quinta-feira, 7 de setembro de 2023

REINA A INEFICÁCIA NO MINISTÉRIO DA SAÚDE

REINA A INEFICÁCIA NO MINISTÉRIO DA SAÚDE


Nos últimos dias/semanas foram difundidas notícias sobre a “grande reforma” do Serviço Nacional de Saúde (SNS), proposta produzida pela Direcção Executiva do SNS liderada pelo Sr. Prof. Dr. Fernando Araújo, com a criação e cobertura nacional de 31 “Unidades Locais de Saúde” (ULS) (num total de 31+8 já existentes). Para além disso, que o orçamento do SNS ia ser o maior de sempre e, segundo o Sr. Ministro da Saúde o orçamento para a Saúde em 2024 vai aumentar sem “dúvida nenhuma”. Antes de tudo perguntar: a Direcção Executiva, criada há já, cerca de 10 meses, já tem estatutos aprovados? Pois, não tem! E as decisões que toma, são legais?


Os Cuidados de Saúde Primários (CSP) “aguardam” há década e meia, uma verdadeira reforma, que reconheça, valorize e melhore o valioso serviço que é prestado às Populações, Grupos, Comunidade, Famílias e Cidadãos, porque é por aqui (CSP) a porta de entrada no SNS. Vem agora a ideia da criação das ULS a nível nacional, como se fosse o “tónico” que vai colmatar todas as carências existentes! Pura demagogia! Em algumas situações, até pode trazer melhorias. Mas a grande questão é estrutural e de gestão. É necessário potenciar a capacidade e estruturas existentes e instaladas, funcionando ao longo do dia e, não, só durante o turno da manhã. Com isto, não subalternizar os CSP aos Hospitalares. Não diminuir os CSP em favor da “hospitalite”.


Depois, a confusão, o desfoque e a ineficácia do Ministério da Saúde, continua a reinar. O sr. Ministro, Dr. Manuel Pizarro, tal como a sua antecessora, continua desfocado de uma realidade, nua e crua, que se vive no terreno. E afirma, dando a entender, que “atirando dinheiro” para o SNS, que resolve os problemas estruturais existentes. Puro engano, entendemos nós!

Se por um lado, os recursos são escassos e finitos, nomeadamente na Saúde, por outro lado, é um problema grave de gestão e de cedência permanente a interesses, de corporações profissionais, fortes, que fazem lóbi permanente no Ministério da Saúde, em desfavor de outras classes profissionais e por isso, não há evolução. Mais, não se fixam profissionais, não se atribuem incentivos iguais a todos os profissionais, não se valorizam carreiras e encerram-se serviços de proximidade e de resposta às Populações mais carenciadas.

Para que se perceba, há departamentos, unidades e serviços, com directores dos mesmos, que nunca tiveram nem têm formação, cursos ou pós-graduações em Gestão, mas continuam a ser os directores destes serviços há anos. Não implementam medidas de gestão. Não sabem ler indicadores e variáveis de gestão. E o resultado sempre igual ou sofrível, de ano para ano, mas não se altera em nada esta realidade, porque parece que há medo de se tocar em “vacas sagradas”.

Vimos e sentimos, mais uma vez neste Verão, urgências encerradas, maternidades em rotatividade de abertura e de oferta de serviços de resposta, ambulâncias do INEM paradas por falta de macas, retidas nas urgências, falta de técnicos e por outro lado, viaturas envelhecidas e avariadas face ao desgaste rápido que sofrem. Greves dos Enfermeiros e Médicos, que continuam, num manifesto claro descontentamento pelas suas carreiras, condições de serviço e remunerações. Desigualdades tremendas entre o litoral e o interior, entre os grandes centros urbanos e o restante país.

Numa última “tirada de coelho da cartola” propõe-se o Ministério da Saúde autorizar que as vacinas da gripe e de covid-19, passem, também, a ser administradas nas Farmácias!!! Esta questão merece uma reflexão responsável. Com esta medida, está a tirar-se o atendimento dos Cidadãos, onde tem que ser feito, que é nos Centros de Saúde e respectivas Unidades Funcionais. Depois, pôr-se profissionais, nomeadamente “Farmacêuticos e Técnicos de Farmácia” a administrar/injectar as vacinas, sem a preparação adequada (com formação on-line de várias horas, ao que dizem) e sem capacidade de actuação e resposta no caso de reação anafilática (que pode causar morte), em que seja necessária punção venosa, administração de outra medicação e antídotos e suporte básico ou avançado de vida. Respostas, estas, que existem nos Centros de Saúde, com actuação imediata e com experiência, de Enfermeiros e Médicos, que esses sim, têm formação e é da sua competência actuar e administrar medicação endovenosa. Parece-nos haver aqui, ilegalidade nesta decisão e usurpação de funções, por parte de “Farmacêuticos e Técnicos de Farmácia”, que não faz parte das suas competências profissionais, a administração de produtos e terapêutica por punção, seja ela dérmica, endovenosa ou intramuscular. E o Ministério da Saúde está a patrocinar esta ilegalidade?

Interessa perguntar: há aqui um procedimento que patrocina a falta de segurança na prestação dos cuidados ao Cidadão. Quem é o responsável ou responsáveis por esta decisão? Parece-nos também, que este assunto muito sério, está a ser tratado com alguma ligeireza e falta de planeamento adequado, para com tempo, suprir estas necessidades e não, resolve-las, passando por cima e de pleno desrespeito pelas competências próprias das profissões, definidas por Lei.

Com estes procedimentos, passa a estar, claramente, em causa a segurança dos Cidadãos. Estão desprotegidos!

Humberto Domingues
Enf. Especialista Saúde Comunitária
com Pós-Graduação em Gestão Unidades Saúde
2023.09.07

quinta-feira, 27 de julho de 2023

AO QUE (ESTADO DA NAÇÃO) ISTO CHEGOU!

AO QUE (ESTADO DA NAÇÃO) ISTO CHEGOU!


A agitação política dos últimos tempos acalmou, um pouco, “descendo a temperatura tórrida” que se fazia sentir, principalmente entre a Presidência da República, O Governo e a Assembleia da República. Mas por isso mesmo, tornaram-se mais visíveis as fragilidades e problemas graves que nos assolam e preocupam no nosso quotidiano.


