segunda-feira, 9 de maio de 2022

O QUE O SARS-COV-2 E A COVID ME FIZERAM - III

Em virtude de vários acontecimentos e vários pedidos, republico de forma sequencial, os meus artigos/crónicas descritivas, já publicadas,
sobre a minha vivência e experiência com o SARS-COV 2.

O QUE O SARS-COV-2 E A COVID-19 ME FIZERAM! - III



Continuação do artigo publicado em 11 e 25/09/2021

Caros Leitores, continuo hoje a escrever para falar de mim. Uma experiência vivida na primeira pessoa-Eu! No exercício de funções fui infectado com o “vírus SARS-CoV-2, tal como tantos outros Profissionais de Saúde, quer em Portugal, quer no Mundo.

Não posso deixar de falar na minha “passagem” pelo Serviço de Urgência durante este percurso doloroso. Serviço cheio. Admissões permanentes. Grande número de doentes em observação. Profissionais assoberbados de trabalho. Avaliação permanente dos doentes e, gestão difícil, devido à limitação de vagas para internamento em consequência da afluência de Doentes Covid.

Nesta esmerada, competente e presença permanente de Enfermeiros e Médicos na monitorização e cuidar do meu preocupante estado de saúde/doença, chega a decisão clínica, após uma vaga ocorrida na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), para a minha transferência para esta Unidade. Quando se concretizou esta transferência para a UCI, contando com a querida e desejada presença da minha Esposa, um Colega que durante a manha cuidou de mim, fez questão de acompanhar a minha transferência para a nova Unidade e, este acompanhamento, fê-lo, apesar de já ter terminado o seu turno de serviço. Mas apesar disso, não saiu de turno sem antes me deixar na UCI. Só há uma palavra – Gratidão!

Chegou o dia de alta dos Cuidados Intensivos e transferência para os Cuidados Continuados/Intermédios, na Unidade de Covid da medicina 8. Que alegria! Mas o receio de regressão e voltar à UCI estava presente, também. Transferido no leito, com oxigênio ligado e vigilância. Sensação diferente à que vivi, quando da Medicina Crítica da Urgência, fui transferido para a UCI.

A estadia neste serviço (piso 8), onde já tinha estado antes de descer à Urgência e depois aos Intensivos, tinha agora, “outro sabor”. Um passo grande de recuperação, embora ainda, num percurso sinuoso a exigir muita vigilância e cautelas. Estar no leito, mas poder olhar pela janela da enfermaria e perceber o dia e a noite, o nascer do dia e o acaso, poder ver o mar, a entrada e saída de barcos de recreio, de pesca artesanal e mercantes, era uma coisa indescritível. As gaivotas que nos visitavam e pousavam no parapeito das janelas, pelo exterior. Coisas comuns, que agora tinham um espírito e “sabor” especial.

Coisas pequenas, mas extraordinárias foram acontecendo. A elevação do leito, o levante para o cadeirão, o banho na cadeira de rodas e por fim duche com ida e vinda pelo próprio pé e o tomar as refeições na mesa da enfermaria. Tanta conquista, já, que me emocionava e que me dava forças para lutar e continuar a viver. Mas a debilidade era grande. Muita massa muscular perdida. Algum desequilíbrio. Enjoos. Dificuldade em dormir, com o padrão do sono alterado. As “amigas” dores músculo-esqueléticas sempre presentes.

As refeições eram muito boas, cuidadas e com reforços de suplementos vitamínicos, para colmatar todas as perdas nutricionais que tinham ocorrido.

O momento era delicado. O contacto com os Familiares e exterior, só por via telemóvel ou telefone. Não havia visitas!

Mais um serviço, tal como os anteriores, e Equipas de excelência, onde para além dos cuidados de saúde prestados, a simpatia e afecto humano se faziam sentir. A preocupação para que o conforto e o bem-estar estivessem sempre presentes, era uma constante. Profissionais de fino recorte na excelência no desempenho com elevado conhecimento científico e humanização nos cuidados.

A Equipa de Enfermagem, apesar de desfalcada, estava sempre presente e dava resposta a todas as solicitações dos doentes graves e menos graves. A Equipa Médica respondia a todas as solicitações. Os Assistentes operacionais complementavam todos os cuidados, necessidades e solicitações, dentro das suas competências. Outras especialidades disseram presente e fizeram o acompanhamento: Fisioterapia/Cinesiterapia, Nutrição.

Os dias foram passando. A bateria de exames, análises e gasimetrias eram diárias. Nada podia faltar e não faltava, mesmo!

Se durante o dia se via a azáfama dos Profissionais, particularmente dos Enfermeiros, a tratar dos doentes, altas e admissões, tudo se complicava no turno da tarde e noite com a Equipa mais reduzida, mas uma intensidade de trabalho brutal. Mas o sorriso, a competência, o conhecimento científico, o olhar atento e clínico para o não-verbal dos doentes, era/é uma característica destes heróis, apesar dos semblantes de cansaço, das “olheiras” e de muitos quilómetros nas pernas, durante os turnos.

Há gestos que jamais podemos esquecer. A Enfermeira Gestora deste Serviço, minha Colega da Especialidade, tinha sempre um gesto de muito carinho, um miminho permanente: o envio de um café pós refeição do almoço. E no dia da alta hospitalar, o especial café vinha acompanhado por dois “bolos húngaros”, que a Colega tinha comprado na pastelaria, logo pela manhã, expressamente para mim.

Cá fora as preocupações com o meu estado de saúde eram muitas. Os Colegas da minha Unidade de Saúde, das diferentes classes profissionais, disseram sempre presente. Os meus Colegas, uns ainda no activo, outros já jubilados, de outra Unidade, com quem trabalhei e trabalho, fizeram uma corrente de fé, orações e de energia positiva, por mim. Muitas e muitas pessoas telefonaram à minha Esposa, aos meus Pais, a inteirarem-se do meu estado de saúde. A TODOS, estou-lhes muito grato. Não posso esquecer ninguém!

No dia da alta hospitalar, ver o meu filho mais velho na portaria do hospital para me trazer para casa, foi uma sensação indescritível. Voltar a ver aqueles olhos de diamante, com a cor do doce mel, foi fabuloso. Voltar a ver os meus Pais, embora à distância, prevenindo riscos desnecessários, ver a minha casa e sentir o abraço dos meus Filhos e Esposa, foi/é extraordinário e difícil de explicar. Ainda hoje o é! Muita emoção junta, muitas sensações únicas! Fazer o trajecto de regresso a casa, olhando e sentindo o mar, voltar a “viver o meu espaço”, não é traduzível em palavras!

Humberto Domingues
Enf. Especialista Saúde Comunitária
2021.10.09

O QUE O SARS-COV-2 E A COVID-19 ME FIZERAM - II

Em virtude de vários acontecimentos e vários pedidos, republico de forma sequencial, os meus artigos/crónicas descritivas, já publicadas,
sobre a minha vivência e experiência com o SARS-COV 2.

O QUE O SARS-COV-2 E A COVID-19 ME FIZERAM! - II



Continuação do artigo publicado em 2021.09.11

Caros Leitores, continuo hoje a escrever para falar de mim. Uma experiência vivida na primeira pessoa-Eu! No exercício de funções fui infectado com o “vírus SARS-CoV-2, tal como tantos outros Profissionais de Saúde, quer em Portugal, quer no Mundo.

