sábado, 28 de fevereiro de 2026

MOÇÃO APRESENTADA NA ASSEMBLEIA REGIONAL DA SECÇÃO DO NORTE DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

MOÇÃO APRESENTADA NA ASSEMBLEIA REGIONAL 

DA SECÇÃO DO NORTE DA ORDEM DOS ENFERMEIROS

MOÇÃO DE CONGRATULAÇÃO



 

"Reconhecimento e Valorização do Trabalho da Secção Regional do Norte

Um Ano de Excelência, Liderança e Compromisso

 

Senhor Presidente da Mesa da Assembleia Regional do Norte, Enf. Vítor Machado

Senhor Vice-Presidente da Ordem dos Enfermeiros, Enf. João Paulo

Sr. Presidente da Secção Regional do Norte, Enf. Miguel Vasconcelos

Caros Colegas!

É com genuína emoção e profundo reconhecimento que me dirijo a Vós nesta Assembleia Regional, em Braga, momento próprio para nos dirigirmos aos Colegas Enfermeiros do Norte. E faço-o numa Moção, para memória futura, porque para além dos “Relatórios de Actividades e Orçamentos” votados nesta Assembleia, solicito que este documento fique apenso à acta desta Assembleia.

 


Encerrou-se mais um ano repleto de realizações significativas e é com muita satisfação e reconhecimento que me dirijo à Ordem dos Enfermeiros, em particular à sua Secção Regional do Norte, para expressar e registar o trabalho notável desenvolvido em prol da valorização, da coesão e do fortalecimento da profissão de Enfermagem.

 Passou já meio mandato!

Ao longo deste período, (dois anos de Dedicação e Empenho Exemplar) a Nossa Ordem demonstrou, uma vez mais, o seu papel insubstituível como guardiã dos valores éticos e, essencialmente deontológicos, e profissionais que definem a Enfermagem Portuguesa. A Secção Regional do Norte, em particular, revelou-se com uma dinâmica de excelência, canalizando esforços contínuos para a defesa dos direitos dos Enfermeiros, a proximidade, a promoção da qualidade dos cuidados e o reconhecimento merecido da profissão na Sociedade a Norte.

Este compromisso com a missão institucional não seria possível sem a liderança exemplar, o empenho e a dedicação notável que caracterizam a atuação do seu Presidente, Enf. Miguel Vasconcelos e todo o Conselho Directivo. A Vossa visão estratégica, a capacidade de mobilização e o espírito de serviço demonstraram-se fundamentais na representação digna e eficaz da região, elevando o perfil institucional e reforçando a voz dos Enfermeiros do Norte em todos os fóruns relevantes. Aprendemos muito nos webinares e nos contributos de todos os Dirigentes dos Orgãos Regionais. A nossa Secção demonstrou uma vez mais, ser muito mais do que uma instituição: é um farol que orienta, um escudo que protege, e uma voz que fala por todos nós.

Este ano que terminou foi marcado por um trabalho notável, por um empenho incontestável e por uma dedicação que honra, verdadeiramente, a profissão que todos aqui representamos. Poderia falar-vos de inúmeros eventos, desde o “Encontro Científico de Investigação”, “Pelo Norte da Enfermagem” ou “Enfermagem às Quintas”, mas vou deter-me apenas em dois grandes eventos.

A Convenção de Enfermeiros em Fátima: Um Encontro de Significado Profundo

Na Convenção Internacional de Enfermeiros em Fátima, a participação da Secção Regional do Norte constituiu um momento de grande relevância simbólica e estratégica. Afirmou-se como protagonista activa, contribuindo de forma substancial para o diálogo profissional, a partilha de boas práticas e o reforço da identidade coletiva da Enfermagem Portuguesa. O contributo institucional e profissional apresentado nesta Convenção não apenas reflectiu o trabalho desenvolvido ao longo do ano, mas também projectou uma visão inspiradora para o futuro da profissão. Foi um testemunho vivo do compromisso com a excelência, a inovação e a responsabilidade social que caracterizam os Enfermeiros da região. Apresentaram trabalho, partilharam visões, e reafirmaram, perante toda a Comunidade de Enfermagem Portuguesa, que o Norte não acompanha apenas, mas lidera! Fátima tornou-se, assim, um testemunho vivo do nosso compromisso com a excelência e com a inovação.