A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à TAP, terminou, com todo aquele espectáculo que assistimos na televisão e que teve como epílogo, um relatório que iliba os responsáveis do Governo e do PS, por más decisões e interferências na gestão, na demissão e indemnizações, apesar dos responsáveis políticos terem assumido culpas e se terem demitido. Depois, claro, o relatório foi aprovado apenas pelo PS. Vergonha!
A seguir, vem o Conselho de Estado, Orgão Superior de consulta do Sr. Presidente da República e convocado por este. Este Conselho de Estado não chegou ao fim, foi interrompido e não houve conclusões, porque o Sr. Primeiro-Ministro, Dr. António Costa, “teve” que sair, para embarcar num avião, a caminho da Islândia, para assistir ao jogo de futebol da Selecção Feminina de Portugal, no campeonato do mundo, desta modalidade.


Antes de tudo dizer, que a Selecção merece todo o apoio do Governo e do Povo Português. Isso é inquestionável! Mas depois, aí sim, questionável: A representação do Governo não podia ser feita por outro Ministro, ou até pelo Secretário de Estado do Desporto? Tinha que ser pelo Primeiro-Ministro? E justifica abandonar o Conselho de Estado, para ir ver o futebol? Afinal que importância tem o Conselho de Estado? Que papel representa este Orgão, convocado pelo Sr. Presidente da República, o mais alto Magistrado da Nação, onde participam os Ex-Presidentes da República, entre outros Conselheiros? O futebol sobrepõe-se ao Conselho de Estado e aos mais importantes assuntos de interesse nacional? Se tem importância relativa, acabe-se com este Orgão. Torna-se inútil! Mais uma vez, uma tremenda falta de respeito do Sr. Primeiro-Ministro, Dr. António Costa, pelo Sr. Presidente da República e pela Presidência da República! É que esta atitude é de um desavergonhado “tique perverso e autoritário” de um Primeiro-Ministro, em maioria absoluta.

Na Saúde, o “estado da nação” também não vai bem! A Direcção Executiva continua sem estatutos aprovados. Será que as decisões já tomadas por esta, não enfermam de nulidade?

As maternidades e serviços de obstetrícia e urgências, continuam a encerrar, para prejuízo sempre, dos seus utentes. E o Ministro da Saúde assobia para o lado. No Hospital de Stª. Maria, a “guerra e a intriga” em torno do Serviço de Obstetrícia e bloco de partos continua. Será real esta “guerra de interesses” ou corporativista?

Depois, relativamente aos Enfermeiros, verificamos a continuação da desvalorização no que diz respeito aos salários, à carreira e às condições de trabalho, inclusivamente afirmado pela OCDE e OMS. E numa comparação a nível dos países da OCDE, Portugal ocupa o 19º. lugar em 21, relativamente ao pagamento de ordenados aos Enfermeiros. Para além desta desvalorização toda, com a actual carreira de enfermagem, para se alcançar o topo, é preciso trabalhar 100 anos. Acontece isto em mais alguma carreira?

Temos que perceber que os tempos vindouros não são favoráveis, porque o País está envelhecido. Portugal é o 4º. País mais envelhecido do mundo. Esta realidade vai obrigar a grandes investimentos na Saúde e no número de profissionais, essencialmente Enfermeiros e Médicos, para cuidar de uma População envelhecida e com várias comorbilidades. Interessa por isso repensar o SNS, o seu paradigma de intervenção e prestação de cuidados e direcionar para os Cuidados Primários, domiciliários e de proximidade.

Quanto aos Médicos, nas suas justas reivindicações, não abrandam e continuam em greve, a que em algumas datas, se vão juntar os Enfermeiros, no período das Jornadas Mundiais da Juventude, em Lisboa.

O Verão vai quente. A falta de água e a seca preocupam os agricultores e a todos nós. Os produtos alimentares e de primeira necessidade atingem preços muito elevados. Os cereais atingem preços exorbitantes, decorrente da guerra da Ucrânia. A inflação está para durar. Os combustíveis continuam altos. As vagas de calor e os incêndios atormentam, não só Portugal, mas também países da Europa.

Vivemos e lutamos por um progresso e boas condições de vida na Sociedade. Mas as fragilidades são imensas e com contornos cada vez mais difíceis de superar, sejam eles por más decisões políticas ou falta de política adequada, sejam pela imposição da força que a Natureza se impõe. Resta-nos, com muita resiliência, lutar, ter direito à opinião e a outras opções e querer sempre, um Portugal melhor.

Boas Férias a Todos!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2023.07.26

quarta-feira, 12 de julho de 2023

A DEMOCRACIA ESTÁ A DEGRADAR-SE. POIS ESTÁ!

A DEMOCRACIA ESTÁ A DEGRADAR-SE. POIS ESTÁ!


O Povo Português, corajoso, lutou e muito, durante muitíssimos anos, alguns pagando com a própria vida e de alguns familiares, outros foram deportados e tantos outros foram torturados, até à conquista da liberdade e instauração da Democracia, neste belo país, de seu nobre nome, Portugal.
Estão passados quase 50 anos, meio século portanto, desta conquista e, tantos de nós Cidadãos, humildes, mas sérios e honestos, notamos e sentimos que a tão desejada Democracia e muito querida liberdade está em processo de degradação acentuada. Alguns querem impor o delito de opinião. A ditadura económica impõe-se, a inflação come os pequenos ganhos, retirando capacidade económica aos Cidadãos mais desfavorecidos. Os idosos têm reformas pequenas, o que não lhes possibilita grandes condições de vida desafogada. O acesso aos cuidados de saúde, Médico e Enfermeiro de Família, estão diminuídos. Consulta de especialidade e cirurgias, com longas listas de espera, penalizando precisamente quem não tem outro recurso, nem seguros de saúde, e tem de “aguentar”.


Perante uma evolução e história recente, nestes 49 anos, e por muito estranho que pareça, em nossa opinião, é precisamente o “Poder Político” que mais tem degradado a democracia e, com medidas e leis desadequadas, limitando a liberdade, nas mais variadas formas e expressões. Sociologicamente, estamos mais evoluídos. O pensamento social mais exigente. Mas as condições e vida societal, são as melhores?



Os actos eleitorais têm registado altíssimas taxas de abstenção, suportadas com muitas desculpas, mas assentes também, em factos e realidades inequívocas: alheamento dos jovens ao “facto político” e desacreditação nas escolhas e mudanças de tão fracos políticos e projectos colocados a sufrágio dos Cidadãos eleitores.


As Instituições não se respeitam. As críticas, na praça pública, são feitas sem decoro, sem respeito e sem ”etiqueta”!

Nestes últimos dias fomos confrontados com declarações e críticas do Sr. Ministro da Cultura (e logo da Cultura) Dr. Pedro Adão e Silva, sobre os senhores Deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito à TAP e “os modos” como correram os trabalhos desta CPI. Convém lembrar que, o Sr. Primeiro-Ministro, Dr. António Costa, em tempos passados, quando houve o caso do Dr. João Soares, também enquanto Ministro da Cultura, referiu …”nem à mesa do café podem deixar de se lembrar que são membros do Governo” …“Devem ser contidos”… (Dr. António Costa).

