domingo, 28 de dezembro de 2025

BOM E FELIZ ANO NOVO 2026

BOM E FELIZ ANO NOVO 2026


A despedir-me deste ano com gratidão no coração.

Obrigado a TODOS que caminharam comigo, apoiaram, acreditaram e ajudaram neste percurso - em especial à minha Família, a base de tudo.

Que 2026 chegue com luz, esperança e novos começos.


Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.12.29

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

FELIZ NATAL - BOAS FESTAS

FELIZ NATAL
BOAS FESTAS
BOM ANO DE 2026


Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.12.23

GALA NORTE RECONHECE, NORTE VALORIZA

GALA NORTE RECONHECE, NORTE VALORIZA
Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros


No passado dia 20 de dezembro, realizou-se a Gala da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros, “Norte Valoriza, Norte Reconhece”.


Mais do que um evento protocolar, constitui um momento de profunda reafirmação dos valores que sustentam a profissão:
  • O reconhecimento do mérito;
  • A valorização do trabalho árduo e dedicado;
  • E a celebração coletiva da excelência em Enfermagem, não esquecendo os seus protagonistas de hoje, mas essencialmente, os de ontem.

Nesta Gala recebeu uma "Menção Honrosa" por todo o trabalho e dedicação à Enfermagem, a Ex-Enfermeira Directora do Hospital Distrital de Viana do Castelo, Enfª. Maria Gabriela Vieira Lisboa Carneiro Manso Gigante.


Recebeu também o "Prémio de Excelência" a VMER de Viana do Castelo, tal como todas as VMER’s da área territorial do Norte, sob a influência da Secção Regional.



O impacto positivo desta iniciativa estende-se muito além do momento da celebração: estabeleceu um precedente de valorização que inspira e motiva, reafirmando que o trabalho dos Enfermeiros é visto, reconhecido e verdadeiramente apreciado. É uma vocação, é um compromisso com a vida, é um ato de amor ao próximo.



O Jantar de Natal também teve muita animação e convívio.

Foi um momento de muita elevação, de muito glamour e alegria.

Parabéns ao Presidente da Secção Enf. Miguel Vasconcelos, aos Colegas do Conselho Directivo e Organizadores e a Todos os Colegas homenageados nesta Gala.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária 
2025.12.23

VII ANIVERSÁRIO DO BLOG ENFERMAGEM NAS LETRAS

VII ANIVERSÁRIO DO BLOG ENFERMAGEM NAS LETRAS


Ontem 22 de Dezembro de 2025, o meu blog, Enfermagem nas Letras (enfermagemnasletras.blogspot.com) fez 7 anos.
Foram 7 anos de muita realização, de escrita e de partilha.
Estão já registadas 227 407 visualizações.


Agradeço a Todos que acederam ao meu blog, leram as minhas crónicas e partilharam também o seu conteúdo.
Este é um projecto muito pessoal, que vai caminhando no tempo, com muita humildade, deixando escrito o meu pensar, as minhas reflexões, a partilha de alguma informação ou textos de outros autores que entendo como oportuno.
Uma coisa é certa, este blog é muito pessoal, não é contra ninguém e acima de tudo, quero ter e expressar a minha total liberdade de aqui escrever o que me apetecer.

Volto a agradecer a Todos a confiança, a leitura e a partilha.

Muito obrigado.

Humberto Domingues
2025.12.23

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

SOBRE A CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA

SOBRE A CONSTITUIÇÃO DA
REPÚBLICA PORTUGUESA


Apenas uma simples opinião:

Com a evolução da Sociedade que hoje temos;

Com as questões geopolíticas que se sentem;

Com as alterações sociológicas que hoje vivemos;

Com os entraves a vários níveis que a Constituição Portuguesa tem imposto (a vários Governos e legislação);

Não será razoável pensar na necessidade de uma revisão profunda da Constituição Portuguesa?

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.12.16

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

EM DIA DE GREVE GERAL - 2025.12.11

EM DIA DE GREVE GERAL
2025.12.11


A greve é um direito, mas trabalhar também o é!

