde escolar, quer na capacitação de turmas, quer no acompanhamento de crianças e jovens com NSE e todo o trabalho ao nível da rede social.
Com mais recursos poderíamos apostar ainda mais na promoção. Como sabemos, “1 euro gasto na promoção da saúde, representa um ganho de 14 euros em Serviços de Saúde amanhã.” Sublinho que “Um programa de SE efetivo … é o investimento de custo-benefício mais eficaz que um País pode fazer para melhorar, simultaneamente, a educação e a saúde”.                          



JN – O que é possível perspetivar para as UCC em contexto ULS? O que será importante implementar para que todo o potencial das UCC seja bem utilizado?
JL - Penso que se fala em crise no SNS porque este está na ordem do dia, devido ao momento eleitoral e porque a saúde, como direito inalienável proposta na constituição, é algo muito importante para as pessoas. Prefiro não falar em crise, mas em mudança ou transformação do SNS. Já existiam UCC nas primeiras ULS!
É por esta razão que há que apostar numa visão moderna de integração de cuidados, que valorize o percurso clínico dos utentes e a sua necessária interligação com os serviços de saúde e também com as entidades comunitárias. As ULS no país pretendem fazer isto!
A situação atual é a consequência esperada de alguma estagnação e incapacidades do sistema. É urgente salvaguardar e transformar o SNS!
É neste âmbito que as UCC, enquanto equipas multidisciplinares totalmente implementadas na comunidade que servem, são fundamentais na prestação de cuidados de saúde e apoio psicológico e social, de âmbito domiciliário e comunitário, especialmente às pessoas, famílias e grupos mais vulneráveis, em situação de maior risco ou dependência física e funcional ou doença que requeira acompanhamento em proximidade.
A reconfiguração dos CSP foi considerada a grande reconfiguração em Portugal, sendo reconhecida internacionalmente. O Serviço Público é muito importante e os profissionais de saúde têm-no feito e merecem reconhecimento.
Necessitamos de acreditar que vale a pena trabalhar no SNS. Precisamos de melhorar a articulação e combater os problemas de saúde das comunidades, com medidas que permitam colmatar desigualdades, quer sociais, quer económicas e geográficas.
O Futuro do SNS só será possível e interessante se decorrer de processos participados de transformação adaptativa às atuais e futuras circunstâncias. PROXIMIDADE!"


Humberto Domingues

Enf. Espec. Saúde Comunitária

2024.02.20

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

MOÇÃO - COLÉGIO ENFERMAGEM SAÚDE COMUNITÁRIA - ORDEM DOS ENFERMEIROS

 MOÇÃO

COLÉGIO ENFERMAGEM SAÚDE COMUNITÁRIA

ORDEM DOS ENFERMEIROS
LISBOA - 27/01/2024




Na Assembleia do Colégio da Especialidade de Enfermagem Comunitária, da Ordem dos Enfermeiros, realizada em Lisboa, no passado dia 27 de Janeiro/24 apresentei a presente Moção, que se a seguir se transcreve:

Esta minha moção, que deixo à disposição de quem a quiser subscrever, vai no sentido de: 
  1. Face ao número de óbitos registados entre Dezembro/23 e Janeiro de 2024;
  2. Face à baixa taxa de cobertura de vacinação contra a Gripe Sazonal e Covid-19, em comparação com indicadores verificados em anos transatos, em época homóloga;
  3. Face à passagem também da vacinação contra a Gripe Sazonal e Covid-19, para as Farmácias Comunitárias em detrimento dos CSP;
  4. Repudiar veementemente todo o mediatismo perante o infeliz momento de vacinação da Srª. Directora-Geral da Saúde, Dr. Rita Sá Machado numa Farmácia Comunitária, em detrimento dos Serviços Públicos, particularmente, dos CSP.
· Perguntas a colocar:
  • Quem vacinou a Srª. Directora-Geral da Saúde?
  • Foi um Farmacêutico?
  • Um Técnico de Diagnóstico e Terapêutica do ramo Farmacêutico?
  • Ou foi um Enfermeiro?
  • Se não foi um Enfermeiro, terá noção a Srª. Directora-Geral do que é usurpação de funções, juridicamente falando?