Este caso das críticas do actual Ministro da Cultura, tem particular importância e tornou-se numa descortesia e até, talvez, numa deslealdade, com o ex-membro do governo e com a CPI, porque:

1- Quem presidiu à CPI, foi o ex-Secretário de Estado da Saúde, Dr. Lacerda Sales, deste mesmo Governo a que pertence o Ministro da Cultura;

2- O Governo responde perante o Parlamento e não este Orgão de soberania perante o Governo. E por isso, não pode haver aqui uma inversão de papeis e a tal falta de respeito:

3- A (tentativa) transformação de trabalhos de uma CPI, com a importância que ela tem, os documentos que produziu, as verdades e tentativas de adulterar as verdades e as horas mediáticas que consumiu, num caso de desvalorização total, que possa servir os interesses do PS e desacreditar as outras forças políticas;

4- O próprio Presidente da CPI, Deputado, Dr. Lacerda Sales, qualificou as declarações do Ministro da Cultura de “falta de respeito” e “caracterização muito injusta”, solicitando até que o Sr. Ministro se “retrate”;

5- Terão sido estas afirmações propositadas para criar um momento e facto político e de distração, à demissão do Secretário de Estado da Defesa, por corrupção?

Depois, numa outra dimensão, a relatora desta CPI, Deputada do PS Ana Paula Bernardo, apresentou um documento/relatório eliminando factos concretos, que vimos e ouvimos nas televisões, com afirmações até, dos próprios, e que são desvalorizadas neste relatório. Factos estes, da TAP, que deram origem à CPI e onde se demitiram, Ministro, Secretário de Estado, Gestora e CEO da TAP.

Para além disso, os muitos casos e casinhos deste governo, os arrufos entre o Sr. Presidente da República e Sr. Primeiro-Ministro na praça pública, episódios de tiques autoritários e comentários menos nobres, gravados pela televisão/canal do Parlamento, do Sr. Presidente da Assembleia da República, Dr. Augusto Santos Silva e, tantos outros, associados ao tráfico de influência, favores e corrupção, degradam, seguramente, a Democracia. Último caso de demissão (e já lá vão treze) no Governo por corrupção – Secretário de Estado da Defesa, Marco Capitão Ferreira.

Parece-nos, com culpa de todos os partidos políticos, que os melhores da Sociedade Portuguesa, ficam sempre de fora, afastam-se e não querem participar nesta amálgama de baixa cotação de valores, colocando o seu bom nome em causa.

E o Povo como reage? E o Povo tem escolha? O Povo tem sempre razão! Por isso quererá eleger sempre os seus representantes, que muitas vezes não correspondem às espectativas e ao que se esperava deles, bem como ao bom nome que o bom Cidadão Português tem! Precisam-se de novos valores, não só éticos, mas também morais.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2023.06.12

sexta-feira, 30 de junho de 2023

PEDROGÃO

PEDROGÃO




Pedrogão,

Uma palavra que hoje magoa e trás más memórias ao Povo Português. Faz-nos lembrar, também, outra tragédia da queda da ponte de Entre-os-Rios.

Pedrogão, porque foi num passado mais recente – 6 anos – está mais presente.

Ainda hoje, é doloroso, e vai continuar a ser, olhar para as imagens de memória de pessoas mortas pelo fogo, carros ardidos, casas afundadas, florestas destruídas e sonhos adiados.

Foi esta semana, depois de alguns desencontros políticos, que aconteceu uma cerimónia com o Sr. Presidente da República e Sr. Primeiro-Ministro, junto ao mural com os nomes das vítimas. Vítimas mortais!

Pedrogão podia ter sido uma oportunidade para o interior. E não foi! Uma oportunidade para a reflorestação, para o planeamento da floresta e daquele território. Mas não, tudo falhou! Pedrogão foi esquecido durante 6 anos!

A questão é esta, quando a política se intromete e porque são interesses do interior e não de Lisboa, tudo se adia! Tudo fica esquecido! Tudo é secundário! Até quando?

Sem retirar a importância e a memória por quem morreu, por quem perdeu os seus entes queridos, por quem ficou ferido ou sozinho, há outros “Predogãos” adiados e esquecidos, por esse país fora!

H. D.
2023.06.30

terça-feira, 27 de junho de 2023

PREVENÇÃO DE QUEIMADURAS SOLARES

PREVENÇÃO DE QUEIMADURAS SOLARES


O Verão já chegou e com ele, temperaturas muito altas. O Santo António festejou-se num misto de chuva e sol, o São João e São Pedro, com muito calor, o que levou as pessoas a exporem-se demasiado e abruptamente ao sol, na praia e esplanadas, provavelmente sem prévia preparação e a horas inapropriadas aos intensos e agressivos raios solares.


Todos nós nos expomos em demasia ao “Rei Sol”, correndo o risco de sofrermos uma queimadura dérmica. Assim, numa prespectiva de prevenção, pretendemos deixar nesta crónica, alguns ensinamentos sobre prevenção e protecção de “queimaduras solares”.



A nossa pele é o maior órgão do corpo humano. Este órgão é constituído por 3 camadas: a “Epiderme” de média espessura (face externa), a “Derme” de maior espessura, é a camada intermédia e a “Hipoderme”, é a camada de menor espessura e a mais profunda.


A nossa pele é um órgão sensível, protector e a primeira barreira às agressividades que sofremos, quer sejam através de radiações ambientais, químicas ou outras, nomeadamente, pela agressividade e traumatismo que as roupas, que diariamente usamos, nos provocam (costuras duras, roupas apertadas, muitos fios e fibras sintéticas), os detergentes e sabões que usamos quer na lavagem das roupas, quer na nossa higiene pessoal e por exposição ao Sol e poluentes. A pele é elástica, tem um brilho próprio e tem várias tonalidades, conforme a raça, a matriz genética, a geografia onde vivemos ou somos oriundos e a quantidade de melanina que cada indivíduo possui na sua constituição orgânica. Em média a pele mede +/- 2 m2 e pesa entre 4 e 9 Kg (claro está que, um bebé não possui tanta área corporal e por isso também mede e pesa menos. No inverso, uma pessoa obesa e com grande área corporal alcança limites superiores destes valores).

A pele precisa de ser bem hidratada para manter todas as suas características saudáveis e de protecção. Esta hidratação pode ser de forma “mecânica” por aplicação manual de cremes e líquidos hidratantes, ou de forma sistémica, com a ingestão de líquidos, principalmente de água e sumos naturais e o consumo de frutas e legumes variados.