Atirar objectos e garrafas na escadaria da Assembleia da República não é protesto, é incivilidade pura. É a abdicação do diálogo, o desprezo pelas regras que sustentam a convivência democrática. Quem recorre a este tipo de acto não está a desafiar o poder, está a desrespeitar a Casa onde, em nome de todos, se debate o futuro do país. A liberdade exige firmeza, não vandalismo, exige coragem, não gestos gratuitos que apenas mancham a causa que pretendem defender. 

Portugal merece crítica dura e participação activa, nunca este ritual de desprezo e vandalismo, que nada constrói e tudo degrada.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Escolar
2025.12.11

domingo, 7 de dezembro de 2025

IV CONVENÇÃO INTERNACIONAL DOS ENFERMEIROS - II ENCONTRO DE ENFEERMEIROS GESTORES

IV CONVENÇÃO INTERNACIONAL DOS ENFERMEIROS
II ENCONTRO DE ENFERMEIROS GESTORES
FÁTIMA, 4 A 6 DE DEZEMBRO


Há encontros que nos transformam. Há momentos que não apenas nos marcam, mas nos renovam, e a Convenção dos Enfermeiros em Fátima, promovida e organizada pela Ordem dos Enfermeiros, foi exactamente isso, um renascer colectivo.


Nestes dias, rodeados pela luz serena de Fátima, compreendemos que a nossa missão como Enfermeiros, vai muito para além da técnica, do protocolo clínico ou do gesto mecânico. Somos tocadores de vidas. Somos presença no momento da fragilidade. Somos voz quando alguém perde a sua. Somos esperança quando o caminho parece escuro e a presença, quando já mais ninguém está!


“Liderar com Valor, Cuidar com Excelência” não foi apenas um lema, foi um compromisso que fez eco dentro de cada um de nós. Valor, porque liderar é servir com integridade, coragem, empatia e humanidade. Excelência, porque cuidar não é apenas fazer, é SER, ser atento, ser presente, ser dedicado, ser capaz de olhar o outro como único e como Pessoa, numa visão holística, que tanto sabemos fazer.

Aqui, aprendemos uns com os outros. Partilhámos histórias que nos emocionaram, desafios que nos moldaram e aprendizagens que nos fortaleceram. Fomos lembrados de que a enfermagem é feita de ciência, sim, mas também de alma, amor e muita dedicação. E que a cada vida que tocamos, deixamos um pouco da nossa.

Neste encontro, afirmámos também a força silenciosa, mas determinante, dos Enfermeiros gestores, aqueles que, com visão, responsabilidade e humanidade, constroem as condições para que o cuidado aconteça com dignidade. São eles, também, que equilibram recursos escassos, que enfrentam pressões constantes, que inspiram equipas inteiras e que defendem, muitas vezes na solidão dos bastidores, o que é justo para profissionais e utentes. 

Olhando com clarividência e lucidez, reafirmamos, sem hesitação, que o poder político tem o dever ético de respeitar os Enfermeiros, reconhecer o seu papel insubstituível e integrar a sua voz nas decisões que moldam a saúde do país, qualquer que seja o Serviço ou Sistema. Porque cuidar de quem cuida é um acto de responsabilidade nacional.

Ontem, saímos de Fátima com o coração mais cheio e com a consciência mais desperta. Reafirmamos o orgulho de ser Enfermeiros. Reafirmamos o valor de cada passo, de cada turno difícil, de cada lágrima, de cada sorriso arrancado a quem pensava não ter forças. Reafirmamos que, apesar das adversidades, seguimos juntos, mais unidos, mais preparados, mais humanos.

A todos os que participaram, partilharam, ensinaram e inspiraram, obrigado. Obrigado pela entrega, pela coragem silenciosa, pela ternura nos gestos, pela firmeza nas decisões. Obrigado por fazerem da Enfermagem uma arte de cuidar e da liderança, um acto de generosidade.

Que este encontro nos acompanhe nos dias que virão, que não serão fáceis. Que deste compromisso se faça acção e afirmação. Que recordemos e aprendamos com o exemplo dos premiados. 

Que este lema se faça vida. Porque liderar com valor é o caminho. E cuidar com excelência, é a nossa essência.

Obrigado Sr. Bastonário da Ordem dos Enfermeiros por mais esta realização e escrita de mais uma página no livro da Enfermagem Moderna em Portugal e no Mundo.