Houve dias de dolorosas experiências…

Durante esta luta e resistência, só me lembrava que ainda era novo para partir, ia deixar as pessoas que mais amo para sempre – a minha Esposa, os meus Filhos, os meus Pais e o meu Irmão. Muitos Colegas estiveram presentes nestes pensamentos de despedida e de angústia. Tinha ainda tanto para viver e merecia viver mais!

Mas… a vida deu-me uma segunda oportunidade. Para além dos saberes da ciência e da medicina, uma força maior e divina esteve ao meu lado, com certeza, que me manteve vivo! Eu acredito nesta força divina!

A vivência nos Cuidados Intensivos e nos outros Serviços da ULSAM, neste internamento, obrigou-me a dar outro valor ao tempo, à noção do tempo e à vida. Um tempo mais demorado, mais marcado. Tudo passa a ser importante. O risco presente e vivido de se morrer, faz-nos estabelecer prioridades, relativizar muitas coisas e vontade de viver cada momento diferente, experiência ou situação, junto de quem amamos e queremos, com um sabor e prazer diferentes. E há tanta coisa boa para viver e desfrutar, e que na nossa correria desenfreada do dia-a-dia, nem notamos nem damos valor.

Nesta difícil e horrenda experiência, o MEDO, algo impessoal, invisível, abstrato, mas que marcou presença e que se fez sentir e me fez perceber a sua dimensão nociva e aterradora, nas suas variadas formas – obrigou-me a pensar muito e a temer sempre o pior! À pergunta se tive medo de morrer? Respondo: Sim tive! Tive muito, muito medo de morrer. E mais medo de morrer sem ter a oportunidade de me despedir de ninguém… de quem mais amo…de quem queria dizer… até um dia na imensidão… ou no céu para os crentes!

Os dias de internamento foram passando, perdendo-se a noção do tempo, se é noite ou dia. A frescura e brancura dos lençóis da cama acolhiam o meu corpo com toda a suavidade, diminuindo o impacto do mergulho da solidão de uma cama hospitalar e as dores esqueléticas que o vírus me impunha. Alguma orientação, em função das refeições, de resto, tudo é abstrato, distante, impessoal por estarmos entre paredes de vidro, isolados, na solidão dos “pis pis” das máquinas que me monitorizavam, mas sempre vigiado pelo olhar dos incansáveis Enfermeiros de turno! Algo de bom que sentia, era quando algum Profissional de Saúde, muito frequentemente me vinha “visitar”, perguntar como estava, se precisa de algo, ou dar “notícias” sobre a evolução, principalmente, após as gasimetrias.

A hora da higiene, pela manhã, era boa, porque apesar de impossibilitado de o fazer, os Colegas Enfermeiros proporcionavam o banho no leito, cama mudada, reposicionamento do corpo, e a preocupação sempre presente para proporcionar conforto físico e psíquico. Impossibilitado de me barbear, uma Colega Enfermeira, dedicou-me alguns minutos, ao barbear-me e oferecendo-me esse conforto. Todos os Profissionais extremosos e preocupados com o meu bem-estar, físico, emocional e o equilíbrio bio e psíquico.

A máscara facial de ventilação mecânica não invasiva de oxigenoterapia, “eterna companheira” destes dias dolorosos, não podia ser retirada! Apenas substituída por cânula nasal de alto fluxo, e rapidamente, por cânulas bi-nasais, quando chegava a hora da refeição. As saturações de oxigênio caíam rapidamente ao esforço com as mobilizações e posicionamentos para tomar as refeições. Após a ingestão dos alimentos, era imperativo o recolocar da máscara, sempre muito bem adaptada!

Percebia, nas rotinas, quando havia necessidade de fazer alguma punção para a gasimetria arterial, uma vez que a punção central, já se tinha perdido, por exteriorização do cateter, ao fim de alguns dias. A esperança estava sempre presente, quando este sangue arterial agora colhido, me trouxesse boas notícias e de evolução. No princípio muito poucas vezes aconteceu. Na maior parte, resultados eram estáveis, perto da linha d’água (da vida ou da morte). Às vezes sim, boas notícias, as saturações tinham melhorado 1%, 5%, 15%. Que alegria! A esperança renascia! E assim foram 11 dias nos Cuidados Intensivos.

Humberto Domingues
Enf. Especialista Saúde Comunitária
2021.09.21

O QUE O SARS-COV-2 E A COVID-19 ME FIZERAM - I

Em virtude de vários acontecimentos e vários pedidos, republico de forma sequencial, os meus artigos/crónicas descritivas, já publicadas, 
sobre a minha vivência e experiência com o SARS-COV 2.

O QUE O SARS-COV-2 E A COVID-19 ME FIZERAM! - I


Caros Leitores, hoje escrevo para falar de mim. Uma experiência vivida na primeira pessoa-Eu!

No exercício de funções fui infectado com o “vírus SARS-CoV-2, tal como tantos outros Profissionais de Saúde, quer em Portugal, quer no Mundo.

Após uma noite mal dormida e com sintomas do gênero de uma gripe forte, fiz o teste nesse mesmo dia e no dia seguinte tinha o resultado confirmado: “positivo para SARS-CoV-2”. Recolhimento ao domicílio e vigilância sobre os sintomas e estado de saúde.

Passados dois dias, recorro à urgência para reavaliação face a ligeiras queixas, não de “falta de ar” (dispneia), mas aumento da temperatura corporal. Feito RX torax e gasimetria arterial, os resultados apresentaram-se “normais” e portanto, sem razões para internamento, mas a necessária vigilância.

Seguiram-se 4 dias sem melhoras nenhumas, noites mal dormidas, uma actividade cerebral enorme e a temperatura corporal na ordem dos 38 a 39º, embora sem queixas de dispneia. Perante este estado de coisas, recorro ao S.U. de onde já não saí, ficando internado. O percurso depois foi demorado e doloroso, com passagem por vários serviços – Medicina critica, Cuidados Intensivos, Cuidados Continuados e finalmente, ao fim de 3 semanas, alta hospitalar.

A experiência mais assustadora:

Numa das noites nos Cuidados Intensivos “senti que ia partir desta vida terrena”, que ia morrer! Uma experiência horrenda! Uma personagem só com a face em caveira e o frontal do crânio, com uma cabeleira enorme e preta para trás, com um vestido negro, estende-me o braço direito, só em ossos, e com a ossada da mão direita, chama-me para junto dela, à entrada de um túnel negro, muito escuro e longo, com figuras também horrendas, bizarras e assustadoras, que esvoaçavam e outras estavam fixas nas paredes. As investidas eram grandes, e eu a tentar defender-me! Depois de muita resistência da minha parte, numa luta esgotante, e muita insistência da “personagem aterradora” que me queria levar, esta atira-me pequenos panfletos em forma rectangular de cor violeta escura, brilhante. Assustador! Terrorífico! Nunca antes vivido. Depois afasta-se de mim, numa atitude e “sorriso” de escárnio, menosprezo, assustador e ameaçador. Imagem horrenda!