Relativamente às radiações solares, estas são, em simultâneo, através de radiações de raios UV (ultravioletas), que se dividem em 3 tipos: A,B e C, conforme o seu comprimento de onda. Ora vejamos:

UVA – É o mais nocivo. Afecta a “Derme”. Penetra mais profundamente na pele, causa envelhecimento e pode provocar cancro da pele, alergias e manchas. Incide na nossa pele mesmo com chuva, névoa ou neve. 95% das radiações solares têm composição dos raios UVA.

UVB – Afecta a “Epiderme”. É o responsável pelos “vermelhões”, ardência e queimaduras solares. É mais intenso entre as 9 e as 16 horas. Penetra facilmente na pele e contribuem com 5% na composição das radiações.

UVC – São bloqueados pela camada de ozono e filtrados pela atmosfera terrestre.

Quanto ao Sol, sabemos sobejamente que é muito importante para a Saúde. Ele, “Rei Sol”, contribui para a síntese da vitamina D, fortalece os ossos e articulações, melhora o humor, cria condições e aumenta o bem estar das pessoas e ajuda a regular os ciclos do sono. Contudo, há algumas regras simples, mas importantes para nos prevenirmos da exposição solar, para que esta não seja nefasta, nomeadamente na praia. Quando a sombra é pequena, é sinal que o Sol está no seu ponto mais alto (a “pique”), por isso sinal de muita intensidade – Perigo. Quando a sombra é maior, sinal que o Sol já mudou a sua orientação, os raios solares já são oblíquos e por isso, menos perigoso. Há um “relógio solar” que deve ser utilizado: horas perigosas entre as 12 e as 16 horas; Perigo intermédio, entre as 11 e 12 horas e 16 e 17 horas. Horas apropriadas/ideais: antes das 11 horas e depois das 17 horas.

Nestes dias de praia e exposição solar, devemos considerar sempre o uso e aplicação de protector solar. Mesmo em dias nublados, deve ser aplicado, como atrás verificamos pela penetração dos raios solares. O protector solar deverá ser aplicado cerca de 30 minutos antes de sair de casa, aplicado no corpo todo e reaplicar de 2 em 2 horas. Reaplicar depois do banho ou de alguma actividade desenvolvida. O protector solar a aplicar, em cada pessoa, tem de ser de acordo com as características da nossa pele e das indicações do fabricante, sendo certo que para as crianças, deve ser sempre o protector com índice de protecção 50+ (cinquenta mais). Devemos ter particular atenção na aplicação no nariz e orelhas e deixar estas áreas bem protegidas. Merecem especial referência, as grávidas, quer na exposição solar, quer no uso de produtos e protectores solares. Outro factor a ter em atenção é o reflexo e a dispersão que os raios solares sofrem, quer na água, quer na areia, porque os raios UV dispersam-se desordenadamente.

Como sabemos que o SOL não tira férias, devemos apostar na protecção usando roupa simples, arejada e de preferência com o menor número possível de fibras sintéticas. O ideal é vestuário de algodão e de cores claras. Beber muitos líquidos, nomeadamente água e frutos naturais, comer fruta e legumes variados, usar óculos com protecção UV e guarda-sol, de preferência com material reflector ou de duplo tecto. Dedicar especial atenção, quer nas ondas de calor, quer nos períodos de maior intensidade, às crianças, grávidas e idosos.

A prevenção e o conhecimento são sempre armas que devemos ter à mão e fazer uso deles. Tenham umas boas férias, mas protejam-se, porque o Sol não tira férias e as lesões cutâneas são muito dolorosas e podem desenvolver problemas /doenças oncológicas.

Divirtam-se, com prevenção!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2023.06.27

quarta-feira, 14 de junho de 2023

OUTRO VERÃO A DESAFIAR O SNS

OUTRO VERÃO A DESAFIAR O SNS


Chegou já o novo período de férias de Verão, neste nosso lindo País, de seu nome Portugal, que tem uma das mais importantes conquistas do 25 de Abril, vivida nesta jovem democracia e em liberdade – O Serviço Nacional de Saúde (SNS).


O SNS evoluiu, aprimorou-se, modernizou-se, atingiu um patamar de excelência. Sofreu as dores do crescimento, instalando-se nas pequenas vilas e aldeias, onde as consultas do “Médico da Caixa” e os curativos e injecções dos Enfermeiros, foram evoluindo, dando lugar ao trabalho por equipas, por módulos, por lista de Médico de família, por lista geográfica de Enfermeiro de família, etc. nos novos ou renovados Centros de Saúde, até à nova filosofia das unidades funcionais: USF, UCSP e UCC integrando as ECCI. Nos cuidados secundários ou hospitalares, a evolução também foi enorme. Desde a qualidade das instalações, ao conhecimento científico das equipas multiprofissionais (conhecimento este, também nos Cuidados de Saúde Primários) e intervenção precoce no tratamento de todas as doenças, particularmente, as oncológicas. Tecnologia de ponta no auxílio do diagnóstico. Muito poderíamos escrever sobre esta realidade e evolução, mas não é essa a linha de pensamento desta crónica.

Ao longo destes tempos que correram até hoje, a política apoderou-se do SNS e, quando os políticos se aperceberam que tinham aqui terreno fértil para desbravar e se instalarem e colocar os seus “boys e girls”, começou a degradação do SNS. Também o corporativismo e os intocáveis de algumas classes profissionais, contribuíram para essa degradação e dificuldade de resposta em tempo. É certo que a procura de resposta, a pressão, o surgimento de novas e complexas patologias e o acesso/uso/democratização do SNS, também contribuíram para estas dificuldades. À custa da falta de resposta e também de complemento do SNS, para um Sistema de Saúde, o sector privado foi o que maior crescimento registou, desafiando os profissionais do público a transitarem para este, com melhores salários, regalias e condições de trabalho, que se vem degradando no SNS.

Chegados a Junho/2023, com o Verão a “bater à porta” e período de férias por excelência com a mobilidade de população para o litoral, novo desafio e dificuldades se colocam ao SNS. E isto, de certa maneira, porquê?


· Porque o Ministro mudou, mas nenhuma alteração de fundo, estrutural e política de saúde foi implementada;

· A Direcção Executiva foi constituída, tomou posse, mas ainda não possui estatutos/regulamentação, aprovada pelo Governo, que efectivamente defina a sua actuação. Em boa verdade, também nem um ano tem de exercício;

· As urgências continuam sob uma pressão permanente, porque não se implementaram estímulos, condições e reformas nos CSP, para que tal deixasse de acontecer e houvesse alternativa aos SU. As longas horas de espera no SU vão acontecer/manter-se e continuar;

· Os blocos de partos e maternidades, algumas urgências de especialidades, etc., continuam a encerrar alternadamente, devido às escalas e falta de profissionais para assegurarem o seu funcionamento, apesar do Ministro ter mudado;

· A carência e falta de Profissionais, nomeadamente Enfermeiros e Médicos é uma realidade assustadora. Os serviços estão no limite, dotações seguras por respeitar conforme as Ordens Profissionais tem afirmado, pedidos de escusa de responsabilidade de Enfermeiros e Médicos, demissões seguidas de directores de serviço, para além do cansaço e burnout, que se vem apoderando dos Profissionais e Equipas de saúde, com os Enfermeiros à cabeça.