"Norte Reconhece, Norte Valoriza": Uma Cerimónia de Impacto Transformador

A cerimónia "Norte Reconhece, Norte Valoriza" emergiu como uma iniciativa de importância simbólica e estratégica incontestável. Mais do que um evento protocolar, constitui um momento de profunda reafirmação dos valores que sustentam a profissão: o reconhecimento do mérito, a valorização do trabalho árduo e dedicado, e a celebração coletiva da excelência em Enfermagem, não esquecendo os seus protagonistas de hoje, mas essencialmente, os de ontem.

Esta cerimónia representa um passo significativo na mudança de narrativa sobre a profissão, contribuindo para elevar o prestígio social dos Enfermeiros e para reforçar a coesão institucional. O impacto positivo desta iniciativa estende-se muito além do momento da celebração: estabeleceu um precedente de valorização que inspira e motiva, reafirmando que o trabalho dos Enfermeiros é visto, reconhecido e verdadeiramente apreciado. É uma vocação, é um compromisso com a vida, é um ato de amor ao próximo.

Olhar para o Futuro com Esperança e Determinação

Ao reconhecer o trabalho notável realizado, não podemos deixar de reafirmar a nossa convicção “positiva” de que o melhor ainda está para vir. A Ordem dos Enfermeiros, sob a liderança dedicada que os caracteriza, do nosso Digníssimo Bastonário e do Presidente da Secção Regional, continua a ser um farol de esperança e um instrumento de transformação positiva para a profissão.

A Secção Regional do Norte, em particular, demonstrou estar à altura dos desafios contemporâneos, respondendo com criatividade, determinação e um profundo sentido de responsabilidade. O caminho traçado é claro: continuar a defender, a valorizar e a elevar a Enfermagem portuguesa.

Valores que Nos Unem, Força que Nos Impulsiona

Ao olhar para o ano encerrado, olhamos para o futuro com esperança e determinação. Os desafios que nos aguardam são significativos — sabemos disso. Mas também sabemos que temos uma instituição forte, uma liderança dedicada, e, acima de tudo, temo-nos uns aos outros.

O trabalho desenvolvido pela Secção Regional do Norte ao longo deste ano e, meio mandato já decorrido, reafirma valores fundamentais que transcendem o âmbito meramente profissional: 

  • O Reconhecimento;
  • A Coesão Institucional;
  • O Orgulho na Enfermagem;
  • A Responsabilidade Social.

Na Liderança, Rigor e Compromisso Democrático - O Coração da Instituição

A moderação das mesas de trabalho e, particularmente, a Presidência da Mesa da Assembleia Regional foram desempenhadas com uma competência e um rigor exemplares. A capacidade de conduzir debates complexos com equilíbrio, de garantir que todas as vozes sejam ouvidas e respeitadas, e de manter o foco nos objetivos coletivos revelou um profundo espírito democrático e um compromisso inabalável com o fortalecimento institucional. E isto importa porque a nossa força reside na nossa coesão, na nossa capacidade de debater com respeito, de discordar com dignidade, e de caminhar juntos em direção aos mesmos objetivos.

As lideranças dos diferentes Órgãos Regionais não se limitaram a questões de procedimentos, traduziram-se numa verdadeira mobilização em torno de causas que importam: a defesa da dignidade profissional, a promoção de condições de trabalho dignas, a valorização da formação contínua e o reconhecimento do papel central dos Enfermeiros no Sistema de Saúde através das Instituições onde trabalham.

Para terminar Sr. Presidente da Mesa,

Fica-nos um Testemunho de Gratidão e Inspiração

Traduzido nas cerimónias da entrega de Medalhas dos 25 anos, que tem acontecido com muita elevação e dignidade. À Secção Regional do Norte e ao senhor Presidente da Mesa Regional, e em Vª. Exª., Todos os Órgãos, expressamos a nossa mais sincera gratidão. O trabalho desenvolvido neste ano de 2025, não apenas honra a profissão, mas também inspira gerações futuras de Enfermeiros a abraçarem a sua vocação com o mesmo empenho, dedicação e excelência, com que nós o fizemos.

