sábado, 21 de outubro de 2023

30 ANOS - CURSO SUPERIOR ENFERMAGEM

30 ANOS - CURSO SUPERIOR ENFERMAGEM 








A felicidade de poder comemorar com os Colegas, 30 anos do meu/nosso Curso Superior de Enfermagem.

Já lá vão 30 anos...

Foi lindo!

Abraço a Todos.

HumbertoDomingues

Enf. Espec. Saúde Comunitária 

2023.10.21

ORGULHOSAMENTE COM OS ENFERMEIROS CANDIDATURA AO COLEGIO DA ESPECIALIDADE ENFERMAGEM DE SAÚDE COMUNITÁRIA

 ORGULHOSAMENTE COM OS ENFERMEIROS 

CANDIDATURA AO COLEGIO DA ESPECIALIDADE ENFERMAGEM DE SAÚDE COMUNITÁRIA 




Pela seriedade e transparência de um processo, afirmando com lealdade, honorabilidade e responsabilidade, merece o meu aplauso a este comunicado e ao caminho definido pela candidatura "OrgulhosamentecomosEnfermeiros". Quando as regras estão bem definidas e são do conhecimento de Todos e, por isso mesmo, públicas, nada mais a dizer.

Humberto Domingues 
Enf. Espec. Saúde Comunitária 
2023.10.21

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

A ILUSÃO DO ORÇAMENTO NÃO RETIRA DIFICULDADES NA SAÚDE

A ILUSÃO DO ORÇAMENTO NÃO RETIRA DIFICULDADES NA SAÚDE


A narrativa ilusória e socialista do Sr. Primeiro-Ministro, Dr. António Costa, os dos Srs. Ministros das Finanças, Dr. Fernando Medina e da Saúde Dr. Manuel Pizarro continua e querem enganar os Portugueses dizendo que, com mais dinheiro para a Saúde, resolvem os problemas deste sector! Estão enganados e a enganar! Isto é desviar a atenção e o foco das reais limitações e condições de trabalho.


Vejamos: os Hospitais têm dívidas monstruosas, os Centros de Saúde vivem dificuldades idênticas, face ao desinvestimento e cativações de vários anos anteriores de governação socialista. Hoje deparamo-nos com a oferta de serviços, instalações e equipamentos exíguos e depauperados. Ao grande património do SNS, que são os seus Profissionais, as diferentes administrações e governos, prejudicaram sempre, nomeadamente, os Enfermeiros e Médicos, provocando o abandono do SNS por parte destes. E hoje temos serviços limitados e encerrados e, o mais grave ainda, o não cumprimento das dotações seguras, nos que estão abertos, infelizmente para doentes e profissionais. O burnout, o desgaste, a desmotivação e o cansaço, instalam-se e o risco de acidente “espreita”.

Apesar de um orçamento de ilusão, “vendido e imposto” com lindas palavras e exemplos frouxos que não convencem, é no global, para além da Saúde, um Orçamento de Estado que dá com uma mão, e tira com a outra. E o Cidadão mais indefeso e com recursos limitados, é quem mais sente, toda esta agressividade fiscal e falta de resposta às suas necessidades, que o Estado deveria assegurar com efectividade: A Justiça caríssima, a Educação com os problemas que todos conhecemos nos sucessivos anos lectivos, na Segurança Social, com reformas baixíssimas onde se premeia quem não quer trabalhar, à boa moda Socialista e, na Saúde o que conhecemos, o que aqui vamos relatando e que sentimos no dia-a-dia: múltiplos constrangimentos a nível de instalações, material de consumo clínico e, de Recursos Humanos. Ele não estimula nem beneficia as carreiras dos Profissionais, particularmente dos Enfermeiros. Está subjacente mais uma descriminação negativa entre as várias classes Profissionais.


Como prova do não investimento nos Recursos Humanos e do não reconhecimento por parte do poder político, vejamos o que a Assembleia da República e os Senhores Deputados votaram, na passada 5ª. Feira-12 de Outubro, decorrente de uma petição com cerca de trinta e duas mil assinaturas, referente ao “risco e penosidade da profissão de Enfermagem” dando origem a dois projectos lei e dois projectos de resolução, a saber: “Projecto de Lei do BE-Criação de um estatuto de risco e penosidade para os profissionais de saúde”; Projecto d
e Lei do CH-“Reconhece a profissão de enfermeiro como de desgaste rápido e permite a antecipação da idade da reforma para os 55 anos”; Projecto de Resolução do PSD-“Recomenda ao Governo que defina o enquadramento legal geral das profissões de desgaste rápido e a sua regulamentação”; Projecto de Resolução do PCO-“Definição e regulamentação de um regime laboral e de aposentação específico para os Enfermeiros”. Pois bem, todos os projectos foram chumbados pelo Partido Socialista!


Recordam-se que no período da “pandemia e pós-Pandemia”, entre todos os Profissionais de Saúde, na sua maioria Enfermeiros, foram chamados de heróis, reconheciam o risco em que diariamente se trabalhava (e se continua a trabalhar), enfim, um manancial de afirmações, palmas e reconhecimentos. Vejam que, cinicamente até, o Dr. António Costa “dedicou a final da champions” aos Profissionais de Saúde. Mas quem se viu e estava nas bancadas, eram precisamente o Sr. Primeiro-Ministro e os Membros do seu Governo, porque os Profissionais de Saúde estavam nos Centros e Saúde e Hospitais a cuidar e tratar dos doentes e suas Famílias, minimizando o sofrimento e dando resposta e prestando cuidados de saúde, muitas vezes em exaustão.

Os problemas e dificuldades que se vivem e avolumam no SNS, não se resolvem “atirando dinheiro para cima” como diz o Sr. Ministro da Saúde, com mais 1,2 milhões de euros, nem com Direcções Executivas, com estatutos aprovados um ano após iniciar funções, onde se vão distribuir lugares pela “família Socialista”. Os problemas do SNS são estruturais e não conjunturais. São problemas de organização, de gestão e de valorização de Todos os seus Profissionais e não só, de alguns! Os Hospitais foram feitos para terem serviços abertos e de resposta à População e não para serem ou estarem encerrados.

À pergunta, se o Sr. Ministro Dr. Manuel Pizarro não sabe/entende de saúde? A resposta é simples: claro que entende de Saúde, não entende é de “Gestão em/da Saúde”! E como ele, tantos outros decisores políticos dos diferentes quadrantes, também não entendem!