Muito mais poderíamos escrever sobre estas lacunas.

O que se está a viver, é a consequência da má gestão, das cativações orçamentais absurdas e da não contratualização, de forma estável, e por falta de carreiras justas, cativantes e bem remuneradas, para todos os Profissionais de Saúde, que assim vão para o privado e emigram. Estas medidas castradoras têm impacto negativo nos serviços ao longo dos anos e dificultam as respostas às necessidades que os Cidadãos colocam ao SNS. As populações envelhecidas, a maior esperança de vida, as comorbilidades desta mesma população, o aparecimento de doenças novas e outras que se diagnosticam precocemente, e por isso necessitam de mais consultas, de mais cirurgias, de mais cuidados de enfermagem, implicam o aumento de trabalho, quer nos hospitais, quer nos CSP, nos atendimentos e tratamentos domiciliários, Se para um volume de trabalho aumentado, os Profissionais são os mesmos ou menos, é claro que o sistema está desequilibrado e, por isso, a resposta vai ser mais demorada, que só por esse facto, já vai ter implicações na saúde dos Cidadãos.

Na tentativa de tapar o sol com a peneira, temos a retórica política! Tudo parece que se vai resolver no dia seguinte, ou na próxima segunda-feira, como dizia o Dr. António Costa. O que é certo, é que, o descontentamento permanece na Classe de Enfermagem, porque o Governo ainda não foi capaz de uniformizar a resposta, de forma séria e justa, a atribuição dos pontos e contagem de tempo, com implicação na avaliação de desempenho, estabelecido pelo D.L. 80-B/2022. Apesar do Sr. Ministro Manuel Pizarro propagandear, à boa maneira socialista, a resolução rápida deste problema e a disponibilidade para a negociação da melhoria da Carreira de Enfermagem, ainda não encetou essas negociações e diligências. Os Médicos também estão descontentes e ameaçam com greves. Os Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica estão insatisfeitos com a falta de cumprimento de promessas socialistas e ameaçam com greves. Perante todo este cenário, com hospitais a despedirem Enfermeiros, em vez de os contratar. Escalas de serviço deficitárias. Sobrecarga de trabalho e recurso abusivo às horas extraordinárias, deixam os Profissionais exaustos. Com as férias a chegar em que a população flutuante triplica ou quadruplica em muitos casos, vai efectivamente ser outro Verão a desafiar a capacidade de resposta do SNS. Precisamos que nasçam crianças em Portugal. Seria bom que nascessem onde os seus pais desejam e que as grávidas não se vissem obrigadas a fazer 100 ou 200 kms para dar à luz, pondo em risco a vida da mãe e do bebé.

Pede-se ao Sr. Ministro da Saúde menos retórica, mais acção e cumprimento efectivo e atempado das promessas e compromissos com os Enfermeiros. Planeamento sério, para as necessidades e respostas às populações e não encerramento de serviços.

Os Profissionais cumprirão com ética e deontologia as suas obrigações. Espera-se que o Sr. Ministro Manuel Pizarro e o Governo façam o mesmo, para bem do SNS, dos Profissionais e dos Cidadãos doentes que a ele recorrem.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2023.06.14

terça-feira, 30 de maio de 2023

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA SAÚDE, EM QUE CONDIÇÕES?

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA SAÚDE, EM QUE CONDIÇÕES?


A discussão em torno do “aparecimento” e evolução da “Inteligência Artificial” (IA) vem ocupando cada vez mais fóruns, congressos e convenções, os nossos Pensadores, Filósofos, Sociólogos, Cientistas, Profissionais das diferentes classes e profissões e decisores políticos.


Sem dúvida que a evolução é necessária, e com a “Pandemia”, a tecnologia, a internet e o digital, em abstrato, deram um salto qualitativo enorme.


Na Saúde, a evolução tecnológica, a electromedicina e a nanotecnologia, ajudaram cada vez mais, no diagnóstico, em novos materiais de cirurgia e de tratamento de feridas das diversas especialidades. A robótica também chegou às salas e blocos operatórios.


A evolução da “IA” foi te tal forma grande e rápida, que vem apanhando muita gente de surpresa e distraída, o que vem provocando reflexões muito sérias e a levantar e colocar questões do foro ético, deontológico e até moral.


Se por um lado, e muito longe da “IA”, até aceitamos que virados para uma parede, possamos “pedir” à máquina que nos dê parte do nosso dinheiro, falamos para um smartphone que nos ligue para o contacto X ou Y, ou quando fazemos uma viagem, aceitamos que uma voz da máquina nos dê ordens para virar no cruzamento ou sair naquela rotunda e até sabe que chegamos ao nosso destino, por outro lado, vai ser difícil de aceitar que um robô nos preste cuidados de saúde num internamento hospitalar, ou nos vá prestar esses mesmos cuidados de saúde ao domicílio. E mesmo que a evolução seja tanta e tão grande que torne tudo isto, estranhamente, uma realidade, faltará sempre uma comunicação verbal e não verbal no relacionamento e compreensão humana.

Parece-me que a “IA” trabalha e apresenta-se com base em algoritmos, fórmulas matemáticas, e bases de dados longas, complexas e com “inúmeras chaves” e hipóteses de resposta. Serão sempre máquinas muito complexas, criadas pelo Homem, a tentar imitar e substituir este, nas suas várias dimensões e qualidades. Deixará a “IA” de ter defeitos? Será tudo tão perfeito? E na Saúde, em que condições e como irá funcionar a “IA”?

Com a “Pandemia”, tivemos um exemplo claro, que apesar da alta tecnologia, da química dos medicamentos e vacinas, sem Recursos Humanos, nada era possível.