Que este reconhecimento sirva como combustível para continuar a jornada, reafirmando o compromisso com uma Enfermagem cada vez mais valorizada, respeitada e central na vida das comunidades que servimos, trilhando o caminho da lealdade com a O.E., não sendo unanimistas, nem calados em silêncios demolidores.

A Enfermagem do Norte é, verdadeiramente, motivo de orgulho nacional. Que este reconhecimento nos motive a continuar. Que nos inspire a sonhar ainda mais alto. E que nos una na convicção do que a Enfermagem representa.

Muito obrigado.

Disse

Braga, 27 de Fevereiro de 2026

 Humberto José Pereira Domingues

Membro 10167

Enf. Espec. Enfermagem Comunitária"

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

COMUNICAÇÃO ASSERTIVA EM MOMENTOS DE CATÁSTROFE

 COMUNICAÇÃO ASSERTIVA EM MOMENTOS DE CATÁSTROFE

A Comunicação é uma ferramenta importantíssima nas diferentes dimensões e relações da Sociedade. Desde os tempos ancestrais que o Homem tem necessidade de Comunicar, seja através do fumo ou do rufar dos tambores, à era dos faxes ou do correio electrónico e SMS.
Em momentos de catástrofe e calamidade, quando o imprevisível se impõe e o tempo deixa de ser um recurso abundante, a comunicação deixa de ser um simples instrumento de gestão para se tornar numa ferramenta de sobrevivência coletiva. Uma comunicação eficaz precisa de ser rápida, coerente e inteligível para todos os “públicos alvo”, desde os decisores políticos até às equipas operacionais e à população em geral. A assertividade não se resume a falar com firmeza. Trata-se de comunicar com clareza, objetividade, empatia e responsabilidade. Em crises, palavras ambíguas geram pânico, silêncios prolongados alimentam rumores e mensagens contraditórias desorganizam operações. É nesses cenários de incerteza, medo e urgência que a comunicação assertiva revela o seu valor mais crítico e útil: salvar vidas, reduzir danos e preservar a confiança social.


No plano político, a comunicação assume uma função estratégica de liderança. Os responsáveis políticos tornam-se a “voz de comando” simbólica e institucional. A população procura neles orientação, serenidade e segurança. Um discurso claro e transparente ajuda a conter a ansiedade coletiva, legitima decisões difíceis e reforça a perceção de controlo sobre a situação. Pelo contrário, hesitações públicas, informações desencontradas ou tentativas de minimizar a gravidade dos factos corroem rapidamente a credibilidade das instituições.

É precisamente aqui que emerge uma dimensão incontornável, a responsabilidade política. Em contextos de crise, comunicar não é apenas um acto técnico, é um acto de governação. A forma como os líderes informam, esclarecem e orientam a sociedade tem impacto direto na eficácia das medidas adoptadas e na protecção dos cidadãos. Uma comunicação falhada não é apenas um erro operacional, pode constituir uma falha política com consequências humanas, sociais e económicas profundas.

Quando autoridades transmitem mensagens contraditórias, subestimam riscos, atrasam alertas ou adotam discursos vagos, o efeito é devastador. A população perde referências, instala-se a desconfiança e multiplicam-se comportamentos descoordenados. A ausência de clareza pode levar ao incumprimento de recomendações de segurança, à resistência às medidas de emergência ou à disseminação de pânico coletivo. Nestes casos, a falha comunicacional transforma-se numa falha de liderança.

Mas a liderança comunicacional não se esgota no plano discursivo. Ela precisa de estar alinhada com a operacionalização das intervenções. Equipas de emergência, forças de segurança, profissionais de saúde e estruturas logísticas dependem de fluxos de informação precisos e contínuos. Ordens mal transmitidas, protocolos pouco claros ou falhas na circulação de dados podem comprometer resgates, atrasar evacuações e gerar riscos adicionais. Sistemas de informação eficientes, canais bem definidos e mensagens sem ruído são essenciais para evitar desperdícios, duplicações ou lacunas críticas. A fluidez comunicacional é, aqui, sinónimo de eficiência e eficácia. Em crises, comunicar mal é agir mal.