Estando numa Assembleia, do Colégio de Enfermagem Comunitária, da Ordem dos Enfermeiros, entendo ser este o local próprio como Enfermeiro, de manifestar este repúdio, tristeza e descontentamento pela desastrosa gestão política, nesta campanha de vacinação atrás referida, em detrimento, como se tem verificado, dos Serviços Públicos e neste particular, dos Cuidados de Saúde Primários.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2024.01.27

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

VACINAS, A MAIS POTENTE FORMA DE PREVENÇÃO!

VACINAS, A MAIS POTENTE FORMA DE PREVENÇÃO!


Nos últimos dias, muito se falou de vacinas e vacinação. E ainda bem!


A vacinação, na nossa perspectiva, é a forma mais barata, mais simples, mais potente e com melhores resultados, no combate às doenças/infecções “clássicas”, antigas e dos nossos tempos modernos, que afectam/podem afectar o Ser Humano.


O grande referencial de vacinação em Portugal é o Plano Nacional de Vacinação (PNV) implementado em 1965 e chegou até aos dias de hoje, com as alterações e correções normais de um mecanismo que precisa de actualizações com base na investigação científica, no tipo de bactérias e vírus que circulam e infectam o Ser Humano e na própria mutação destes micro-organismos. Paralelamente à mutação vírica, a investigação e as novas moléculas que potenciam o efeito preventivo das vacinas tentam prevenir ou amenizar os efeitos nefastos destas infecções. Assenta este Plano em 5 princípios básicos, mas de uma consistência bem estruturada, até aos dias de hoje: “Universalidade, destinando-se a todas as pessoas que em Portugal tenham indicação para vacinação; Gratuitidade, para o utilizador; Acessibilidade; Equidade; Aproveitamento de todas as oportunidades de vacinação.”


Portugal é um dos países do mundo, onde as taxas de cobertura por vacinação são mais elevadas, em consequência da dedicação, experiência e trabalho desenvolvido pelos Enfermeiros dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) e dos Médicos de Saúde Pública. Lembrar aqui as brigadas de vacinação, em que os Enfermeiros percorriam as escolas a vacinar os alunos, iam aos domicílios vacinar os adultos e até administrar medicação/tuberclostáticos no combate à tuberculose pulmonar. Hoje, nos Centros de Saúde, a vacinação acontece integrada nas consultas de Enfermagem de Saúde Familiar e na Saúde Pública, nas consultas do viajante. Todo um vasto e complexo trabalho, desde a logística de armazenar e transportar as vacinas (sejam elas mortas ou vivas) numa rede de frio adequada às características de cada vacina, os excipientes próprios, que se desenvolve muito eficiente e eficazmente, onde a disciplina major deste sucesso, inquestionavelmente, é a Enfermagem de Saúde Comunitária, servindo nos locais próprios e adequados a tal magnitude de serviço público. Temos por estes dias, um alerta a ter em conta, com o aparecimento de episódios de sarampo em crianças, no Reino Unido e que não estavam vacinadas. Detetada também em Lisboa e internada, uma criança, também não vacinada contra o sarampo e que era oriunda do mesmo estado. É inequívoca a importância da vacinação, no combate a estas infecções e contágios, por muito que haja a “nova” filosofia anti-vacinas.


O actual Governo de maioria absoluta que se demitiu, veio com a ideia peregrina da vacinação contra a gripe sazonal e covid-19, também ser efectuada nas Farmácias. As consequências desta má decisão, tudo leva a crer, teve/tem um preço elevado, para os Cidadãos, com o aumento de óbitos registados nestes períodos de Dezembro/23 e Janeiro/24. Não podemos fazer uma relação directa de baixa vacinação com o aumento de óbitos, mas acreditamos que, este aumento de mortes registadas, deve-se, entre outros factores, à baixa imunização das pessoas, por não estarem vacinadas, e comorbilidades, particularmente, os mais idosos.

Sabemos que os CSP, a Enfermagem Comunitária e a Saúde Pública, são eficientíssimos mas missões e campanhas de vacinação que levam a cabo. Se outros exemplos não forem tão visíveis e mediáticos, vejam o quão foi eficiente, de dimensões nunca vista, a vacinação contra COVID-19. Constatamos que o actual Ministério da Saúde e o Director Executivo do SNS, têm uma visão obtusa desta realidade e, provavelmente pressionados por lóbis, decidiram, mas mal, a vacinação nas Farmácias, lamentavelmente!