Obrigado a Todos os Enfermeiros, por terem sabido estar, com Excelência e acrescentado Valor, neste grande evento.

Senhores ENFERMEIROS, seguimos, juntos, sempre!

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.12.07










quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A SIDA - 1 Dezembro

DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A SIDA - 1 Dezembro
Data assinalada no âmbito da Saúde Escolar


A Unidade de Cuidados na Comunidade Viana do Castelo (UCC VC), no âmbito da Saúde Escolar e o Agrupamento de Escolas de Stª. Maria Maior, nomeadamente na Escola Frei Bartolomeu dos Mártires, assinalaram o “Dia Mundial de Luta contra a SIDA” que é a 1 de Dezembro, com a realização de sessões, histórias e jogos didáticos, em todas as turmas do 8º. Ano.

O Desenvolvimento destas actividades, já são clássicas e habituais, neste Agrupamento de Escolas, que tem atravessado todos os Alunos, ao longo dos anos lectivos.


A essência destas intervenções é a promoção da Saúde e a prevenção, a educação e formação de Cidadãos de corpo inteiro, com a capacidade de dizer NÃO, quando em causa estão de comportamentos de risco."

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.12.03

terça-feira, 25 de novembro de 2025

A DEMOCRACIA IMPLACÁVEL PARA COM OS QUE SE JULGAM INSUBSTITUÍVEIS

A DEMOCRACIA IMPLACÁVEL PARA COM OS QUE SE JULGAM INSUBSTITUÍVEIS

Fonte: Wikipédia - Democracia em Atenas

Acabou de se comemorar o 25 de Novembro. Aconteceram há poucas semanas, as “Eleições Autárquicas 2025”. Talvez o patamar político, onde a alternância democrática se verifica e mais se sente. Onde castelos se julgavam “indesmontáveis”, caiem e levam consigo vaidades intermináveis, humildades aproveitadoras e ocos estatutos. E talvez por isso, a Democracia na sua “ferocidade”, na sua “clarividência e crueldade serena” e numa justiça fria, impõe-se pela expressão do voto. Quem nela ascende julgando-se insubstituível comete o erro mais elementar de confundir o poder que exerce com a fonte que o concede. A Democracia não pertence a ninguém, e todos pertencem a ela apenas enquanto servem.


Os que se julgam eternos no trono (políticos, líderes, tecnocratas, até salvadores), esquecem que a Democracia vive do desgaste, da alternância, do contraste de ideias e projectos. Ela é uma máquina que se alimenta da substituição. Substituir é o seu instinto natural, o seu modo de garantir que nenhum Homem, por mais brilhante ou popular que seja, possa transformar-se em dono do destino coletivo. Ela não perdoa os que se apoderam e se julgam donos dela.

O erro dos autointitulados indispensáveis é confundir influência com necessidade. Julgam que o país, a região, o concelho, o partido, ou a história desabarão sem a sua presença. Apresentam-se como salvadores, tratam a sua vitória como um baptismo divino e acreditam que o país ou qualquer concelho ou região, gira ao redor da sua vontade. Esquecem, porém, que a Democracia é um sistema que não tolera idolatrias. Esquece depressa os nomes, mas nunca o princípio de que, ninguém está acima da regra, ninguém é maior do que o voto, ninguém é insubstituível.

E quando um desses “insubstituíveis” tenta desafiar a lei da alternância, seja agarrando-se ao cargo, manipulando o discurso ou cultivando a idolatria das massas, a Democracia decide corrigir, fá-lo com frieza e precisão cirúrgica. Expulsa os vaidosos, varre os prepotentes, e arquiva os nomes que outrora julgavam-se eternos. Reage como um organismo que rejeita o corpo estranho. Expulsa-o com o mesmo rigor com que um sistema imunológico elimina o vírus que ameaça o equilíbrio. É uma purga lenta, às vezes dolorosa, mas inevitável. Ela não ama, não venera, não chora. O povo pode aplaudir, mas o “sistema observa”. E no instante em que o “Servidor” se confunde com o “Senhor”, a Democracia faz o que tem de ser feito, destrona-o, esquece-o e segue adiante. Porque mais importante do que qualquer rosto é a permanência do princípio, esse pacto silencioso de que ninguém é dono do amanhã. E quem confunde mandato com posse, quem se acha indispensável à história, cedo ou tarde é corrigido pela força silenciosa do voto e pela frieza da memória coletiva.