Contudo, é na comunicação com a População que se joga uma das dimensões mais sensíveis da gestão da crise. Informar não é apenas transmitir dados, é orientar comportamentos, instruções claras sobre segurança, deslocações, cuidados de saúde ou acesso a serviços podem fazer a diferença entre o caos e a organização social. A linguagem deve ser acessível, inclusiva e adaptada à diversidade de públicos. O tom precisa de equilíbrio entre firmeza e empatia, autoridade e proximidade.

Além disso, a transparência torna-se um imperativo ético e político. Em tempos de calamidade, esconder incertezas ou atrasar informações relevantes pode até parecer uma estratégia de controlo, mas geralmente produz o efeito inverso: desconfiança, especulação e perda de adesão às medidas propostas. A confiança pública constrói-se com verdade, consistência e presença comunicacional constante.

No mundo digital, importa ainda reconhecer o seu papel. Redes sociais e plataformas on-line amplificam mensagens oficiais, mas também propagam desinformação a uma velocidade inédita. Daí a necessidade de estratégias comunicacionais proactivas, monitorização contínua e respostas rápidas. Em ambiente digital, o vazio informativo é rapidamente ocupado por versões alternativas dos factos, muitas vezes alarmistas ou falsas.

Assim, a comunicação assertiva em contextos de catástrofe não é um detalhe técnico nem um adereço institucional. É uma infraestrutura crítica da resposta à crise. Ela articula liderança política, acção operacional, coordenação logística e cria confiança nos cidadãos. Quando bem conduzida, organiza o caos, orienta decisões e protege comunidades. Quando negligenciada, amplia danos, compromete respostas e expõe fragilidades de governação.

Num mundo cada vez mais exposto a emergências, sejam elas naturais, sanitárias ou tecnológicas, investir em literacia, competências e sistemas de comunicação de crise não é um luxo, é uma necessidade estratégica e um dever político. Porque, em tempos de calamidade, comunicar bem é mais do que informar: é exercer liderança, assumir responsabilidade e cuidar da vida coletiva.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
Mestre em Sociologia da Saúde
2026.02.16

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

PROTECÇÃO CIVIL E MILITARES: INTEGRAÇÃO NECESSÁRIA OU COOPERAÇÃO SUFICIENTE?

PROTECÇÃO CIVIL E MILITARES: INTEGRAÇÃO NECESSÁRIA 
OU COOPERAÇÃO SUFICIENTE?

Fonte da foto: Defesa Nacional

Em Portugal, a discussão sobre o papel das Forças Armadas na Protecção Civil tende a reacender-se sempre depois da tragédia. Foi assim após os grandes incêndios florestais de 2017, repete-se nas cheias que ciclicamente afectam o Norte e o Centro do país, e regressa sempre que a possibilidade de um sismo de grande magnitude volta à agenda pública. A pergunta impõe-se: faz sentido manter os militares apenas como recurso extraordinário ou devemos integrá-los de forma mais estruturada na resposta a catástrofes?

A experiência recente mostra que o sistema de Protecção Civil, apesar do empenho e da dedicação dos seus profissionais e voluntários, revela fragilidades quando confrontado com eventos de grande escala e longa duração. Incêndios simultâneos em vários distritos, populações isoladas por cheias repentinas ou um eventual sismo na região de Lisboa exigem uma capacidade de comando, logística e coordenação que ultrapassa largamente a resposta habitual.

É precisamente aqui que as Forças Armadas demonstram o seu valor acrescentado. O Exército, a Marinha e a Força Aérea dispõem de meios de engenharia, transporte, comunicações e planeamento que são determinantes em cenários de crise. Em incêndios florestais, os militares têm capacidade para abrir e manter acessos, garantir apoio logístico contínuo às forças no terreno, assegurar a evacuação de populações e proteger infraestruturas críticas. Nas cheias, os seus meios anfíbios, pontes móveis e unidades de engenharia tornam-se essenciais para o resgate e apoio às populações isoladas. Em nossa opinião, num cenário sísmico (o mais temido e o menos preparado) seriam, inevitavelmente, uma das poucas estruturas do Estado capazes de operar de forma organizada no meio do colapso.