Podemos evoluir muito para as tecnologias, para os robôs fazerem cirurgias, para a “IA” dar respostas às inúmeras perguntas, projectos e documentos, mas nada será jamais comparável, aos momentos em que o Enfermeiro se acerca de um doente e lhe segura nas mãos transmitindo-lhe presença, segurança, afecto e momento de escuta às suas dúvidas e inquietações. Às confissões, desabafos e mensagens do último minuto de vida. Ao momento em que o Enfermeiro traz ao mundo e o recebe nos braços, o bébé que acaba de nascer e o coloca no peito da Mãe,uHumanos ou o deixa no colo do Pai. Nos momentos difíceis, quando tem que olhar nos olhos dos Familiares, ou usa o telefone, para comunicar um óbito! Por muito que a tecnologia possa ser apurada, faltará sempre o calor do toque, do afecto. do humanismo e das emoções. Mas os Enfermeiros estarão lá, sempre!

Pensemos um pouco como será, ou tentará ser, esta “IA” num serviço, valência ou unidade de ambulatório de Psiquiatria? Ou de Pediatria ou Obstetrícia? Ou doenças degenerativas ou oncológicas? Sabemos, sem qualquer sombra de dúvida, que a empatia, o tacto e a linguagem não verbal são importantíssimas numa comunicação. No extremo, como será a comunicação da “IA” na interação com o Utente/Paciente/Cliente/Cidadão?

Numa outra dimensão, parece-me também necessário pensar sobre o Trabalho e as Profissões e novos conteúdos e competências destas, carreiras e remunerações. Mas Recursos Humanos serão sempre necessários.

Um novo paradigma surge sobre a Ciência, a Saúde e a forma do cuidar do Cidadão, seja ele mais ou menos informado, pertença a que classe profissional ou social pertença, mas as questões éticas e deontológicas terão de ser de tal forma claras, firmes e de fronteira, para que as Pessoas sejam sempre atendidas e tratadas como Pessoas Humanas e, não como humanoides!

O Futuro o dirá!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2023.05.30

quarta-feira, 17 de maio de 2023

DIAMANTE DE 50 ANOS NA VANGUARDA DO ENSINO DA ENFERMAGEM

DIAMANTE DE 50 ANOS NA VANGUARDA DO ENSINO DA ENFERMAGEM


A Escola Superior de Saúde, do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (anteriormente chamada de Escola Superior de Enfermagem ou Escola de Enfermagem de Viana do Castelo) comemorou 50 anos, no passado dia 16 de Março/2023, numa cerimónia pública recheada de lembranças, recordações, emoções e surpresas, onde não faltaram as palmas, os risos, a alegria, as lágrimas e a união em torno desta Instituição.


Foram 50 anos na vanguarda do ensino da Enfermagem, onde tantos bons Enfermeiros aprenderam a promover a Saúde e a cuidar do Cidadão doente e do próximo. Tantos Jovens se fizeram excelentes Enfermeiros, assumiram inúmeros papeis e desafios, foram e são líderes, rasgaram fronteiras, trabalharam e viajaram pelo mundo, deixando o nome da Sua Escola e de Viana do Castelo registado no mais nobre livro de memórias e de histórias – A memória e a gratidão das Pessoas!


Foi pelo Decreto nº. 243/73 de 16 de Maio, que foi criada a Escola de Enfermagem de Viana do Castelo, tendo como Vogal da Comissão Instaladora a Enfª. Maria Adelina Bandeira Correia, sendo Directora desta Escola durante vinte e sete anos. Ainda hoje é uma referência da Enfermagem. Em Janeiro de 1974, num edifício do início do sec.XX, de linhas arquitetónicas imponentes com características solarengas que ainda hoje existe, na Av. Conde da Carreira, recebeu os primeiros alunos. Nestes longos e lindos 50 anos, teve a Escola cinco Directores, que, com as suas Equipas enobreceram o caminho cheio de obstáculos, sinuoso, cheio de dificuldades, mas também de muitas conquistas, vitórias e essencialmente, o reconhecimento da Academia como símbolo mais alto do saber, das Instituições, das entidades públicas e poder político, civil e religioso, dos Enfermeiros e dos Cidadãos. Foram estes cinco Directores: Enfª. Adelina Bandeira Correia, Enfª. Ermelinda Ribeiro Jaques, Enf. Carlos Louzada Subtil, Enfª. Mara Rocha e Enfª. Aurora Pereira, os “obreiros”, os “artífices”, os “ourives”, os “sonhadores”, os Gestores e Líderes que lapidaram este diamante e o trouxeram até ao dia de hoje, numa cerimónia comemorativa que teve como lema “50 anos… Uma História feita de futuro…”, tendo lugar uma sessão solene com uma conferência alusiva “A formação de Enfermeiros e a identidade profissional” e a apresentação de um livro comemorativo do 50º. Aniversário da Escola, com o título muito sugestivo “50 anos de trajectos e projectos”, recheado de história, de imagens, de texto e testemunhos, que comovem e emocionam o leitor mais insensível. Que bela obra! Que dimensão Social! Nesta cerimónia teve lugar a protocolar sessão de abertura com a presença de muitas autoridades, individualidades, convidados, profissionais, antigos e actuais professores, funcionários e alunos. Houve lugar a uma visita guiada a uma exposição e o respectivo bolo de aniversário.


Voltando às memórias e testemunhos deixados em vídeo e textos, disseram, que não era fácil, mas era bom, ser-se aluno da/na Escola de Enfermagem, pelo rigor, pela exigência e pelo conhecimento científico que nos era transmitido e exigido. Como alunos, sentiamos nos estágios fora de Viana do Castelo e nas visitas de estudo, uma deferência connosco, pelo facto de sermos alunos da Escola de Enfermagem desta Cidade. O distrito de Viana do Castelo possui uma Escola de referência no Ensino da Enfermagem e de responsabilidade social, também.


A Escola contava, tal como hoje, com Professores carismáticos, de um conhecimento científico enorme e de uma envergadura de humanismo, única. Uma Escola que fazia questão de ter e convidar bons Professores externos para lecionar as várias partes das matérias, mas também, preletores nacionais para seminários, reuniões científicas ou aulas semanais, muitas vezes aos sábados. Os desafios eram grandes, as alterações curriculares e estruturais dos cursos tinham que acompanhar a legislação e as normas europeias, mas a Escola de Enfermagem estava sempre lá, na primeira linha da inovação, da responsabilização na formação de bons Enfermeiros. E aqui mais uma vez a Escola de Viana era uma referência.

Nos tempos idos, nunca havia dificuldade de colocação para os Enfermeiros recém formados da Escola de Viana. E quando se era selecionado e admitido nas diferentes especialidades de Enfermagem lecionadas na “nossa” Escola, era já outro patamar de visibilidade, de responsabilidade e de valor curricular acrescido.

Da vida desta Escola contam também inúmeros intercâmbios e projectos internacionais de investigação e de mobilidade de Professores e Alunos, desde os Estados Unidos à Europa. Tem actualmente na investigação, uma moderna produção de conhecimento.