Ela vive da renovação, do conflito e da substituição. O político que nela permanece demasiado tempo começa a apodrecer dentro dela. A Democracia é feita para que ninguém se eternize. Não é por virtude, é por sobrevivência. Porque todo o poder prolongado demais deforma-se, e todo o líder que se julga essencial transforma-se, inevitavelmente, em ameaça.

O voto que elege é o mesmo que destrona. A popularidade que embriaga é a mesma que, no dia seguinte, vira indiferença. O povo, quando farto, não hesita, troca, varre, esquece. E é nesse esquecimento que reside a força da Democracia. Ela não precisa odiar para punir. Basta seguir o seu curso natural, o da substituição. E é muito comum, entre os que se julgam insubstituíveis, confundirem autoridade com propriedade. Um líder cai, outro surge, e a vida continua porque o essencial não é quem manda, mas o facto de que pode ser trocado.

Muitos destes “insubstituíveis” acreditam que a máquina do Estado lhes deve lealdade, que o partido lhes pertence, que o povo lhes deve gratidão. Mas a Democracia não deve gratidão a ninguém. Ela é/será o regime da ingratidão institucionalizada e é isso que a torna invencível. Quando chega a hora, não há título, carisma ou legado que salve.

É um sistema impiedoso, sim mas é essa impiedade, que garante a liberdade. Por isso, aos que hoje se olham ao espelho e se veem como indispensáveis, convém lembrar que ninguém é maior do que o voto, ninguém é dono da vontade popular. A Democracia pode ser lenta, mas nunca é cega e, no fim, ela cobra a conta de todos.

Como é implacável a Democracia. Pode tolerar o ego por um tempo, mas nunca o substituirá pela servidão. Quem nela entra pensando ser eterno, nela morre politicamente e sem epitáfio.

Humberto Domingues
Mestre em Sociologia da Saúde
2025.11.25

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

INOVAÇÃO NO CUIDAR EM TEMPOS DIGITAIS

INOVAÇÃO NO CUIDAR EM TEMPOS DIGITAIS

O sector da Saúde vive uma das transformações mais aceleradas das últimas décadas. A convergência entre empreendedorismo e tecnologia tem gerado um ecossistema vibrante, onde startups, centros de investigação, universidades e instituições de saúde colaboram para criar soluções que prometem revolucionar a forma como se cuida, previne e gere a saúde. Contudo, esta revolução tecnológica só será verdadeiramente transformadora se mantiver no centro a pessoa e não apenas, o dispositivo ou o dado.


Vivemos então, uma era em que a tecnologia deixou de ser um instrumento de apoio para se tornar uma presença estruturante nas nossas vidas. A digitalização alcançou praticamente todos os setores, e o cuidar, entendido aqui como o acto de assistir, apoiar, tratar e acompanhar o Utente, numa dimensão, para além do que as palavras significam, não ficou imune a essa transformação. A “inovação no cuidar em tempos digitais”, impõe-se como uma necessidade e, ao mesmo tempo, como uma oportunidade para repensar o que significa ser humano num mundo cada vez mais mediado por algoritmos e ecrãs.


Nas últimas décadas, a relação entre o profissional do cuidar/Profissional de Saúde e o sujeito cuidado/Utente, evoluiu de forma profunda. A introdução de tecnologias de monitorização remota, registos eletrónicos de saúde, inteligência artificial aplicada ao diagnóstico e até robôs de assistência, tem alterado os modos tradicionais de prestação de cuidados. O que antes dependia exclusivamente do toque, da escuta e da presença física, passa agora a ser mediado por dispositivos que prometem precisão, rapidez e eficiência. No entanto, essa transformação traz também desafios éticos e humanos que não podem ser ignorados. Mas também não substitui a importante componente humana do tratar, do cuidar e do escutar.