A questão, contudo, não é a utilidade dos militares. Essa está amplamente comprovada. O debate reside no modelo de articulação. A Protecção Civil Portuguesa é, e deve continuar a ser, com a sua importância, uma estrutura de natureza civil, próxima das autarquias e das comunidades locais. Uma integração directa dos militares no comando permanente poderia gerar tensões institucionais e desvirtuar essa missão, que não se pretende.

Mas entre a exclusão e a militarização existe um caminho racional, uma integração planeada, permanente e funcional. Isso implica que as Forças Armadas não sejam chamadas apenas “quando tudo falha”, mas que participem activamente no planeamento, nos exercícios conjuntos e nos centros de decisão em situações de emergência. Oficiais de ligação, cadeias de comando previamente definidas e protocolos claros permitiriam uma resposta mais rápida, evitando improvisações que, em contexto de catástrofe, custam tempo, e vidas.

Portugal é um país pequeno, com recursos limitados e riscos naturais bem identificados. Manter compartimentos estanques entre estruturas do Estado não é sinal de prudência institucional, mas de ineficiência. A cooperação episódica já demonstrou ser insuficiente. O que se exige é uma visão estratégica que reconheça que a segurança das populações não se esgota na prevenção nem na reacção imediata, mas na capacidade de resposta integrada e sequencial.

As Forças Armadas não são uma solução milagrosa, nem substituem bombeiros, técnicos de emergência ou autarquias. Mas são, indiscutivelmente, um dos pilares que faltam para tornar o sistema de Protecção Civil mais robusto, resiliente e credível.

Quando o próximo grande incêndio, a próxima cheia ou o próximo sismo acontecer, e acontecerá, a pergunta não será se o modelo é civil ou militar. Será se o Estado estava preparado. E essa resposta constrói-se hoje, não no dia da catástrofe. Porque quando a tragédia chega, o que conta não é quem manda, é quem consegue responder melhor.

Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
Mestre em Sociologia da Saúde
2026.02.09

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

POEMA - HOMENAGEM PESSOAL AOS ENFERMEIROS PORTUGUESES

 HOMENAGEM PESSOAL AOS ENFERMEIROS PORTUGUESES


POEMA AOS ENFERMEIROS

O CANTO DA ENFERMAGEM

Onde a dor se faz mais densa
E o medo é mais real,
Brilha a vossa presença,
Farol de afecto no hospital.

Não sois só o uniforme,
A técnica e o saber,
Sois o abraço que conforta,
A força imensa de viver.

No corredor silente,
A vossa voz é calma,
Um bálsamo que desce
E apazigua a alma.

Mãos que são de ciência,
Mas também de ternura,
Que medem a febre
E curam a amargura.

Vistes o cansaço,
A dor que não se diz,
O peso do mundo
Em cada imensa cicatriz.

E mesmo na exaustão,
O passo não vacila,
Pois a chama do cuidado
Em vós sempre cintila.

Mas vós, que vedes a alma nua,
E o fardo que ninguém imagina,
Quantas lágrimas na noite escura,
Travastes, com a face divina.

O sorriso sereno que acalma,
É a máscara que a dor esconde,
A força que sustenta a alma,
Onde a esperança responde.

Vestistes o manto da coragem,
O EPI… a nova armadura,
E a Missão se fez Obrigação,
Em cada acto de salvação pura.

Ouvistes o grito mais temido,
"Não me deixe morrer só", a prece,
E fostes o afago prometido,
A mão que a solidão esquece.

Continuais por entre corredores,
Desafiando o incómodo e o tentador,
Gerindo emoções, aliviando dores,
Com a ciência e o vosso valor.

Sois mensageiros da esperança,
Para o idoso e o recém-nascido,
A vida que em vós se balança,
O toque que jamais é esquecido.

Foram turnos sem fim,
Nos Centros de Vacinação,
Mesmo com noite mal dormidas
Foi presença, trabalho e dedicação.