Com a greve dos Médicos o SNS vive momentos de desagregação. Se os Enfermeiros partirem também para a greve, o SNS cai em escombros. Não há orçamento que o salve! De ter em atenção também, as situações de pobreza e exclusão social, que se podem agravar, com as dificuldades de acesso aos cuidados de saúde.

Deixar bem frisado que, o estado em que se encontra o SNS, jamais poderá ser culpa dos seus Profissionais, mas sim, responsabilidade do Governo, porque não dá resposta nem condições e decide unilateralmente quando decide e, decide mal!

Temo que a muito breve prazo/tempo, quando o comum Cidadão “acordar” desta “letargia e embalo” socialista, possa não ter Enfermeiros para o tratar com dignidade, ética e deontologia, possa não ter cuidados de saúde no domicílio, seja administrada medicação por “pessoas” não credenciadas para o efeito, com os riscos inerentes, etc. Aí temo que possa ser tarde a reacção, porque, dinheiro para seguros de saúde, nem todos têm e sujeitar-se-ão a um SNS descaracterizado, limitado nas intervenções e sem respostas reais e efectivas ao Cidadão, à Família e à Comunidade. Segundo a Ordem dos Enfermeiros, nos últimos 12 anos, emigraram 27360 profissionais e Portugal precisa neste momento de 30.000 Enfermeiros.

Apesar destas realidades, assistimos a uma desunião dos Sindicatos de Enfermagem, onde não conseguem criar uma agenda comum de reivindicações e de luta, em favor da Classe e dos seus associados. Que falta de profissionalismo, de ambição e de capacidade política e de influência para colocar na agenda do dia e na Comunicação Social esta triste e demolidora realidade! Até quando? Até quando? Precisam-se dirigentes sindicais com coragem e amor à causa!

Com o país neste nível de governação e no estado social em que se encontra, o futuro pode ser muito sombrio.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária 
Pós-Graduado Gestão Unidades Saúde
2023.10.18

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

SILÊNCIO ENSURDECEDOR

 SILÊNCIO ENSURDECEDOR 


Não consigo entender este SILÊNCIO!

- Pelo que se está a passar na Saúde;

- Depois das constantes agressões aos Enfermeiros;

- Depois da constante desvalorização social e económica do trabalho dos Enfermeiros;

Os Sindicatos permanecem quedos, calados, surdos e mudos?

Será que ainda representam e defendem a CLASSE de ENFERMAGEM?

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2023.10.18

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

SNS EM AGONIA

SNS EM AGONIA


Com tristeza já nos vamos habituando às notícias sobre o encerramento de urgências e a falta de resposta às consultas e cirurgias, quer nos Cuidados de Saúde Primários (CSP), quer Hospitalares. Segundo a imprensa nacional, 25 hospitais vão encontrar dificuldades em assegurar equipas de urgência e por isso, vão ser encerradas. Este fim-de-semana o Hospital de Viana do Castelo vai ficar sem Equipa de Cirurgia e o de Braga vai encerrar a urgência de Obstetrícia, entre outros.

Os Médicos, para além das greves por região que efectuaram (e agora parece que a preocupação desta classe já não é que os doentes possam morrer, como cínica e falsamente acusaram os Enfermeiros na greve cirúrgica efectuada), estão também a recusar efectuar mais de 150 horas extraordinárias anuais. O colapso dos serviços de urgência vai acontecer, inevitavelmente!
Quem trabalha na Saúde sabe, que na sua maioria, para mitigar a falta de, essencialmente Enfermeiros e Médicos, os Conselhos de Administração recorrem às horas extraordinárias. Prática esta, muito antiga, mas que nos últimos anos se agravou. Este abuso perverte em absoluto o uso e a razão das horas extraordinárias. A cobertura de escalas e horários não pode ser diariamente praticada recorrendo a estas horas. O objectivo das horas extra, e o recurso a este mecanismo serve para colmatar falhas, imprevistos e dificuldades, em momentos excepcionais/extraordinários, e não o uso e abuso crónico das mesmas. Desvirtua por completo a gestão, a razão e o recurso à sua existência e, claro, serve sempre para alguns, que à custa destas extraordinárias horas, no final do mês, o pecúlio é bem grande e simpático. É certo que os impostos também levam uma parte.

A falta de Recursos Humanos é de tal forma grande, que, o que se está a verificar com os Médicos na recusa de fazer mais do que as 150 horas extra/anuais, se os Enfermeiros fizessem o mesmo, muitos serviços e unidades de hospitais e centros de saúde, pura e simplesmente, fechavam por longas temporadas. Mesmo assim, e no que à Enfermagem diz respeito, com recurso às horas extra, não são cumpridas as dotações seguras dos serviços, provocando exaustão, burnout e potencial risco de acidente no cuidar dos doentes.

A nível dos CSP o Governo teima em seguir um caminho da injustiça e da desvalorização do trabalho dos Enfermeiros. Depois, com a nova proposta de lei para as USF, o Governo ignora, com certeza, e descrimina negativamente, as outras Unidades Funcionais dos CSP, nomeadamente Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC), com a desigualdade remuneratória, perpetuando as existentes e agravando para o futuro estas desigualdades. Este é mais um, dos vários, preconceitos e de ideologia perversa deste Governo Socialista e das Esquerdas, que têm contra os Enfermeiros e até outros Profissionais de Saúde. Dito de outra forma, é uma realidade indisfarçável e descriminação negativa que o Governo pratica, através de diplomas, criando uma diferenciação perversa entre unidades funcionais e remunerações dos seus profissionais, alimentando desigualdades abissais, desmotivando profissionais, levando ao desinteresse, à diminuição de produtividade e à fuga/”sangria” destes, para o sector privado e países estrangeiros, em prejuízo do SNS.

O Governo e o Ministro da Saúde, Dr. Manuel Pizarro, não podem ignorar todo um trabalho com qualidade, esforço e dedicação que é feito pelas UCC na resposta efectiva e na resolução das necessidades de cuidados de saúde da População, curativo, de reinserção, de prevenção e promoção da saúde e a adopção de hábitos saudáveis, evitando idas às urgências.

Quer-se que um Governo Socialista não discrimine Trabalhadores e Profissionais, neste caso da Saúde. Mas é mesmo a discriminação pela negativa que está a produzir, retirando aos Profissionais dos CSP as mesmas oportunidades e direitos que oferece aos Profissionais das USF. Será contitucional?