Houve dias de dolorosas experiências…Durante esta luta e resistência, só me lembrava que ainda era novo para partir, ia deixar as pessoas que mais amo para sempre – a minha Esposa, os meus Filhos, os meus Pais e o meu Irmão. Muitos Colegas estiveram presentes nestes pensamentos de despedida e de angústia. Tinha ainda tanto para viver e merecia viver mais!

Os dias vividos nos Cuidados Intensivos, com os pulmões bastante infectados, com saturações de oxigénio muito baixas foram muito dolorosos. A incerteza de melhoras pairava… Vivi grande parte destes dias com a máscara de oxigénio em ventilação não invasiva permanentemente colocada, sempre muito bem apertada e ajustada à cabeça e à face com “tiras elásticas” para evitar fugas e perdas de O2 e assegurar uma ventilação eficaz e mais altas saturações de oxigénio, Ao fim de pouco tempo, torna-se incômoda e até dolorosa. Foi algo difícil de suportar. Após vários dias de uso desta mâscara, houve zonas da face que ficaram magoadas pelo apoio e aperto que suportaram, apesar da colocação de materiais de protecção e prevenção de feridas. Foram vários dias de permanência no leito, que cada vez se foram tornando mais dolorosos e desconfortáveis, em qualquer decúbito, apesar dos cuidados que me foram prestados de prevenção de escaras. A mobilização na cama era dolorosa. Dores articulares e musculares, astenia… perda de muita massa muscular, falta de ânimo… Os levantes do leito para o cadeirão, começaram por ser tímidos devido à falta de ar (dispneia) com os movimentos, mas também toda a funcionalidade músculo-esquelética estava debilitada, comprometida e por isso, não funcional. O medo de não mais recuperar… a impossibilidade de andar a pé, pelo próprio pé, estava muito presente. Associado a tudo isto, a incapacidade para a higiene pessoal diária, de forma autônoma. O padrão de sono alterado. No início, custa ouvir todos aqueles “pis pis” das máquinas que nos monitorizam. Depois habituamo-nos. Quando acontece o primeiro banho de corpo inteiro no duche, pelo próprio pé, apesar de vigiado para prevenção de quedas… uma grande conquista! Qual pudor, qual pensamento… constrangimento… algum… mas vamo-nos habituando, também.

Nesta difícil e horrenda experiência, o MEDO, algo impessoal, invisível, abstrato, mas que marcou presença e que se fez sentir e me fez perceber a sua dimensão nociva e aterradora, nas suas variadas formas, obriga-nos a pensar muito e a temer sempre o pior! A minha Família esteve sempre presente nos meus pensamentos. Fisicamente não era possível estarem comigo. Apenas a minha esposa pode estar, numa fugaz visita, (num momento para se despedir de mim até à eternidade) e por ser Técnica Superior de Saúde na Instituição Hospitalar. Tive muito, muito medo de morrer. Sim tive! E mais medo de morrer, ainda, sem ter a oportunidade de me despedir de ninguém… de quem mais amo…

Mas… a vida deu-me uma segunda oportunidade. Para além dos saberes da ciência e da medicina, uma força maior e divina esteve ao meu lado, com certeza, que me manteve vivo! Eu acredito nesta força divina!

No dia da alta hospitalar, ver o meu filho mais velho na portaria do hospital para me trazer para casa, foi uma sensação indescritível. Voltar a ver os meus Pais, a minha casa e sentir o abraço dos meus Filhos e Esposa, foi/é extraordinário e difícil de explicar. Ainda hoje o é!

Pensei muito, muito na minha Família. Pensei muito na minha Avó já falecida, que foi uma estrelinha que também me protegeu. Pensei em Deus, na Srª. de Fátima e em S. Pedro de Varais (Santo da minha Freguesia). Acredito que houve uma força maior, algo divino, que me protegeu.

P.S. – Uma palavra de agradecimento ao Sr. Director, Dr. Paulo Monteiro, do Jornal “Correio do Minho”, que manteve a sua disponibilidade para retomar a colaboração e publicação das minhas crónicas, interrompidas desde Janeiro/2021, devido à Covid-19.

Humberto Domingues
Enf. Especialista Saúde Comunitária
2021.09.10

sexta-feira, 6 de maio de 2022

ENFERMEIROS E TODOS PELA SAÚDE, EM CONGRESSO!

 ENFERMEIROS E TODOS PELA SAÚDE, EM CONGRESSO!

 


A Ordem dos Enfermeiros, com um título muito feliz –“Todos pela Saúde”- vai reunir em Congresso de 5ª. feira a sábado, na linda cidade dos Arcebispos-Braga. Um Congresso que conta com 1400 inscritos/participantes, com representações, comitivas e congressistas da Europa e dos PALOPs. Também representantes das várias Ordens dos Enfermeiros destes países.

A expectativa é de que seja um Congresso fabuloso, tocando inúmeras temáticas cruciais e indispensáveis, focadas no cuidar, no tratar, na investigação e a necessidade de investimento quer em recursos humanos, quer em instrumentos, tecnologia, telemedicina, instalações e infraestruturas, face à necessidade de dar respostas certas, oportunas e com equidade e em tempo útil, ao Cidadão doente e à Comunidade. Não faltará a dimensão religiosa e o cuidado espiritual. No fundo adequar ferramentas e conhecimentos para um “Sistema de Saúde” e para a promoção da literacia em saúde.

Os Enfermeiros são parceiros insubstituíveis com o seu saber, especialização, forma de ver holisticamente o Cidadão/Família/Comunidade, na composição das equipas multidisciplinares, cada vez mais necessárias e imprescindíveis, nas decisões de intervenção, tratamento, reinserção e alta.

Falar hoje em Saúde, para a Saúde e suas “latitudes”, deixou de ser “propriedade única” de uma profissão ou classe, seja ela qual fôr! A especificidade e o sentido da palavra “SAÚDE” é hoje de tal forma amplo, abrangente, complexo e desafiador, que nenhuma classe profissional, só por si, consegue dar resposta às necessidades e exigências que se colocam aos profissionais de saúde. Se por um lado a “BIO” do indivíduo sofre “anomalias” devido a disfunções, malformações, afectação por outros agentes químicos e/ou biológicos, é bem certo também, que o ambiente, a natureza, o ADN, a origem geográfica do indivíduo, têm influência no seu estado de saúde. As equipas de saúde têm que perceber e bem, esta realidade global, “mutante” e de mobilidade, para intervir localmente e em cada comunidade, acertadamente.

No âmbito da gestão, a saúde tem recursos finitos. Estes são cada vez mais escassos e caros. Face ao aumento da esperança de vida, as comorbilidades e às exigências e necessidades do presente e, as que se adivinham para um futuro muito próximo, há que ter no horizonte a necessidade de recrutar, formar e fixar aos quadros das instituições, mais profissionais de saúde, entre os quais Enfermeiros, que hoje já são deficitários no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Há necessidade de criar e oferecer condições de carreira e remunerações atrativas para que estes não emigrem. O SNS não pode perder o seu know-how com a “sangria” de profissionais e o desinvestimento que se vem sentindo. O SNS robusto, faz falta aos Cidadãos e a Portugal. Basta pensar, com a Pandemia, se Portugal não tivesse o SNS, como seria? Na vacinação COVID, se não tivesse os Enfermeiros que tem, como alcançaria a excelente taxa de cobertura e vacinação?