Obrigado por serem assim,
No nascer em cada novo dia,
A mais pura essência
Da Vossa humanidade e valia.

Enfermeiros de Portugal,
De um Povo inteiro, a gratidão,
Pela vossa coragem e entrega,
Pela vossa dedicação.

Obrigado por tudo o que sois,
Por cada madrugada em claro,
A saúde deste país respira em vós,
O nosso mais sincero e eterno OBRIGADO.

Humberto Domingues
2026.02.05

HOMENAGEM PESSOAL AOS ENFERMEIROS PORTUGUESES

 HOMENAGEM PESSOAL AOS ENFERMEIROS PORTUGUESES

Aos Enfermeiros Portugueses,

Há uma força silenciosa que percorre os hospitais e centros de saúde de Portugal. Não se vê, mas sente-se. No toque que acalma, na palavra que orienta, no olhar que entende quando tudo parece perdido. Essa força, sois VÓS, ENFERMEIROS. Homens e Mulheres da ciência, do humanismo, da entrega e da dádiva. DO ALTRUISMO!

VÓS, que sois muitas vezes os primeiros a chegar e os últimos a sair. VÓS, que recebeis a vida no primeiro choro. Que ensinastes os bebés a nascer e os Pais a serem Papás. Que segurais a mão no último suspiro. Que guardais a última confissão feita. VÓS, que não deixais ninguém morrer sozinho, mesmo quando o pedido vem em lágrimas: “não me deixe morrer só”. E quantas lágrimas vossas ficaram escondidas atrás de uma máscara, de um EPI, de um silêncio carregado de dor…

VÓS, que vedes o que ninguém vê, que carregais o que ninguém imagina, que transformastes a missão em obrigação, e a obrigação em actos heróicos de salvação.

Ser Enfermeiro não é apenas uma profissão. É uma entrega total. É dar quando já não há forças. É sorrir quando a alma está cansada. É ser esperança quando tudo dói. Mesmo magoados, mesmo feridos por dentro, continuais a acalmar, a cuidar, a salvar.

Em cada turno deixais um pouco de VÓS. Deixais humanidade. Deixais dignidade. Deixais cuidado, aquele cuidado que cura, aquele afago que ninguém faz, que salva e que faz renascer a esperança, seja no hospital, na comunidade ou na casa de cada doente.

Quantas horas dadas nos Centros de Vacinação. Quantos milhares e milhares de vacinas administradas, turno atrás de turno, horas seguidas em pé, cansaço imenso de noites mal dormidas. Mas a Missão obrigava a dizer presente! A dedicação e o brio Profissional não deixavam ninguém desistir. O Vosso exemplo é digno de homenagem!

Portugal deve-vos muito mais do que palavras. Mas saibam isto: há um POVO INTEIRO que vos admira, mesmo que às vezes em silêncio. Há famílias que nunca esquecerão o vosso nome. Há vidas que só existem porque um Enfermeiro esteve lá.

Obrigado! Obrigado por cada madrugada em claro. Por cada preocupação que levam para casa em silêncio. Por cada vida que tocaram sem sequer perceber. Por tudo o que fazem e por tudo o que são.

Passados cinco anos, em que o COVID me levou ao limite da vida onde “toquei a morte” com um dedo, posso dizê-lo com o coração cheio: sobrevivi pela ciência, pelo saber dos Homens, pela força divina que me protegeu… e pelo cuidado dos Enfermeiros (e de outros Profissionais que não esqueço). Fui doente grave. Fui cuidado por Colegas. Fui salvo por VÓS.

Por isso, permitam-me esta homenagem simples, mas sentida: OBRIGADO!

ENFERMEIROS PORTUGUESES, COLEGAS DA MINHA UNIDADE E DA ULSAM,
DE CORAÇÃO…
MUITO OBRIGADO.

Humberto Domingues
2026.02.05

QUEM ENTRA NA ESCOLA?

  QUEM ENTRA NA ESCOLA? Conhecimento, interesses e responsabilidade pública  no espaço educativo Fonte da fotografia: Escolaweb A presença d...