Para além desta má decisão, assistimos ao infeliz momento muito mediaticamente produzido, da Srª. Directora-Geral da Saúde (DGS) ser vacinada numa Farmácia, em detrimento dos CSP, de um Centro de Saúde ou de uma Equipa de Enfermagem Comunitária, que são Serviços Públicos! Repudiamos por completo todo este mediatismo e descriminação para com os CSP! Já agora uma pergunta: Quem vacinou a Srª. Directora-Geral da Saúde? Foi um Farmacêutico? Um Técnico de Diagnóstico e Terapêutica do ramo Farmacêutico? Ou foi um Enfermeiro? Terá noção a Srª. Directora-Geral do que é usurpação de funções, juridicamente falando?

Voltando aos princípios básicos em que assenta o PNV. Há um princípio inequívoco e, provavelmente, o grande pilar do sucesso das altas taxas de cobertura vacinal, que é o aproveitamento de todas as oportunidades para vacinar. Não temos dúvidas, o sucesso está aqui! Sempre que o Cidadão utente se dirige ao Centro de Saúde ou Unidade Funcional e tem consulta de Enfermagem, ou faz algum tipo de contacto com o Enfermeiro de Família, este consulta o seu processo clínico, avalia o “seu estado vacinal registado” e em caso de alguma falta de vacina, propõe ao utente vaciná-lo, naquele momento. Este procedimento responsável, esta proximidade e esta atitude profissional, possibilita uns cuidados de saúde de prevenção e de economia de meios e recursos, extraordinário. Por outro lado, o utente está em segurança, porque a vacina é-lhe administrada por um Profissional altamente qualificado, e em caso de acontecer alguma intercorrência, o Enfermeiro sabe como actuar. Por outro lado, proporciona ao Utente, comodidade, ao evitar a vinda desnecessária à Unidade de Saúde, só para vacinação, com a economia de tempo que isso possibilita.

Não duvidamos, acreditamos e reafirmamos nesta mais-valia deste serviço público, prestado pelos Enfermeiros dos CSP, no bem-estar, prevenir e cuidar das suas Populações e Comunidades, através dos Centros de Saúde, num verdadeiro serviço de proximidade e orientado pelas “guide lines” da Saúde Pública e não pressionados ou desvirtuados, por lóbis, interesses económicos mais claros ou obscuros e de riquezas/fortunas que não servem os verdadeiros interesses do Cidadão Utente, Grupos e Comunidades.

Vacine-se em segurança e atempadamente. Vacine-se pelo Seu Enfermeiro de Família.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2024.01.23

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

ASSEMBLEIA DO COLEGIO DE ENFERMAGEM COMUNITÁRIA

 ASSEMBLEIA DO COLEGIO DE ENFERMAGEM COMUNITÁRIA

ORDEM DOS ENFERMEIROS

Vai decorrer no próximo sábado a 1ª. Assembleia do Colégio da Especialidade de Enfermagem de Saúde Comunitária, no edifício da Cruz Vermelha, em Lisboa, cuja convocatória se partilha acima deste texto.

Humberto Domingues 
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2024.01.22


segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

DIGNIDADE

 DIGNIDADE


Era só isto!

Obrigado!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2024.01.15

sábado, 13 de janeiro de 2024

MORREU O ENFERMEIRO JOSÉ CORREIA AZEVEDO

MORREU O ENFERMEIRO JOSÉ CORREIA AZEVEDO

EX-PRESIDENTE DO SINDICATO DOS ENFERMEIROS


Transcrevemos a mensagem deixada no site da Ordem dos Enfermeiros:

"Morreu esta madrugada, aos 87 anos, José Correia Azevedo.

Figura ímpar da história da enfermagem em Portugal, foi presidente do Sindicato dos Enfermeiros e desenvolveu um longo e profícuo trabalho sindical ao longo de décadas.