A inovação digital oferece inegáveis benefícios. Permite, por exemplo, que pessoas em zonas rurais ou com mobilidade reduzida acedam a consultas médicas on-line, que a monitorização de sinais vitais ocorra em tempo real, e que a análise de dados antecipe complicações de saúde antes que estas se tornem críticas. Além disso, os sistemas digitais de gestão de informação melhoram a continuidade dos cuidados, reduzem erros e libertam tempo aos profissionais para se concentrarem no essencial: a relação com o Utente. A tecnologia, quando bem integrada, pode ser uma aliada poderosa no ato de cuidar.

Contudo, esta inovação não é neutra. A crescente dependência das ferramentas digitais levanta questões sobre privacidade, equidade e desumanização. Num contexto em que o toque é substituído por sensores e a escuta por algoritmos, corre-se o risco de o cuidado se tornar uma mera transação técnica. A empatia, a intuição e a dimensão emocional do cuidar são elementos que nenhuma máquina pode replicar plenamente. O desafio, portanto, não está em rejeitar a tecnologia, mas em garantir que ela complemente e não substitua a dimensão humana, nunca!

É preciso, também, reconhecer que a literacia digital é hoje um determinante social da saúde. Quem não domina as ferramentas digitais corre o risco de ficar excluído dos novos modelos de cuidado. A inovação deve ser inclusiva, desenhada com e para as pessoas, respeitando as diferenças culturais, geracionais e cognitivas. Inovar no cuidar é, antes de tudo, inovar na forma como se cria proximidade, mesmo à distância, com o nosso Utente.

Mais do que uma revolução tecnológica, o que vivemos é uma revolução relacional. A tecnologia desafia-nos a redefinir o papel do profissional neste “novo cuidar”: de executor de procedimentos para mediador entre o humano e o digital. Isso requer novas competências, não apenas técnicas, mas também éticas e comunicacionais. O profissional inovador é aquele que sabe equilibrar a eficiência das máquinas com a sensibilidade humana, que entende que cuidar é, no fundo, um acto de presença, mesmo quando essa presença se dá através de um ecrã.

A inovação no cuidar em tempos digitais não se mede apenas pela sofisticação das ferramentas, mas pela capacidade de manter viva a essência do cuidado: o reconhecimento do outro na sua vulnerabilidade e dignidade. Que a tecnologia seja ponte, e nunca muro, entre quem cuida e quem é cuidado. E que não impeça, sempre para benefício do Utente, que através de diferentes plataformas possibilitem acesso à informação clínica, em tempo útil.

Sabemos que a saúde é um setor particularmente sensível à inovação. Mas aqui, o erro tem consequências humanas diretas, e por isso, a ética deve ser o fio condutor de qualquer projeto empreendedor. O ponto comum é a busca e procura de soluções mais eficientes, personalizadas e sustentáveis, capazes de responder aos desafios crescentes de um sistema de saúde pressionado por envelhecimento populacional, escassez de profissionais e aumento dos custos.

Inovar em saúde não é apenas criar novos produtos, mas redesenhar sistemas que promovam dignidade, acesso e sustentabilidade, onde o compromisso ético e deontológico, não falte, em qualquer momento do “percurso”.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.11.06

sábado, 1 de novembro de 2025

O SILÊNCIO DO LÍDER APÓS O SUCESSO

O SILÊNCIO DO LÍDER APÓS O SUCESSO:
A IMPORTÂNCIA DO REFORÇO POSITIVO NA CONSOLIDAÇÃO 
DA CULTURA DA EQUIPA

Fonte: Gestão de Projectos na Prática

Perturba-me, cria-me descontentamento e tristeza, desenvolve-me ansiedade e nervosismo, cria-me desgaste, quando “escuto o silêncio” insensível do líder, numa fuga de pobreza estratégica, e de demonstração de incapacidade, de se dirigir aos seus Colaboradores, num momento de almoço, após um feito de sucesso, que acabou de acontecer.

Dizem os “expert” e está escrito nos livros, que num contexto corporativo ou institucional, a liderança eficaz ultrapassa a mera coordenação de tarefas ou a execução de estratégias. O verdadeiro exercício da liderança revela-se na capacidade de mobilizar pessoas, reconhecer contributos e consolidar o sentido de pertença. Quando, após um momento de sucesso coletivo — como o término de uma conferência bem-sucedida —, o líder/organizador se abstém de expressar reconhecimento, instala-se um silêncio que comunica mais do que a ausência de palavras: transmite desvalorização, distância e falta de atenção emocional.