Apesar do SNS ter uma capacidade instalada enorme, através dos Centros de Saúde com as suas unidades funcionais, Saúde Pública e Hospitais, mas muitas vezes, mal aproveitada, mal gerida e mal rentabilizada e associada a esta capacidade instalada, à excelente qualificação/formação científica dos seus Profissionais e à enorme intervenção, traduzidos em actos em saúde, este mesmo SNS entra em agonia devido a inúmeras decisões políticas contrárias ao bom nome do SNS, como cativações, desinvestimento, falta de modernização de instalações e equipamentos, falta de investimento no mais importante património que são os seus Profissionais, a nível das remunerações, de carreiras e de fixação destes mesmos Profissionais.

Já escrevemos e voltamos a fazê-lo: o impacto das medidas perversas do Governo (cativações, desinvestimento, adiamento de reformas e aplicação de falsas reformas estruturais, ficando-se apenas pelas conjunturais, quando as houve(?)) trouxeram o SNS para uma incapacidade e asfixia gritante, de enormes dimensões, limitando-o na resposta aos reais problemas e necessidades que os Cidadãos precisam e reivindicam e, na competitividade, com consequência na segurança, que tudo isso implica. O não cumprimento das dotações seguras nos serviços, é um exemplo claro.

A falta de resposta às carências e necessidades de cuidados de Saúde aos Cidadãos, Grupos e Comunidade levam ao estado “agônico” do SNS e que os Governos sucessivos, principalmente os do Partido Socialista, o tem feito definhar, não investindo e fazendo-o encolher a nível de oferta de cuidados, de serviços e de recursos humanos.

Este estado “agónico” está agora à vista, com serviços de urgência encerrados em várias valências e especialidades, de Norte a Sul do País. Podendo haver também aqui, um braço de ferro entre a classe Médica e o Ministro da Saúde, fruto das desconsiderações feitas a esta classe, às vezes até, de alguma artificialidade, que serve os momentos de luta, sindicais e “rivalidades”, levando a que o Cidadão comum e os mais pobres, estejam desprotegidos! A agonia do SNS neste “Estado” democrático, está e muito, a falhar aos seus Cidadãos. Não se pode admitir este estado de coisas no nosso País, na nossa democracia e na nossa Sociedade!

Perante estes descalabros todos, em que o Dr. António Costa e o seu Governo Socialista de maioria absoluta não dão resposta, por onde anda e o que pensa o Sr. Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República de Portugal, neste País cada vez mais pobre, dividido e desprotegido?


Humberto Domingues
Enfermeiro Especialista com
Pós-Graduação Gestão Unidades Saúde
2023.10.05

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

44º ANIVERSÁRIO DO SNS

44º ANIVERSÁRIO DO SNS

A 15 de Setembro, comemora-se o aniversário do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Este ano foi o 44º. Aniversário.
Na nossa e, na opinião de muitos, o SNS é uma das grandes, entre as maiores conquistas, da nossa jovem democracia. O SNS teve uma evolução e inovação tremenda na capacidade de prevenir, tratar e reinserir, no campo da doença/saúde, o Indivíduo, as Famílias, os Grupos e a Comunidade. Somos defensores do SNS, inquestionavelmente!
Se é certo que o SNS passou a ser uma Instituição de múltiplas respostas, respeitada e de presença no quotidiano da vida do Cidadão, como um dos serviços de saúde, do melhor que se conhece, é também certo, que nos últimos anos, vários poderes políticos, particularmente os últimos Governos, aproveitaram-se desta enorme Instituição e dos seus Profissionais, utilizando-os para as diversas e, muitas vezes perversas, campanhas políticas, limitando-os, desrespeitando-os, definhando-os e reduzindo-os, na essência e no objectivo primordial que é prevenir, tratar e cuidar do Cidadão, contra a doença e fazendo a sua reabilitação e reinserção nas várias dimensões de vida, de actividade de vida diária e profissional.
O SNS tem uma capacidade instalada enorme, através dos Centros de Saúde com as suas unidades funcionais, Saúde Pública e Hospitais, mas muitas vezes, mal aproveitada, mal gerida e mal rentabilizada. Associada a esta capacidade instalada, à excelente qualificação/formação científica dos seus Profissionais e à enorme intervenção, traduzidos em actos em saúde, sentimos também, inúmeras decisões políticas contrárias ao bom nome do SNS, como cativações, desinvestimento, falta de modernização de instalações e equipamentos, falta de investimento no mais importante património que são os seus Profissionais, a nível das remunerações, de carreiras e de fixação destes mesmos Profissionais.
O impacto das medidas perversas do Governo (cativações, desinvestimento, adiamento de reformas e aplicação de falsas reformas estruturais, ficando-se apenas pelas conjunturais, quando as houve(?)) trouxeram o SNS para uma incapacidade e asfixia gritante, de enormes dimensões, limitando-o na resposta aos reais problemas e necessidades que os Cidadãos precisam e reivindicam e, na competitividade, com consequência na segurança, que tudo isso representa. O não cumprimento das dotações seguras nos serviços, é um exemplo claro.

Ouvimos o Sr. Ministro da Saúde, Dr. Manuel Pizarro, falar constantemente no aumento do orçamento para a Saúde, como se o “atirar” dinheiro para cima do SNS resolvesse os problemas e dificuldades que se vivem. Isto é desfocar o olhar da questão primordial. O problema do SNS, se por um lado é a gestão orçamental, por outro e essencialmente, é de gestão de recursos humanos, materiais e estruturais. Há um problema gravíssimo por trás da decisão política, que é ideológica, muitas vezes com estados d’alma associados!

Outra realidade indisfarçável é a descriminação negativa que o Governo pratica, através de diplomas, criando uma diferenciação perversa entre unidades funcionais e remunerações dos seus profissionais, alimentando desigualdades abissais, desmotivando profissionais, levando ao desinteresse, à diminuição de produtividade e à fuga/”sangria” destes, para o sector privado e países estrangeiros, em prejuízo do SNS. Temos dois exemplos claros das últimas semanas: A criação das ULS a nível nacional e o diploma das USF. Parecem-nos erros estratégicos, claros, cujo impacto negativo se sentirá mais tarde apesar dos decisores políticos terem sido alertados para isso.