Os Cidadãos têm o dever e o direito de exigir boas condições de tratamento, mas para isso, devem compreender, permitir e exigir bons e competentes profissionais que lhes prestem bons cuidados, em condições condignas.

Hoje com toda a experiência tida e vivida, sabemos da necessidade de reflectir sobre o futuro do Sistema de Saúde: O que temos, o que queremos e o que somos capazes de conseguir, construir e organizar. Que recursos terá este Sistema de Saúde e que orçamento lhe estará reservado? Os Enfermeiros não ficarão arredados desta sadia, urgente e necessária discussão, com participação activa. Têm um manancial enorme de contributos, visão e opinião fundamentada que só engrandece esta discussão. Ficará provado neste Congresso, com a partilha de muito trabalho de investigação, com evidência científica, que são contributos a acolher, para conseguirmos uma “boa Saúde para Todos”. Mas também, não pode haver, seja qual for o modelo de Sistema de Saúde, capaz, moderno, evolutivo e de resposta às necessidades em Saúde, se os seus profissionais não forem os melhores, mais motivados e remunerados.

Em Portugal precisamos de fazer, também na Saúde, uma profunda e séria reflexão sobre os seus Recursos Humanos. Não há dúvida de que os Enfermeiros têm uma profissão de risco e de desgaste rápido. A idade da reforma tem de ser repensada. Com a Pandemia podemos verificar que se acentuou o desgaste físico, psicológico e os altíssimos níveis de stress a que os Enfermeiros estiveram sujeitos e expostos! Estas questões são evidências, não são especulações! O Governo tem que seriamente abrir o debate sobre estas questões, chamar os parceiros à mesa de efectivas negociações e resolver de uma vez, alguns assuntos, que só por cegueira política e preconceitos ideológicos, ainda não foram resolvidos.

Quanto ao Congresso dos Enfermeiros – TODOS PELA SAÚDE – vai escrever-se na história da Ordem, na cidade dos Arcebispos, com partilha com a Europa e com os PALOPs, mais uma página de ouro, de riqueza científica e de dinâmica de trabalho e do conhecimento.

 

Humberto Domingues

Enf. Espec. Saúde Comunitária

2022.05.03

terça-feira, 3 de maio de 2022

sábado, 23 de abril de 2022

QUE LIBERDADES E VALORES DO 25 DE ABRIL, QUEREMOS?

 QUE LIBERDADES E VALORES DO 25 DE ABRIL, QUEREMOS?


Estamos perto de comemorar os 50 anos da “Revolução de Abril”. Temos até Já, mais tempo de democracia do que os anos de ditadura.Com o 25 de abril construiu-se a ideia romântica da conquista da liberdade e direitos “iguais para Todos”!

E eis que, precisamente na preparação destes 50 anos do 25 de Abril de 1974, o responsável por esta preparação e organização cerimoniosa é o que expõe uma das muitas desigualdades que a democracia nos trouxe, ao auferir um vencimento de vários milhares de euros (4.500€/mês). Este vencimento é atribuído ao “Comissário” (do PS) Executivo das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, com início destas comemorações a 24 de Março de 2022, terminando a 31 de Dezembro/2026. Entretanto, este mesmo “Comissário” é nomeado Ministro da Cultura, no XXIII Governo Constitucional.

Quantos Cidadãos auferem este vencimento mensal? Quantas pessoas têm como reforma este valor? Quantos cidadãos têm como rendimento 4.500€ anuais, até? Incompreensíveis estas “igualdades” de Abril!

Apesar da melhoria da qualidade de vida, que é indiscutível, acesso à educação, à saúde e à segurança social, hoje estamos, em certa medida e em relação a momentos já vividos, em regressão a esses valores e condições de vida, desta jovem democracia.

As condições de trabalho são medianas, os vencimentos e remunerações são baixos. Um salário mínimo baixo e o salário médio que se esbate em achatamento, na aproximação ao mínimo e não, na progressão idêntica à valorização do salário mínimo.

Apesar do direito à saúde ser uma conquista importante e a existência de um Serviço Nacional de Saúde (SNS) inquestionável, o acesso aos cuidados de saúde é francamente desigual, desequilibrado e sem equidade. Faltam profissionais de saúde, nomeadamente Enfermeiros, para dar uma cabal resposta às necessidades reais de cuidados de saúde aos cidadãos doentes.

A política não actua de forma igual, na defesa e expressão livre dos cidadãos, servindo antes, interesses partidários e opções menos claras e transparentes, em favor de uma reduzida “casta”. O Estado não protege, não compensa, nem repõe como devia, o património dos Cidadãos, que cabia ao Estado proteger. Muitos partem desta vida terrena, sem verem os seus bens e direitos repostos, em tempo e com justiça: veja-se os casos dos incêndios de Pedrogão, indemnizações a bombeiros feridos e queimados, a polícias agredidos e mortos no desempenho de funções, enfermeiros, médicos e professores agredidos, quando ao serviço dos Cidadãos, etc.!

Cidadãos que trabalham uma vida, cheia de sacrifícios e pagamento de exorbitantes impostos, auferem míseras reformas, muitas delas andando nas escassas três centenas de euros, muito inferiores aos subsídios de muitos que não querem trabalhar (Rendimento Social de Inserção) ou então de imigrantes e/ou refugiados (não estou a falar nos de agora-Ucrânia) subsidiados pela UE.

Vemos estádios de futebol cheios de pessoas, de agressões e impropérios, mas “ocos” de riquezas de outra cultura ou valores!

Vemos a exigência de muitos direitos, mas o contributo para os deveres com a Sociedade, sempre adiados.

Vemos um Estado gastador e capturado pelas clientelas partidárias, onde impera na ocupação dos lugares e boas colocações, a afinidade com o cartão de militância (hoje mais do que nunca), em desfavor da competência, da capacidade de trabalho e de gestão de recursos e do serviço prestado aos Cidadãos.

Vemos uma imprensa (não toda) sem isenção, vergada ao poder político vigente, que influencia, que deturpa, com grandes lacunas de rigor e de erros ortográficos, de escrita e de informação tendenciosa, diária e permanente. Esta Imprensa, hoje, capturada por subsídios governamentais – aqueles 15 milhões, lembram-se?

Vemos uma Sociedade acomodada, pouco exigente, pouco empreendedora e manifestamente tolerante com a perda de direitos. Uma Sociedade acantonada no nada e assustada, maquiavelicamente manipulada!

Como alguns dizem, rostos e valores de Abril esquecidos ou que se tentam fazer esquecer. Desvalorização de um 25 de Novembro/75, onde verdadeiramente se estabilizou a democracia representativa em Portugal.

