PORQUÊ… PEDRO PASSOS COELHO, ESTE VERNÁCULO?
Fonte da Foto: Expresso
A expressão utilizada por Pedro Passos Coelho, ao referir-se a “prostitutos sem carácter”, ultrapassa largamente a simples infelicidade verbal. O problema não reside apenas na rudeza da formulação, mas no que ela revela sobre o tom emocional e político do discurso.
Quando um antigo Primeiro-Ministro adopta linguagem de desqualificação moral, substitui o argumento pela humilhação simbólica. O adversário deixa de ser alguém com ideias diferentes e passa a ser tratado como eticamente inferior. Esta deriva é particularmente preocupante numa democracia, porque empobrece o espaço público e normaliza a agressividade verbal como instrumento político.
Há ainda um azedume perceptível nesta formulação. Não se escuta a serenidade de um estadista, mas a crispação de alguém que parece falar a partir do ressentimento ou da frustração. Em termos de psicologia política, é frequente que figuras outrora centrais reajam com maior dureza quando sentem erosão do seu capital simbólico ou perda de influência no debate público.
Além disso, o uso do termo “prostitutos” como insulto transporta um peso social e moral profundamente estigmatizante, incompatível com a elevação institucional que se espera de quem ocupou funções de soberania.
A política democrática exige firmeza, mas também contenção, cultura institucional e sentido de Estado. É possível ser contundente sem cair no vernáculo depreciativo. Quando a linguagem política desce à catarse emocional, perde densidade ética e autoridade moral.
Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
Mestre em Sociologia da Saúde
2026.05.28
O Autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico

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