Segundo Daniel Goleman (1998), a inteligência emocional constitui um dos pilares fundamentais da liderança eficaz. A capacidade de reconhecer o esforço dos outros, de exprimir empatia e de gerar entusiasmo, são competências que distinguem o líder transformador do gestor meramente técnico. O reforço positivo, neste contexto, representa um acto de inteligência emocional aplicada — o reconhecimento da dimensão humana que sustenta o desempenho colectivo.

Durante o almoço entre colaboradores e colegas, que se segue ao evento realizado com sucesso, alguns elementos da equipa esperariam um gesto simbólico de apreço, uma palavra de gratidão ou uma breve reflexão do líder sobre o significado do trabalho realizado (admito que a maior parte dos elementos da Equipa, apenas estava no prazer de uma conversa de futilidades e no degustar de um saboroso almoço). Mas para nós, esta Equipa que estava reunida, a almoçar, não era um Grupo que se juntou, para acidentalmente almoçar, dizer umas larachas, pagar e ir embora. Não! Não era este Grupo, era/é muito mais que isso!

A ausência desse gesto (palavra de gratidão ou uma breve reflexão não para apontar falhas ou desencontros) não é neutra, pelo contrário, mina silenciosamente o capital motivacional do grupo. Peter Drucker (1999) lembrava que “a cultura come a estratégia ao pequeno-almoço”, e, sem reconhecimento, a cultura organizacional tende a resvalar para a apatia e o conformismo, mesmo quando a estratégia é sólida.

A literatura sobre liderança transformadora, designadamente os contributos de James Kouzes e Barry Posner (2007), reforça esta perspectiva ao destacar o papel do reconhecimento como um dos cinco pilares fundamentais da prática de liderança exemplar. Para estes autores, “encorajar o coração” — isto é, reconhecer as contribuições individuais e celebrar os valores e as vitórias partilhadas — é essencial para sustentar o empenho e a confiança mútuos no seio das equipas.

Assim, o silêncio do líder após o sucesso, não é uma mera omissão: é uma falha simultaneamente estratégica e emocional. Frederick Herzberg (1959), ao distinguir entre factores de estratégia e factores motivacionais, já sublinhava que o reconhecimento constitui um dos principais elementos que alimentam a motivação intrínseca. A ausência desse reconhecimento reduz o entusiasmo e fragiliza a ligação psicológica ao trabalho e à organização.

Por fim e em última análise, o reforço positivo não é um ornamento, mas uma ferramenta essencial de gestão e de cultura. A liderança que reconhece o mérito constrói confiança, promove coesão e assegura continuidade. A liderança que se silencia após o êxito desperdiça uma oportunidade de fortalecer o capital humano e simbólico da Equipa/Organização.

Assim, o líder que não fala, comunica — e, muitas vezes, comunica precisamente o contrário do que desejaria: desinteresse, indiferença e afastamento.

O sucesso, para ser sustentável, deve ser partilhado. E a palavra do líder, quando genuinamente reconhecedora, tem o poder de transformar um feito pontual num legado colectivo.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.11.01

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

A NÃO PEDAGOGIA DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

A NÃO PEDAGOGIA DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA


O Plenário da Assembleia da República "ofereceu" a todos mais um triste momento, do que ali se passa e que não enobrece ninguém!


Na fase final de discussão do Orçamento de Estado para 2026, assistimos a um engalfinhar de discursos entre os Deputados Eurico Brilhante Dias do PS e André Ventura do Chega, nada digno. Depois todos os apartes dos Senhores Deputados!


Que exemplo!

Que vergonha!

Que imagem alguns Deputados passam para o comum Cidadão de Portugal.

Exemplos destes na Casa da Democracia??? Que pedagogia? Que triste imagem!

Alguns Senhores Deputados, nem respeito mostraram pelo Presidente da AR, que teve que ter nervos de aço, reforçado, para deixar a Democracia funcionar, tendo em atenção, a "liberdade de expressão", de algumas bancadas. E notava-se que, de algumas bancadas, mais exuberantes e com apartes e gestos inadequados, alguns Deputados mostravam-se envergonhados! Foi esta a minha leitura. Foi isto que eu vi!