E precisamente, um dos grandes obreiros da estabilidade e do equilíbrio democrático, General Ramalho Eanes, o primeiro Presidente da República eleito, que nas comemorações dos 40 anos das Eleições Presidenciais em democracia, profere uma frase provocatória, filosófica e real: “A República de Abril oferece todas as liberdades, mas esqueceu-se que é necessário criar cidadãos, sobretudo através da educação. Pouco se fez para que a cidadania adulta, exigente e participativa existisse.” Isto foi em 2016. Hoje, em 2022, mais evidente e mais sentido faz esta frase.

Temos uma Justiça lenta, desigual, cara e que, quando julga, muitas vezes não se faz justiça, face ao lapso de tempo entre o início e a sentença transitada em julgado. Assim… não há justiça, justa!

Chegados aqui, interessa perguntar:

Que liberdades, que igualdades, que oportunidades, que pensamento crítico, que Abril nos quis trazer e quais os que ainda existem? Quais os que a Sociedade deve rejeitar, promover e fortalecer? Quais os que deve recusar, logo?

Quais os desígnios que a Sociedade Portuguesa vai querer manter, contra atropelos e complexos ideológicos?

Quais os que deve afirmar e defender num País e numa Europa pluralista?

Terá a Nossa Sociedade capacidade, sem fundamentalismos, nem preconceitos, para se insurgir contra a tentativa do apagamento de um passado glorioso, conquistador e corajoso? E que coragem lhe restará hoje, para combater as ditaduras (ainda que encapotadas), os radicalismos de esquerda ou direita, e defender o pluralismo e os direitos do Homem, com princípios e valores humanistas e de respeito pelas diferenças e minorias?

Humberto Domingues

Enf. Espec. Saúde Comunitária

2022.04.20

sábado, 9 de abril de 2022

VI CONGRESSO DOS ENFERMEIROS

 VI CONGRESSO DOS ENFERMEIROS


Já está disponível o programa completo do VI Congresso dos Enfermeiros, que decorre de 5 a 7 de Maio, em Braga. 

Conheça os oradores, os temas e informe-se sobre todas as sessões que vão decorrer no Grande Auditório, Pequeno Auditório e Consultórios. Contamos com todos!

Link:
https://www.congressodosenfermeiros.com/programa/programa-resumo?rooms=Grande+Audit%C3%B3rio&days=05+Maio
Fonte: Ordem dos Enfermeiros 

GOVERNO NOVO, PROBLEMAS VELHOS!

 GOVERNO NOVO, PROBLEMAS VELHOS!

 


No passado dia 30 de Março, tomou posse, perante Sua Excelência o Presidente da República, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, o XXIII Governo Constitucional, liderado pelo Sr. Primeiro-Ministro, Dr. António Costa. Governo este suportado pela expressiva votação que lhe deu maioria absoluta.

É um Governo novo, mas com muitos Ministros e Secretários de Estado que transitaram o anterior executivo, como é o caso da Sr. Ministra da Saúde, Doutora Marta Temido. Para além de ser um Governo novo, trás consigo problemas velhos, que vêm de anteriores Governos do Partido Socialista e de outros, também!

Assim, com um novo Governo que mereceu a concordância do Sr. Presidente da República e com a larga maioria absoluta no respaldo do plenário da Assembleia da República, não há desculpas, nem com a “Pandemia”, nem com a “guerra” nem com falta de apoio político, para que o Governo não faça e não corrija as desigualdades, as injustiças e os erros do passado, nomeadamente no SNS e com os Profissionais de Saúde, onde sobressaem, os Enfermeiros.

Podemos dizer que chegou o momento da verdade!

Sendo certo que, com a apresentação do Programa do Governo e aprovado o Orçamento de Estado, com 6 meses do ano já decorrido, pouco haverá a fazer, mas há sempre tempo para iniciar o cumprimento de promessas eleitorais, como por exemplo a reposição dos pontos de contagem de tempo aos Enfermeiros, em 2022, como afirmou o Sr. Primeiro-Ministro, se o Governo não tivesse “caído”, o Orçamento chumbado e a Assembleia da República dissolvida.

·        Reconhecimento da Profissão de Enfermagem como de desgaste rápido e atribuição de subsídio de risco;

·        Atribuição da reforma aos 60 anos de idade;

·        Abertura de concursos para Enfermeiros Especialistas e Enfermeiros Gestores;

·        Colmatar as faltas de Enfermeiros nas diferentes Regiões do País, nos Hospitais, Centros de Saúde e Unidades Funcionais;

E será o momento da verdade também, para:

·        Posicionamento dos diferentes Grupos Parlamentares, face às propostas do Governo, nomeadamente, para o SNS e para a Carreira de Enfermagem, e contagem dos pontos de tempo de serviço;

·        Postura dos Sindicatos dos Enfermeiros, dos Médicos e da Função Pública;

·        Daqui para a frente,  o que dirá, o que fará e que autoridade usará Sua Excelência O Presidente da República, Prof Doutor Marcelo Rebelo de Sousa?

Como cidadão e como Enfermeiro, que acredito plenamente no SNS e nas suas virtudes, desejo à Srª. Ministra, as melhores felicidades e um bom mandato do seu ministério, ao serviço da Nação. Desejar as melhores felicidades à Srª. Ministra da Saúde é desejar que passe a escutar, respeitar e dialogar com os Enfermeiros, como Classe mais numerosa do SNS e resolva as injustiças que perpetrou até agora, numa luta política nunca antes vista. É desejar que sejam cumpridas as dotações seguras nos serviços, para bem dos Cidadãos doentes e dos profissionais, também. É desejar que deixe de haver urgências e serviços de Pediatria encerrados por falta de médicos. É desejar que as grávidas possam dar à luz nas suas regiões e não tenham que fazer 200 e mais quilómetros, para os hospitais de Lisboa, por falta de Equipas nos seus hospitais de referência. É desejar que as listas de espera de cirurgias e primeiras consultas de especialidades não sejam adulteradas e efectivamente se reduza o tempo de espera.

Permita-me Srª. Ministra lembrar-lhe que, os políticos passam e o seu poder é efémero, mas as instituições ficam. O SNS é uma instituição, já com mais de 40 anos, que merece todo o respeito, assim como os Enfermeiros e todos os outros Profissionais de Saúde, porque estes serão sempre técnicos, e são eles, que asseguram a qualidade dos cuidados prestados ao Cidadão e, por isso mesmo, merecem o seu maior respeito. É tempo de abrir o diálogo, conversações, negociações e trabalho conjunto profícuo, deixando para trás as desconfianças, os insultos, a perseguição e as difamações. Este seria o momento certo de pacificação e diálogo que aconteceria, com a responsabilidade política aumentada da Srª. Ministra da Saúde, sendo certo que esta responsabilidade política é também repartida em grande medida, para o bem e para o mal, com o Sr. Primeiro-Ministro, Dr. António Costa.

Assim, sem sofismas nem cinismo, desejo que a Srª. Ministra da Saúde possa (re)entrar, agora, com o “pé direito” no seu Ministério, e que o período de campanha eleitoral e eleições lhe tenham dado um pouco de humildade, aumentado a capacidade de ouvir e escutar os Enfermeiros e respeitar as diferenças, para uma sadia convivência democrática, em favor do cidadão que merece ser cuidado, tratado e atendido na sua dimensão holística, com um SNS à altura dos seus desígnios constitucionais. E também, porque a 7 de Março se comemora o “Dia Internacional da Saúde”.