Uma outra dimensão da Escola de Enfermagem era/é, a de perceber capacidades e dimensões, visionar oportunidades e projetos, acolher desafios e realizá-los, sem nunca perder os pontos cardeais da sua localização, da sua importância e magnitude, mas também, não perder de vista e a posição, sempre, da/na linha da frente.

Há valores, recordações e memórias, que não são alienáveis. São muitos destes valores que a Instituição Escola de Enfermagem de Viana do Castelo (hoje Escola Superior de Saúde) nos ofereceu e fez guardar, uns partilhados, outros só nossos!

É esta Instituição, esta Escola, um diamante com 50 anos e com muitos quilates de valor, porque teve, sempre, docentes e não docentes que souberam lapidar com carinho, sabedoria e conhecimento, esmero e orgulho, este baluarte do Ensino de Enfermagem em Viana do Castelo e no país!

Parabéns, Escola Superior de Enfermagem/Saúde de Viana do Castelo!

Parabéns a Todos que souberam, com galhardia, honrar e perdurar no tempo, esta nobre Instituição!

Humberto Domingues
Enfermeiro Especialista em Saúde Comunitária
2023.05.17

UM FOTOGRAMA NUMA LONGA METRAGEM DE 50 ANOS!

UM FOTOGRAMA NUMA LONGA METRAGEM DE 50 ANOS!

O texto que a seguir se transcreve, é o meu testemunho, que consta no livro apresentado na comemoração do 50º. aniversário da Escola Superior de Saúde, no dia 16 de Maio de 2023.

 UM FOTOGRAMA NUMA LONGA METRAGEM DE 50 ANOS!

Fazer parte com este “fotograma” num filme de comemoração dos 50 anos da Escola Superior de Saúde de Viana do Castelo, onde tantos Professores, Individualidades e Ex-Alunos de percursos brilhantes, que compõem este ilustre elenco, é para mim uma honra enorme. Ter sido aluno, formar-me aqui, guardar tão gratas recordações e ainda hoje, sentir-me “da casa”, é algo muito único, muito especial, que me orgulha e ao mesmo tempo me permite manifestar a minha gratidão por esta excecionalidade.

A minha formação académica no Curso Superior de Enfermagem, divide-se em 2 trajetos: O Curso Base no antigo edifício de linhas arquitetónicas imponentes com características solarengas, na Avenida Conde da Carreira, próximo dos “Paços do Concelho”. E depois, na Especialidade em Saúde Comunitária, no novo edifício (atual), com instalações condignas. Foram 5 anos e meio de muito estudo, sacrifícios, responsabilidade, mas também de prazer, convívio e solidariedade. Não era fácil, mas era bom, ser-se aluno da/na Escola de Enfermagem, pelo rigor, pela exigência e pelo conhecimento científico que nos era transmitido e exigido. Como aluno, senti nos estágios fora de Viana do Castelo e nas visitas de estudo, uma deferência connosco, pelo facto de sermos alunos da Escola Superior de Enfermagem desta Cidade. O distrito de Viana do Castelo possui uma Escola de referência no Ensino da Enfermagem e de responsabilidade social, também.

A Escola contava no meu tempo, tal como hoje, com Professores carismáticos, de um conhecimento científico enorme e de uma envergadura de humanismo, única. Uma Escola que fazia questão de ter e convidar bons Professores externos para lecionar as várias partes das matérias, mas também, preletores nacionais para seminários, reuniões científicas ou aulas semanais, muitas vezes aos sábados.

Os desafios eram grandes, as alterações curriculares e estruturais dos cursos tinham que acompanhar a legislação e as normas europeias, mas a Escola de Enfermagem estava sempre lá, na primeira linha da inovação, da responsabilização na formação de bons Enfermeiros que rasgaram e enfrentaram novas fronteiras e novos mundos. E aqui mais uma vez a Escola de Viana era uma referência.

Nos tempos idos, nunca havia dificuldade de colocação para os Enfermeiros recém formados da Escola de Viana. E quando se era selecionado e admitido nas diferentes especialidades de Enfermagem lecionadas na “nossa” Escola, era já outro patamar de visibilidade, de responsabilidade e de valor curricular acrescido.

Tive essa sorte de ter sido selecionado, frequentado e formado Especialista em Saúde Comunitária, aqui, e por isso perceber o quanto era importante ser aluno e formado nesta Escola. Especialidade, esta, que me daria a oportunidade de rumar aos Estados Unidos, para um estágio de 3 meses, na University of Texas, Health Sciences Center at San Antonio-School of Nursing, num projecto Europeu e Americano – EU/USA International Community Health NetWorking Project, com o Congresso final na Finlândia-Mikkeli Politechic, Savonlinna School of Health Care, onde apresentamos um poster.

Ter representado a Enfermagem Comunitária e a Escola Superior de Enfermagem de VC em tão grande desafio e realização, foi um momento único, enorme. Deixar assinado no “Livro de Honra” da Câmara Municipal de San António do Texas, nesta qualidade, foi também uma honra e um orgulho.

E esta era/é a outra dimensão da Escola Superior de Enfermagem de VC: Perceber capacidades e dimensões, visionar oportunidades e projetos, acolher desafios e realizá-los, sem nunca perder os pontos cardeais da sua localização, da sua importância e magnitude, mas também, não perder de vista e a posição, sempre da linha da frente.

Há valores, recordações e memórias, que não são alienáveis. São muitos destes valores que a Instituição Escola Superior de Enfermagem de Viana do Castelo (hoje Escola Superior de Saúde) me ofereceu e me fez guardar, uns partilhados, outros só meus. E a Instituição Escola é um diamante com 50 anos e com muitos quilates de valor, porque teve, sempre, docentes e não docentes que souberam lapidar com carinho, sabedoria e conhecimento, esmero e orgulho, este baluarte do Ensino de Enfermagem em Viana do Castelo!

Parabéns, Escola Superior de Enfermagem/Saúde de Viana do Castelo!

Parabéns a Todos que souberam, com galhardia, honrar e perdurar no tempo, esta nobre Instituição!

 

Humberto Domingues

Ex-Aluno

Enfermeiro Especialista em Saúde Comunitária

segunda-feira, 8 de maio de 2023

CONVENÇAO INTERNACIONAL DE ENFERMEIROS

 CONVENÇAO INTERNACIONAL DE ENFERMEIROS


Nos próximos dias 10 e 11 de Maio, na Figueira da Foz, os Enfermeiros vão reunir-se na IIª. Convenção Internacional dos Enfermeiros, promovida pela Ordem dos Enfermeiros, cujo tema de fundo é, “O Futuro e a Saúde”.