É nossa convicção que, por muito que entendam que o SNS é importantíssimo, para dar resposta às carências e necessidades de cuidados de Saúde aos Cidadãos, Grupos e Comunidade, o que é certo, é que os Governos sucessivos, principalmente os do Partido Socialista, o tem feito definhar, não investindo e fazendo-o encolher a nível de oferta de cuidados, de serviços e de recursos humanos, principalmente, Enfermeiros e Médicos. A realidade inequívoca mostra que Portugal já inverteu a pirâmide etária da População. Temos uma população envelhecida. Como tal, implica maior necessidade e procura/oferta de cuidados de saúde, devido às comorbilidades e porque também a esperança de vida aumentou. E o SNS não pode falhar aos Cidadãos!

Quando ouvimos os governantes falar em reorganizar o SNS, está sempre na mente deles, o encerramento de Serviços e de Unidades, criando distâncias de muitos quilómetros de resposta, falhando também aqui a política de futuro, de apoio às Famílias e de fixação e desenvolvimento do interior do País. Um último estudo sobre a reorganização das maternidades e serviços de obstetrícia e blocos de partos foi indicador disso. Situação que já se viveu em tempos, com o Ministro da Saúde do PS de então – Dr. Correia de Campos – com encerramento de Maternidades. O País só empobreceu com isso!

Voltamos a dizer que o SNS não pode falhar aos Cidadãos, que anos e anos a fio, contribuíram com os seus impostos, para que o Estado respondesse às suas obrigações, principalmente na Saúde, um dos principais pilares das Sociedades modernas, evoluídas e democráticas.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
Pós-Graduação Gestão Unidades Saúde
2023.09.20

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

REINA A INEFICÁCIA NO MINISTÉRIO DA SAÚDE

REINA A INEFICÁCIA NO MINISTÉRIO DA SAÚDE


Nos últimos dias/semanas foram difundidas notícias sobre a “grande reforma” do Serviço Nacional de Saúde (SNS), proposta produzida pela Direcção Executiva do SNS liderada pelo Sr. Prof. Dr. Fernando Araújo, com a criação e cobertura nacional de 31 “Unidades Locais de Saúde” (ULS) (num total de 31+8 já existentes). Para além disso, que o orçamento do SNS ia ser o maior de sempre e, segundo o Sr. Ministro da Saúde o orçamento para a Saúde em 2024 vai aumentar sem “dúvida nenhuma”. Antes de tudo perguntar: a Direcção Executiva, criada há já, cerca de 10 meses, já tem estatutos aprovados? Pois, não tem! E as decisões que toma, são legais?


Os Cuidados de Saúde Primários (CSP) “aguardam” há década e meia, uma verdadeira reforma, que reconheça, valorize e melhore o valioso serviço que é prestado às Populações, Grupos, Comunidade, Famílias e Cidadãos, porque é por aqui (CSP) a porta de entrada no SNS. Vem agora a ideia da criação das ULS a nível nacional, como se fosse o “tónico” que vai colmatar todas as carências existentes! Pura demagogia! Em algumas situações, até pode trazer melhorias. Mas a grande questão é estrutural e de gestão. É necessário potenciar a capacidade e estruturas existentes e instaladas, funcionando ao longo do dia e, não, só durante o turno da manhã. Com isto, não subalternizar os CSP aos Hospitalares. Não diminuir os CSP em favor da “hospitalite”.


Depois, a confusão, o desfoque e a ineficácia do Ministério da Saúde, continua a reinar. O sr. Ministro, Dr. Manuel Pizarro, tal como a sua antecessora, continua desfocado de uma realidade, nua e crua, que se vive no terreno. E afirma, dando a entender, que “atirando dinheiro” para o SNS, que resolve os problemas estruturais existentes. Puro engano, entendemos nós!

Se por um lado, os recursos são escassos e finitos, nomeadamente na Saúde, por outro lado, é um problema grave de gestão e de cedência permanente a interesses, de corporações profissionais, fortes, que fazem lóbi permanente no Ministério da Saúde, em desfavor de outras classes profissionais e por isso, não há evolução. Mais, não se fixam profissionais, não se atribuem incentivos iguais a todos os profissionais, não se valorizam carreiras e encerram-se serviços de proximidade e de resposta às Populações mais carenciadas.

Para que se perceba, há departamentos, unidades e serviços, com directores dos mesmos, que nunca tiveram nem têm formação, cursos ou pós-graduações em Gestão, mas continuam a ser os directores destes serviços há anos. Não implementam medidas de gestão. Não sabem ler indicadores e variáveis de gestão. E o resultado sempre igual ou sofrível, de ano para ano, mas não se altera em nada esta realidade, porque parece que há medo de se tocar em “vacas sagradas”.

Vimos e sentimos, mais uma vez neste Verão, urgências encerradas, maternidades em rotatividade de abertura e de oferta de serviços de resposta, ambulâncias do INEM paradas por falta de macas, retidas nas urgências, falta de técnicos e por outro lado, viaturas envelhecidas e avariadas face ao desgaste rápido que sofrem. Greves dos Enfermeiros e Médicos, que continuam, num manifesto claro descontentamento pelas suas carreiras, condições de serviço e remunerações. Desigualdades tremendas entre o litoral e o interior, entre os grandes centros urbanos e o restante país.

Numa última “tirada de coelho da cartola” propõe-se o Ministério da Saúde autorizar que as vacinas da gripe e de covid-19, passem, também, a ser administradas nas Farmácias!!! Esta questão merece uma reflexão responsável. Com esta medida, está a tirar-se o atendimento dos Cidadãos, onde tem que ser feito, que é nos Centros de Saúde e respectivas Unidades Funcionais. Depois, pôr-se profissionais, nomeadamente “Farmacêuticos e Técnicos de Farmácia” a administrar/injectar as vacinas, sem a preparação adequada (com formação on-line de várias horas, ao que dizem) e sem capacidade de actuação e resposta no caso de reação anafilática (que pode causar morte), em que seja necessária punção venosa, administração de outra medicação e antídotos e suporte básico ou avançado de vida. Respostas, estas, que existem nos Centros de Saúde, com actuação imediata e com experiência, de Enfermeiros e Médicos, que esses sim, têm formação e é da sua competência actuar e administrar medicação endovenosa. Parece-nos haver aqui, ilegalidade nesta decisão e usurpação de funções, por parte de “Farmacêuticos e Técnicos de Farmácia”, que não faz parte das suas competências profissionais, a administração de produtos e terapêutica por punção, seja ela dérmica, endovenosa ou intramuscular. E o Ministério da Saúde está a patrocinar esta ilegalidade?