Humberto Domingues

Enf. Espec. Saúde Comunitária

2022.04.07

quinta-feira, 7 de abril de 2022

DIA MUNDIAL DA SAÚDE-7 DE ABRIL

 DIA MUNDIAL DA SAÚDE-7 DE ABRIL

“Nosso planeta, nossa saúde” é o tema deste ano do Dia Mundial da Saúde, que se assinala a 7 de Abril desde 1950. Todos os dias os Enfermeiros ajudam a construir um mundo mais saudável! Este dia também é vosso #ordemenfermeiros #ninguemestasozinho #oms #worldhealthyday

Fonte Ordem dos Enfermeiros 

Humberto Domingues 

Enf. Espec. Saúde Comunitária 

2022.04.07

quinta-feira, 31 de março de 2022

O MOMENTO DA VERDADE

 O MOMENTO DA VERDADE


Agora sim, chegou um dos momentos da verdade:

• Apresentação do Programa do Governo Socialista,  de maioria absoluta;

• Apresentação do Orçamento de Estado para 2022, deste mesmo Governo Socialista;

• Cumprimento de algumas promessas eleitorais;

• Posicionamento dos diferentes Grupos Parlamentares, face às propostas do Governo, nomeadamente, para o SNS e para a Carreira de Enfermagem, e contagem dos pontos de tempo de serviço;

• Postura dos Sindicatos dos Enfermeiros, dos Médicos e da Função Pública;

• Daqui para a frente,  o que dirá, o que fará e que autoridade usará Sua Excelência O Presidente da República, Prof Doutor Marcelo Rebelo de Sousa?

Humberto Domingues

Enf. Espec. Saúde Comunitária 

2022.03.31

domingo, 27 de março de 2022

MEDALHAS E COMENDAS DE OURO OU PECHISBEQUE?

 MEDALHAS E COMENDAS DE OURO OU PECHISBEQUE?



Através de Despacho da Srª. Ministra da Saúde, Doutora Marta Temido, de 17 de Fevereiro/2022 e publicado em DR de 11 de Março/2022, através do Despacho nº. 3055/2022, foram condecoradas várias individualidades, personalidades e instituições que se distinguiram “no contexto da resposta à pandemia de covid-19”, que a todos afectou, já sacrificados com a crise que se fazia sentir.

Os Profissionais de Saúde – Enfermeiros, Médicos, as diferentes classes de Técnicos Superiores e Operacionais – não escaparam de forma alguma à “pandemia”. Viveram-na de duas formas: Primeiro: a assegurar o funcionamento dos serviços em turnos imensamente intensos, esgotantes, longos e trabalhosos. Segundo: Muitos destes Profissionais infectaram-se no local de trabalho e passaram a viver dias e semanas angustiantes do “outro lado”, agora na condição de doentes. Alguns faleceram! Mas todos foram esquecidos neste Despacho!

No desempenho de funções, como todos os Cidadãos viram e sentiram, muitos destes Profissionais, nomeadamente Enfermeiros, deixaram de ir para casa, deixaram a Família, passaram a pernoitar e a viver noutros espaços, quartos e apartamentos, alguns deles cedidos gratuitamente, durante alguns meses.

Fizeram turnos longos, desgastantes e sofridos, dentro de fatos blindados e calafetados, com mascara, viseira e todo o desconforto daí decorrente. Asseguraram turnos e serviços em exaustão e burnout, evitando a rotura de serviços e instituições de Saúde.

Programaram, asseguraram e escalaram todo o período vacinal contra a covid-19, com galhardia, altruísmo, dedicação e profissionalismo, sem gozo de folgas, nem férias e com horários longos, prolongados e esgotantes.

Portugal alcançou uma alta taxa de vacinação o que veio a ser muito positivo nas vagas covid que se sucederam, diminuindo as taxas de mortalidade e novas infecções. Todos os indicadores desta “pandemia” começaram a melhorar em consequência desta entrega e trabalho abnegado de Enfermeiros Médicos, Assistentes Operacionais e todos os outros Profissionais.

Eis que, perante tudo o vivido em condições muito dolorosas e de falta de recursos, Sua Excelência o Presidente da República, decide atribuir a mais alta condecoração ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) “como Membro Honorário da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito”. De seguida a Srª. Ministra da Saúde, por despacho acima referido, decide conceder a “medalha de serviços distintos do Ministério da Saúde, grau ouro” a várias entidades, personalidades e serviços. Até aqui tudo bem. Mas… que estranho… não estarem em evidência e também condecorados Enfermeiros, Médicos e Todos os outros Profissionais de Saúde, que foram essencialmente os grandes pilares da sustentação de todos os serviços durante esta longa jornada – a “Pandemia Covid”?

Chegados aqui, registamos mais uma vez a ingratidão da Srª. Ministra da Saúde, Doutora Marta Temido, e do Governo, para com os Enfermeiros!

Tenho para mim, que as condecorações e comendas não devem ser banalizadas e servem para agradecer, realçar e valorizar, servindo como exemplo, actos de galhardia, altruísmo e valor, reconhecendo-se perante a Sociedade, esses mesmo actos e valores. Assim sendo, ou todo o trabalho desenvolvido pelos Profissionais de Saúde, tem um valor altíssimo, que nenhuma comenda ou condecoração poderão agradecer e por isso a Srª. Ministra da Saúde não está ao nível de a poder decidir, atribuir e condecorar, ou o seu inflamado ego impediu-a de avaliar com clarividência, justiça, bom senso e isenção, o valor dos Profissionais que tem sob sua tutela, o que é um viés grande para um membro do governo de qualquer país e sobretudo com a pasta da Saúde.

Se por um lado, os Enfermeiros não estão à espera e não querem palmadinhas nas costas, nem condecorações ou comendas forçadas com cheiro a bafio e cínicas, por outro lado, como qualquer Humano ou Classe Profissional, gosta de ser reconhecido por todo o valor, entrega, altruísmo e profissionalismo que oferecem no desempenho das suas funções, particularmente durante tão agreste, esgotante e demolidor período que foi a “Pandemia”.

De forma tendenciosa e com uma enorme falta de isenção e cheia de preconceitos e estados de alma, como a Srª. Ministra da Saúde atribuiu a condecoração de “Medalha-Grau Ouro”, motiva com certeza, indignação aos Enfermeiros e Médicos. Mas sendo assim, com esta decisão da Srª. Ministra, retirou uns bons quilates de valor a este ouro, desta medalha, correndo-se o risco de se transformar esta medalha em latão ou pechisbeque, retirando com isso mérito merecido a quem foi condecorado. E quem foi condecorado, com este “pechisbeque”, como se sentirá? Não estranharam a falta de reconhecimento de Enfermeiros e Médicos?

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2022.03.26

quinta-feira, 24 de março de 2022

PACIÊNCIA NOS DIAS DE HOJE

PACIÊNCIA NOS DIAS DE HOJE


Apesar dos factos do presente e a incerteza  perspectivada para o futuro...

O momento exige serenidade.

Um olhar com atenção para os tempos que aí vem.

Construção de uma estratégia inteligente.

Saber utilizar bem as "pedras no tabuleiro".