É uma feliz escolha este lema “O Futuro e a Saúde”, porque vai muito para além da actuação, das limitações e dos problemas que hoje se vivem na Saúde e, particularmente pelos Enfermeiros, servidores diários e permanentes na prestação de cuidados de saúde ao Cidadão, à Família, a Grupos e à Comunidade.

Esta é também uma data feliz, uma vez que, a 12 de Maio se assinala e comemora o “Dia Internacional do Enfermeiro”.

O programa é soberbo, interessante e muito rico, uma vez que se propõe a uma profunda reflexão e partilha que vai desde a “Cobertura Universal em Saúde, a: Desafios em Enfermagem, Liderança estratégica na política e na saúde, Inteligência Artificial e novas tecnologias, valor económico da Enfermagem e Planeamento estratégico em Saúde”, entre outros grandes temas. Mas acima de tudo, é a necessária reflexão, profunda, que exige medidas imediatas sobre a valorização dos Recursos Humanos. Aqui, estarão sempre, os Enfermeiros.

Link Programa completo:

https://www.convencaointernacionalenfermeiros.com/programa/programa-completo

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2023.05.08

sábado, 6 de maio de 2023

ENFERMEIROS REUNEM-SE EM CONVENÇÃO INTERNACIONAL

ENFERMEIROS REUNEM-SE EM CONVENÇÃO INTERNACIONAL



Nos próximos dias 10 e 11 de Maio, na Figueira da Foz, os Enfermeiros vão reunir-se na IIª. Convenção Internacional dos Enfermeiros, promovida pela Ordem dos Enfermeiros, cujo tema de fundo é, “O Futuro e a Saúde”.


É uma feliz escolha este lema “O Futuro e a Saúde”, porque vai muito para além da actuação, das limitações e dos problemas que hoje se vivem na Saúde e, particularmente pelos Enfermeiros, servidores diários e permanentes na prestação de cuidados de saúde ao Cidadão, à Família, a Grupos e à Comunidade.



Esta é também uma data feliz, uma vez que, a 12 de Maio se assinala e comemora o “Dia Internacional do Enfermeiro”.

O programa é soberbo, interessante e muito rico, uma vez que se propõe a uma profunda reflexão e partilha que vai desde a “Cobertura Universal em Saúde, a: Desafios em Enfermagem, Liderança estratégica na política e na saúde, Inteligência Artificial e novas tecnologias, valor económico da Enfermagem e Planeamento estratégico em Saúde”, entre outros grandes temas. Mas acima de tudo, é a necessária reflexão, profunda, que exige medidas imediatas sobre a valorização dos Recursos Humanos. Aqui, estarão sempre, os Enfermeiros.

Com a “Pandemia”, tivemos um exemplo claro, que apesar da alta tecnologia, da química dos medicamentos e vacinas, sem Recursos Humanos, nada era possível.

Podemos evoluir muito para as tecnologias, para os robôs fazerem cirurgias, para a “Inteligência Artificial” dar respostas às inúmeras perguntas, projectos e documentos, mas nada será jamais comparável, aos momentos em que o Enfermeiro se acerca de um doente e lhe segura nas mãos transmitindo-lhe presença, segurança, afecto e momento de escuta às suas dúvidas e inquietações. Às confissões, desabafos e mensagens do último minuto de vida. Ao momento em que o Enfermeiro traz ao mundo e o recebe nos braços, o bébé que acaba de nascer e o coloca no peito da Mãe, ou o deixa no colo do Pai. Nos momentos difíceis, quando tem que olhar nos olhos dos Familiares, ou usa o telefone, para comunicar um óbito! Por muito que a tecnologia possa ser apurada, faltará sempre o calor do toque, do afecto. do humanismo e das emoções. Mas os Enfermeiros estarão lá, sempre!

Discutir remunerações e carreiras dos Profissionais de Saúde, é necessário, urgente e incontornável!

Os Enfermeiros trabalham a todo momento com Pessoas que, na sua maioria, estão doentes, estão em sofrimento, têm imensas dores, muitas delas até, em final do seu ciclo vital. Todo este trabalho, anos após anos, provoca desgaste físico, psíquico e emocional, acelerado. Esta realidade não pode ser ignorada. Por isso, a revisão de carreiras e remunerações, é urgente. A classificação da Profissão de Enfermagem, como de desgaste rápido, é uma necessidade e de elementar justiça, que se atribua.

Cabe aqui lembrar que, em 2020 proposto pela OMS, comemorou-se o “Ano Internacional do Enfermeiro”. Por ironia do destino, foram os Enfermeiros que mais sofreram, precisamente com a “Pandemia”, que nos assolou nos anos seguintes. Foram os Enfermeiros – e também os outros Profissionais – que estiveram na primeira linha na luta contra o Sars-Cov-2, pagando até, alguns Enfermeiros, com a própria vida, ou ficando com sequelas até hoje. Foi bem marcante e visível a entrega, o altruísmo, o espírito de missão e o profissionalismo, que os Enfermeiros dedicaram a esta causa e combate. Infelizmente, o reconhecimento que foi feito pelo Governo, para a resolução de velhos problemas, foi nulo. Não faltaram palmas às janelas, mas estas não pagam contas nem restabelecem injustiças de há muitos anos. O Governo Socialista é assim. Destruiu a “Carreira de Enfermagem”, perseguiu e caluniou os Enfermeiros, num enxovalho sem precedentes. Não esquecemos!

A necessidade de recentrar a discussão do SNS relativamente aos RH, ao financiamento, à exclusividade dos seus Profissionais, à revisão de carreiras e ao tipo de gestão que deva ser aplicada aos hospitais, aos Cuidados de Saúde Primários e a filosofia das “Unidades Locais de Saúde”, são uma necessidade urgente e do presente. Os Cidadãos, pagadores de altos impostos, que muitos revertem para os orçamentos da Saúde, merecem melhores cuidados, menor tempo de espera por consultas ou cirurgias das diferentes especialidades. Mas também, estes mesmos Cidadãos contribuintes, devem ser mais exigentes, mais informados e reivindicativos. Isto para dizer também que não pode ser tolerada a falta de educação, nem a violência sobre os Profissionais de Saúde. Isso jamais!

Assim, parece-nos que estão reunidas boas condições de reflexão, de partilha e comunicação, nesta Convenção, com painéis e palestrantes de renome, alguns até, ex-governantes. Assim, o Sr. Ministro da Saúde e o Governo, queiram ouvir!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2023.05.02


A SAÚDE QUE NÃO CABE NUM ALGORITMO

  A SAÚDE QUE NÃO CABE NUM ALGORITMO Quando a tecnologia se torna inteligente, precisamos de comunidades capazes de produzir saúde Fonte i...