Interessa perguntar: há aqui um procedimento que patrocina a falta de segurança na prestação dos cuidados ao Cidadão. Quem é o responsável ou responsáveis por esta decisão? Parece-nos também, que este assunto muito sério, está a ser tratado com alguma ligeireza e falta de planeamento adequado, para com tempo, suprir estas necessidades e não, resolve-las, passando por cima e de pleno desrespeito pelas competências próprias das profissões, definidas por Lei.

Com estes procedimentos, passa a estar, claramente, em causa a segurança dos Cidadãos. Estão desprotegidos!

Humberto Domingues
Enf. Especialista Saúde Comunitária
com Pós-Graduação em Gestão Unidades Saúde
2023.09.07

quinta-feira, 27 de julho de 2023

AO QUE (ESTADO DA NAÇÃO) ISTO CHEGOU!

AO QUE (ESTADO DA NAÇÃO) ISTO CHEGOU!


A agitação política dos últimos tempos acalmou, um pouco, “descendo a temperatura tórrida” que se fazia sentir, principalmente entre a Presidência da República, O Governo e a Assembleia da República. Mas por isso mesmo, tornaram-se mais visíveis as fragilidades e problemas graves que nos assolam e preocupam no nosso quotidiano.


A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à TAP, terminou, com todo aquele espectáculo que assistimos na televisão e que teve como epílogo, um relatório que iliba os responsáveis do Governo e do PS, por más decisões e interferências na gestão, na demissão e indemnizações, apesar dos responsáveis políticos terem assumido culpas e se terem demitido. Depois, claro, o relatório foi aprovado apenas pelo PS. Vergonha!
A seguir, vem o Conselho de Estado, Orgão Superior de consulta do Sr. Presidente da República e convocado por este. Este Conselho de Estado não chegou ao fim, foi interrompido e não houve conclusões, porque o Sr. Primeiro-Ministro, Dr. António Costa, “teve” que sair, para embarcar num avião, a caminho da Islândia, para assistir ao jogo de futebol da Selecção Feminina de Portugal, no campeonato do mundo, desta modalidade.


Antes de tudo dizer, que a Selecção merece todo o apoio do Governo e do Povo Português. Isso é inquestionável! Mas depois, aí sim, questionável: A representação do Governo não podia ser feita por outro Ministro, ou até pelo Secretário de Estado do Desporto? Tinha que ser pelo Primeiro-Ministro? E justifica abandonar o Conselho de Estado, para ir ver o futebol? Afinal que importância tem o Conselho de Estado? Que papel representa este Orgão, convocado pelo Sr. Presidente da República, o mais alto Magistrado da Nação, onde participam os Ex-Presidentes da República, entre outros Conselheiros? O futebol sobrepõe-se ao Conselho de Estado e aos mais importantes assuntos de interesse nacional? Se tem importância relativa, acabe-se com este Orgão. Torna-se inútil! Mais uma vez, uma tremenda falta de respeito do Sr. Primeiro-Ministro, Dr. António Costa, pelo Sr. Presidente da República e pela Presidência da República! É que esta atitude é de um desavergonhado “tique perverso e autoritário” de um Primeiro-Ministro, em maioria absoluta.

Na Saúde, o “estado da nação” também não vai bem! A Direcção Executiva continua sem estatutos aprovados. Será que as decisões já tomadas por esta, não enfermam de nulidade?

As maternidades e serviços de obstetrícia e urgências, continuam a encerrar, para prejuízo sempre, dos seus utentes. E o Ministro da Saúde assobia para o lado. No Hospital de Stª. Maria, a “guerra e a intriga” em torno do Serviço de Obstetrícia e bloco de partos continua. Será real esta “guerra de interesses” ou corporativista?

Depois, relativamente aos Enfermeiros, verificamos a continuação da desvalorização no que diz respeito aos salários, à carreira e às condições de trabalho, inclusivamente afirmado pela OCDE e OMS. E numa comparação a nível dos países da OCDE, Portugal ocupa o 19º. lugar em 21, relativamente ao pagamento de ordenados aos Enfermeiros. Para além desta desvalorização toda, com a actual carreira de enfermagem, para se alcançar o topo, é preciso trabalhar 100 anos. Acontece isto em mais alguma carreira?

Temos que perceber que os tempos vindouros não são favoráveis, porque o País está envelhecido. Portugal é o 4º. País mais envelhecido do mundo. Esta realidade vai obrigar a grandes investimentos na Saúde e no número de profissionais, essencialmente Enfermeiros e Médicos, para cuidar de uma População envelhecida e com várias comorbilidades. Interessa por isso repensar o SNS, o seu paradigma de intervenção e prestação de cuidados e direcionar para os Cuidados Primários, domiciliários e de proximidade.

Quanto aos Médicos, nas suas justas reivindicações, não abrandam e continuam em greve, a que em algumas datas, se vão juntar os Enfermeiros, no período das Jornadas Mundiais da Juventude, em Lisboa.

O Verão vai quente. A falta de água e a seca preocupam os agricultores e a todos nós. Os produtos alimentares e de primeira necessidade atingem preços muito elevados. Os cereais atingem preços exorbitantes, decorrente da guerra da Ucrânia. A inflação está para durar. Os combustíveis continuam altos. As vagas de calor e os incêndios atormentam, não só Portugal, mas também países da Europa.

Vivemos e lutamos por um progresso e boas condições de vida na Sociedade. Mas as fragilidades são imensas e com contornos cada vez mais difíceis de superar, sejam eles por más decisões políticas ou falta de política adequada, sejam pela imposição da força que a Natureza se impõe. Resta-nos, com muita resiliência, lutar, ter direito à opinião e a outras opções e querer sempre, um Portugal melhor.

Boas Férias a Todos!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2023.07.26

quarta-feira, 12 de julho de 2023

A DEMOCRACIA ESTÁ A DEGRADAR-SE. POIS ESTÁ!

A DEMOCRACIA ESTÁ A DEGRADAR-SE. POIS ESTÁ!