“A Enfermagem portuguesa está de luto. É uma grande perda”, lamenta o Bastonário da Ordem dos Enfermeiros. Luís Filipe Barreira acrescenta que “aprendi muito com o Enfermeiro José Azevedo e devemos-lhe uma vida de luta por melhores condições de trabalho para os Enfermeiros. Perdemos hoje um dos nossos melhores, resta-nos honrar o seu imenso legado"

Leia mais em:

”https://www.ordemenfermeiros.pt/noticias/conteudos/morreu-jos%C3%A9-correia-azevedo-figura-%C3%ADmpar-da-enfermagem-em-portugal/

#ninguemestasozinho #ordemenfermeiros

 


Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2024.01.13

2024 ANO PROMISSOR? SIM SE MUDAR DE GOVERNO E POLÍTICAS!

 2024 ANO PROMISSOR? SIM SE MUDAR DE GOVERNO E POLÍTICAS!



Estamos de volta ao contacto com os nossos leitores, para mais uma longa caminhada em 2024, ano este muito importante para Portugal e para todos nós, também! A nossa saúde é um factor e uma condição essencial, para que possamos viver, com qualidade e anos de vida, nesta nossa caminhada na vida terrena.

Uma pergunta simples: Já se vacinou contra a gripe sazonal e convid-19?

Temos assistido a uma procura e congestionamento dos Serviços de Urgência dos Hospitais, numa escalada que vem sendo “crónica”, particularmente nesta altura do ano, para além de outras. Isto é ciclo! Este ano estamos a assistir a um fenómeno aumentado, com doentes com síndrome gripal, porque a “campanha de vacinação” está a falhar.

O Ministério da Saúde, através da Direcção Executiva, entendeu e decidiu que as Farmácias passassem a vacinar a População. Esta “campanha falhada”, custa exorbitantes milhões de euros ao Orçamento e ao Estado, pago por todos nós, quando toda a vacinação era feita, e bem, nos Centros de Saúde e suas Unidades funcionais, a custos reduzidos. Mas a opção do Ministério e do Governo falhou! E os resultados estão aí! Lamentavelmente, os indicadores demonstram um aumento de mortalidade, cujos óbitos estão acima do expectável, como admitiu a Direcção Geral da Saúde (DGS). E ainda não atingimos o pico da gripe sazonal. A taxa de cobertura vacinal continua baixa! Vamos aguardar a evolução dos próximos dias, mas é assustador!

Neste sentido o final de 2023 e o início de 2024 veio demonstrar o caos no planeamento e na gestão da saúde, com doentes a recorrerem aos serviços de urgência, com tempos de espera na ordem das 8, 10, 16 e mais horas, para atendimento e a ficarem internados em macas, nos corredores dos serviços. Segundo a Comunicação Social e Familiares, até doentes oncológicos ficaram deitados no chão! Tristeza e pobreza absoluta! Este estado de coisas cria um sentimento de revolta enorme!

Portanto, em síntese, pelo que conhecemos, a decisão da Direcção Executiva e Ministério da Saúde, de pôr as Farmácias comunitárias a vacinar, ao que parece, quando muitos davam certezas, falhou estrondosamente. O Médico Dr. Filipe Frões, afirmou à Comunicação Social que “a maioria das pessoas internadas em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), tinha gripe e não tinha vacinação”. Este Médico fez um paralelo de comparação com a taxa de cobertura vacinal de 2019 e diz que “na faixa etária acima de 60 anos era superior a 70% e este ano, com dados preliminares, a cobertura é de 62%”.

Convém lembrar que, a questão da gripe sazonal, provocada pelo vírus Influenza, associada a outras comorbilidades, que as pessoas idosas possuem, cria uma situação preocupante, de grande debilidade, dependência e que potencialmente aumenta o risco de morte, e por isso, a taxa de óbitos é elevada. Registar que neste ano de 2024, entre 1 e 7 de Janeiro, foi o período em que ocorreu mais óbitos, quando comparado com os últimos 3 anos. Há registo de mais 1700 óbitos no espaço de 16 dias. Daí a razão, de se colocar a questão do planeamento atempado, e de uma “campanha de vacinação” massiva, como os Cuidados de Saúde Primários (CSP) sabem fazer muito bem, e onde se deveria vacinar toda a População, para prevenir “males maiores” e a imunidade de grupo poder funcionar. Parece-me oportuno adoptar o uso da mascara facial, para evitar circulação e contágios do vírus.