Quando o Povo votou e elegeu os Seus Deputados de alguns partidos, foi para fazerem estas tristes figuras no Parlamento?

Penso, muito seriamente, que não!

H. D. 2025.10.29






terça-feira, 21 de outubro de 2025

MEDALHA - 25 ANOS INSCRIÇÃO NA ORDEM DOS ENFERMEIROS

MEDALHA - 25 ANOS 
INSCRIÇÃO NA ORDEM DOS ENFERMEIROS

 

No passado dia 2025.10.20 teve lugar no Auditório da ULSAM a cerimónia da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros, para entrega da "Medalha dos 25 Anos de Inscrição", nesta Organização reguladora da Profissão - Ordem dos Enfermeiros.


A cerimónia contou com a presença da Vice-Presidente da Ordem, Enfa. Ana Fonseca, do Presidente da Secção Regional do Norte, Enf. Miguel Vasconcelos, do Presidente do CA, Dr. José Cardoso e da Enfa. Directora Enfa. Dulce Pinto, da ULSAM, EPE.


Recebi a minha medalha, nesta cerimónia, onde cerca de centena e meia de Enfermeiros, também a receberam.

Foi uma cerimónia muito digna, em que, de certa forma, foram homenageados os Enfermeiros e a demonstração de uma Ordem presente, junto da Classe e na visibilidade e implicação que esta Profissão tem em toda a Sociedade. Não faltou o momento musical interpretado, também por um Enfermeiro. 

Obrigado por este momento, no meu percurso profissional.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
H. D. 2025.10.21

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

II CONVERSAS DE OUTONO DA UCC VIANA DO CASTELO

II CONVERSAS DE OUTONO
DA UCC VIANA DO CASTELO
2025.10.31

A Unidade de Cuidados na Comunidade Viana do Castelo, vai realizar no dia 31 de Outubro, as II Conversas de Outono, cujo programa segue a este texto.

As inscrições são gratuitas, embora com obrigação de inscrição para o e-mail descrito no programa.


Este evento é direccionado para a "Inteligência Artificial" e tudo o que hoje nos envolve, quer na nossa vida profissional, como social e até privada.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
2025.10.13

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

12 DE SETEMBRO - DIA NACIONAL DO ENFERMEIRO DE SAÚDE COMUNITÁRIA E DE SAÚDE PÚBLICA

12 DE SETEMBRO - DIA NACIONAL DO ENFERMEIRO DE 
SAÚDE COMUNITÁRIA E DE SAÚDE PÚBLICA

Fonte: ESSATLA

Todas as profissões merecem ter o seu dia registado no calendário, atribuindo-lhe importância, relevo e pelo menos, para que anualmente, essa efeméride seja lembrada e até comemorada. Nas Ciências Sociais e particularmente na Ciência da Saúde, usa-se/utiliza-se muito esta “saudável metodologia” para homenagear personalidades que se destacaram na ciência, a distinção de determinadas profissões, especialidades ou grupo profissional, doenças que têm um impacto enorme nas Sociedades, etc. A Enfermagem não foge a esta regra. E ainda bem! Por um lado, pela Ciência que é e, por outro, pela importância que representa nos Sistemas de Saúde e relevância que com a sua intervenção, se traduz em ganhos em saúde para o Indivíduo, Família e Comunidade.


Foi retomado o processo (interrompido pela dissolução da AR) para a criação do “Dia Nacional do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Comunitária e de Saúde Pública”, iniciado anteriormente pelo Colégio respectivo e recuperado agora, com o muito trabalho já feito, e que o Sr. Bastonário concordou e formalizou junto de Sua Excelência o Presidente da Assembleia da República, solicitando e propondo o dia 12 de Setembro para esta comemoração.