O Povo Português, corajoso, lutou e muito, durante muitíssimos anos, alguns pagando com a própria vida e de alguns familiares, outros foram deportados e tantos outros foram torturados, até à conquista da liberdade e instauração da Democracia, neste belo país, de seu nobre nome, Portugal.
Estão passados quase 50 anos, meio século portanto, desta conquista e, tantos de nós Cidadãos, humildes, mas sérios e honestos, notamos e sentimos que a tão desejada Democracia e muito querida liberdade está em processo de degradação acentuada. Alguns querem impor o delito de opinião. A ditadura económica impõe-se, a inflação come os pequenos ganhos, retirando capacidade económica aos Cidadãos mais desfavorecidos. Os idosos têm reformas pequenas, o que não lhes possibilita grandes condições de vida desafogada. O acesso aos cuidados de saúde, Médico e Enfermeiro de Família, estão diminuídos. Consulta de especialidade e cirurgias, com longas listas de espera, penalizando precisamente quem não tem outro recurso, nem seguros de saúde, e tem de “aguentar”.


Perante uma evolução e história recente, nestes 49 anos, e por muito estranho que pareça, em nossa opinião, é precisamente o “Poder Político” que mais tem degradado a democracia e, com medidas e leis desadequadas, limitando a liberdade, nas mais variadas formas e expressões. Sociologicamente, estamos mais evoluídos. O pensamento social mais exigente. Mas as condições e vida societal, são as melhores?



Os actos eleitorais têm registado altíssimas taxas de abstenção, suportadas com muitas desculpas, mas assentes também, em factos e realidades inequívocas: alheamento dos jovens ao “facto político” e desacreditação nas escolhas e mudanças de tão fracos políticos e projectos colocados a sufrágio dos Cidadãos eleitores.


As Instituições não se respeitam. As críticas, na praça pública, são feitas sem decoro, sem respeito e sem ”etiqueta”!

Nestes últimos dias fomos confrontados com declarações e críticas do Sr. Ministro da Cultura (e logo da Cultura) Dr. Pedro Adão e Silva, sobre os senhores Deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito à TAP e “os modos” como correram os trabalhos desta CPI. Convém lembrar que, o Sr. Primeiro-Ministro, Dr. António Costa, em tempos passados, quando houve o caso do Dr. João Soares, também enquanto Ministro da Cultura, referiu …”nem à mesa do café podem deixar de se lembrar que são membros do Governo” …“Devem ser contidos”… (Dr. António Costa).

Este caso das críticas do actual Ministro da Cultura, tem particular importância e tornou-se numa descortesia e até, talvez, numa deslealdade, com o ex-membro do governo e com a CPI, porque:

1- Quem presidiu à CPI, foi o ex-Secretário de Estado da Saúde, Dr. Lacerda Sales, deste mesmo Governo a que pertence o Ministro da Cultura;

2- O Governo responde perante o Parlamento e não este Orgão de soberania perante o Governo. E por isso, não pode haver aqui uma inversão de papeis e a tal falta de respeito:

3- A (tentativa) transformação de trabalhos de uma CPI, com a importância que ela tem, os documentos que produziu, as verdades e tentativas de adulterar as verdades e as horas mediáticas que consumiu, num caso de desvalorização total, que possa servir os interesses do PS e desacreditar as outras forças políticas;

4- O próprio Presidente da CPI, Deputado, Dr. Lacerda Sales, qualificou as declarações do Ministro da Cultura de “falta de respeito” e “caracterização muito injusta”, solicitando até que o Sr. Ministro se “retrate”;

5- Terão sido estas afirmações propositadas para criar um momento e facto político e de distração, à demissão do Secretário de Estado da Defesa, por corrupção?

Depois, numa outra dimensão, a relatora desta CPI, Deputada do PS Ana Paula Bernardo, apresentou um documento/relatório eliminando factos concretos, que vimos e ouvimos nas televisões, com afirmações até, dos próprios, e que são desvalorizadas neste relatório. Factos estes, da TAP, que deram origem à CPI e onde se demitiram, Ministro, Secretário de Estado, Gestora e CEO da TAP.

Para além disso, os muitos casos e casinhos deste governo, os arrufos entre o Sr. Presidente da República e Sr. Primeiro-Ministro na praça pública, episódios de tiques autoritários e comentários menos nobres, gravados pela televisão/canal do Parlamento, do Sr. Presidente da Assembleia da República, Dr. Augusto Santos Silva e, tantos outros, associados ao tráfico de influência, favores e corrupção, degradam, seguramente, a Democracia. Último caso de demissão (e já lá vão treze) no Governo por corrupção – Secretário de Estado da Defesa, Marco Capitão Ferreira.

Parece-nos, com culpa de todos os partidos políticos, que os melhores da Sociedade Portuguesa, ficam sempre de fora, afastam-se e não querem participar nesta amálgama de baixa cotação de valores, colocando o seu bom nome em causa.

E o Povo como reage? E o Povo tem escolha? O Povo tem sempre razão! Por isso quererá eleger sempre os seus representantes, que muitas vezes não correspondem às espectativas e ao que se esperava deles, bem como ao bom nome que o bom Cidadão Português tem! Precisam-se de novos valores, não só éticos, mas também morais.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2023.06.12

sexta-feira, 30 de junho de 2023

PEDROGÃO

PEDROGÃO




Pedrogão,

Uma palavra que hoje magoa e trás más memórias ao Povo Português. Faz-nos lembrar, também, outra tragédia da queda da ponte de Entre-os-Rios.

Pedrogão, porque foi num passado mais recente – 6 anos – está mais presente.

Ainda hoje, é doloroso, e vai continuar a ser, olhar para as imagens de memória de pessoas mortas pelo fogo, carros ardidos, casas afundadas, florestas destruídas e sonhos adiados.

Foi esta semana, depois de alguns desencontros políticos, que aconteceu uma cerimónia com o Sr. Presidente da República e Sr. Primeiro-Ministro, junto ao mural com os nomes das vítimas. Vítimas mortais!

Pedrogão podia ter sido uma oportunidade para o interior. E não foi! Uma oportunidade para a reflorestação, para o planeamento da floresta e daquele território. Mas não, tudo falhou! Pedrogão foi esquecido durante 6 anos!

A questão é esta, quando a política se intromete e porque são interesses do interior e não de Lisboa, tudo se adia! Tudo fica esquecido! Tudo é secundário! Até quando?

Sem retirar a importância e a memória por quem morreu, por quem perdeu os seus entes queridos, por quem ficou ferido ou sozinho, há outros “Predogãos” adiados e esquecidos, por esse país fora!