Todas estas questões, dificuldades, embaraços e atrasos, não são questões do foro técnico ou erros dos seus Profissionais de Saúde. São más decisões políticas, falta de planeamento e erros políticos. São opções políticas erradas! É inconcebível que se crie uma Direcção Executiva com custos orçamentais brutais, cujo nome é apenas diferente, mas na essência, é o segundo Ministério da Saúde, no Porto e, o primeiro Ministério da Saúde em Lisboa, com dois Secretários de Estado, todo o seu staff, mais outras chefias e inúmeros cargos de nomeação política, em contraponto com o que se vê pelo país fora, onde se encerram urgências, maternidades e serviços essenciais e de proximidade ao Cidadão. Não se admitem, antes pelo contrário, deixam-se sair/fugir, Enfermeiros e Médicos do SNS. As carências de pessoal são evidentes, as dotações seguras dos serviços estão por cumprir e respeitar. Ouvimos todos os dias os cidadãos utentes a queixarem-se, com as reais dificuldades que vivem e sentem no seu dia-a-dia, no entanto, vamos ouvindo o Partido Socialista e o seu Governo dizer, que está tudo melhor. Está tudo bem! Um congresso do PS a vangloriar-se do passado. Sim, um passado que todos vimos e sentimos, de má gestão e corrupção, de destruição da saúde e desmantelamento do SNS, de destruição da Educação, da Justiça e inúmeras dificuldades no presente e para o futuro na Segurança Social, para não falar da Administração Interna, Polícias e GNR.

Infelizmente, estamos a viver momentos muito difíceis e delicados, fruto de um desgoverno, de um adiar decisões, de falta de planeamento e de uma irresponsabilidade major deste Ministério da Saúde e Governo Socialista (8 anos), onde se desmantelou o SNS, tornou a Saúde distante e frágil dos Portugueses e teima em propagandear facilidades sustentadas em mentiras e incertezas, que a todos nós, nos afectará.

Se em 8 anos de Governo, e uma maioria absoluta, não foi o Partido Socialista capaz de melhorar e oferecer soluções na Saúde, na Educação, na Justiça, o que terá agora, mais, para dar, enganando, e oferecendo a frase gasta “agora é que vai ser! Vai ser? Sim, se mudarmos de Governo e de políticas de esquerda, velhas e gastas! Porque de outra forma, votando nos que estão, o desmantelamento da Bandeira Portuguesa, de Portugal e dos serviços conquistados com a Democracia, vão sucumbir à política da mordaça, da perseguição e do compadrio, praticado pelo Partido Socialista

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2024.01.10

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

PERGUNTA: O QUE FARIAS PELA VISIBILIDADE

PERGUNTA: O QUE FARIAS PELA VISIBILIDADE



Coloquei esta pergunta nas minhas páginas do Facebook e em vários grupos, a seguinte pergunta:

Caro Colega Enfermeiro, o que faria para retomar a nossa luta na valorização da classe?

Muitas respostas foram dadas. Algumas delas estúpidas e outras muito engraçadas.

Humberto Domingues

Enf. Espec. Saúde Comunitária

2024,01.11

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

TOMADA DE POSSE ORGÃOS ORDEM DOS ENFERMEIROS

TOMADA DE POSSE ORGÃOS ORDEM DOS ENFERMEIROS



No passado dia 19 de Dezembro de 2023, na Sala Tejo, do Altice Arena, do Parque das Nações, tomaram posse os diferentes Orgãos Nacionais e Regionais da Ordem dos Enfermeiros, empossando o Enf. Luís Filipe Barreira como Bastonário da Ordem dos Enfermeiros.




Deixo também aqui o registo da posse e constituição do Colégio de Enfermagem Comunitária, ao qual pertenço.




Bom mandato

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2024.01.08

A SAÚDE QUE NÃO CABE NUM ALGORITMO

  A SAÚDE QUE NÃO CABE NUM ALGORITMO Quando a tecnologia se torna inteligente, precisamos de comunidades capazes de produzir saúde Fonte i...