Não se distrair com provocações ou factos artificiais.

O tempo é sábio. E ter paciência, uma qualidade.


Humberto Domingues

Enf. Espec. Saúde Comunitária 

2022.03.23

terça-feira, 15 de março de 2022

MEDALHAS E COMENDAS DE OURO OU PECHISBEQUE?

MEDALHAS E COMENDAS DE OURO OU PECHISBEQUE?


Através de Despacho da Srª. Ministra da Saúde, Doutora Marta Temido, de 17 de Fevereiro/2022 e publicado em DR de 11 de Março/2022, através do Despacho nº. 3055/2022, foram condecoradas várias individualidades, personalidades e instituições que se distinguiram “no contexto da resposta à pandemia de covid-19”, que a todos afectou, já sacrificados com a crise que se fazia sentir.

Os Profissionais de Saúde – Enfermeiros, Médicos, as diferentes classes de Técnicos Superiores e Operacionais – não escaparam de forma alguma à “pandemia”. Viveram-na de duas formas: Primeiro: a assegurar o funcionamento dos serviços em turnos imensamente intensos, esgotantes, longos e trabalhosos. Segundo: Muitos destes Profissionais infectaram-se no local de trabalho e passaram a viver dias e semanas angustiantes do “outro lado”, agora na condição de doentes. Alguns faleceram! Mas todos foram esquecidos neste Despacho!

No desempenho de funções, como todos os Cidadãos viram e sentiram, muitos destes Profissionais, nomeadamente Enfermeiros, deixaram de ir para casa, deixaram a Família, passaram a pernoitar e a viver noutros espaços, quartos e apartamentos, alguns deles cedidos gratuitamente, durante alguns meses.

Fizeram turnos longos, desgastantes e sofridos, dentro de fatos blindados e calafetados, com mascara, viseira e todo o desconforto daí decorrente. Asseguraram turnos e serviços em exaustão e burnout, evitando a rotura de serviços e instituições de Saúde.

Programaram, asseguraram e escalaram todo o período vacinal contra a covid-19, com galhardia, altruísmo, dedicação e profissionalismo, sem gozo de folgas, nem férias e com horários longos, prolongados e esgotantes.

Portugal alcançou uma alta taxa de vacinação o que veio a ser muito positivo nas vagas covid que se sucederam, diminuindo as taxas de mortalidade e novas infecções. Todos os indicadores desta “pandemia” começaram a melhorar em consequência desta entrega e trabalho abnegado de Enfermeiros Médicos, Assistentes Operacionais e todos os outros Profissionais.

Eis que, perante tudo o vivido em condições muito dolorosas e de falta de recursos, Sua Excelência o Presidente da República, decide atribuir a mais alta condecoração ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) “como Membro Honorário da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito”. De seguida a Srª. Ministra da Saúde, por despacho acima referido, decide conceder a “medalha de serviços distintos do Ministério da Saúde, grau ouro” a várias entidades, personalidades e serviços. Até aqui tudo bem. Mas… que estranho… não estarem em evidência e também condecorados Enfermeiros, Médicos e Todos os outros Profissionais de Saúde, que foram essencialmente os grandes pilares da sustentação de todos os serviços durante esta longa jornada – a “Pandemia Covid”?

Chegados aqui, registamos mais uma vez a ingratidão da Srª. Ministra da Saúde, Doutora Marta Temido, e do Governo, para com os Enfermeiros!

Tenho para mim, que as condecorações e comendas não devem ser banalizadas e servem para agradecer, realçar e valorizar, servindo como exemplo, actos de galhardia, altruísmo e valor, reconhecendo-se perante a Sociedade, esses mesmo actos e valores. Assim sendo, ou todo o trabalho desenvolvido pelos Profissionais de Saúde, tem um valor altíssimo, que nenhuma comenda ou condecoração poderão agradecer e por isso a Srª. Ministra da Saúde não está ao nível de a poder decidir, atribuir e condecorar, ou o seu inflamado ego impediu-a de avaliar com clarividência, justiça, bom senso e isenção, o valor dos Profissionais que tem sob sua tutela, o que é um viés grande para um membro do governo de qualquer país e sobretudo com a pasta da Saúde.

Se por um lado, os Enfermeiros não estão à espera e não querem palmadinhas nas costas, nem condecorações ou comendas forçadas com cheiro a bafio e cínicas, por outro lado, como qualquer Humano ou Classe Profissional, gosta de ser reconhecido por todo o valor, entrega, altruísmo e profissionalismo que oferecem no desempenho das suas funções, particularmente durante tão agreste, esgotante e demolidor período que foi a “Pandemia”.

De forma tendenciosa e com uma enorme falta de isenção e cheia de preconceitos e estados de alma, como a Srª. Ministra da Saúde atribuiu a condecoração de “Medalha-Grau Ouro”, motiva com certeza, indignação aos Enfermeiros e Médicos. Mas sendo assim, com esta decisão da Srª. Ministra, retirou uns bons quilates de valor a este ouro, desta medalha, correndo-se o risco de se transformar esta medalha em latão ou pechisbeque, retirando com isso mérito merecido a quem foi condecorado. E quem foi condecorado, com este “pechisbeque”, como se sentirá? Não estranharam a falta de reconhecimento de Enfermeiros e Médicos?

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2022.03.13

sexta-feira, 11 de março de 2022

O DINHEIRO DA TAP

O DINHEIRO DA TAP

 


Texto retitado da página do Facebbok da Srª. Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Enfª. Ana Rita Cavaco.

Transcrevi para aqui este texto, porque está com uma assertividade extraordinária e retrata com fiabilidade o que são as prioridades e a gestão que se faz dos bens e dinheiros públicos.

"O Dinheiro para TAP

Decolou há minutos da Polónia um avião da TAP que transporta uma doente politraumatizada, Ucraniana, para o Hospital de São João. Até aqui tudo maravilhoso. A acompanhá-la vêm os nossos queridos Lara Marcelo, Médica e Márcio Silva, Enfermeiro dos órgãos da SR Norte da OE. Foram, de forma abnegada, buscar esta doente através dos Médicos do Mundo.

O problema é que deviam ter decolado há 24h atrás. O avião tinha uma avaria no motor e ficaram em terra com todos os riscos associados a isto para a doente e para eles. Honra seja feita ao Secretário de Estado, António Sales, e à tripulação, que preocupado tentou que outro avião fosse a caminho, mas não foi. Há quem se irrite porque gosto dele e lhe agradeço sempre, os invejosos do costume.

É o mesmo princípio que nos faz estar à espera de ser mobilizados após termos oferecido ajuda pro bono e até agora nada em termos oficiais. Todos os dias a embaixada da Ucrânia nos envia pedidos e nós à espera do dito plano para estas situações.

Calhou, neste caso, ser uma equipa que conhecemos com um elemento nosso, passando a vergonha da TAP de os ter deixado à espera 24h com uma doente politraumatizada quando outro avião está a 5h de distância.

Depois à hora do almoço vi uma misenscene com o PR, uma ministra e um avião da TAP com refugiados. Até o Pop fica nervoso quando se fala da TAP.