H. D.
2023.06.30

terça-feira, 27 de junho de 2023

PREVENÇÃO DE QUEIMADURAS SOLARES

PREVENÇÃO DE QUEIMADURAS SOLARES


O Verão já chegou e com ele, temperaturas muito altas. O Santo António festejou-se num misto de chuva e sol, o São João e São Pedro, com muito calor, o que levou as pessoas a exporem-se demasiado e abruptamente ao sol, na praia e esplanadas, provavelmente sem prévia preparação e a horas inapropriadas aos intensos e agressivos raios solares.


Todos nós nos expomos em demasia ao “Rei Sol”, correndo o risco de sofrermos uma queimadura dérmica. Assim, numa prespectiva de prevenção, pretendemos deixar nesta crónica, alguns ensinamentos sobre prevenção e protecção de “queimaduras solares”.



A nossa pele é o maior órgão do corpo humano. Este órgão é constituído por 3 camadas: a “Epiderme” de média espessura (face externa), a “Derme” de maior espessura, é a camada intermédia e a “Hipoderme”, é a camada de menor espessura e a mais profunda.


A nossa pele é um órgão sensível, protector e a primeira barreira às agressividades que sofremos, quer sejam através de radiações ambientais, químicas ou outras, nomeadamente, pela agressividade e traumatismo que as roupas, que diariamente usamos, nos provocam (costuras duras, roupas apertadas, muitos fios e fibras sintéticas), os detergentes e sabões que usamos quer na lavagem das roupas, quer na nossa higiene pessoal e por exposição ao Sol e poluentes. A pele é elástica, tem um brilho próprio e tem várias tonalidades, conforme a raça, a matriz genética, a geografia onde vivemos ou somos oriundos e a quantidade de melanina que cada indivíduo possui na sua constituição orgânica. Em média a pele mede +/- 2 m2 e pesa entre 4 e 9 Kg (claro está que, um bebé não possui tanta área corporal e por isso também mede e pesa menos. No inverso, uma pessoa obesa e com grande área corporal alcança limites superiores destes valores).

A pele precisa de ser bem hidratada para manter todas as suas características saudáveis e de protecção. Esta hidratação pode ser de forma “mecânica” por aplicação manual de cremes e líquidos hidratantes, ou de forma sistémica, com a ingestão de líquidos, principalmente de água e sumos naturais e o consumo de frutas e legumes variados.

Relativamente às radiações solares, estas são, em simultâneo, através de radiações de raios UV (ultravioletas), que se dividem em 3 tipos: A,B e C, conforme o seu comprimento de onda. Ora vejamos:

UVA – É o mais nocivo. Afecta a “Derme”. Penetra mais profundamente na pele, causa envelhecimento e pode provocar cancro da pele, alergias e manchas. Incide na nossa pele mesmo com chuva, névoa ou neve. 95% das radiações solares têm composição dos raios UVA.

UVB – Afecta a “Epiderme”. É o responsável pelos “vermelhões”, ardência e queimaduras solares. É mais intenso entre as 9 e as 16 horas. Penetra facilmente na pele e contribuem com 5% na composição das radiações.

UVC – São bloqueados pela camada de ozono e filtrados pela atmosfera terrestre.

Quanto ao Sol, sabemos sobejamente que é muito importante para a Saúde. Ele, “Rei Sol”, contribui para a síntese da vitamina D, fortalece os ossos e articulações, melhora o humor, cria condições e aumenta o bem estar das pessoas e ajuda a regular os ciclos do sono. Contudo, há algumas regras simples, mas importantes para nos prevenirmos da exposição solar, para que esta não seja nefasta, nomeadamente na praia. Quando a sombra é pequena, é sinal que o Sol está no seu ponto mais alto (a “pique”), por isso sinal de muita intensidade – Perigo. Quando a sombra é maior, sinal que o Sol já mudou a sua orientação, os raios solares já são oblíquos e por isso, menos perigoso. Há um “relógio solar” que deve ser utilizado: horas perigosas entre as 12 e as 16 horas; Perigo intermédio, entre as 11 e 12 horas e 16 e 17 horas. Horas apropriadas/ideais: antes das 11 horas e depois das 17 horas.

Nestes dias de praia e exposição solar, devemos considerar sempre o uso e aplicação de protector solar. Mesmo em dias nublados, deve ser aplicado, como atrás verificamos pela penetração dos raios solares. O protector solar deverá ser aplicado cerca de 30 minutos antes de sair de casa, aplicado no corpo todo e reaplicar de 2 em 2 horas. Reaplicar depois do banho ou de alguma actividade desenvolvida. O protector solar a aplicar, em cada pessoa, tem de ser de acordo com as características da nossa pele e das indicações do fabricante, sendo certo que para as crianças, deve ser sempre o protector com índice de protecção 50+ (cinquenta mais). Devemos ter particular atenção na aplicação no nariz e orelhas e deixar estas áreas bem protegidas. Merecem especial referência, as grávidas, quer na exposição solar, quer no uso de produtos e protectores solares. Outro factor a ter em atenção é o reflexo e a dispersão que os raios solares sofrem, quer na água, quer na areia, porque os raios UV dispersam-se desordenadamente.

Como sabemos que o SOL não tira férias, devemos apostar na protecção usando roupa simples, arejada e de preferência com o menor número possível de fibras sintéticas. O ideal é vestuário de algodão e de cores claras. Beber muitos líquidos, nomeadamente água e frutos naturais, comer fruta e legumes variados, usar óculos com protecção UV e guarda-sol, de preferência com material reflector ou de duplo tecto. Dedicar especial atenção, quer nas ondas de calor, quer nos períodos de maior intensidade, às crianças, grávidas e idosos.

A prevenção e o conhecimento são sempre armas que devemos ter à mão e fazer uso deles. Tenham umas boas férias, mas protejam-se, porque o Sol não tira férias e as lesões cutâneas são muito dolorosas e podem desenvolver problemas /doenças oncológicas.

Divirtam-se, com prevenção!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2023.06.27

quarta-feira, 14 de junho de 2023

OUTRO VERÃO A DESAFIAR O SNS

OUTRO VERÃO A DESAFIAR O SNS


Chegou já o novo período de férias de Verão, neste nosso lindo País, de seu nome Portugal, que tem uma das mais importantes conquistas do 25 de Abril, vivida nesta jovem democracia e em liberdade – O Serviço Nacional de Saúde (SNS).