No seguimento desta iniciativa e trabalho desenvolvido, teve lugar em Coimbra, nos dias 12 e 13 de Setembro o “Congresso Internacional de Enfermagem Comunitária”, tendo como tema e objectivo do Congresso “A Enfermagem Comunitária, como estratégia política do SNS”. Na avaliação e conclusão do Congresso, levou o seu Presidente, Professor Doutor José Hermínio Gomes a afirmar que “abordámos a intervenção junto das populações mais vulneráveis. Aqui ficou claro que a Enfermagem Comunitária tem um papel insubstituível: olhar para as determinantes sociais da saúde, promover equidade, fortalecer comunidades e ser voz ativa junto dos decisores políticos. Acrescentou ainda que “este congresso termina, mas deixa-nos um legado: a certeza de que a Enfermagem Comunitária e de Saúde publica e de Saúde Familiar está cada vez mais afirmada, visível e reconhecida como pilar estruturante de um Serviço Nacional de Saúde moderno, justo e próximo das pessoas. Vivemos tempos desafiantes, em que os sistemas de saúde enfrentam pressões sem precedentes. Mas também vivemos tempos de oportunidade, em que a prevenção, a proximidade e a equidade são valorizadas como nunca. Cabe-nos a nós, Comunitária e Familiar, transformar esta oportunidade em realidade, com ciência, ética e compromisso.”

Confirmada a importância desta Especialidade de Enfermagem, o Sr. Bastonário Enf. Luís Filipe Barreira referiu na sua missiva que a “A Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde, realizada, sob a égide da Organização Mundial da Saúde (OMS), a 12 de Setembro de 1978, em Alma-Ata, é uma referência histórica no reconhecimento global da importância dos Cuidados de Saúde Primários enquanto primeiro nível de contacto dos indivíduos, da família e da comunidade com o sistema de saúde, evidenciando a necessidade de actuação e compromisso de todos os stakeholders envolvidos, na protecção e promoção da saúde de todos.

O reconhecimento do Dia Nacional do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Comunitária e de Saúde Pública constitui-se como uma homenagem a estes Enfermeiros, reflectindo o reconhecimento da contribuição indispensável destes profissionais para a saúde global, em conformidade com os princípios da Conferência de Alma-Ata de 1978, da Declaração de Munique de 2000 e pelos princípios de acesso universal e seguro a cuidados de saúde da OMS.

Este dia serviria para celebrar os Enfermeiros Especialistas nesta área, mas também para sensibilizar para a importância de expandir e valorizar a sua função crítica nos Cuidados de Saúde Primários, essenciais para alcançar a cobertura universal de saúde.”

Pensar, governar e gerir a Saúde, sem preocupação de acautelar a dimensão dos CSP, no global e da Enfermagem Comunitária e de Saúde Pública, em particular, é abdicar de muito que a evidência cientifica demonstra e é continuar a gastar grandes orçamentos de despesa no tratamento da doença e na visão dos cuidados secundários, com urgências e serviços de internamento/cirurgias, incapazes de dar resposta às demandas e solicitações da Comunidade.

Relendo estas declarações, parece-nos que o modus operandi na gestão da Saúde, para alcançar o sucesso terá que ser o aproveitamento da competência e conhecimentos dos Enfermeiros nas várias dimensões do “cuidar e do tratar”, mas essencialmente na dimensão do “prevenir”, investindo-se na acessibilidade de cuidados de saúde, na promoção da saúde, na prevenção de doenças e na prestação de cuidados continuados e integrados, de forma equitativa na e para a Comunidade.

Voltamos a citar o Presidente do Congresso afirmando que “a Enfermagem Comunitária é futuro. Um futuro que se constrói lado a lado com as pessoas, apoiando famílias, fortalecendo comunidades e defendendo a dignidade humana em todas as circunstâncias.”

Temos para nós, que efectivamente o dia 12 de Setembro é o “Dia Nacional do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária e de Saúde Pública”. Assim a Assembleia da República reconheça esta data histórica e aprove a criação deste dia no calendário Português.

Humberto Domingues
Enf. Especialista em Saúde Comunitária
2025.10.06

QUANDO A NATUREZA FALA MAIS ALTO, É PORQUE “NÃO QUISEMOS” OUVIR?

QUANDO A NATUREZA FALA MAIS ALTO, É PORQUE “NÃO QUISEMOS” OUVIR? Fonte da Foto: Público Perante tão avassaladora onda de destruição, de dev...