Foi para isto que enterrámos milhões numa companhia de bandeira? Precisamos é desses milhões na Saúde ou pelo menos que funcionem quando preciso.

Depois, lembrei-me do triste episódio com a TAP, recente, que deixou em terra o Presidente da Eslováquia. E voltei a lembrar-me que nos oferecemos pro bono.

Esperamos mais uns dias e vamos oferecer-nos aos Médicos do Mundo. É feio fazer show com a doente que vem para o Hospital de São João quando se lida com as situações com a boa vontade de ONG's e desta forma.

Sim, sim, já sei que é por dizer as coisas assim que não gostam de mim mas é o que é e estou velha para mudar. Também não vejo vantagem em fazer diferente, até ver, ser assim resolve muita coisa para os outros e é isso que me move. Obrigada a todos os envolvidos..."

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2022.03.11

O HORROR DA GUERRA NA UCRANIA - MATERNIDADE BOMBARDEADA

O HORROR DA GUERRA NA UCRANIA - MATERNIDADE BOMBARDEADA


Que horror!

Guerra é guerra, mas mesmo assim, há regras!

Mas quando falta o humanismo e o respeito por mulheres e crianças, estamos falados quanto aos princípios e valores dos "senhores desta guerra" ou de outra qualquer.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2022.03.10

CONDECORAÇÃO DO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE

 "Condecoração do Serviço Nacional de Saúde"



"Presidente da República condecorou o SNS | Fotos: Cortesia Presidência da República"

"O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou o Serviço Nacional de Saúde (SNS), como Membro Honorário da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, tendo recebido as insígnias a Ministra da Saúde, Marta Temido.

Marcelo Rebelo de Sousa considera que o SNS foi “exemplar ao serviço de Portugal” destacando os “atos e serviços excecionais prestados, em particular durante a pandemia a Portugal, aos portugueses e a outros cidadãos” pelo SNS e a “abnegação e sacrifício” dos seus profissionais de saúde.

O SNS recebeu a condecoração no dia 2 de março, data que se assinalou o primeiro caso de Covid-19 registado em Portugal.

Após a cerimónia, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa jantou com especialistas que contribuíram para a análise da “Situação epidemiológica da Covid-19 em Portugal” nas reuniões do Infarmed.

Créditos fotografias: Miguel Figueiredo Lopes/Presidência da República"

Nota Pessoal:
Como Enfermeiro, não me sinto representado pela Srª. Ministra da Saúde, Doutora Marta Temido, no recebimento desta distinção e comenda de Sua Excelência o Presidente da República.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2022.03.11

quinta-feira, 10 de março de 2022

VIOLÊNCIA SOBRE OS ENFERMEIROS E SEGURANÇA – QUEM NÃO SE INDIGNOU?

VIOLÊNCIA SOBRE OS ENFERMEIROS E SEGURANÇA – QUEM NÃO SE INDIGNOU?

Link:




Foi notícia nacional a agressão que 2 Enfermeiros e um Segurança sofreram na madrugada do dia 22 de Fevereiro passado, no Serviço de Urgência do Hospital de Famalicão.

A tristeza invade-me completamente, com estes acontecimentos! Quem não se indignou com estas agressões? Isto foi bárbaro! Põe em causa o estado de direito, do nosso País! Como é possível, num serviço público, particularmente de saúde e de serviço de urgência, os seus Enfermeiros, com bastante idade até (62 anos), serem agredidos barbaramente? Nem no nosso local de trabalho estamos seguros, perante tais vândalos!

Mas igual tristeza me causa a ausência solidária e o silêncio cínico dos políticos e do Estado. É deplorável, insano, desprezível e vergonhoso, todo este silêncio ensurdecedor, de órgãos de soberania, governo, partidos políticos e a mais alta cúpula do Estado Português, Sua Excelência o Presidente da República, em não reprovar com veemência esta agressão gratuita, abjecta e ignóbil, aos Profissionais de Saúde, nomeadamente Enfermeiros, no Serviço de Urgência do Hospital de Famalicão (que foi o último caso, mas há tantos outros onde já aconteceu). Por onde anda a responsabilidade e representação do Estado? Que falta de solidariedade! Que vazio institucional!

A agressão a Profissionais de Saúde, particularmente Enfermeiros e a Médicos, vem-se acentuando. Nos primeiros 10 meses de 2021, foram reportados 752 ocorrências de violência contra Profissionais de Saúde. Estes acontecimentos são indignos, estas agressões são inqualificáveis, animalescas e que introduzem uma realidade de insegurança a todos e em toda a linha.

Quando acontecem estas agressões, não basta à Srª. Ministra da Saúde repudiar as mesmas, nem falar em colocação de botões de pânico ou coisa semelhante, como foi dito no passado. Não! São precisas medidas concretas, de protecção dos Profissionais de Saúde, perante tais actos inaceitáveis, seja qual for a forma, física ou psicológica. É preciso, é urgente traduzir estas palavras de repúdio em letra de lei e atribuir a estas agressões uma moldura penal “classificando-o” crime público. É urgente fazê-lo! O que vinha, para além de tudo, facilitar o processo, que implicava deixar de estar dependente que a vítima apresentasse queixa. Por outro lado, deveria ser a instituição onde tal agressões acontecessem, a participar ao Ministério Público.

É preciso e urgente voltar a colocar a Polícia, em presença física nos hospitais e serviços de urgência. É preciso dar condições aos Profissionais para que estejam protegidos nos seus locais e postos de trabalho.

Aos agressores, agitadores, atacantes e ofensores dos Profissionais de Saúde e da ordem pública é preciso castigá-los severamente! Haja leis e coragem para tal. Pede-se mão dura e pesada à justiça. Não à impunidade! Urge a consideração em moldura penal, de “crime público” com penas severas e exemplares. Pede-se ao Governo, e aos Ministérios da Saúde, Justiça e Administração Interna, um olhar atento e responsável na defesa dos Profissionais de Saúde, nomeadamente, Enfermeiros e das instituições de saúde - centros de saúde e hospitais no público, porque no privado e social também há agressões, daí a necessidade em tornar em crime público este tipo de agressões - para que não aconteçam actos de violência gratuita e criminal, junto de GENTE QUE CUIDA DE GENTE.

Numa outra vertente do problema, que mais dúvidas restam, para considerar a Profissão de Enfermagem, uma profissão de risco e desgaste, não só pelo facto de se trabalhar num ambiente infectado, de contágio e perigoso, mas também pela exposição a momentos altíssimos de stresse, de mutilações, traumatismo e de morte, e também, a este tipo de agressões, tão simplesmente por estarem no desempenho da sua profissão, na primeira linha quer no atendimento, quer no tratamento e prestação de cuidados de saúde, mas também na triagem nos SU. O que faz falta acontecer mais? Que mais evidências ou constatações são precisas?

Enquanto esperamos pela lenta decisão do poder político e do Governo, resta aqui, deixar um abraço de solidariedade aos Colegas e outros Profissionais agredidos!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2022.03.10

QUANDO O EXEMPLO DEIXA DE GOVERNAR

QUANDO O EXEMPLO DEIXA DE GOVERNAR A autoridade política é um recurso escasso. Sempre que é consumida na justificação do passado, deixa de e...