O SNS evoluiu, aprimorou-se, modernizou-se, atingiu um patamar de excelência. Sofreu as dores do crescimento, instalando-se nas pequenas vilas e aldeias, onde as consultas do “Médico da Caixa” e os curativos e injecções dos Enfermeiros, foram evoluindo, dando lugar ao trabalho por equipas, por módulos, por lista de Médico de família, por lista geográfica de Enfermeiro de família, etc. nos novos ou renovados Centros de Saúde, até à nova filosofia das unidades funcionais: USF, UCSP e UCC integrando as ECCI. Nos cuidados secundários ou hospitalares, a evolução também foi enorme. Desde a qualidade das instalações, ao conhecimento científico das equipas multiprofissionais (conhecimento este, também nos Cuidados de Saúde Primários) e intervenção precoce no tratamento de todas as doenças, particularmente, as oncológicas. Tecnologia de ponta no auxílio do diagnóstico. Muito poderíamos escrever sobre esta realidade e evolução, mas não é essa a linha de pensamento desta crónica.

Ao longo destes tempos que correram até hoje, a política apoderou-se do SNS e, quando os políticos se aperceberam que tinham aqui terreno fértil para desbravar e se instalarem e colocar os seus “boys e girls”, começou a degradação do SNS. Também o corporativismo e os intocáveis de algumas classes profissionais, contribuíram para essa degradação e dificuldade de resposta em tempo. É certo que a procura de resposta, a pressão, o surgimento de novas e complexas patologias e o acesso/uso/democratização do SNS, também contribuíram para estas dificuldades. À custa da falta de resposta e também de complemento do SNS, para um Sistema de Saúde, o sector privado foi o que maior crescimento registou, desafiando os profissionais do público a transitarem para este, com melhores salários, regalias e condições de trabalho, que se vem degradando no SNS.

Chegados a Junho/2023, com o Verão a “bater à porta” e período de férias por excelência com a mobilidade de população para o litoral, novo desafio e dificuldades se colocam ao SNS. E isto, de certa maneira, porquê?


· Porque o Ministro mudou, mas nenhuma alteração de fundo, estrutural e política de saúde foi implementada;

· A Direcção Executiva foi constituída, tomou posse, mas ainda não possui estatutos/regulamentação, aprovada pelo Governo, que efectivamente defina a sua actuação. Em boa verdade, também nem um ano tem de exercício;

· As urgências continuam sob uma pressão permanente, porque não se implementaram estímulos, condições e reformas nos CSP, para que tal deixasse de acontecer e houvesse alternativa aos SU. As longas horas de espera no SU vão acontecer/manter-se e continuar;

· Os blocos de partos e maternidades, algumas urgências de especialidades, etc., continuam a encerrar alternadamente, devido às escalas e falta de profissionais para assegurarem o seu funcionamento, apesar do Ministro ter mudado;

· A carência e falta de Profissionais, nomeadamente Enfermeiros e Médicos é uma realidade assustadora. Os serviços estão no limite, dotações seguras por respeitar conforme as Ordens Profissionais tem afirmado, pedidos de escusa de responsabilidade de Enfermeiros e Médicos, demissões seguidas de directores de serviço, para além do cansaço e burnout, que se vem apoderando dos Profissionais e Equipas de saúde, com os Enfermeiros à cabeça.

Muito mais poderíamos escrever sobre estas lacunas.

O que se está a viver, é a consequência da má gestão, das cativações orçamentais absurdas e da não contratualização, de forma estável, e por falta de carreiras justas, cativantes e bem remuneradas, para todos os Profissionais de Saúde, que assim vão para o privado e emigram. Estas medidas castradoras têm impacto negativo nos serviços ao longo dos anos e dificultam as respostas às necessidades que os Cidadãos colocam ao SNS. As populações envelhecidas, a maior esperança de vida, as comorbilidades desta mesma população, o aparecimento de doenças novas e outras que se diagnosticam precocemente, e por isso necessitam de mais consultas, de mais cirurgias, de mais cuidados de enfermagem, implicam o aumento de trabalho, quer nos hospitais, quer nos CSP, nos atendimentos e tratamentos domiciliários, Se para um volume de trabalho aumentado, os Profissionais são os mesmos ou menos, é claro que o sistema está desequilibrado e, por isso, a resposta vai ser mais demorada, que só por esse facto, já vai ter implicações na saúde dos Cidadãos.

Na tentativa de tapar o sol com a peneira, temos a retórica política! Tudo parece que se vai resolver no dia seguinte, ou na próxima segunda-feira, como dizia o Dr. António Costa. O que é certo, é que, o descontentamento permanece na Classe de Enfermagem, porque o Governo ainda não foi capaz de uniformizar a resposta, de forma séria e justa, a atribuição dos pontos e contagem de tempo, com implicação na avaliação de desempenho, estabelecido pelo D.L. 80-B/2022. Apesar do Sr. Ministro Manuel Pizarro propagandear, à boa maneira socialista, a resolução rápida deste problema e a disponibilidade para a negociação da melhoria da Carreira de Enfermagem, ainda não encetou essas negociações e diligências. Os Médicos também estão descontentes e ameaçam com greves. Os Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica estão insatisfeitos com a falta de cumprimento de promessas socialistas e ameaçam com greves. Perante todo este cenário, com hospitais a despedirem Enfermeiros, em vez de os contratar. Escalas de serviço deficitárias. Sobrecarga de trabalho e recurso abusivo às horas extraordinárias, deixam os Profissionais exaustos. Com as férias a chegar em que a população flutuante triplica ou quadruplica em muitos casos, vai efectivamente ser outro Verão a desafiar a capacidade de resposta do SNS. Precisamos que nasçam crianças em Portugal. Seria bom que nascessem onde os seus pais desejam e que as grávidas não se vissem obrigadas a fazer 100 ou 200 kms para dar à luz, pondo em risco a vida da mãe e do bebé.

Pede-se ao Sr. Ministro da Saúde menos retórica, mais acção e cumprimento efectivo e atempado das promessas e compromissos com os Enfermeiros. Planeamento sério, para as necessidades e respostas às populações e não encerramento de serviços.

Os Profissionais cumprirão com ética e deontologia as suas obrigações. Espera-se que o Sr. Ministro Manuel Pizarro e o Governo façam o mesmo, para bem do SNS, dos Profissionais e dos Cidadãos doentes que a ele recorrem.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2023.06.14

HOMENAGEM PESSOAL AOS ENFERMEIROS PORTUGUESES

HOMENAGEM PESSOAL AOS ENFERMEIROS PORTUGUESES   POEMA AOS ENFERMEIROS  O CANTO DA ENFERMAGEM Onde a dor se faz mais densa E o medo é mais re...